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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Casimiro de Abreu: Canção do Exílio

Livros de Sonia Brayner | Estante Virtual
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Oh! Mon pays sera mês amours
Toujours.                    
CHATEAUBRIAND

Eu nasci além dos mares:
      Os meus lares,
Meus amores ficam lá!
Onde canta nos retiros
      Seus suspiros,
Suspiros o sabiá!

Oh que céu, que terra aquela,
      Rica e bela
Como o céu de claro anil!
Que seiva, que luz, que galas,
      Não exalas,
Não exalas, meu Brasil!

Oh! que saudades tamanhas
      Das montanhas,
Daqueles campos natais!
Daquele céu de safira
      Que se mira,
Que se mira nos cristais!

Não amo a terra do exílio,
      Sou bom filho,
Quero a pátria, o meu país,
Quero a terra das mangueiras
      E as palmeiras,
E as palmeiras tão gentis!

Como a ave dos palmares
      Pelos ares
Fugindo do caçador;
Eu vivo longe do ninho,
      Sem carinho,
Sem carinho e sem amor!

Debalde eu olho e procuro...
      Tudo escuro
Só vejo em roda de mim!
Falta a luz do lar paterno
      Doce e terno,
Doce e terno para mim.

Distante do solo amado
      Desterrado
A vida não é feliz.
Nessa eterna primavera
      Quem me dera,
Quem me dera o meu país!

Lisboa, 1855

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A Poesia no Brasil, Volume 1 Das Origens até 1920, Organização, Bibliografias e Notas de Sônia Brayner, 1981, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro RJ; Casimiro José Marques de Abreu (1839 1860), fluminense nascido em Barra de São João (rebatizada Casimiro de Abreu, em sua homenagem), recebeu tão somente instrução primária (de 1849 a 1852); foi poeta do romantismo e iniciou sua atividade literária publicando um conto, durante estada em Portugal, aonde tinha ido acompanhado do pai; em Lisboa, também escreveu a maior parte de seus poemas e outros textos, compôs o drama Camões e o Jau representado no Teatro Dom Fernando, em 1856 e também colaborou na imprensa portuguesa, ao lado de Alexandre Herculano, Rebelo da Silva e outros; no jornal O Progresso foi impresso o folhetim Carolina e na revista Ilustração Luso-Brasileira foram publicados os primeiros capítulos de Camila, recriação ficcional de uma visita que fez ao Minho, terra de seu pai; em 1857, de retorno ao Rio de Janeiro, frequentou rodas literárias e, colaborador da imprensa, escreveu em A Marmota, O Espelho, revista Popular e jornal Correio Mercantil; neste último, conviveu com Manoel Antonio de Almeida (jornalista) e com Machado de Assis (revisor); obras literárias: Camões e o Jau (teatro, 1856), Carolina (romance, 1856), Camila (romance inacabado, 1856), A Virgem Loura, Páginas do Coração (prosa poética, 1857), Primaveras (poesia, 1859); morreu de tuberculose, aos 21 anos de idade.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Castro Alves: Adormecida

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Ses longs cheveux épars la couvrent tout entière
La croix de son collier repose dans sa main,
Comme pour témoigner qu’elle a fait sa priére.
Et qu’elle va la faire en s’éveillant demain.
A.DE MUSSET


Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.

‘Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, um pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.

De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos 
 beijá-la.

Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...

Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!

E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
P’ra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...

Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
“Ó flor! 
 tu és a virgem das campinas!
“Virgem!  tu és a flor da minha vida!...”

1868

Espumas flutuantes

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A Poesia no Brasil, Volume 1 — Das Origens até 1920, Organização, Bibliografias e Notas de Sônia Brayner, 1981, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Antônio Frederico de Castro Alves (1847 1871), baiano, um poeta da liberdade, antiescravagista, escreveu poemas-denúncia que ainda hoje constituem referências na luta contra a escravidão e em favor da liberdade no Brasil; escreveu Espumas Flutuantes, Os Escravos, A Cachoeira de Paulo Afonso e Poesias Coligidas, além de obras em prosa; em Os Escravos, quem não há de recordar dos poemas épicos nos quais trata a questão dos negros escravizados, do tráfico e do comércio, na sociedade brasileira da época do império?! Além de Bandido Negro, ora postado, sito Mater Dolorosa, Vozes d'África, O Navio Negreiro, A Canção do Africano, A Mãe do Cativo, A Cruz da Estrada, Tragédia no Lar...