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(Tradução de Castilho *)
Feliz cigarra, invejo-te!
Feliz cigarra, invejo-te!
Pousada lá nos píncaros
destas folhudas árvores,
que bem que te hás de estar!
Gota de orvalho mínima
te sobra de Castália;
que do Parnaso aos cânticos
desbanca o teu cantar.
Quanto nos dias plácidos
os campos têm de flórido,
de ameno, de frutífero,
dominas! tudo é teu.
Amiga és tu do agrícola;
para ninguém maléfica;
por seu arauto músico
o estio te elegeu.
Estimam-te as Piérides,
Ama-te o nume Délfico;
dele te veio em dádiva
esse primor de voz.
Da terra, ó filha ingênua!
A todos tão simpática!
Isenta dos descômodos
que pesam sobre nós!
Toda fervor poético!
Em hinos, sempre extáticos,
Soltando de contínuo
delícias musicais.
Leve, sutil crepúsculo!
Quase incorpóreo espírito!
Dás-me ares, minha alígera,
dos entes imortais.
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| Anacreonte |
Μακαρίζομέν σε, τέττιξ,
ὅτε δενδρέων ἐπ’ ἄκρων
ὀλίγην δρόσον πεπωκώς
βασιλεὺς ὅπως ἀείδεις.
σὰ γάρ ἐστι
κεῖνα πάντα,
ὁπόσα βλέπεις ἐν ἀγροῖς
χὠπόσα
φέρουσιν ὗλαι.
σὺ δὲ φείδεαι
γεωργῶν,
ἀπὸ μηδενός
τι βλάπτων·
σὺ δὲ τίμιος
βροτοῖσιν,
θέρεος γλυκὺς
προφήτης.
φιλέουσι μέν σε Μοῦσαι,
φιλέει δὲ Φοῖβος
αὐτός,
λιγυρὴν
δ’ ἔδωκεν οἴμην·
τὸ δὲ γῆρας
οὔ σε τείρει.
σοφέ, γηγενής, φίλυμνε,
ἀπαθής, ἀναιμόσαρκε·
σχεδὸν
εἶ θεοῖς ὅμοιος.
* O poema "A Cigarra", pela tradução ('artística' e 'rimada') de Antônio Feliciano de Castilho (1800 — 1876), poeta português, compôs a palestra proferida por Amadeu Amaral, na cidade de Santos, em junho de 1917, em que discorreu sobre a conhecida fábula "A Cigarra e a Formiga; o palestrante toma partido e faz elogio à cigarra e seu canto, em detrimento da formiga e seu trabalho.
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Letras Floridas, de Amadeu Amaral (conferência, palestras e ensaios), 1976, Editora Hucitec, São Paulo — SP; Anacreonte (570 a.C ? — 488 a.C ?), de origem jônica, nascido em Teos, na Ásia Menor, foi um poeta lírico grego; de sua biografia consta ter escrito diversos livros de poemas — odes, epigramas, canções, elegias, etc. — dos quais só nos é dado conhecer fragmentos; frise-se também que famosas odes a ele atribuídas foram de outros autores gregos que as escreviam à moda do Mestre jônico, daí a nomeação atual aceita de Odes Anacreônticas em vez de Odes de Anacreonte.
