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domingo, 4 de agosto de 2019

Íris Cavalcante: se eu fosse poema

Nasce um Leitor
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lá vem o poema rompendo a barra
de uma noite insone
esbarra em mim todo contente
desvia de ti
devia era ser pra ti

não te esquivas do meu poema
agarra-o
experimenta o verbo que ele te oferece
põe uma rosa atrás da orelha

olha-se no espelho vestido de poema
inventa a palavra
não desvia de mim
veste-se do sol de um setembro qualquer
deixa florescer, seja flor ou seja lá o que for
pode ser amor ou imaginação

sou noite que avança
e dança descalça na madrugada
guardiã de nosso segredo
dia que amanhece
poema que nasce e se despe
se veste e reveste
de ti e de mim

se eu fosse poema
seria pra ti
desculpe a pressa
não posso adiar o amor
para o próximo século

Resultado de imagem para ìris Cavalcante poeta
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Revista E — Sesc São Paulo, julho de 2019, nº 1, ano 26; Íris Cavalcante, cearense de Baturité, especialista em Escrita Literária e MBA em Administração Estratégica, é poeta e romancista; bibliografia: Palavras e Poesias (2003), O Caminho das Letras (2006), O Sobrevivente (2011), Vento do 8º andar (2017); com esta última obra, foi finalista do Prêmio Jabuti de 2018 na categoria Poesia; participa em coletâneas e colabora em revistas eletrônicas.

sábado, 27 de julho de 2019

Íris Cavalcante: um jeito de amar chamado amigo

Nasce um Leitor
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tenho alguns amigos, poucos
mas de grande valor
tenho amigos passarinhos
quando reconheço um, eu digo: voe!

alguns perdem o vínculo com a gravidade
e alçam rasantes de liberdade
eu poderia citar alguns
bem, melhor não!
estes são os que fazem das asas instrumento de trabalho

são da mesma espécie dos
amigos sonhadores
às vezes, os sonhadores são mais prudentes
oscilam do sonho ao voo
ora turbulência, ora calmaria
nunca se sabe quando um sonhador
voa ou está em terra firme
o sonhador tem uma velocidade inalcançável!

tenho amigos poetas
estes são passarinhos e sonhadores e belos
de uma beleza, algumas vezes, invisível!
mas que importa isso ao poeta
se ele extrai beleza do improvável?

o poeta é um artesão
com mãos hábeis e um olhar atento
encaixa uma palavra qualquer num poema
dando-lhe forma e relevo
com a perfeição de um esteta

somos capazes de sentir a forma
do poema
pegá-lo com as mãos
antes que ele inaugure suas asas e
alce o próprio voo
poemas assim têm o alcance
da atemporalidade
e nos comovem num para sempre

tenho amigos artistas
estes são passarinhos sonhadores
poetas e belos
porque a arte é a coisa mais
perto da vida
e não consigo imaginá-la sem
as asas da liberdade
os sonhos que eu persigo e os poemas

ah, também tenho amigos
que não são humanos
nem passarinhos nem sonhadores
nem poetas nem artistas
mas têm um jeito todo próprio de demonstrar ternuras
que alguns humanos não são capazes

ainda há outro jeito de definir amigos
tenho amigos que são amor
não é fácil entender essa travessia
mas não precisa mesmo entender, não
é só um jeito de amar com a sensação
de lugar seguro...

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Revista E  Sesc São Paulo, julho de 2019, nº 1, ano 26; Íris Cavalcante, cearense de Baturité, especialista em Escrita Literária e MBA em Administração Estratégica, é poeta e romancista; bibliografia: Palavras e Poesias (2003), O Caminho das Letras (2006), O Sobrevivente (2011), Vento do 8º andar (2017); com esta última obra, foi finalista do Prêmio Jabuti de 2018 na categoria Poesia; participa em coletâneas e colabora em revistas eletrônicas.