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terça-feira, 28 de novembro de 2023

Victor Hugo: A Palavra


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[traduzido por Álvaro Reis]

Cautela, precaução em tudo o que dizeis.
Tudo pode surgir, todos vós compreendeis,
De uma palavra que se deixa no caminho,
Quer no meio de um grupo ou falando sozinho.
Tudo. O ódio e o luto. E não me repliqueis jamais,
Que o vosso amigo é certo, e que baixo falais.
Escutai isto bem: Dizei, porta fechada,
A sós, na vossa casa, em sala reservada,
Aos ouvidos do mais circunspecto da grei
Do amigo do peito, um segredo, dizei.
Ou, melhor murmurai quase indistintamente,
Num fundo subterrâneo, uma frase veemente,
Desagradável a um indivíduo qualquer.
E a frase que julgais ninguém ouvido ter,
Que dissestes tão baixo e num lugar sombrio,
Apenas emitida, ela não se demora...
A tal palavra corre e sai da sombra fora;
De olhos fechados sabe o caminho, marchando;
Possui dois pés, e empunha um bastão formidando,
Tem brutais sapatões e um passaporte em regra,
Se é mister, ela toma as asas da águia negra
E vos escapa, e foge, e nada a deterá:
Segue o cais, atravessa a praça, longe está;
Passa a água sem batel na estação das enchentes;
Das ruas através do dédalo animado,
Vai rente ao cidadão de que haveis murmurado.
Sabe o número, o andar, o interior do sobrado;
Leva as chaves; e sobe a alta escada, e abre as portas
E passa e entra e chega; entra até as horas mortas,
E, num riso insidioso, olhando fixamente
O homem que ali está, diz logo, frente a frente:
Eis-me. Da boca eu vim de um fulano de tal...
E pronto. Tendes um inimigo mortal!

Victor Hugo

Le mot

Jeunes gens, prenez garde aux choses que vous dites.
Tout peut sortir d'un mot qu'en passant vous perdîtes.
Tout, la haine et le deuil! Et ne m'objectez pas
Que vos amis sont sûrs et que vous parlez bas...
Ecoutez bien ceci:

Tête-à-tête, en pantoufle,
Portes closes, chez vous, sans un témoin qui souffle,
Vous dites à l'oreille au plus mystérieux
De vos amis de coeur, ou, si vous l'aimez mieux,
Vous murmurez tout seul, croyant presque vous taire,
Dans le fond d'une cave à trente pieds sous terre,
Un mot désagréable à quelque individu;
Ce mot que vous croyez que l'on n'a pas entendu,
Que vous disiez si bas dans un lieu sourd et sombre,
Court à peine lâché, part, bondit, sort de l'ombre!
Tenez, il est dehors! Il connaît son chemin.
Il marche, il a deux pieds, un bâton à la main,
De bons souliers ferrés, un passeport en règle;
Au besoin, il prendrait des ailes, comme l'aigle!
Il vous échappe, il fuit, rien ne l'arrêtera.
Il suit le quai, franchit la place, et caetera,
Passe l'eau sans bateau dans la saison des crues,
Et va, tout à travers un dédale de rues,
Droit chez l'individu dont vous avez parlé.
Il sait le numéro, l'étage; il a la clé,
Il monte l'escalier, ouvre la porte, passe,
Entre, arrive, et, railleur, regardant l'homme en face,
Dit: Me voilà! je sors de la bouche d'un tel.

Et c'est fait. Vous avez un ennemi mortel.

[Toute la lyre — 1888]
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Antologia de Poetas Franceses do séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França, [111 autores e muitos tradutores], Organização e Prefácio de R. Magalhães Jr. e Introdução de Michel Simon, Clássicos de bolso Ediouro — nº 12126, sem data [1985 ?], Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Victor-Marie Hugo (1802 1885), francês de Besançon, fez seus primeiros estudos no Seminário de Los Nobles de Madri e no Liceu Luis le Grand de Paris, foi poeta, escritor e dramaturgo do Romantismo francês; compôs poemas desde muito jovem e aos quinze anos foi premiado em concurso de poesia da Academia Francesa; em 1822 integrou-se ao Romantismo e logo tornou-se porta voz deste movimento; em 1825, liderando um grupo de jovens escritores, criou o Cenáculo; o poeta lutou contra Napoleão III e, quando este se tornou imperador, recusou a anistia e foi para o exílio em Bruxelas, Guernsey e Jersey; suas obras: Bug Jargal (novela, 1820), Odes et Poésies Diverses (1822), Odes et Ballades (1826), Cromwell (drama, cujo prefácio foi considerado o Manifesto do Romantismo contra o Classicismo, 1826), Marion de Lorme (peça teatral censurada, 1829), Les Orientales (poesias, 1829), Hernani (peça teatral, representando o fim do Classicismo, 1830), Notre Dame de Paris (romance histórico, 1831), Lucrèce e Marie Tudor (dramas, 1833), Littérature et Philosophie Mêlées e a novela Claude Gueux (ambas em 1834), Chants du Crépuscule (1835), Les Voix Intérieures (poesias, 1837), Les Rayons et les Ombres (poesias, 1840), Les Burgraves (teatro, 1843), Les Misérables (1845-1861) Os Castigos (1853), As Contemplações (1856), O Homem que Ri (1869) e outros títulos; Victor Hugo também foi estadista, elegendo-se deputado da Assembléia Nacional e, depois, elegendo-se senador.

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Victor Hugo: O Morcego

 
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[traduzido por Jamil Almansur Haddad]

Eu conheço-te bem, eu te vi nos meus sonhos,
Pássaro triste; vejo em vão os tristonhos
Círculos desiguais de teus voos hostis;
Trazes dos duendes a mensagem de naufrágios;
Vai que para temer os teus negros presságios,
Eu nunca fui culpado e nunca fui feliz.

Espera enfim que a virgem, a mim sempre jungida,
Que como um anjo o céu mandou a minha vida,
Tenha-me coroado de minuto e minuto;
Tu voltarás então, turbando o meu festim,
Feliz a desdobrar as asas sobre mim,
Como dois véus de luto.

Irmão do mocho fúnebre e do xofrango ávido,
Juntando o agrifólio atro ao nenúfar que é lívido,
Os filhos de Satã vão te invocando absortos;
Emigra deste lar que o meu peito respira;
Tua garra não toque a minha lira,
Pois poderá por certo despertar os mortos.

À noite se os demônios dançam no céu que assombra,
Segues o coro mágico errando pela sombra.
O hino infernal te chama, torvo morcego langue,
Foge! um doce perfume sai das flores de brasas.
Foge! é preciso às tuas asas
O ar da tumba natal como o vapor do sangue.

O que te traz a mim? Tu vens destas colinas
Em que a lua passeia sobre as brancas ruínas?
Sua fronte é tal tu, sombria e sem palor.
Teus olhos na sua rota hesitante
Seguiram o farol de meu fogo distante?
Chamada pela glória, é assim que vem a dor.
Surges de alguma torre onde a vertigem passa,
Anão bizarro e cruel que nos montes esvoaça
Dá as luzes do charco o seu aéreo rubor,
Ri pelo ar, dos pinheiros vai curvando os cismos,
Cada noite, girando à borda dos abismos,
Atira para o abismo um pálido viajor?

Em vão em volta o teu voo que marcha e plana
Semeia odor de tumba e de poeira humana;
Teu aspecto incomoda mas sem assustar,
Foge, antes que eu entregue, sombrio, amanhã,
O teu corpo veloso, de transparência vã,
De quem o pastor adorna o seu soturno lar.

Crianças brincando com teu dente furioso
Uma virgem virá, tremulante e curiosa,
Com seu riso a assustar com seu dorido açoite
E o dia te verá pelo céu exilado,
A mil felizes pássaros juntado
Buscar em vão em voo cego e grave a noite.

Victor Hugo

La chauve-souris

[Ode cinquième]

Oui, je te reconnais, je t'ai vu dans mes songes,
Triste oiseau! mais sur moi vainement tu prolonges
Les cercles inégaux de ton vol ténébreux;
Des spectres réveillés porte ailleurs les messages;
Va, pour craindre tes noirs présages;
Je ne suis point coupable et ne suis point heureux!

Attends qu'enfin la vierge, à mon sort asservie,
Que le ciel comme un ange envoya dans ma vie,
De ma longue espérance ait couronné l'orgueil;
Alors tu reviendras, troublant la douce fête,
Joyeuse, déployer tes ailes sur ma tête,
Ainsi que deux voiles de deuil!

Soeur du hibou funèbre et de l'orfraie avide,
Mêlant le houx lugubre au nénuphar livide,
Les filles de Satan t'invoquent sans remords;
Fuis l'abri qui me cache et l'air que je respire;
De ton ongle hideux ne touche pas ma lyre,
De peur de réveiller des morts!

La nuit, quand les démons dansent sous le ciel sombre,
Tu suis le choeur magique en tournoyant dans l'ombre.
L'hymne infernal t'invite au conseil malfaisant.
Fuis! car un doux parfum sort de ces fleurs nouvelles;
Fuis, il faut à tes mornes ailes
L'air du tombeau natal et la vapeur du sang.

Qui t'amène vers moi? Viens-tu de ces collines
Où la lune s'enfuit sur de blanches ruines?
Son front est, comme toi, sombre dans sa pâleur.
Tes yeux dans leur route incertaine
Ont donc suivi les feux de ma lampe lointaine?
Attiré par la gloire, ainsi vient le malheur!

Sors-tu de quelque tour qu'habite le Vertige,
Nain bizarre et cruel, qui sur les monts voltige,
Prête aux feux du marais leur errante rougeur,
Rit dans l'air, des grands pins courbe en criant les cimes,
Et chaque soir, rôdant sur le bord des abîmes,
Jette aux vautours du gouffre un pâle voyageur?

En vain autour de moi ton vol qui se promène
Sème une odeur de tombe et de poussière humaine;
Ton aspect m'importune et ne peut m'effrayer.
Fuis donc, fuis, ou demain je livre aux yeux profanes
Ton corps sombre et velu, tes ailes diaphanes,
Dont le pâtre conteur orne son noir foyer.

Des enfants se joueront de ta dent furieuse;
Une vierge viendra, tremblante et curieuse,
De son rire craintif t'effrayer à grand bruit;
Et le jour te verra, dans le ciel exilée,
À mille oiseaux joyeux mêlée,
D'un vol aveugle et lourd chercher en vain la nuit!
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Victor Hugo: Cartas, Teatro, Poesia — Volume IV [peça Os Burgraves], Tradução de Hilário Correia e [Odes e Baladas], Introdução, Seleção de Traduções e Traduções de Jamil Almansur Haddad, 1960, Editora das Américas, São Paulo — SP; Victor-Marie Hugo (1802 1885), francês de Besançon, fez seus primeiros estudos no Seminário de Los Nobles de Madri e no Liceu Luis le Grand de Paris, foi poeta, escritor e dramaturgo do Romantismo francês; compôs poemas desde muito jovem e aos quinze anos foi premiado em concurso de poesia da Academia Francesa; em 1822 integrou-se ao Romantismo e logo tornou-se porta voz deste movimento; em 1825, liderando um grupo de jovens escritores, criou o Cenáculo; o poeta lutou contra Napoleão III e, quando este se tornou imperador, recusou a anistia e foi para o exílio em Bruxelas, Guernsey e Jersey; obras: Bug Jargal (novela, 1820), Odes et Poésies Diverses (1822), Odes et Ballades (1826), Cromwell (drama, cujo prefácio foi considerado o Manifesto do Romantismo contra o Classicismo, 1826), Marion de Lorme (peça teatral  censurada, 1829), Les Orientales (poesias, 1829), Hernani (peça teatral, representando o fim do Classicismo, 1830), Notre Dame de Paris (romance histórico, 1831), Lucrèce e Marie Tudor (dramas, 1833), Littérature et Philosophie Mêlées e a novela Claude Gueux (ambas em 1834), Chants du Crépuscule (1835), Les Voix Intérieures (poesias, 1837), Les Rayons et les Ombres (poesias, 1840), Les Burgraves (teatro, 1843), Les Misérables (1845-1861) Os Castigos (1853), As Contemplações (1856), O Homem que Ri (1869) e outros títulos; Victor Hugo também foi estadista, elegendo-se  deputado da Assembléia Nacional e, depois, elegendo-se senador.

segunda-feira, 14 de março de 2022

Victor Hugo: Fim

 
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[traduzido por Jamil Almansur Haddad]

I

Assim de um povo inteiro ia folheando a história!
Livro fatal de dor, de grandeza e vitória,
Sentia em minha lira agitado compasso,
Cada vez que passava a penumbra de um crime,
Sempre uma sobre a outra, como um tumor sublime,
                Tombavam as páginas de aço.

E fechemos agora o livro formidável.
Basta de interrogar a esfinge inabordável
Que Deus e monstro o guarda em seus grandes mistérios.
O enigma que propõe escapa a muita lira,
Ele a palavra grava na fronte dos impérios
                Em letras que são sangue e ardente pira.

II

Não procuremos não estão palavra! Poeta,
Por que não dormes sobre a tua lira quieta?
Por que mostrá-la à luz e a prostituir?
Por que teu canto atroz e teu louco lamento?...
                É que era preciso ao meu pensamento
                Haver todo um povo a fremir.

Eu das revoluções abria o abismo imundo?
É que é preciso um caos a quem criar um mundo;
É que uma grande voz na noite me falou;
É que eu enfim queria levar o povo à meta
                E confrontar o século que passa,
                Com o século que passou.

Requer o gênio um povo que chama tão calma
Anime, aqueça e abrase à maneira de uma alma.
Ah, precisa de um mundo de que seja tirano.
Desde que ele iniciou seu voo, do penhasco,
                Para que o furacão espaireça à vontade
                Nunca será demais o oceano!

Lá pode abrir as asas e a sua voz de fráguas
Sobre um abismo largo e as mais profundas mágoas.
E lá pode saltar, um gigante que assombra
E girar, posto o pé em meio do escarcéu
                Num pé, firmando-se na tromba
                E com um braço sustentando o céu.

Victor Hugo

FIN

Ubi defuit orbis.

I

Ainsi d'un peuple entier je feuilletais l'histoire!
Livre fatal de deuil, de grandeur, de victoire.
Et je sentais frémir mon luth contemporain,
Chaque fois que passait un grand nom, un grand crime,
Et que l'une sur l'autre, avec un bruit sublime,
                Retombaient les pages d'airain.

Fermons-le maintenant, ce livre formidable.
Cessons d'interroger ce sphinx inabordable
Qui le garde en silence, à la fois monstre et dieu.
L'énigme qu'il propose échappe à bien des lyres;
Il n'en écrit le mot, sur le front des empires,
                Qu'en lettres de sang et de feu.

II

Ne cherchons pas ce mot. Alors, pourquoi, poète,
Ne t'endormais-tu pas sur ta lyre muette?
Pourquoi la mettre au jour et la prostituer?
Pourquoi ton chant sinistre et ta voix insensée?...
                C'est qu'il fallait à ma pensée
                Tout un grand peuple à remuer.

Des révolutions j'ouvrais le gouffre immonde?
C'est qu'il faut un chaos à qui veut faire un monde.
C'est qu'une grande voix dans ma nuit m'a parlé.
C'est qu'enfin je voulais, menant au but la foule,
                Avec le siècle qui s'écoule
                Confronter le siècle écoulé.

Le génie a besoin d'un peuple que sa flamme
Anime, éclaire, échauffe, embrase comme une âme.
Il lui faut tout un monde à régir en tyran.
Dès qu'il a pris son vol du haut de la falaise,
                Pour que l'ouragan soit à l'aise,
                Il n'a pas trop de l'océan!

C'est là qu'il peut ouvrir ses ailes; là, qu'il gronde
Sur un abîme large et sur une eau profonde;
C'est là qu'il peut bondir, géant capricieux,
Et tournoyer, debout dans l'orage qui tombe,
                D'un pied s'appuyant sur la trombe,
                Et d'un bras soutenant les cieux!
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Victor Hugo: Cartas, Teatro, Poesia — Volume IV [peça Os Burgraves], Tradução de Hilário Correia e [Odes e Baladas], Introdução, Seleção de Traduções e Traduções de Jamil Almansur Haddad, 1960, Editora das Américas, São Paulo — SP; Victor-Marie Hugo (1802 1885), francês de Besançon, fez seus primeiros estudos no Seminário de Los Nobles de Madri e no Liceu Luis le Grand de Paris, foi poeta, escritor e dramaturgo do Romantismo francês; compôs poemas desde muito jovem e aos quinze anos foi premiado em concurso de poesia da Academia Francesa; em 1822 integrou-se ao Romantismo e logo tornou-se porta voz deste movimento; em 1825, liderando um grupo de jovens escritores, criou o Cenáculo; o poeta lutou contra Napoleão III e, quando este se tornou imperador, recusou a anistia e foi para o exílio em Bruxelas, Guernsey e Jersey; obras: Bug Jargal (novela, 1820), Odes et Poésies Diverses (1822), Odes et Ballades (1826), Cromwell (drama, cujo prefácio foi considerado o Manifesto do Romantismo contra o Classicismo, 1826), Marion de Lorme (peça teatral  censurada, 1829), Les Orientales (poesias, 1829), Hernani (peça teatral, representando o fim do Classicismo, 1830), Notre Dame de Paris (romance histórico, 1831), Lucrèce e Marie Tudor (dramas, 1833), Littérature et Philosophie Mêlées e a novela Claude Gueux (ambas em 1834), Chants du Crépuscule (1835), Les Voix Intérieures (poesias, 1837), Les Rayons et les Ombres (poesias, 1840), Les Burgraves (teatro, 1843), Les Misérables (18451861) Os Castigos (1853), As Contemplações (1856), O Homem que Ri (1869) e outros títulos; Victor Hugo também foi estadista, elegendo-se  deputado da Assembléia Nacional e, depois, elegendo-se senador.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Victor Hugo: O Poeta nas revoluções

 
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[traduzido por Múcio Teixeira]

“O vento arroja distante
a semente do pomar:
Curva o cedro sobre o monte,
Curva o barco sobre o mar...
Mancebo! também a sorte
Nos prende, da vida à morte,
Ao poste do dissabor;
Mas ah! na luta sublime:
Há o remorso para o crime...
E a lágrima para a dor!...”

O que?!... serão temerários
Os meus hinos?... isso não!
Não que jamais hão de ver-me
Surdo às vozes dum irmão.
O Poeta, em seu fadário,
Exilado voluntário
Aos homens aponta o céu...
E quando a turba delira,
Afina as cordas da lira,
Desce ao inferno... é Orfeu!

“Orfeu às penas eternas
Vai os mortos despertar...
Sobre as frontes criminosas
Solta o verbo perdoar!...
Oh! e desces, insensato,
À arena do pugilato
A julgar sem combater?...
Ah! néscio! em tua demência
Vens corromper a inocência,
Fazer o crime vencer!...”

Quando o crime Piton lívido
Impune zomba das leis,
A Musa torna-se Eumênide...
Os povos torcem os reis!...
Eu cedo ao Deus que me alenta
E sem temer a tormenta
Abro minha alma ao luar!...
Vou seguindo a minha estrela:
Se o tufão rasga-me a vela,
Eu rasgo o peito do mar!

“Os homens vão ao abismo...
Salva-os se o podes... então?!
Tão longe dos céus propícios,
Pra que teus passos em vão?...
Podes tu, ao som dos hinos,
Sem rasgar outros destinos,
Fechar a vida nas mãos?...
Doura, estende a curta vida!
Não tens uma Mãe querida?
Poeta! não tens irmãos?...”

Pois bem! Aos meus reverberos,
Se eu morro, os céus vão se abrir...
O amor engrandece as almas,
Quem ama expira a sorrir!...
O Vate, perante o crime,
Se o justo canta e redime,
É justo, é juiz também:
E... quando a justiça expira,
Para as vítimas tem a lira,
Para o carrasco a fronte tem!...

“Dizem que outrora o Poeta,
Das estrelas ao fulgir,
Sabia à terra inquieta
Descortinar o porvir...
Mas tu, que fazes no mundo?...
Entre um abismo profundo...
O céu só névoas contém!
As liras não profetizam...
E as Musas não suavizam
Os martírios de ninguém!...

O mortal, que um Deus anima,
Marcha ao porvir sem parar;
E vai ao fundo do abismo
Sua profundeza sondar...
Prepara-se ao sacrifício:
Sabe que o gozo do vício
Há de a inocência expiar...
Profeta em dia mortuário
Faz da prisão um santuário,
Do cadafalso um altar!...

“Quem não nasceu sobre as margens
Dos Abbás, dos Cosroés...
Aos raios de um céu sem nuvens,
Entre mirto e aloés;
Lá... surdo ao mal que deploras
O bardo vê as auroras
Se levantar sem tremor...
E a pomba de outras paragens
Leva às virgens as mensagens
Que as flores manda o amor.”

Outro ao celeste martírio
Prefira a paz sem valor;
A glória é o fim que aspiro,
Embora num chão de dor.
Teme a alcione, se o mar grita,
Sobre o líquido lençol;
A águia a filha das tormentas
Entre nuvens lutulentas,
Arroja-se a ver o sol!


Le Poeta dans les revolutions

"Le vent chasse loin des campagnes
Le gland tombé des rameaux verts;
Chêne, il le bat sur les montagnes;
Esquif, il le bat sur les mers.
Jeune homme, ainsi le sort nous presse.
Ne joins pas, dans ta folle ivresse,
Les maux du monde à tes malheurs;
Gardons, coupables et victimes,
Nos remords pour nos propres crimes,
Nos pleurs pour nos propres douleurs!"

Quoi! mes chants sont-ils téméraires?
Faut-il donc, en ces jours d'effroi,
Rester sourd aux cris de ses frères!
Ne souffrir jamais que pour soi!
Non, le poète sur la terre
Console, exilé volontaire,
Les tristes humains dans leurs fers;
Parmi les peuples en délire,
Il s'élance, armé de sa lyre,
Comme Orphée au sein des enfers!

"Orphée aux peines éternelles
Vint un moment ravir les morts;
Toi, sur les têtes criminelles,
Tu chantes l'hymne du remords.
Insensé! quel orgueil t'entraîne?
De quel droit viens-tu dans l'arène
Juger sans avoir combattu?
Censeur échappé de l'enfance,
Laisse vieillir ton innocence,
Avant de croire à ta vertu!"

Quand le crime, Python perfide,
Brave, impuni, le frein des lois,
La Muse devient l'Euménide,
Apollon saisit son carquois!
Je cède au Dieu qui me rassure;
J'ignore à ma vie encor pure
Quels maux le sort veut attacher;
Je suis sans orgueil mon étoile;
L'orage déchire la voile:
La voile sauve le nocher.

"Les hommes vont aux précipices!
Tes chants ne les sauveront pas.
Avec eux, loin des cieux propices,
Pourquoi donc égarer tes pas?
Peux-tu, dès tes jeunes années,
Sans briser d'autres destinées,
Rompre la chaîne de tes jours?
Epargne ta vie éphémère;
Jeune homme, n'as-tu pas de mère?
Poète, n'as-tu pas d'amours?"

Eh bien! à mes terrestres flammes,
Si je meurs, les cieux vont s'ouvrir.
L'amour chaste agrandit les âmes,
Et qui sait aimer sait mourir.
Le Poète, en des temps de crime,
Fidèle aux justes qu'on opprime,
Célèbre, imite les héros;
Il a, jaloux de leur martyre,
Pour les victimes une lyre,
Une tête pour les bourreaux!

"On dit que jadis le Poète,
Chantant des jours encor lointains,
Savait à la terre inquiète
Révéler ses futurs destins.
Mais toi, que peux-tu pour le monde?
Tu partages sa nuit profonde;
Le ciel se voile et veut punir;
Les lyres n'ont plus de prophète,
Et la Muse, aveugle et muette,
Ne sait plus rien de l'avenir!"

Le mortel qu'un Dieu même anime
Marche à l'avenir, plein d'ardeur;
C'est en s'élançant dans l'abîme
Qu'il en sonde la profondeur.
Il se prépare au sacrifice;
Il sait que le bonheur du vice
Par l'innocent est expié;
Prophète à son jour mortuaire,
La prison est son sanctuaire,
Et l'échafaud est son trépied!

"Que n'es-tu né sur les rivages
Des Abbas et des Cosroës,
Aux rayons d'un ciel sans nuages,
Parmi le myrte et l'aloès!
Là, sourd aux maux que tu déplores,
Le poète voit ses aurores
Se lever sans trouble et sans pleurs;
Et la colombe, chère aux sages,
Porte aux vierges ses doux messages
Où l'amour parle avec des fleurs!"

Qu'un autre au céleste martyre
Préfère un repos sans honneur!
La gloire est le but où j'aspire;
On n'y va point par le bonheur.
L'alcyon, quand l'Océan gronde,
Craint que les vents ne troublent l'onde
Où se berce son doux sommeil;
Mais pour l'aiglon, fils des orages,
Ce n'est qu'à travers les nuages
Qu'il prend son vol vers le soleil!

Mars 1821
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Victor Hugo: Cartas, Teatro, Poesia — Volume IV [peça Os Burgraves], Tradução de Hilário Correia e [Odes e Baladas], Introdução, Seleção de Traduções e Traduções de Jamil Almansur Haddad, 1960, Editora das Américas, São Paulo — SP; Victor-Marie Hugo (1802 1885), francês de Besançon, fez seus primeiros estudos no Seminário de Los Nobles de Madri e no Liceu Luis le Grand de Paris, foi poeta, escritor e dramaturgo do Romantismo francês; compôs poemas desde muito jovem e aos quinze anos foi premiado em concurso de poesia da Academia Francesa; em 1822 integrou-se ao Romantismo e logo tornou-se porta voz deste movimento; em 1825, liderando um grupo de jovens escritores, criou o Cenáculo; o poeta lutou contra Napoleão III e, quando este se tornou imperador, recusou a anistia e foi para o exílio em Bruxelas, Guernsey e Jersey; obras: Bug Jargal (novela, 1820), Odes et Poésies Diverses (1822), Odes et Ballades (1826), Cromwell (drama, cujo prefácio foi considerado o Manifesto do Romantismo contra o Classicismo, 1826), Marion de Lorme (peça teatral  censurada, 1829), Les Orientales (poesias, 1829), Hernani (peça teatral, representando o fim do Classicismo, 1830), Notre Dame de Paris (romance histórico, 1831), Lucrèce e Marie Tudor (dramas, 1833), Littérature et Philosophie Mêlées e a novela Claude Gueux (ambas em 1834), Chants du Crépuscule (1835), Les Voix Intérieures (poesias, 1837), Les Rayons et les Ombres (poesias, 1840), Les Burgraves (teatro, 1843), Les Misérables (1845-1861) Os Castigos (1853), As Contemplações (1856), O Homem que Ri (1869) e outros títulos; Victor Hugo também foi estadista, elegendo-se  deputado da Assembléia Nacional e, depois, elegendo-se senador.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Victor Hugo: A um bispo que me chamou ateu

 
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[traduzido por Modesto de Abreu]

Ateu? Ao vosso asserto eu dou explicação.
Espreitar-me, vigiar minh’alma, remexer,
Virar do avesso o fundo ignoto de meu ser,
Buscar o ponto ao qual minhas dúvidas vão,

Interrogar o inferno, inquirir seu registro
De polícia, através de um dédalo sinistro.
Para ver o que eu nego e o que eu admito e aceito,
Não convém. Minha fé, meu credo, satisfeito,
Vou expor. Amo, estimo a caridade franca:

Se se trata de um Deus de longa barba branca,
De uma espécie de rei, de papa ou imperador,
Num trono que se chama em teatro bastidor,
Tendo sobre a cabeça um vulgar passarinho,
Tendo à esquerda um profeta e à direita um anjinho
Com seu filho no colo, exangue, desmaiado,
Deus uno e triplo, Deus invejoso e malvado;
Se se trata de um Deus que calca sob os pés
As vítimas das leis terríveis de Moisés,
De um deus que santifica os chacais nas cavernas
E os filhos faz punir pelas faltas paternas,
Que faz parar o sol no ocaso diariamente,
Em risco de o avariar com seu gesto imprudente,
Deus geógrafo medíocre e astrônomo pior,
Que o homem por ignorância adora com terror,
Deus furioso, a fazer careta à espécie humana,
Empunhando na destra imensa durindana,
Deus que perdoa pouco e pune de bom grado,
Que condena a virtude e premia o pecado,
Deus que em seu céu azul, por não ter que fazer,
Nossos erros imita e entrega-se ao prazer
De flagelos semear, soltando sobre nós
Cambises e Nenrod, e Átila  o cão feroz 
Mandando assassinar os ímpios e os incréus,
Ó padre, sou ateu: não creio nesse Deus!

Se se trata, porém, do ser imaterial
Que resume com toda a evidência o ideal;
Ser cuja alma em minh’alma intimamente sinto,
Ser que me fala em suave e misterioso enleio,
Que opõe o verdadeiro ao falso, entre os instintos
Cuja vaga letal nos submerge até o meio;
Se se trata do ser transcendente e sem par
Que uma só religião não consegue explicar,
Que adivinhamos bom e sentimos sapiente,
Sem contorno ou limite, imenso, transcendente,
Que não tem filhos, mas tem mais paternidade,
E amor do que o verão calor e claridade;
Se se trata do vasto e etéreo incognoscível
Que ao Gênese explicar não é jamais possível,
Que vemos todos nós com os olhos da razão,
Impossível de ser comido em algum pão,
Que, por dois corações se amarem não se rala,
E vê a natureza onde vês o pecado;
Se se trata do ser eterno sublimado,
Que pela estranha voz dos elementos fala,
Sem bíblias, sem cardeais, sem materialidade,
Por livro o abismo e por igreja a imensidade,
Vida, Espírito, Lei, tão grande que é invisível,
De tal modo sublime, impalpável, etéreo,
Que, enchendo com seu vulto o infinito sidéreo,
Nota-se em tudo, e é não obstante indefinível;
Se se trata do ser imenso que elabora
E distribui o bem, a justiça e a razão,
Por limite o infinito, imutável outrora,
Hoje, agora, amanhã, sempre, dando à Criação
Sua estabilidade e aos corações paciência,
Que, luz fora de nós, é, dentro de nós, consciência;
Se é desse Deus grandioso e belo que se trata,
Que, na aurora ou na treva, augusto se retrata;
Se se trata, por fim, do princípio eternal
Que encerra o pensamento e a vida universal
E que, à falta de um nome à altura, eu chamo Deus,
Tudo se muda então, voltam-se nossas almas,
A tua para a noite, o abismo dos proteus,
Dos vermes, dos anões, dos monstros, dos chacais,
E a minha para o dia, a aurora, o sol, o céu,
A Natureza, a luz, as coisas divinais,
E então eu sou o crente e tu, padre, és o ateu!


À l’évêque qui m’appelle athée

                        [IX]

Athée? entendons-nous, prêtre, une fois pour toutes.
M’espionner, guetter mon âme, être aux écoutes,
Regarder par le trou de la serrure au fond
De mon esprit, chercher jusqu’où mes doutes vont,
Questionner l’enfer, consulter son registre
De police, à travers son soupirail sinistre,
Pour voir ce que je nie ou bien ce que je croi,
Ne prends pas cette peine inutile. Ma foi
Est simple, et je la dis. J’aime la clarté franche:

S’il s’agit d’un bonhomme à longue barbe blanche,
D’une espèce de pape ou d’empereur, assis
Sur un trône qu’on nomme au théâtre un châssis,
Dans la nuée, ayant un oiseau sur sa tête,
À sa droite un archange, à sa gauche un prophète,
Entre ses bras son fils pâle et percé de clous,
Un et triple, écoutant des harpes, Dieu jaloux,
Dieu vengeur, que Garasse enregistre, qu’annote
L’abbé Pluche en Sorbonne et qu’approuve Nonotte;
S’il s’agit de ce Dieu que constate Trublet,
Dieu foulant aux pieds ceux que Moïse accablait,
Sacrant tous les bandits royaux dans leurs repaires,
Punissant les enfants pour la faute des pères,
Arrêtant le soleil à l’heure où le soir riait,
Au risque de casser le grand ressort tout net,
Dieu mauvais géographe et mauvais astronome,
Contrefaçon immense et petite de l’homme,
En colère, et faisant la moue au genre humain,
Comme un Père Duchêne un grand sabre à la main;
Dieu qui volontiers damne et rarement pardonne,
Qui sur un passe-droit consulte une madone,
Dieu qui dans son ciel bleu se donne le devoir
D’imiter nos défauts et le luxe d’avoir
Des fléaux, comme on a des chiens; qui trouble l’ordre,
Lâche sur nous Nemrod et Cyrus, nous fait mordre
Par Cambyse, et nous jette aux jambes Attila,
Prêtre, oui, je suis athée à ce vieux bon Dieu-là.

Mais s’il s’agit de l’être absolu qui condense
Là-haut tout l’idéal dans toute l’évidence,
Par qui, manifestant l’unité de la loi,
L’univers peut, ainsi que l’homme, dire: Moi;
De l’être dont je sens l’âme au fond de mon âme,
De l’être qui me parle à voix basse, et réclame
Sans cesse pour le vrai contre le faux, parmi
Les instincts dont le flot nous submerge à demi;
S’il s’agit du témoin dont ma pensée obscure
A parfois la caresse et parfois la piqûre
Selon qu’en moi, montant au bien, tombant au mal,
Je sens l’esprit grandir ou croître l’animal;
S’il s’agit du prodige immanent qu’on sent vivre
Plus que nous ne vivons, et dont notre âme est ivre
Toutes les fois qu’elle est sublime, et qu’elle va,
Où s’envola Socrate, où Jésus arriva,
Pour le juste, le vrai, le beau, droit au martyre,
Toutes les fois qu’au gouffre un grand devoir l’attire,
Toutes les fois qu’elle est dans l’orage alcyon,
Toutes les fois qu’elle a l’auguste ambition
D’aller, à travers l’ombre infâme qu’elle abhorre
Et de l’autre côté des nuits, trouver l’aurore;
O prêtre, s’il s’agit de ce quelqu’un profond
Que les religions ne font ni ne défont,
Que nous devinons bon et que nous sentons sage,
Qui n’a pas de contour, qui n’a pas de visage,
Et pas de fils, ayant plus de paternité
Et plus d’amour que n’a de lumière l’été;
S’il s’agit de ce vaste inconnu que ne nomme,
N’explique et ne commente aucun Deutéronome,
Qu’aucun Calmet ne peut lire en aucun Esdras,
Que l’enfant dans sa crèche et les morts dans leurs draps,
Distinguent vaguement d’en bas comme une cime,
Très-Haut qui n’est mangeable en aucun pain azime,
Qui parce que deux cœurs s’aiment, n’est point fâché,
Et qui voit la nature où tu vois le péché;
S’il s’agit de ce Tout vertigineux des êtres
Qui parle par la voix des éléments, sans prêtres,
Sans bibles, point charnel et point officiel,
Qui pour livre a l’abîme et pour temple le ciel,
Loi, Vie, Ame, invisible à force d’être énorme,
Impalpable à ce point qu’en dehors de la forme
Des choses que dissipe un souffle aérien,
On l’aperçoit dans tout sans le saisir dans rien;
S’il s’agit du suprême Immuable, solstice
De la raison, du droit, du bien, de la justice,
En équilibre avec l’infini, maintenant,
Autrefois, aujourd’hui, demain, toujours, donnant
Aux soleils la durée, aux cœurs la patience,
Qui, clarté hors de nous, est en nous conscience;
Si c’est de ce Dieu-là qu’il s’agit, de celui
Qui toujours dans l’aurore et dans la tombe a lui,
Étant ce qui commence et ce qui recommence;
S’il s’agit du principe éternel, simple, immense,
Qui pense puisqu’il est, qui de tout est le lieu,
Et que, faute d’un nom plus grand, j’appelle Dieu,
Alors tout change, alors nos esprits se retournent,
Le tien vers la nuit, gouffre et cloaque où séjournent
Les rires, les néants, sinistre vision,
Et le mien vers le jour, sainte affirmation,
Hymne, éblouissement de mon âme enchantée;
Et c’est moi le croyant, prêtre, et c’est toi l’athée.
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Antologia de Poetas Franceses do séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França [111 autores e muitos tradutores], Organização e Prefácio de R. Magalhães Jr. e Introdução de Michel Simon, Clássicos de bolso Ediouro — nº 12126 , sem data [1985 ?], Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Victor-Marie Hugo (1802 1885), francês de Besançon, fez seus primeiros estudos no Seminário de Los Nobles de Madri e no Liceu Luis le Grand de Paris, foi poeta, escritor e dramaturgo do Romantismo francês; compôs poemas desde muito jovem e aos quinze anos foi premiado em concurso de poesia da Academia Francesa; em 1822 integrou-se ao Romantismo e logo tornou-se porta voz deste movimento; em 1825, liderando um grupo de jovens escritores, criou o Cenáculo; o poeta lutou contra Napoleão III e, quando este se tornou imperador, recusou a anistia e foi para o exílio em Bruxelas, Guernsey e Jersey; obras: Bug Jargal (novela, 1820), Odes et Poésies Diverses (1822), Odes et Ballades (1826), Cromwell (drama, cujo prefácio foi considerado o Manifesto do Romantismo contra o Classicismo, 1826), Marion de Lorme (peça teatral censurada, 1829), Les Orientales (poesias, 1829), Hernani (peça teatral, representando o fim do Classicismo, 1830), Notre Dame de Paris (romance histórico, 1831), Lucrèce e Marie Tudor (dramas, 1833), Littérature et Philosophie Mêlées e a novela Claude Gueux (ambas em 1834), Chants du Crépuscule (1835), Les Voix Intérieures (poesias, 1837), Les Rayons et les Ombres (poesias, 1840), Les Burgraves (teatro, 1843), Les Misérables (1845-1861) Os Castigos (1853), As Contemplações (1856), O Homem que Ri (1869) e outros títulos; Victor Hugo também foi estadista, elegendo-se deputado da Assembléia Nacional e, depois, elegendo-se senador.