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O cumpadre Balarmino,
hóme sério i traquejado,
foi nomeado manda-chuva
do bairro do Páu Queimado.
Vái, agora, pô nos eixo
tudas coisa que tem lá: —
as casa que tivé véia
ele manda derrubá.
As galinha c'os cabrito,
que tivé pra cá, pra lá,
nem que os dono s'imbrabeça,
ele vai mandá matá...
Ótra coisa muito boa
vai ponhá feito midida: —
persiguí os cachacêro
pramórde acabá a bebida.
Nas venda que fô chegano
vái pegano os atorduado
i dano sóva de páu,
de dexá desguvernado...
O cumpadre Balarmino
vái levá mermo no sério,
vai fazê no Páu Queimado,
silêncio de sumitério.
O bairro tá tão suturno
c'os novo regulamento;
os cachacêro, tão triste
que nem cachorro sarnento...
Nhô Viridíco já disse
que as midida são demais: —
se fô purivida as pinga,
ele passa n'água ráis.
O Jango da Nhá Carlota
diz que bébe por tê sina: —
se não tivé mais cachaça
ele vái nas gazulina...
Nhô Trancoso é concordado,
acha tudo muito bão: —
diz que tem contentamento
só de oiá no garrafão!
O cumpadre Balarmino
tem passado u'a bassôra,
limpano c'os vagabundo
que prijudica as lavôra.
I os hõme, que vivia
c'os imbigo no barcão,
tão bateno c'as inxada,
luitano c'os argodão!
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Folhas do Mato — versos caipiras, 2ª edição aumentada, Prefácio de Manoel Cerqueira Leite, 1940, Gráfica Sorocabana, Sorocaba — SP; Nhô Bentico e Abílio Soares Víctor (1899 — 1952) foram uma só pessoa, um só poeta, caipira, gráfico e radialista itapetiningano; pioneiro dos reclames rimados para o comércio, Abílio Víctor, poeta dialetal, escreveu e publicou Folhas do Mato, Versos Humorísticos, Favas de Ingá e Poemas Sertanejos.


