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Rosas que já vos fostes, desfolhadas
Por mãos também que já se foram, rosas
Suaves e tristes! Rosas que as amadas,
Mortas também, beijaram suspirosas…
Umas rubras e vãs, outras fanadas,
Mas cheias do calor das amorosas…
Sois aroma de alfombras silenciosas,
Onde dormiram tranças destrançadas.
Umas brancas, da cor das pobres freiras,
Outras cheias de viço e de frescura,
Rosas primeiras, rosas derradeiras!
Ai! quem melhor que vós, se a dor perdura,
Para coroar-me, rosas passageiras,
O sonho que se esvai na desventura?
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Presença da Literatura Brasileira II: Do Romantismo ao Simbolismo — Antonio Candido e José Aderaldo Castello, 1976, 6ª edição, Difel, São Paulo — SP; Alphonsus de Guimaraens (1870 — 1921), pseudônimo de Afonso Henrique da Costa Guimarães, mineiro de Ouro Preto, cursou Direito, foi juiz, promotor de justiça, poeta e escritor; colaborou nos jornais Diário Mercantil, Comércio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de São Paulo e A Gazeta; principais obras publicadas: Setenário das Dores de Nossa Senhora (1899), Câmara Ardente (1899), Dona Mística (1899), Kyriale (1902), Mendigos (prosa, 1920), Pauvre Lyre (1921) e, postumamente, Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte (1923), Escada de Jacó e Púlvis.
Rosas que já vos fostes, desfolhadas
Por mãos também que já se foram, rosas
Suaves e tristes! Rosas que as amadas,
Mortas também, beijaram suspirosas…
Umas rubras e vãs, outras fanadas,
Mas cheias do calor das amorosas…
Sois aroma de alfombras silenciosas,
Onde dormiram tranças destrançadas.
Umas brancas, da cor das pobres freiras,
Outras cheias de viço e de frescura,
Rosas primeiras, rosas derradeiras!
Ai! quem melhor que vós, se a dor perdura,
Para coroar-me, rosas passageiras,
O sonho que se esvai na desventura?

Presença da Literatura Brasileira II: Do Romantismo ao Simbolismo — Antonio Candido e José Aderaldo Castello, 1976, 6ª edição, Difel, São Paulo — SP; Alphonsus de Guimaraens (1870 — 1921), pseudônimo de Afonso Henrique da Costa Guimarães, mineiro de Ouro Preto, cursou Direito, foi juiz, promotor de justiça, poeta e escritor; colaborou nos jornais Diário Mercantil, Comércio de São Paulo, Correio Paulistano, O Estado de São Paulo e A Gazeta; principais obras publicadas: Setenário das Dores de Nossa Senhora (1899), Câmara Ardente (1899), Dona Mística (1899), Kyriale (1902), Mendigos (prosa, 1920), Pauvre Lyre (1921) e, postumamente, Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte (1923), Escada de Jacó e Púlvis.







