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Dizem que traz
felicidade a teia
De aranha. Surge um dia, malha a malha,
E a aranha infatigável que trabalha
Mata os insetos quanto mais se alteia.
Sobe ao beiral. É um berço e balanceia
Ao vento que os filetes de ouro espalha...
E, ao sol iluminado que a amortalha,
A trama iluminada se incendeia.
Surge a primeira borboleta ebriada.
Vem louca, primavera de ansiedade...
Mas de repente, a asa despedaçada,
Rola... É o fim... A tortura da grilheta...
Não quero nunca essa felicidade
Que vem da morte de uma borboleta!
De aranha. Surge um dia, malha a malha,
E a aranha infatigável que trabalha
Mata os insetos quanto mais se alteia.
Sobe ao beiral. É um berço e balanceia
Ao vento que os filetes de ouro espalha...
E, ao sol iluminado que a amortalha,
A trama iluminada se incendeia.
Surge a primeira borboleta ebriada.
Vem louca, primavera de ansiedade...
Mas de repente, a asa despedaçada,
Rola... É o fim... A tortura da grilheta...
Não quero nunca essa felicidade
Que vem da morte de uma borboleta!
Água Corrente — 1918
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Toda Uma Vida de Poesia — Volume
I (1911 a
1931) — Olegário Mariano, Primeira edição, 1957, Livraria José Olympio Editora,
Rio de Janeiro — RJ; Olegário Mariano Carneiro da
Cunha (1889 — 1958), pernambucano de Recife, político e
diplomata, foi poeta e jornalista; estreante na vida literária aos 22 anos
com o volume Angelus, viveu o período parnasiano-simbolista e de transição para
o modernismo; escreveu para as revistas Caretas e Para Todos com o pseudônimo
de João da Avenida; ficou conhecido
como o "poeta das cigarras" por causa de um de seus temas prediletos; obra literária: Angelus (1911); Sonetos (1912); Evangelho da
Sombra e do Silêncio (1913); Água Corrente (prefácio de Olavo Bilac,
1918); Últimas Cigarras (1920); Bataclan (crônicas em versos,
1923); Canto da minha terra (1930); Destino (1931); Vida, caixa
de brinquedos (crônicas em versos, 1933); A Vida que já vivi (memórias, 1945); e tantos outros títulos.









