____________________
A poesia anda mofina,
Mofina, mas não morreu.
Foi o anjo que morreu:
Anjo não se usa mais.
Ainda se usa estrela
Se usa estrela demais.
Mofina, mas não morreu.
Foi o anjo que morreu:
Anjo não se usa mais.
Ainda se usa estrela
Se usa estrela demais.
Poeta religioso
Mocinha não pode ler:
Pecará em pensamento,
Que o poeta gosta do Novo,
Mas pilha seus amoricos
É no Velho Testamento.
Mocinha não pode ler:
Pecará em pensamento,
Que o poeta gosta do Novo,
Mas pilha seus amoricos
É no Velho Testamento.
Ai, o Velho Testamento!
Eu também faço poema,
Ora essa, quem não faz:
Boto uma estrela na frente
E um pouco de mar atrás.
Eu também faço poema,
Ora essa, quem não faz:
Boto uma estrela na frente
E um pouco de mar atrás.
Boto Jesus de permeio,
Que Deus, nos pratos de amor,
É um excelente recheio.
Que Deus, nos pratos de amor,
É um excelente recheio.
E isso bem posto e disposto
Me vou aos peitos da Amada:
Sulamita, Sulamita,
Por ti eu me rompo todo,
Sou cavalheiro cristão.
Minh’alma está garantida
Num rodapé do Tristão.
E o corpo? O corpo é miséria,
Peguei doença, mas Jorge
De Lima dá injeção!
O badalo está chamando,
Bão-ba-la-lão!.
Bão-ba-la-lão!.
Amada, não vai lá não!
Eu também tenho badalos —
Bão-ba-la-lão —
Eu também tenho badalos —
Bão-ba-la-lão —
Eu sou poeta cristão!
Rio, maio de 1940.

* No
Prefácio da 1ª. edição desta Antologia, o poeta Vinícius de Moraes escreveu a
propósito dos bissextos: “... poetas que nós, seus íntimos, chamamos
cordialmente de bissextos — poetas sem livros de versos — bissextos
pela escassez de sua produção, cuja excelência sem embargo os coloca ao lado
dos mais citados”
____________________
Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Rubem Braga (1913 — 1990), capixaba de Cachoeiro de Itapemirim, formado pela Faculdade de Direito de Belo Horizonte — MG, foi jornalista, escritor, cronista e poeta bissexto *; trabalhou em inúmeros periódicos, entre os quais Correio do Sul, de Cachoeiro, Diário da Tarde, Diário de Pernambuco, Diários Associados — Diário da Noite e O Jornal, Diário Carioca, Diário de São Paulo, Folha da Tarde, Correio da Manhã, O Estado de São Paulo, revista Manchete; durante a 2ª. Guerra Mundial foi enviado à Itália, pelo Diário Carioca, e atuou como correspondente de guerra junto à FEB; foi co-fundador da revista Problemas e um dos criadores da Editora do Autor e da Editora Sabiá, em conjunto com outros escritores; escreveu e publicou O Conde e o Passarinho (1936), O Morro do Isolamento (1944), Com a FEB na Itália (1945), Um Pé de Milho (1948), O Homem Rouco (1949), Três Primitivos (1954), A Borboleta Amarela (1955), A Cidade e a Roça (1957), Ai de Ti, Copacabana (1960), A Traição dos Elegantes (1967), As Boas Coisas da Vida (1988), todos de crônicas, entre outros títulos, além de ter feito adaptações de outros autores; traduziu Terra dos Homens, de Antoine Saint-Exupéry.
Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Rubem Braga (1913 — 1990), capixaba de Cachoeiro de Itapemirim, formado pela Faculdade de Direito de Belo Horizonte — MG, foi jornalista, escritor, cronista e poeta bissexto *; trabalhou em inúmeros periódicos, entre os quais Correio do Sul, de Cachoeiro, Diário da Tarde, Diário de Pernambuco, Diários Associados — Diário da Noite e O Jornal, Diário Carioca, Diário de São Paulo, Folha da Tarde, Correio da Manhã, O Estado de São Paulo, revista Manchete; durante a 2ª. Guerra Mundial foi enviado à Itália, pelo Diário Carioca, e atuou como correspondente de guerra junto à FEB; foi co-fundador da revista Problemas e um dos criadores da Editora do Autor e da Editora Sabiá, em conjunto com outros escritores; escreveu e publicou O Conde e o Passarinho (1936), O Morro do Isolamento (1944), Com a FEB na Itália (1945), Um Pé de Milho (1948), O Homem Rouco (1949), Três Primitivos (1954), A Borboleta Amarela (1955), A Cidade e a Roça (1957), Ai de Ti, Copacabana (1960), A Traição dos Elegantes (1967), As Boas Coisas da Vida (1988), todos de crônicas, entre outros títulos, além de ter feito adaptações de outros autores; traduziu Terra dos Homens, de Antoine Saint-Exupéry.
