Minha alma é um velho arsenal,
Cheio de armas assassinas;
Tem a mudez sepulcral
Que paira sobre as ruínas.
Das paredes denegridas,
Da mão do tempo gretadas,
Pendem fúnebres espadas
Pela ferrugem comidas.
Há punhais de gumes tredos,
Cuja lâmina sinistra
Rápida morte ministra
A quem lhe perpassa os dedos.
Sobre os ladrilhos sombrios
Rolam farrapos poentos,
Que pelas malhas dos fios
Mostram vestígios sangrentos.
Neste recinto funéreo
Não entra o rumor diurno:
O seu aspecto soturno
Lembra a paz de um cemitério.
Mas, como um monge piedoso,
Lento, grave, a passo incerto,
Cheio de horror religioso
Percorre um claustro deserto,
Também eu, mudo, contemplo,
Concentrado e recolhido,
As solidões do meu templo
Todo em ruínas caído.
E de as ver, — de um vago imenso
Cheio de armas assassinas;
Tem a mudez sepulcral
Que paira sobre as ruínas.
Das paredes denegridas,
Da mão do tempo gretadas,
Pendem fúnebres espadas
Pela ferrugem comidas.
Há punhais de gumes tredos,
Cuja lâmina sinistra
Rápida morte ministra
A quem lhe perpassa os dedos.
Sobre os ladrilhos sombrios
Rolam farrapos poentos,
Que pelas malhas dos fios
Mostram vestígios sangrentos.
Neste recinto funéreo
Não entra o rumor diurno:
O seu aspecto soturno
Lembra a paz de um cemitério.
Mas, como um monge piedoso,
Lento, grave, a passo incerto,
Cheio de horror religioso
Percorre um claustro deserto,
Também eu, mudo, contemplo,
Concentrado e recolhido,
As solidões do meu templo
Todo em ruínas caído.
E de as ver, — de um vago imenso
Desola-me o peso atroz,
Como um mar profundo, extenso,
Que, num silêncio feroz,
Cerca-me surdo e sombrio,
E após, refluindo ao largo,
Só me deixa ao lábio frio
Vestígios do lodo amargo.
Como um mar profundo, extenso,
Que, num silêncio feroz,
Cerca-me surdo e sombrio,
E após, refluindo ao largo,
Só me deixa ao lábio frio
Vestígios do lodo amargo.
(Fanfarras, editor Dolivais Nunes,
São Paulo, 1882, p. 64 — 66.)

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Antologia dos Poetas Brasileiros — Poesia
da fase parnasiana, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova
Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Teófilo Odorico Dias de Mesquita (1854 — 1889), maranhense de Caxias, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo
(atual USP — Largo São Francisco), foi advogado, jornalista, professor, político
e poeta; colaborou com os jornais Província de São Paulo e A República, e também
com a Revista Brasileira, de José Veríssimo; lecionou Gramática Filosófica e
Francês; em 1878, participa da chamada “Batalha de Parnaso” junto a escritores
que, no Rio e em São Paulo, reagiam contra o romantismo; escreveu e publicou Flores e Amores (1874), Contos Tropicais (1878), Fanfarras (1882), Lira dos
Verdes Anos (1878), A comédia dos deuses (1888).





