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[traduzido por Baptista Cepellos]
A batallas de amor campo de pluma.
(Gongora)
Languidez, languidez! tem paciência,
formosa!
Acalma esse febril e indômito
desejo;
A amante deve ter, no embate mais
sobejo,
o abandono da irmã, tímida e
carinhosa.
Em teus afagos, pois, sê branda e
langorosa,
como do teu olhar o dormente lampejo,
que embora fementido, um prolongado
beijo
vale mais que a expressão da carne
luxuriosa.
Tu me dizes, porém, que no teu seio
ardente,
ruge a fulva paixão, famulenta e
bravia;
pois deixá-la rugir
desenfreadamente!
A fronte em minha fronte e a mão na
minha presa,
choremos, doce amor, até que venha
o dia,
jurando o que amanhã negarás com
certeza!
Lassitude
[V]
A batallas de amor campo de pluma.
(Gongora.)
De la douceur, de la douceur, de la
douceur!
Calme un peu ces transports
fébriles, ma charmante.
Même au fort du déduit, parfois,
vois-tu, l’amante
Doit avoir l’abandon paisible de la
sœur.
Sois langoureuse, fais ta caresse
endormante,
Bien égaux tes soupirs et ton
regard berceur.
Va, l’étreinte jalouse et le spasme
obsesseur
Ne valent pas un long baiser, même
qui mente!
Mais dans ton cher cœur d’or, me
dis-tu, mon enfant,
La fauve passion va sonnant
l’oliphant
Laisse-la trompetter à son aise, la
gueuse!
Mets ton front sur mon front et ta
main dans ma main,
Et fais-moi des serments que tu
rompras demain,
Et pleurons jusqu’au jour, ô petite
fougueuse!
(Poèmes Saturniens — 1866)
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Antologia de Poetas Franceses do séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França [várias autorias e tradutores], Organização, Seleção e Prefácio por R. Magalhães Jr., e Texto à Guisa de Introdução por Michel Simon, sem data, Ediouro — Clássicos de bolso, Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Paul Marie Verlaine (1844 — 1896), francês nascido em Metz, educou-se no Liceu Bonaparte (Lycée Condorcet, atual Liceu Condorcet), em Paris, trabalhou como funcionário público, bacharelou-se em Literatura, foi professor e, desde cedo, escrevia poemas, inicialmente influenciado pelo parnasianismo; em 1866, estreou em livros com Poèmes Saturniens, teve sete de seus poemas publicados no Parnasse Contemporain; considerado um dos expoentes da poesia e literatura francesa, usou a expressão poètes maudits (poetas malditos) para se referir aos poetas de sua época e de seu convívio — Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud, Paul Valéry, ... —, grupo ao qual ele se incluía, e que privilegiavam a luta contra as convenções poéticas vigentes e sofriam reprimendas sociais por isso, tendo sido muitos deles ignorados pelos críticos; só posteriormente, em 1886, com a publicação do Manifesto Simbolista, por Jean Moréas, o termo "simbolismo" passou a nominar aquele novo ambiente literário; Paul Verlaine escreveu e publicou em poesia, Poèmes Saturniens (1866), Les Amies (1867), Fêtes Galantes (1869), La Bonne Chanson (1870), Romances Sans Paroles (1874), Sagesse (1880), Jadis et naguère (1884), Amour (1888), Parallèlement (1889), Hombres (poemas eróticos [escritos até 1891], publicação clandestina, 1903) e outros títulos, e, em prosa, Les Poètes maudits (1884), Louise Leclercq (1886), Les Memoires d'un veuf (1886), Mes hôpitaux (1891), Mes prisons (1893), Quinze jours en Hollande (1893) etc.; em 1875, no Reino Unido, Verlaine lecionou “latim, grego, desenho e francês” no Stickney Grammar School — Boston; participou da Comuna de Paris sem ter sido atuante nas ruas, teve poemas musicados pelo compositor Claude Debussy em Ariettes oubliées [‘Canções esquecidas, ciclo de seis melodias para voz e piano’]; o poeta, que foi casado com Mathilde Mauté, teve relacionamento sentimental amoroso conturbado com Rimbaud e o feriu com dois tiros, foi preso e encarcerado e, nos anos finais de sua vida, Paris o viu dependente de drogas e de alcoolismo, vivendo em bairros pobres e se socorrendo em hospitais públicos.