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Tanto esforço perdido em ser
perfeito!
Em ser superno, tanto esforço vão!
Sonho efêmero; acordo e, junto ao
leito,
a mesma inércia, a mesma escuridão.
Vejo, através das sombras, um
defeito
em cada cousa, e as cousas todas
são,
para os meus olhos rútilos de
eleito,
prodígios de impureza e
imperfeição!
Fico-me, noite a dentro, insone e
mudo,
pensando em ti, que dormes,
esquecida
do teu amargurado sonhador…
Ah, Mas, se ao menos, imperfeito é
tudo,
salve-se, às mil imperfeições da
vida,
a humilde perfeição do meu amor!
(Ciclo de Perfeição — 1914)
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Antologia Nacional — coleção de enxertos dos principais escritores
[prosadores e poetas] da língua portuguesa do 20º ao 13º século: Seleção, Apresentação
e Prefácio da 1ª edição por Fausto Barreto e Carlos de Laet, Prefácio da 25ª edição
por Prof. M. Daltro Santos, Introdução gramatical por Fausto Barreto, 36ª edição,
1959, Livraria Francisco Alves, Rio de Janeiro — RJ; Hermes Floro Bartolomeu de
Araújo Fontes (1888 — 1930), sergipano de Buquim, órfão de mãe ainda criança, aos
nove anos seguiu rumo ao Rio de Janeiro, levado pelas mãos de Martinho Garcez [à
época senador federal], seu protetor, cursou a Faculdade de Ciências Jurídicas e
Sociais do Rio de Janeiro [hoje Faculdade de Direito da UERJ-RJ], bacharelou-se,
não exerceu a profissão, foi poeta, compositor, jornalista, crítico literário, caricaturista
e funcionário público — trabalhou nos Correios e Telégrafos e foi oficial de gabinete
do ministro da Viação —; tendo sido um dos fundadores do jornal Estréia (1904),
também foi colaborador dos jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha
do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias, e das revistas Careta, Fon-Fon,
Tagarela, Atlântida, Kosmos, Revista Souza Cruz, entre outros periódicos de sua
época; como caricaturista, Hermes Fontes atuou no jornal O Bibliógrafo e também
no Tagarela e Brasil Moderno; obras poéticas: Apoteoses (1908), Gênese (1913), Ciclo
da Perfeição (1914), Mundo em Chamas (sob a impressão da primeira guerra mundial,
1914), Miragem do Deserto (1916), Epopéia da Vida (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada
Velada (1922), A Fonte da Mata (1930) ...; sua poesia é de estética simbolista;
Hermes Fontes “compôs a letra das músicas Luar de Paquetá e À Beira-Mar com música
de Freire Junior — gravadas por Vicente Celestino e Orlando
Silva”, entre outras composições e gravações; na divulgação de seus textos, Hermes
Fontes ainda fez uso dos pseudônimos Léo-zito, Leléo, Léo-Fábio, P. Q. Nino, H.
F., F. H., Rems, Rins e Roms; o poeta, num processo
de depressão, suicidou-se na véspera do Natal de 1930.