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[traduzido
por Caio Túlio Costa]
Despertando
sozinha entre uma profusão de amores, quando a luz da
manhã
Surpreendia
no abrir de seus olhos longos como a noite
O
dourado ontem dele, adormecido sobre sua íris
E
o sol desse dia saltou das suas coxas para o céu
A
milagrosa virgindade era velha como pães e peixes,
Embora
o momento do milagre seja um relampejar sem fim
E
no rastro da Galiléia os estaleiros escondam uma frota de pombas.
Nunca
mais as vibrações do sol desejarão
Sua
almofada profunda como mar onde uma vez sozinha ela se casou,
Seu
coração todo olhos e ouvidos, lábios agarrando a avalanche
Do
espírito dourado que enroscou com sua corrente seu osso
mercurial,
Que
sob o parapeito de sua janela içou a bagagem dourada,
Pois
dorme um homem onde caiu o fogo e ela conhece entre seus
braços
Aquele
outro sol, o ciumento fluir do sangue sem rival.
[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 26.02.84
On the marriage of a
virgin
Waking
alone in a multitude of loves when morning’s light
Surprised
in the opening of her nightlong eyes
His
golden yesterday asleep upon the iris
And
this day’s sun leapt up the sky out of her thighs
Was
miraculous virginity old as loaves and fishes,
Though
the moment of a miracle is unending lightining
And
the shipyards of Galilee’s footprints hide a navy of doves.
No
longer will the vibrations of the sun desire on
Her
deepsea pillow where once she married alone,
Her
heart all ears and eyes, lips catching the avalanche
Of
the golden ghost who ringed vith his streams her mercury bone,
Who
under the lids of her windows hoisted his golden luggage,
For
a man sleeps where fire leapt down and she learns through his
arm
That
other sun, the jealous coursing of the unrivalled blood.
* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de
blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento dominical de
cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro,
trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha
editorial e estrutura modificada através do tempo, circulou entre 1977 e 1989;
o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim,
periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores],
Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas
Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Dylan Marlais Thomas (1914 — 1953), nascido
em Swansea — País de Gales, frequentou a Swansea Grammar Scholl, após abandonar
os estudos tornou-se repórter do South Wales Daily Post e foi poeta; inicia-se na
poesia aos 16 anos logo depois junta-se à Swansea Little Theatre Company, ao lado
da irmã, e nesta época escreve a maior parte de sua produção poética; em 1933 publica
no New English Weekly seu primeiro poema fora do País de Gales e, no ano
seguinte, já em Londres, recebe o prêmio literário Poet’s Corner; Dylan Thomas é
considerado um dos maiores poetas do século XX em língua inglesa, ao lado de W.
Carlos Williams, Wallace Stevens, T. S. Eliot e W. B. Yeats e, apesar de ter-se
ido aos 39 anos de idade, deixou-nos um legado poético e influenciou toda uma geração
de escritores; o poeta sucumbiu a uma vida de alcoolismo, hábito que abusadamente
contraíra aos 18 anos de idade, vindo a morrer já com sérios problemas de saúde;
obras: 18 Poems (1934), 25 Poems (1936), The Map of Love (1939), Twenty-Six Poems
(1950), Colleted Poems (1952) e outros textos em verso e prosa e também para teatro.