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Francisco Inácio Peixoto?
Este nome acende em redor um clarão
verde,
do tempo em que o verde não era cor
política,
cheia de caras fechadas e interjeições
iracundas.
Era só verde-alegria, verde-vinte anos,
verde-festa, verde-algazarra, verde-pau
no lombo dos passadistas,
verde-charanga altissonante em devoção
de Oswald
e Tarsila e Mário e Guilherme e Ronald e
Manuel
— nossos ídolos bem nossos!
Francisco Inácio Peixoto...
Nome que lembra índio, os novos audazes
cataguás!
invadindo o sono de Meia-Pataca para a
conquista de outra espécie
de poder: o poder estético.
Deram duro, brigaram com alta e bela
ingenuidade.
Marcaram um minuto mineiro, tão
descontraído, tão macunaíma,
que a gente não esquece mais o cauim
dessa bebedeira.
Francisco, eu disse, Francisco Inácio
Peixoto!
Agora o nome abre-se no vasto pátio de
um colégio
por sua vez aberto ao vento do mundo, e
no centro o painel sangrento
de Portinari grita liberdade aos quatro
cantos da Terra.
Podem tirá-lo dali: que importa?
A chama continua, sob as cinzas,
no destino de chama.
E o nome expande-se em museu moderno de
arte,
museu que poderia ter sido e que não
foi.
Francisco Inácio, usina pessoal de
sonhos que se tornam realidade
para voltar depois ao reino escuro de
antes do sonho.
Ainda uma vez, que importa?
Na água-espelho dos setent’anos
a face límpida do criador vence as
mesquinhas contingências do
tempo.
* Nota de Joaquim Branco, autor deste Passagem para a Modernidade...:
“Por ocasião das comemorações do 70º aniversário de Francisco Inácio Peixoto [um dos signatários do Manifesto do Grupo Verde de Cataguases e participante da modernista e cataguasense revista Verde, 1927—1929], organizamos, com a colaboração dos poetas Francisco Marcelo Cabral, P. J. Ribeiro, Aquiles Branco, Márcia Carrano, Ronaldo Werneck e Carlos Sérgio Bittencourt, um número especial no [suplemento] “Totem” [do jornal Cataguases] em sua homenagem. Um dos convidados para colaborar foi o poeta Carlos Drummond de Andrade, que prontamente acedeu ao nosso convite, enviando o poema [Um nome: O que diz] ....”
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Passagem para a Modernidade —
Transgressões e experimentos na poesia de Cataguases (Década de 1920), Texto, Introdução
e Notas de Joaquim Branco e Apresentação de Francis Paulina Lopes da Silva, 2002,
Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG e Editar Editora Associada,
Juiz de Fora — MG; Carlos Drummond
de Andrade (1902 — 1987), mineiro de Itabira, poeta, contista e cronista, viveu
intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso e
prosa publicadas em livros, jornais e revistas pelo país afora e no resto do mundo;
suas obras: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940);
José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945);
Novos Poemas; Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952);
Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira,
crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo;
Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967);
Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão, crônicas (1970);
O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo
— Boitempo II (1973); De Notícias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974); Discurso
de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis (1981); Boca de Luar,
crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985);
O Avesso das Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e outros textos...










