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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Musset: Vésper

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[traduzido por Teófilo Dias]

Pálida estrela da tarde,
Por céus longínquos perdida,
Cuja fronte enrubescida
Do poente rasga os véus,
Dize, — que avista no prado
Teu vago olhar sonolento,
Caindo do firmamento,
— Dos paços azuis dos céus?

Calmou-se tormenta e vento;
E a floresta murmurante
Derrama orvalho rorante
Nas plantas murchas do chão;
Louros insetos ligeiros
Pelas floridas campinas,
Dentre as moitas de boninas,
Rutilam na escuridão.

Não vês na teia dormente?...
Mas já por trás das montanhas
Vejo a luz de que te banhas
Docemente vacilar,
Enquanto, ó pálida amiga.
Nela, sorrindo, se apaga
Tu foges na etérea plaga,
Teu melancólico olhar.

Formosa estrela que desces
Por sobre a verde colina,
Da noite no manto frio,
Alvo do olhar da pastora
Que vem da serra cantando
Enquanto a segue badalando
Seu nédio armento tardio.

Ah! por essa noite imensa,
Que busca a luz feiticeira?
— Fresco leito, d’água à beira,
Onde te possas dormir?
— Ou nas horas do silêncio
No vasto seio dos mares,
— Pérola solta nos ares,
Vais de repente cair?

Se deves morrer tão cedo...
Se hão de afundar-nos nos mares
Teus merencórios luares
E os louros cabelos teus,
Astros do amor, ah! detêm-te!
Teu curso leve, suspende,
No azul do espaço te prende!
Não desças nunca dos céus!

Alfred de Musset

Le saule
[Pâle étoile du soir, messagère lointaine, . . .]

(extrait)
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

II
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Pâle étoile du soir, messagère lointaine,
Dont le front sort brillant des voiles du couchant,
De ton palais d'azur, au sein du firmament,
       Que regardes-tu dans la plaine?

La tempête s'éloigne, et les vents sont calmés.
La forêt, qui frémit, pleure sur la bruyère,
Le phalène doré, dans sa course légère,
       Traverse les prés embaumés.

    Que cherches-tu sur la terre endormie?
Mais déjà vers les monts je te vois t'abaisser;
Tu fuis, en souriant, mélancolique amie,
Et ton tremblant regard est près de s'effacer.

Étoile qui descends vers la verte colline,
Triste larme d'argent du manteau de la Nuit,
Toi que regarde au loin le pâtre qui chemine,
Tandis que pas à pas son long troupeau le suit, —

Étoile, où t'en vas-tu, dans cette nuit immense?
Cherches-tu sur la rive un lit dans les roseaux?
Où t'en vas-tu si belle, à l'heure du silence,
Tomber comme une perle au sein profond des eaux?

Ah! si tu dois mourir, bel astre, et si ta tête
Va dans la vaste mer plonger ses blonds cheveux,
Avant de nous quitter, un seul instant arrête; —
Étoile de l'amour, ne descends pas des cieux!

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

[Premières Poésies (1829-1835), Charpentier,
1863 (p. 176-202). — Le Saule — Fragment]
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Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Antologia da Literatura Mundial, 7ª edição, 1965, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Alfred Louis Charles de Musset (1810 — 1857), francês e parisiense, antes de completar 9 anos de idade foi matriculado no Lycée Henri IV, concluiu o ensino médio, depois aventurou-se nos estudos de medicina, direito, pintura, música, logo os abandonou, e passou a se dedicar com determinação e interesse à literatura, foi poeta, novelista, romancista, crítico e dramaturgo, e tido como "l'enfant terrible" do período romantista em Paris;  “desde os 14 anos já fazia seus versos": A ma mére (1824), À Mademoiselle Zoé le Douairin (1826), Un rêve et L’anglais mangeur d’opium (1828)...; escreveu e publicou Premières poésies (1829), Une nuit vénitienne (teatro, 1830), Contes d'Espagne et d'Itale (coletânea de poemas, Contos da Espanha e da Itália, 1830), Secrètes pensées de Raphael (Pensamentos secretos de Raphael, 1830), Voeux stériles (Voos estéreis, 1830), Namouna (poema narrativo, 1831), La coupe et les lèvres (teatro, 1832), Rolla (longo poema narrativo, 1833), On ne badine pas avec l'amour (Com o amor não se brinca, teatro comédia, 1834), Lorenzaccio (drama romântico, 1834), Fantasio (teatro comédia, 1834), Le Chandelier (comédia em três atos, 1835), La confession d'un enfant du siècle (A confissão de um filho do século, novela autobiográfica, 1836), Les Nuits: La Nuit de Mai [1835], La Nuit de Décembre [1835], La Nuit d'Août [1836], La Nuit d'Octobre [1837], La Nuit d’Avril [1838] (ciclo As Noites, 1835-1838), Lettres du Dupuis et Cotonet (crítica, Cartas de Dupuis e Cotonet, 1837), Souvenir (Recordação, 1841), Il faut qu'une porte soit ouverte ou fermé (É preciso que uma porta esteja aberta ou fechada, comédia, 1845), Carmosine (comédia em Um Ato, 1850), Bettine (comédia, 1851) e outros textos em verso e prosa e para teatro; teve poemas musicados por Hector Berlioz [poème Le Lever, 1839], Charles Gounod [avec piano, Venise, 1849], Édouard Lalo [trois mélodies: À une fleur, Chanson de Barberine et La Zuecca, 1870], Claude Debussy [Madrid, 1879], [Rondeau, 1881] e [Chanson espagnole, 1883] etc.; pertenceu à Académie Française; o poeta, desde 1824, foi um dos frequentadores do “Cénacle”, salão literário de Charles Nodier — bibliotecário da Bibliotéque de l’Arsenal, e tendo como companhia Victor Hugo e outros; passou a viver como um “dândi devasso”, teve várias amantes, uma das quais a escritora George Sand [pseudônimo de Amantine Aurore Lucile Dupin, baronesa de Dudevant]; em 1845, Musset foi condecorado com a Legião de Honra em reconhecimento à sua influência na literatura francesa; com a “saúde frágil, mas sobretudo atormentado pelo alcoolismo, pela ociosidade e pela devassidão, morreu de tuberculose em 2 de maio de 1857”, aos 46 anos.

domingo, 6 de setembro de 2026

Alfred de Musset: Veneza

 
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[‘paráfrase’ de Castro Alves]

Em Veneza, a vermelha,
Nem um barco s’esguelha...
Nem remador no mar
          Se vê remar...

Na Grève acocorado
Jaz o Leão dourado,
Que para o mar levanta
          A brônzea planta.

Em torno se lhe agrupa
A gôndola, a chalupa,
Quais cisnes, se arrojando,
          Em longo bando.

Dormem n’água, que espuma...
E cruzam pela bruma,
Em leves turbilhões,
          Seus pavilhões.

A lua que esvoaça
Esconde a testa e passa
Em nuvem estrelada
          Meio enrolada.

Assim dama abadessa
A capa faz que desça,
Pela sobrepeliz
          Em véus sutis.

Os palácios vetustos,
Os pórticos robustos,
Dos nobres as escadas
          Arabescadas,

As ruas e as pontes,
Dos mármores as frontes,
E o golfo turbulento
          Ao tom do vento

São quedos!... Só os guardas
Co'as longas alabardas
Vigiam nos poiais,
          Nos arsenais.

Ai! quanta moça nua
Agora, á luz da lua,
Espera chegue o amante,
          — Toda arquejante.

Agora para o baile
Mais de uma larga o xaile.
E a máscara afivela,
          Junto á janella.

Na cama embalsamada
A Vanina espasmada.
O moço aperta ainda
          Dormindo linda.

Narcisa — a doida altiva —
Na gôndola lasciva
Esquece-se na orgia
          Até de dia!...

E quem na Itália um pouco
Não tem (meu Deus) de louco?
Nem guarda para o amor
          Da vida a flor?

Deixai que ao velho Doge
— Do tempo que lhe foge —
Conte o relógio a hora,
          Que triste chora...

Cantemos nós, ó louca,
Nesta rebelde boca
Beijos aos centos dados
          Ou perdoados...

Cantemos teus encantos,
Cantemos estes prantos
Que orvalham-te em languor...
          Meu doido amor.

S. Isabel, 27 de Julho de 1870.

Alfred de Musset

Venise

Dans Venise la rouge,
Pas un bateau qui bouge,
Pas un pêcheur dans l’eau,
    Pas un falot.

Seul, assis à la grève,
Le grand lion soulève,
Sur l’horizon serein,
    Son pied d’airain.

Autour de lui, par groupes,
Navires et chaloupes,
Pareils à des hérons
    Couchés en ronds,

Dorment sur l’eau qui fume,
Et croisent dans la brume,
En légers tourbillons,
    Leurs pavillons.

La lune qui s’efface
Couvre son front, qui passe
D’un nuage étoilé
    Demi-voilé.

Ainsi la dame abbesse
De Sainte-Croix rabiasse
Sa cape aux larges plis
    Sur son surplis.

Et les palais antiques,
Et les graves portiques,
Et les blancs escaliers
    Des chevaliers,

Et les ponts, et les rues,
Et les mornes statues,
Et le golfe mouvant
    Qui tremble au vent,

Tout se tait, fors les gardes
Aux longues hallebardes,
Qui veillent aux créneaux
    Des arsenaux.

Ah! maintenant plus d’une
Attend, au clair de lune,
Quelque jeune muguet,
    L’oreille au guet.

Pour le bal qu’on prépare,
Plus d’une qui se pare,
Met devant son miroir
    Le masque noir.

Sur sa couche embaumée,
La Vanina pâmée
Presse encor son amant,
    En s’endormant;

Et Narcissa, la folle,
Au fond de sa gondole,
S’oublie en un festin
    Jusqu’au matin.

Et qui, dans l’Italie,
N’a son grain de folie?
Qui ne garde aux amours
    Ses plus beaux jours?

Laissons la vieille horloge,
Au palais du vieux doge,
Lui compter de ses nuits
    Les longs ennuis.

Comptons plutôt, ma belle,
Sur ta bouche rebelle
Tant de baisers donnés…
    Ou pardonnés.

Comptons plutôt tes charmes,
Comptons les douces larmes,
Qu’à nos yeux a coûté
    La volupté!

(Premières poésies — 1829)
[Premières Poésies (1829-1835),
Charpentier, 1863 (p. 98-100)]
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Castro Alves — Obra Completa, Organização, Fixação do Texto, Notas e Ensaio: Castro Alves e o Romantismo Brasileiro, por Eugênio Gomes, Ensaio: Vida Efêmera e Ardente de Castro Alves, Reportagem Iconográfica e Cronologia da Vida e da Obra, por Afrânio Peixoto, + Diálogo Epistolar entre José de Alencar e Machado de Assis [acerca de Castro Alves], 5ª edição, 1986, Editora Nova Aguilar S/A, Rio de Janeiro — RJ; Alfred Louis Charles de Musset (1810 — 1857), francês e parisiense, antes de completar 9 anos de idade foi matriculado no Lycée Henri IV, concluiu o ensino médio, depois aventurou-se nos estudos de medicina, direito, pintura, música, logo os abandonou, e passou a se dedicar com determinação e interesse à literatura, foi poeta, novelista, romancista, crítico e dramaturgo, e tido como "l'enfant terrible" do período romantista em Paris; “desde os 14 anos já fazia seus versos": A ma mére (1824), À Mademoiselle Zoé le Douairin (1826), Un rêve et L’anglais mangeur d’opium (1828)...; escreveu e publicou Premières poésies (1829), Une nuit vénitienne (teatro, 1830), Contes d'Espagne et d'Itale (coletânea de poemas, Contos da Espanha e da Itália, 1830), Secrètes pensées de Raphael (Pensamentos secretos de Raphael, 1830), Voeux stériles (Voos estéreis, 1830), Namouna (poema narrativo, 1831), La coupe et les lèvres (teatro, 1832), Rolla (longo poema narrativo, 1833), On ne badine pas avec l'amour (Com o amor não se brinca, teatro comédia, 1834), Lorenzaccio (drama romântico, 1834), Fantasio (teatro comédia, 1834), Le Chandelier (comédia em três atos, 1835), La confession d'un enfant du siècle (A confissão de um filho do século, novela autobiográfica, 1836), Les Nuits: La Nuit de Mai [1835], La Nuit de Décembre [1835], La Nuit d'Août [1836], La Nuit d'Octobre [1837], La Nuit d’Avril [1838] (ciclo As Noites, 1835-1838), Lettres du Dupuis et Cotonet (crítica, Cartas de Dupuis e Cotonet, 1837), Souvenir (Recordação, 1841), Il faut qu'une porte soit ouverte ou fermé (É preciso que uma porta esteja aberta ou fechada, comédia, 1845), Carmosine (comédia em Um Ato, 1850), Bettine (comédia, 1851) e outros textos em verso e prosa e para teatro; teve poemas musicados por Hector Berlioz [poème Le Lever, 1839], Charles Gounod [avec piano, Venise, 1849], Édouard Lalo [trois mélodies: À une fleur, Chanson de Barberine et La Zuecca, 1870], Claude Debussy [Madrid, 1879], [Rondeau, 1881] e [Chanson espagnole, 1883] etc.; pertenceu à Académie Française; o poeta, desde 1824, foi um dos frequentadores do “Cénacle”, salão literário de Charles Nodier — bibliotecário da Bibliotéque de l’Arsenal, e tendo como companhia Victor Hugo e outros; passou a viver como um “dândi devasso”, teve várias amantes, uma das quais a escritora George Sand [pseudônimo de Amantine Aurore Lucile Dupin, baronesa de Dudevant]; em 1845, Musset foi condecorado com a Legião de Honra em reconhecimento à sua influência na literatura francesa; com a “saúde frágil, mas sobretudo atormentado pelo alcoolismo, pela ociosidade e pela devassidão, morreu de tuberculose em 2 de maio de 1857”, aos 46 anos.

domingo, 24 de maio de 2026

Musset: Claustros silenciosos, abóbodas monásticas, . . . [excerto de Rolla, IV]

 

____________________
[traduzido por Gomes Júnior]

Claustros silenciosos, abóbodas monásticas,
Só vós, túmulos frios, só vós sabeis amar!
São vossas naves frias, vossas lousas fantásticas,
Que nunca lábio em fogo beijou sem desmaiar!

Oh! vinde, vinde abrir vossas entranhas frias
Á estes entes lindos, que invejam vossa sorte,
Sobre um macio leito, cercado de magias,
Que é bom unicamente para o sono ou para a morte!

Tocar, por piedade, nos vossos sacrifícios,
Seos corações mimosos, que morrem de langor,
E nas sangrentas dores de bárbaros cilícios
Mostrai-lhes o mistério do vosso puro amor.

Banhai-lhes, pois, as frontes nas águas batismais,
Dizei-lhes quantos anos, com que constância, a sós,
Devem ajoelhar-se nas pedras sepulcrais
Antes de suspeitarem que amàm como vós!

Alfred de Musset

Cloîtres silencieux, voûtes des monastères, . . .
[Rolla IV, fragment]

[ . . . ]

Cloîtres silencieux, voûtes des monastères,
C’est vous, sombres caveaux, vous qui savez aimer!
Ce sont vos froides nefs, vos pavés et vos pierres,
Que jamais lèvre en feu n’a baisés sans pâmer.
Oh! venez donc rouvrir vos profondes entrailles
À ces deux enfants-là qui cherchent le plaisir
Sur un lit qui n’est bon qu’à dormir ou mourir;
Frappez-leur donc le cœur sur vos saintes murailles,
Que la haire sanglante y fasse entrer ses clous.
Trempez-leur donc le front dans les eaux baptismales,
Dites-leur donc un peu ce qu’avec leurs genoux
Il leur faudrait user de pierres sépulcrales
Avant de soupçonner qu’on aime comme vous!

[ . . . ]

(Rolla: I, II, III, IV and V — 1833)
____________________
Antologia de Poetas Franceses do séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França [111 autorias e vários tradutores], Organização, Seleção e Prefácio por R. Magalhães Jr., e Texto à Guisa de Introdução por Michel Simon, Clássicos de bolso Ediouro nº 12126, sem data, [1985?], Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Alfred Louis Charles de Musset (1810 — 1857), francês e parisiense, antes de completar 9 anos de idade foi matriculado no Lycée Henri IV, concluiu o ensino médio, depois aventurou-se nos estudos de medicina, direito, pintura, música, logo os abandonou, e passou a se dedicar com determinação e interesse à literatura, foi poeta, novelista, romancista, crítico e dramaturgo, e tido como "l'enfant terrible" do período romantista em Paris; “desde os 14 anos já fazia seus versos": A ma mére (1824), À Mademoiselle Zoé le Douairin (1826), Un rêve et L’anglais mangeur d’opium (1828)...; escreveu e publicou Premières poésies (1829), Une nuit vénitienne (teatro, 1830), Contes d'Espagne et d'Itale (coletânea de poemas, Contos da Espanha e da Itália, 1830), Secrètes pensées de Raphael (Pensamentos secretos de Raphael, 1830), Voeux stériles (Voos estéreis, 1830), Namouna (poema narrativo, 1831), La coupe et les lèvres (teatro, 1832), Rolla: I, II, III, IV and V (longo poema narrativo, 1833), On ne badine pas avec l'amour (Com o amor não se brinca, teatro comédia, 1834), Lorenzaccio (drama romântico, 1834), Fantasio (teatro comédia, 1834), Le Chandelier (comédia em três atos, 1835), La confession d'un enfant du siècle (A confissão de um filho do século, novela autobiográfica, 1836), Les Nuits: La Nuit de Mai [1835], La Nuit de Décembre [1835], La Nuit d'Août [1836], La Nuit d'Octobre [1837], La Nuit d’Avril [1838] (ciclo As Noites, 1835-1838), Lettres du Dupuis et Cotonet (crítica, Cartas de Dupuis e Cotonet, 1837), Souvenir (Recordação, 1841), Il faut qu'une porte soit ouverte ou fermé (É preciso que uma porta esteja aberta ou fechada, comédia, 1845), Carmosine (comédia em Um Ato, 1850), Bettine (comédia, 1851) e outros textos em verso e prosa e para teatro; teve poemas musicados por Hector Berlioz [poème Le Lever, 1839], Charles Gounod [avec piano, Venise, 1849], Édouard Lalo [trois mélodies: À une fleur, Chanson de Barberine et La Zuecca, 1870], Claude Debussy [Madrid, 1879], [Rondeau, 1881] e [Chanson espagnole, 1883] etc.; pertenceu à Académie Française; o poeta, desde 1824, foi um dos frequentadores do “Cénacle”, salão literário de Charles Nodier — bibliotecário da Bibliotéque de l’Arsenal, e tendo como companhia Victor Hugo e outros; passou a viver como um “dândi devasso”, teve várias amantes, uma das quais a escritora George Sand [pseudônimo de Amantine Aurore Lucile Dupin, baronesa de Dudevant]; em 1845, Musset foi condecorado com a Legião de Honra em reconhecimento à sua influência na literatura francesa; com a “saúde frágil, mas sobretudo atormentado pelo alcoolismo, pela ociosidade e pela devassidão, morreu de tuberculose em 2 de maio de 1857”, aos 46 anos.

domingo, 15 de março de 2026

Musset: Pequena Canção

____________________
[traduzido por Álvaro Reis]

Se acreditais... que eu diga, um dia,
               Quem ousou amar
               (Nada o revela)
               Nem por um trono saberia
               Pronunciar
               O nome dela.

Cantemos alto, ao sol que doura
               Os dias belos.
               Se desejais...
Quanto eu a adoro e quanto é loura
               Com os seus cabelos
               Cor dos trigais.

Eu cumpro tudo o que a fantasia
               Desta querida
               Quer me ordenar;
Se for preciso, com alegria,
               A minha vida
               Lhe posso dar.

Do mal que o amor desconhecido,
               Sempre ocultado,
               Nos faz sofrer,
O coração levo ferido,
               Despedaçado,
               Até morrer.

Amo demais; por isso, nada,
               Nada revela,
               Quem ouso amar...
Morrer prefiro por minha amada,
               Que o nome dela
               Pronunciar.

[“Fortunio canta — Segundo Ato, Cena 3,
em O Castiçal, ou O Lustre, comédia em 3 atos,
publicada em 1835 e representada em 1848]

Alfred Musset

Chanson de Fortunio

Si vous croyez que je vais dire
           Qui j'ose aimer,
Je ne saurais, pour un empire,
           Vous la nommer.

Nous allons chanter à la ronde,
           Si vous voulez,
Que je l'adore et qu'elle est blonde
           Comme les blés.

Je fais ce que sa fantaisie
           Veut m'ordonner,
Et je puis, s'il lui faut ma vie,
           La lui donner.

Du mal qu'une amour ignorée
           Nous fait souffrir,
J'en porte l'âme déchirée
           Jusqu'à mourir.

Mais j'aime trop pour que je die
           Qui j'ose aimer,
Et je veux mourir pour ma mie
           Sans la nommer.

[“Fortunio chante — Acte deuxième, Scène III”,
en Le Chandelier — Comédie en trois actes,
públiée en 1835, représentée en 1848.]
(Poésies nouvelles)
____________________
Antologia de Poetas Franceses do séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França [111 autorias e vários tradutores], Organização, Seleção e Prefácio por R. Magalhães Jr., e Texto à Guisa de Introdução por Michel Simon, Clássicos de bolso Ediouro nº 12126, sem data, [1985?], Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Alfred Louis Charles de Musset (1810 — 1857), francês e parisiense, antes de completar 9 anos de idade foi matriculado no Lycée Henri IV, concluiu o ensino médio, depois aventurou-se nos estudos de medicina, direito, pintura, música, logo os abandonou, e passou a se dedicar com determinação e interesse à literatura, foi poeta, novelista, romancista, crítico e dramaturgo, e tido como "l'enfant terrible" do período romantista em Paris; “desde os 14 anos já fazia seus versos": A ma mére (1824), À Mademoiselle Zoé le Douairin (1826), Un rêve et L’anglais mangeur d’opium (1828)...; escreveu e publicou Premières poésies (1829), Une nuit vénitienne (teatro, 1830), Contes d'Espagne et d'Itale (coletânea de poemas, Contos da Espanha e da Itália, 1830), Secrètes pensées de Raphael (Pensamentos secretos de Raphael, 1830), Voeux stériles (Voos estéreis, 1830), Namouna (poema narrativo, 1831), La coupe et les lèvres (teatro, 1832), Rolla (longo poema narrativo, 1833), On ne badine pas avec l'amour (Com o amor não se brinca, teatro comédia, 1834), Lorenzaccio (drama romântico, 1834), Fantasio (teatro comédia, 1834), Le Chandelier (comédia em três atos, 1835), La confession d'un enfant du siècle (A confissão de um filho do século, novela autobiográfica, 1836), Les Nuits: La Nuit de Mai [1835], La Nuit de Décembre [1835], La Nuit d'Août [1836], La Nuit d'Octobre [1837], La Nuit d’Avril [1838] (ciclo As Noites, 1835-1838), Lettres du Dupuis et Cotonet (crítica, Cartas de Dupuis e Cotonet, 1837), Souvenir (Recordação, 1841), Il faut qu'une porte soit ouverte ou fermé (É preciso que uma porta esteja aberta ou fechada, comédia, 1845), Carmosine (comédia em Um Ato, 1850), Bettine (comédia, 1851) e outros textos em verso e prosa e para teatro; teve poemas musicados por Hector Berlioz [poème Le Lever, 1839], Charles Gounod [avec piano, Venise, 1849], Édouard Lalo [trois mélodies: À une fleur, Chanson de Barberine et La Zuecca, 1870], Claude Debussy [Madrid, 1879], [Rondeau, 1881] e [Chanson espagnole, 1883] etc.; pertenceu à Académie Française; o poeta, desde 1824, foi um dos frequentadores do “Cénacle”, salão literário de Charles Nodier — bibliotecário da Bibliotéque de l’Arsenal, e tendo como companhia Victor Hugo e outros; passou a viver como um “dândi devasso”, teve várias amantes, uma das quais a escritora George Sand [pseudônimo de Amantine Aurore Lucile Dupin, baronesa de Dudevant]; em 1845, Musset foi condecorado com a Legião de Honra em reconhecimento à sua influência na literatura francesa; com a “saúde frágil, mas sobretudo atormentado pelo alcoolismo, pela ociosidade e pela devassidão, morreu de tuberculose em 2 de maio de 1857”, aos 46 anos.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Alfred de Musset: O salgueiro

 
____________________
[traduzido por José Lino Grünewald]

Alva estrela da tarde e arauto distante,
Cuja fronte a luzir vem dos véus do poente,
De teu palácio azul, um seio do firmamento,
Que vês no prado em teu mirante?

A tormenta se afasta, os ventos amainados —
Chora sobre a charneca o bosque irrequieto;
A falena dourada, em seu leve trajeto,
Transpõe os campos perfumados.
Que buscaria no torpor bucólico?
Pelos montes, porém, eu te vejo descer;
Tu partindo a sorrir, amiga melancólica,
E teu trêmulo olhar a fim de fenecer.

Estrela, tu que desces em verde colina,
Triste lágrima em prata do manto da Treva,
Tu que o pastor andando ao longe descortinas
Enquanto vem passando o rebanho que leva —
Estrela, aonde vais por esta noite imensa?
Pelos juncos da margem buscas teu assento?
Aonde vais tão bela, à hora do silêncio,
Qual pérola a cair no fundo das correntes?
Ah! se deves morrer, lindo astro, e a cabeça
Vai imergir no mar os teus louros cabelos,
Antes de nos deixar, um só instante arrefece;
Não desças mais dos céus, estrela do desvelo!

Alfred de Musset

Le Saule

[extrait]

Pâle étoile du soir, messagère lointaine,
Dont le front sort brillant des voiles du couchant,
De ton palais d'azur, au sein du firmament,
Que regardes-tu dans la plaine?

La tempête s'éloigne, et les vents sont calmés.
La forêt, qui frémit, pleure sur la bruyère;
Le phalène doré, dans sa course légère,
Traverse les prés embaumés.
Que cherches-tu sur la terre endormie?
Mais déjà vers les monts je te vois t'abaisser;
Tu fuis, en souriant, mélancolique amie,
Et ton tremblant regard est près de s'effacer.

Étoile qui descends vers la verte colline,
Triste larme d'argent du manteau de la Nuit,
Toi que regarde au loin le pâtre qui chemine,
Tandis que pas à pas son long troupeau le suit, —
Étoile, où t'en vas-tu, dans cette nuit immense?
Cherches-tu sur la rive un lit dans les roseaux?
Où t'en vas-tu si belle, à l'heure du silence,
Tomber comme une perle au sein profond des eaux?
Ah! si tu dois mourir, bel astre, et si ta tête
Va dans la vaste mer plonger ses blonds cheveux,
Avant de nous quitter, un seul instant arrête; —
Étoile de l'amour, ne descends pas des cieux!

[...]
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Poetas Franceses do Século XIX — Seleção, Organização, Tradução e Nota Introdutória de José Lino Grünewald, 1991, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Alfred Louis Charles de Musset (1810 — 1857), francês e parisiense, antes de completar 9 anos de idade foi matriculado no Lycée Henri IV, concluiu o ensino médio, depois aventurou-se nos estudos de medicina, direito, pintura, música, logo os abandonou, e passou a se dedicar com determinação e interesse à literatura, foi poeta, novelista, romancista, crítico e dramaturgo, e tido como "l'enfant terrible" do período romantista em Paris; “desde os 14 anos já fazia seus versos": A ma mére (1824), À Mademoiselle Zoé le Douairin (1826), Un rêve et L’anglais mangeur d’opium (1828)...; escreveu e publicou Premières poésies (1829), Une nuit vénitienne (teatro, 1830), Contes d'Espagne et d'Itale (coletânea de poemas, Contos da Espanha e da Itália, 1830), Secrètes pensées de Raphael (Pensamentos secretos de Raphael, 1830), Voeux stériles (Voos estéreis, 1830), Namouna (poema narrativo, 1831), La coupe et les lèvres (teatro, 1832), Rolla (longo poema narrativo, 1833), On ne badine pas avec l'amour (Com o amor não se brinca, teatro comédia, 1834), Lorenzaccio (drama romântico, 1834), Fantasio (teatro comédia, 1834), Le Chandelier (comédia em três atos, 1835), La confession d'un enfant du siècle (A confissão de um filho do século, novela autobiográfica, 1836), Les Nuits: La Nuit de Mai [1835], La Nuit de Décembre [1835], La Nuit d'Août [1836], La Nuit d'Octobre [1837], La Nuit d’Avril [1838] (ciclo As Noites, 1835-1838), Lettres du Dupuis et Cotonet (crítica, Cartas de Dupuis e Cotonet, 1837), Souvenir (Recordação, 1841), Il faut qu'une porte soit ouverte ou fermé (É preciso que uma porta esteja aberta ou fechada, comédia, 1845), Carmosine (comédia em Um Ato, 1850), Bettine (comédia, 1851) e outros textos em verso e prosa e para teatro; teve poemas musicados por Hector Berlioz [poème Le Lever, 1839], Charles Gounod [avec piano, Venise, 1849], Édouard Lalo [trois mélodies: À une fleur, Chanson de Barberine et La Zuecca, 1870], Claude Debussy [Madrid, 1879], [Rondeau, 1881] e [Chanson espagnole, 1883] etc.; pertenceu à Académie Française; o poeta, desde 1824, foi um dos frequentadores do “Cénacle”, salão literário de Charles Nodier — bibliotecário da Bibliotéque de l’Arsenal, e tendo como companhia Victor Hugo e outros; passou a viver como um “dândi devasso”, teve várias amantes, uma das quais a escritora George Sand [pseudônimo de Amantine Aurore Lucile Dupin, baronesa de Dudevant]; em 1845, Musset foi condecorado com a Legião de Honra em reconhecimento à sua influência na literatura francesa; com a “saúde frágil, mas sobretudo atormentado pelo alcoolismo, pela ociosidade e pela devassidão, morreu de tuberculose em 2 de maio de 1857”, aos 46 anos.