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sexta-feira, 9 de junho de 2023

Dylan Thomas: No casamento de uma virgem


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[traduzido por Caio Túlio Costa]

Despertando sozinha entre uma profusão de amores, quando a luz da
manhã
Surpreendia no abrir de seus olhos longos como a noite
O dourado ontem dele, adormecido sobre sua íris
E o sol desse dia saltou das suas coxas para o céu
A milagrosa virgindade era velha como pães e peixes,
Embora o momento do milagre seja um relampejar sem fim
E no rastro da Galiléia os estaleiros escondam uma frota de pombas.

Nunca mais as vibrações do sol desejarão
Sua almofada profunda como mar onde uma vez sozinha ela se casou,
Seu coração todo olhos e ouvidos, lábios agarrando a avalanche
Do espírito dourado que enroscou com sua corrente seu osso
mercurial,
Que sob o parapeito de sua janela içou a bagagem dourada,
Pois dorme um homem onde caiu o fogo e ela conhece entre seus
braços
Aquele outro sol, o ciumento fluir do sangue sem rival.

[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 26.02.84

Dylan Thomas

On the marriage of a virgin

Waking alone in a multitude of loves when morning’s light
Surprised in the opening of her nightlong eyes
His golden yesterday asleep upon the iris
And this day’s sun leapt up the sky out of her thighs
Was miraculous virginity old as loaves and fishes,
Though the moment of a miracle is unending lightining
And the shipyards of Galilee’s footprints hide a navy of doves.

No longer will the vibrations of the sun desire on
Her deepsea pillow where once she married alone,
Her heart all ears and eyes, lips catching the avalanche
Of the golden ghost who ringed vith his streams her mercury bone,
Who under the lids of her windows hoisted his golden luggage,
For a man sleeps where fire leapt down and she learns through his
arm
That other sun, the jealous coursing of the unrivalled blood.

* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro, trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificada através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Dylan Marlais Thomas (1914 1953), nascido em Swansea País de Gales, frequentou a Swansea Grammar Scholl, após abandonar os estudos tornou-se repórter do South Wales Daily Post e foi poeta; inicia-se na poesia aos 16 anos logo depois junta-se à Swansea Little Theatre Company, ao lado da irmã, e nesta época escreve a maior parte de sua produção poética; em 1933 publica no New English Weekly seu primeiro poema fora do País de Gales e, no ano seguinte, já em Londres, recebe o prêmio literário Poet’s Corner; Dylan Thomas é considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, ao lado de W. Carlos Williams, Wallace Stevens, T. S. Eliot e W. B. Yeats e, apesar de ter-se ido aos 39 anos de idade, deixou-nos um legado poético e influenciou toda uma geração de escritores; o poeta sucumbiu a uma vida de alcoolismo, hábito que abusadamente contraíra aos 18 anos de idade, vindo a morrer já com sérios problemas de saúde; obras: 18 Poems (1934), 25 Poems (1936), The Map of Love (1939), Twenty-Six Poems (1950), Colleted Poems (1952) e outros textos em verso e prosa e também para teatro.