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lá vem o poema rompendo a barra
de uma noite insone
esbarra em mim todo contente
desvia de ti
devia era ser pra ti
não te esquivas do meu poema
agarra-o
experimenta o verbo que ele te oferece
põe uma rosa atrás da orelha
olha-se no espelho vestido de poema
inventa a palavra
não desvia de mim
veste-se do sol de um setembro qualquer
deixa florescer, seja flor ou seja lá o que for
pode ser amor ou imaginação
sou noite que avança
e dança descalça na madrugada
guardiã de nosso segredo
dia que amanhece
poema que nasce e se despe
se veste e reveste
de ti e de mim
se eu fosse poema
seria pra ti
desculpe a pressa
não posso adiar o amor
para o próximo século
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Revista E — Sesc São Paulo, julho de 2019, nº 1, ano 26; Íris Cavalcante, cearense de Baturité, especialista em Escrita Literária e MBA em
Administração Estratégica, é poeta e romancista; bibliografia: Palavras e Poesias (2003), O Caminho das Letras (2006), O Sobrevivente (2011), Vento do 8º andar (2017); com esta última obra, foi
finalista do Prêmio Jabuti de 2018 na categoria Poesia; participa em coletâneas
e colabora em revistas eletrônicas.
