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Mais pode o Sol deixar de ser
luzente,
E com a noite misturar-se o dia;
Ser a calma, bem como a neve fria,
E ser por natureza o gelo quente:
Mais pode o mar de ser movente,
E de ser rocha a bruta penedia,
Tornar-se em trevas tudo o que
alumia,
E a mesma terra ser
resplandecente:
Mais pode o mundo em nada ser
desfeito
A matéria perder a gravidade,
Deixar o fogo de queimar o efeito:
*
Mais pode, enfim, ser sombra a
claridade,
Que eu deixar de sentir no terno
peito
O golpe que me fere da saudade.
Nota do Organizador:
* Entenda-se: pode o fogo perder a capacidade de queimar.
Nota do Organizador:
* Entenda-se: pode o fogo perder a capacidade de queimar.
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Panorama da Poesia Brasileira,
Volume I — Era Luso-Brasileira, por Antonio Soares Amora, 1959, Editora Civilização
Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; do poeta Manoel Joaquim Ribeiro, ou Manuel Joaquim Ribeiro, quase nada se sabe; nascido na segunda metade do século XVIII, na Vila de Sanhoane, em Trás-os-Montes, Portugal, viveu em Minas Gerais até depois de 1831; em Florilégio da Poezia Brazileira, ou collecção das mais notáveis composições dos poetas brazileiros falecidos..., Tomo II (Imprensa Nacional, Lisboa — Portugal, 1850), por Francisco Adolpho de Varnhagen, registra-se que "nenhumas notícias possuímos deste poeta, mais
que, sendo professor régio de philosophia em Minas, mandou ao público, debaixo
dos auspícios do ex-governador daquela província Bernardo José de Lorena, conde
de Sarzedas, as suas Obras Poéticas, as quais se imprimiram em 1805 na imprensa
régia em Lisboa em um tomo de 109 páginas de 8º."; em Metamorfoses: a poesia de Cláudio Manuel da Costa (Fundação Editora Unesp — São Paulo, 1997), Capítulo 1 — A Idade do Ouro do Brasil, por Edward Lopes, o poeta é citado como "Padre Manoel Joaquim Ribeiro".