
Oh! Mon pays sera mês amours
Toujours.
CHATEAUBRIAND
Eu nasci além
dos mares:
Os meus lares,
Meus amores ficam lá!
— Onde canta nos retiros
Seus suspiros,
Suspiros o sabiá!
Oh que céu, que terra aquela,
Rica e bela
Como o céu de claro anil!
Que seiva, que luz, que galas,
Não exalas,
Não exalas, meu Brasil!
Oh! que saudades tamanhas
Das montanhas,
Daqueles campos natais!
Daquele céu de safira
Que se mira,
Que se mira nos cristais!
Não amo a terra do exílio,
Sou bom filho,
Quero a pátria, o meu país,
Quero a terra das mangueiras
E as palmeiras,
E as palmeiras tão gentis!
Como a ave dos palmares
Pelos ares
Fugindo do caçador;
Eu vivo longe do ninho,
Sem carinho,
Sem carinho e sem amor!
Debalde eu olho e procuro...
Tudo escuro
Só vejo em roda de mim!
Falta a luz do lar paterno
Doce e terno,
Doce e terno para mim.
Distante do solo amado
— Desterrado —
A vida não é feliz.
Nessa eterna primavera
Quem me dera,
Quem me dera o meu país!
Os meus lares,
Meus amores ficam lá!
— Onde canta nos retiros
Seus suspiros,
Suspiros o sabiá!
Oh que céu, que terra aquela,
Rica e bela
Como o céu de claro anil!
Que seiva, que luz, que galas,
Não exalas,
Não exalas, meu Brasil!
Oh! que saudades tamanhas
Das montanhas,
Daqueles campos natais!
Daquele céu de safira
Que se mira,
Que se mira nos cristais!
Não amo a terra do exílio,
Sou bom filho,
Quero a pátria, o meu país,
Quero a terra das mangueiras
E as palmeiras,
E as palmeiras tão gentis!
Como a ave dos palmares
Pelos ares
Fugindo do caçador;
Eu vivo longe do ninho,
Sem carinho,
Sem carinho e sem amor!
Debalde eu olho e procuro...
Tudo escuro
Só vejo em roda de mim!
Falta a luz do lar paterno
Doce e terno,
Doce e terno para mim.
Distante do solo amado
— Desterrado —
A vida não é feliz.
Nessa eterna primavera
Quem me dera,
Quem me dera o meu país!
Lisboa, 1855
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A Poesia no Brasil,
Volume 1 — Das Origens até 1920, Organização, Bibliografias e Notas de Sônia
Brayner, 1981, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Casimiro José Marques de Abreu
(1839 — 1860), fluminense nascido em Barra de São João
(rebatizada Casimiro de Abreu, em sua homenagem), recebeu tão somente instrução
primária (de 1849 a 1852); foi poeta do romantismo e iniciou sua atividade literária
publicando um conto, durante estada em Portugal, aonde tinha ido
acompanhado do pai; em Lisboa, também escreveu a maior parte de seus poemas e
outros textos, compôs o drama Camões e o Jau — representado no Teatro
Dom Fernando, em 1856 — e também colaborou na imprensa portuguesa, ao
lado de Alexandre Herculano, Rebelo da Silva e outros; no jornal O Progresso foi impresso o folhetim Carolina e na revista Ilustração
Luso-Brasileira foram publicados os primeiros capítulos de Camila, recriação
ficcional de uma visita que fez ao Minho, terra de seu pai; em 1857, de retorno
ao Rio de Janeiro, frequentou rodas literárias e, colaborador da imprensa,
escreveu em A Marmota , O Espelho, revista Popular e jornal Correio Mercantil; neste último,
conviveu com Manoel Antonio de Almeida (jornalista) e com Machado de Assis
(revisor); obras literárias: Camões e o Jau (teatro, 1856), Carolina (romance,
1856), Camila (romance inacabado, 1856), A Virgem Loura, Páginas
do Coração (prosa poética,
1857), Primaveras (poesia, 1859); morreu de tuberculose, aos 21 anos
de idade.