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quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

François Coppée: Para sempre

 
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[traduzido por Antônio Sales]

Murmuras: "Para sempre!" ao meu ombro inclinada.
Nossa separação virá, no entanto. É a sorte.
Um de nós, o primeiro, há de encontrar a morte,
e do chorão dormir sob a triste ramada.

Vinte vezes, do cais, já vira a marujada
ao molhe regressar o brigue de alto porte;
mas um dia se fez de rumo para o Norte,
e o Polo o sepultou sob o gelo. Mais nada.

Vinte anos ao beiral, com a primavera, o bando
de andorinhas volveu, jubiloso, chilrando;
mas o verão chegou, e eu não as vejo mais.

Juras de eterno amor teus doces lábios soltam...
Mas eu penso no adeus dos que vão e não voltam...
Por que a palavra "sempre" em boca de mortais?

François Coppée

Pour toujours

«Pour toujours!» me dis-tu, le front sur mon épaule.
Cependant nous serons séparés. C’est le sort.
L’un de nous, le premier, sera pris par la mort
Et s’en ira dormir sous l’if ou sous le saule.

Vingt fois, les vieux marins qui flânent sur le môle,
Ont vu, tout pavoisé, ce brick rentrer au port;
Puis, un jour, le navire est parti vers le Nord.
Plus rien. Il s’est perdu dans les glaces du Pôle.

Sous mon toit, quand soufflait la brise du printemps,
Les oiseaux migrateurs sont revenus, vingt ans;
Mais, cet été, le nid n’a plus ses hirondelles.

Tu me jures, maîtresse, un éternel amour;
Mais je songe aux départs qui n’ont pas de retour.
Pourquoi le mot « toujours » sur des lèvres mortelles?

(Les paroles sincères, poésies — 1909)
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; François Édouard Joachim Coppée (1842 1908), francês e parisiense, estudou no Lycée Saint-Louis, empregou-se como funcionário público trabalhou na biblioteca do Senado e como arquivista da Comédie Française, foi romancista, dramaturgo e poeta do parnasianismo; em 1884, tendo sido eleito para a Academie Française, se afastou de suas funções públicas e passou a dedicar-se inteiramente à arte literária e à dramaturgia; seus primeiros versos impressos datam de 1864; obras publicadas: Le Reliquaire (poésie, 1866), Les Intimités (poésie, 1867), Poèmes modernes: 1867-1869 (1869), Le Passant (comédie en un acte, en vers, 1869), Deux douleurs (drame en un acte, en vers, 1870), L’Abandonnée (drame en deux actes, en vers, 1871), Le Rendez-vous (comédie en un acte, en vers, 1872), Le Cahier rouge (poésie, 1874), La Guerre de cent ans (drame en cinq actes, en vers), Madame de Maintenon (drame en cinq actes avec un prologue, en vers, 1881), Severo Torelli (drame en cinq actes, en vers, 1883), Les Jacobites (drame en cinq actes, en vers, 1885), Arrière-Saison (poésie, 1887), Les Paroles sincères (poésie, 1891), e outros títulos em verso, prosa e para teatro.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Sully-Prudhomme: O estrangeiro

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[traduzido por Antônio Sales]

Pergunto muita vez: De que raça és nascido?
Nada há que tenha o dom de prender-te e encantar-te;
Nada que o pensamento e os sentidos te farte;
Fazes supor que um bem infindo te é devido.

Que paraíso, entanto, hás tu jamais perdido?
De que causa suprema empunhaste o estandarte,
Para ver só miséria e vício em toda parte,
Que virtude e beleza inatas te hão nutrido?

À saudade de um céu, que eu entrevejo obscuro.
Ao meu tédio divino uma origem procuro,
Que em meu peito de argila indistinta se some...

E das dores que exprimo a espantar-me o primeiro,
Sinto chorar em mim um sublime estrangeiro
Que sempre me ocultou sua pátria e seu nome.

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Sully-Prudhomme

L'étranger

Je me dis bien souvent: de quelle race es-tu?
Ton coeur ne trouve rien qui l'enchaîne ou ravisse,
Ta pensée et tes sens, rien qui les assouvisse:
Il semble qu'un bonheur infini te soit dû.

Pourtant, quel paradis as-tu jamais perdu?
A quelle auguste cause as-tu rendu service?
Pour ne voir ici-bas que laideur et que vice,
Quelle est ta beauté propre et ta propre vertu?

A mes vagues regrets d'un ciel que j'imagine,
A mes dégoûts divins, il faut une origine:
Vainement je la cherche en mon coeur de limon;

Et, moi-même étonné des douleurs que j'exprime,
J'écoute en moi pleurer un étranger sublime
Qui m'a toujours caché sa patrie et son nom.
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Antologia de Poetas Franceses do séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França, por R. Magalhães Jr., sem data, Ediouro — Clássicos de bolso, Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Sully-Prudhomme ou René Armand François Prudhomme (1839 1907), francês de Paris, trabalhou como escriturário em fábrica, estudou Direito e foi poeta; pertenceu ao grupo de poetas parnasianos que foram responsáveis pela publicação da revista Parnasse contemporain; elegeu-se para a Academia Francesa (1881) e foi o primeiro autor a receber o Nobel de Literatura (1901); obra poética: Stances et Poèmes (1865), Les Épreuves (1866), Les Solitudes (1869), Les Destins (1872), La France (1874), Les Vaines tendresses (1875), La Justice (1878), Le Prisme, poésies diverses (1886), Le Bonheur (1888) e outros.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Sully-Prudhomme: A Filosofia

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[traduzido por Antônio Sales]

Uma triste mulher, que em si mesma, silente,
se abisma, em pé curvada: eis a Filosofia.
Solitária, na sombra entra, e ali se confia
aos impulsos da fé, que em seu íntimo sente.

A terra, as estações, o azul resplandecente,
a volúpia falaz da vida que irradia,
tudo o que o nosso olhar percebe, a deixa fria:
ela reclama e busca um sempiterno ausente.

Virgem augusta, eu te amo e o teu pesar compreendo:
de ti me aproximando, o meu hálito prendo,
para não perturbar o teu labor divino.

Porque de tua boca eu espero o segredo,
que desejo saber e de que tenho medo:
 minha origem qual é, e qual o meu destino?

Sully-Prudhomme

La Philosophie

Cette femme qui, triste, en soi-même descend,
Debout, le front penché, c’est la Philosophie.
Solitaire, dans l’ombre elle entre, et se confie,
La main sur la poitrine, à l’appui qu’elle y sent.

La terre, les saisons, l’azur resplendissant,
Toutes les voluptés trompeuses de la vie,
Les choses qu’on peut voir, ne lui font point envie,
Elle réclame et cherche un éternel absent.

Vierge auguste, je t’aime et je connais ta peine.
En approchant de toi, je retiens mon haleine,
Pour que nul souffle humain ne trouble ton labeur,

Car j’attends de ta bouche à se taire obstinée,
Le mot que je désire et dont pourtant j’ai peur,
Le mot de ma naissance et de ma destinée.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima, Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Sully-Prudhomme ou René Armand François Prudhomme (1839 1907), francês de Paris, trabalhou como escriturário em fábrica, estudou Direito e foi poeta; pertenceu ao grupo de poetas parnasianos responsáveis pela publicação da revista Parnasse contemporain; elegeu-se para a Academia Francesa (1881) e foi o primeiro autor a receber o Nobel de Literatura (1901); obra poética: Stances et Poèmes (1865), Les Épreuves (1866), Les Solitudes (1869), Les Destins (1872), La France (1874), Les Vaines tendresses (1875), La Justice (1878), Le Prisme, poésies diverses (1886), Le Bonheur (1888).