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quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Glauco Mattoso: CD "Melopéia: Sonetos Musicados" Álbum completo

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01 Arnaldo Antunes "confessional" (0:00)
02 Humberto Gessinger "revista" (4:05)
03 Edvaldo Santana "Bélico" (7:50)
04 Guedes & Stefani "pacifista" (11:46)
05 Elefunk "virtual" (16:05)
06 Wander Wildner "ensaístico" (20:20)
07 365 "desertado"(23:13)
08 Ayrton Mugnaini Jr. "Flatulento"(26:20)
09 Billy Brothers "escatologico" (29:15)
10 Devotos "Dercy Gonçalves" (31:33)
11 DJ Kraneo "inescrupuloso" (34:51)
12 Falcão & Eriberto Leão "Precípuo" (35:20)
13 Elefunk "virtual" (39:07)
14 Alexandre Nero "manifesto obsoleto" (43:35)
15 Laranja Mecânica "confessional" (45:09)
16 DJ Kraneo "inescrupuloso" (48:08)
17 Madan "ao maior" (48:38)
18 Itamar Assumpção & Renata Mattar "Amélia & Emília" (52:22)
19 Claudia Wonder & Edson Cordeiro "virtual" (55:20)
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CD Melopéia: Sonetos Musicados (por diversos compositores e intérpretes), compact-disc, 2001, Rotten Records, São Paulo — SP); Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é: Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecétera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

terça-feira, 21 de abril de 2020

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Gregório de Matos: Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, . . . [soneto]

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Moraliza o poeta nos ocidentes do Sol a inconstância dos bens do mundo.

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas, no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

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O Canto das Musas — poemas para conhecer, ler, recitar e cantar (livro e compact disc, vários autores), Organização e Apresentação de Zélia Cavalcanti, Análise de textos de Aline Evangelista Martins e Cibele Lopresti Costa, Composição do CD, por Péricles Cavalcanti; 2012, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Gregório de Matos Guerra (1636? 1695?), baiano de Salvador, formado em Direito pela Universidade de Coimbra Portugal, construiu uma obra literária na qual expõe as mazelas dos poderosos da Bahia de outrora, os quais passam a combatê-lo e fazem com que a vida do poeta vire um verdadeiro inferno, daí resultando a origem do seu apelido: Boca do Inferno; sua obra só foi registrada em livro postumamente, e, entre os anos 20 e 30 do século XX, a Academia Brasileira de Letras publicou uma coleção de sua poesia em seis volumes: Sacra (Santo — volume 1, 1923), Lírica (Lyrical — volume 2, 1923), Graciosa (Graciosa — volume 3, 1930), Satírica (Satirical — volumes 4 e 5, 1930) e Última (Última — volume 6, 1933); vale a pena ver o filme Gregório de Matos, direção de Ana Carolina, lançado em 2002, e que traz no elenco Waly Salomão (Gregório de Matos), Marília Gabriela, Ruth Escobar e Guida Viana (Abadessas), Rodolfo Bottino (Capitão), Virginia Rodrigues (Cantora) e Xuxa Lopes e Elisa Lucinda (Mulheres de rua); no filme, os personagens se revezam em recital de poemas do autor, sendo intercalados pela personagem de Marília Gabriela que apresenta relatos biográficos do poeta.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Carlos Drummond de Andrade: Drummond por ele mesmo [poemas]

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Poemas — Carlos Drummond de Andrade (1902  1987), mineiro de Itabira, poeta, contista e cronista, viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso e prosa, publicadas em livros, jornais e revistas, pelo país afora e no resto do mundo; sua obra: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940); José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945); Novos PoemasClaro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952);  Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira, crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo; Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967); Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968);  Caminhos de João Brandão, crônicas (1970); O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo —  Boitempo II (1973); De Notícias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974);  Discurso de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis  (1981); Boca de Luar, crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985); O Avesso das Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e tantos outros títulos...

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Duda Moleque *: José Maria José

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Zé Maria não falava blablablá de bambambã
Não curtia jogar bola, só carrim de rolimã
Pra ir no carnaval, foi no armário da irmã
Vestiu a saia dela, a calcinha e o sutiã
Foi pro balacobaco, cheio de balangandã
Não deu bola pra quem disse que era coisa do Satã
A boca perfumada com chiclete de hortelã
E rebolando mais que a bailarina do Tchan

O povo perguntava: o que você é?
Eu sou José Maria, eu sou Maria José

Maria José gostava mais de pipa que peteca
Não brincava de roda, muito menos com boneca
Se um moleque safado pedisse a perereca
Cuspia que nem sapo, bem na cara do sapeca
Quando ficou mocinha, cortou o cabelo careca
Foi na capoeira e ganhou força na munheca
Vestiu um paletó, camisa, calça e cueca
E fez sucesso c’as mina da discoteca.

O povo perguntava: o que você é?
Eu sou José Maria, eu sou Maria José

Maria de sapatão e José de sapatilha
Foram caminhando cada um na sua trilha
Num mundo tão pequeno onde os caminhos se encruzilha
Onde Cupido faz macumba e armadilha
O arco-íris nasce no momento que o sol brilha
Só se tem chuva a gente vê a maravilha
Os dois deixaram se atracar pela virilha
E assim nasceu uma criança na família

O povo perguntava: o que você é?
Eu sou José Maria, eu sou Maria José

Ehh… eu sou Zezé Zé Maria, Jojô
Maria, Mazé, Mama Zezé Majô, Zé Maria
Mama Zezé, Mama Jojô Papa Zezé, Papa Jojô
Mama Zezé, Mama Jojô Papa Zezé, Papa Jojô


* Para conhecer a história do grupo musical Moleque de Rua, clique no título lá em cima. 
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Duda Moleque, ou José Carlos Gomes Ferreira, nascido em 1959, paulista e paulistano, formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP  Largo São Francisco), é músico autodidata, cantor, compositor e arranjador; em 1983, na Vila Sta. Catarina, em Sampa, criou o grupo musical Moleque de Rua, formado por três gerações de jovens e crianças desfavorecidas da periferia paulistana, “perambulou pelo Brasil, atravessou o Atlântico e ancorou na Europa”, apresentando-se em inúmeros palcos do velho continente  França, Alemanha, Espanha, Reino Unido, Itália, Áustria e outros países; produção artística: Moleque de Rua (1º álbum em 1992, mais 5 álbuns e 3 filmes curta-metragem até 2011); Bicho da Selva Paulista (álbum, 2012), Projeto “Urban Ballets” (integrante, com realizações em 4 países  África do Sul, França, Portugal e Irlanda do Norte); participações em workshops, performances e festivais (20142016); atualmente vive entre São Paulo  Brasil e Norwich  Inglaterra; foi funcionário do Banco do Brasil na década de oitenta do século e milênio passados.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Flaira Ferro: Me curar de mim [letra e música]

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Sou a maldade em crise
Tendo que reconhecer
As fraquezas de um lado
Que nem todo mundo vê

Fiz em mim uma faxina e
Encontrei no meu umbigo
O meu próprio inimigo
Que adoece na rotina

Eu quero me curar de mim  REFRÃO
Quero me curar de mim
Quero me curar de mim

O ser humano é esquisito
Armadilha de si mesmo
Fala de amor bonito
E aponta o erro alheio

Vim ao mundo em um só corpo
Esse de um metro e sessenta
Devo a ele estar atenta
Não posso mudar o outro

Eu quero me curar de mim — REFRÃO
Quero me curar de mim
Quero me curar de mim

Vou pequena e pianinho
Fazer minhas orações
Eu me rendo da vaidade
Que destrói as relações

Pra me encher do que importa
Preciso me esvaziar
Minhas feras encarar
Me reconhecer hipócrita

Sou má, sou mentirosa
Vaidosa e invejosa
Sou mesquinha, grão de areia
Boba e preconceituosa

Sou carente, amostrada
Dou sorrisos, sou corrupta
Malandra, fofoqueira
Moralista, interesseira

E dói, dói, dói me expor assim
dói, dói, dói, despir-se assim.

Mas se eu não tiver coragem
Pra enfrentar os meus defeitos
De que forma, de que jeito,
Eu vou me curar de mim?

Se é que essa cura há de existir
Não sei. Só sei que a busco em mim
Só sei que a busco


Imagem relacionada


Acesse a página da cantora e compositora: http://flairaferro.com.br/flaira/
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Cordões Umbilicais Flaira Ferro, Produção Musical e Arranjos de Leonardo Gorosito e Alencar Martins, disco gravado em 2013 2014, Cia. Do Gato SP / Ilha da Lua SP / Gusdel Estúdio PE; Flaira Ferro, pernambucana e recifense, formada em Comunicação Social pela UNICAP (Recife PE), é pesquisadora, dançarina, atriz, cantora e professora de danças; foi através da dança, aos seis de anos de idade, que Flaira iniciou-se na arte; estudou Técnica e Improvisação em Dança na Escola Municipal de Frevo do Recife; no Instituto Brincante (Antonio Nóbrega Cia. De Dança), em São Paulo SP, estudou canto e percussão; como passista, participou de festivais, feiras de turismo e circuitos de cultura no exterior (Alemanha, França, Suíça, Inglaterra, Portugal, Itália, Argentina, Peru, China, Índia e Estados Unidos); com Cordões Umbilicais, seu primeiro projeto de música autoral, dá-se o início de uma nova fase de Flaira como cantora e compositora.

terça-feira, 17 de março de 2015

Zé Dantas/Luiz Gonzaga: Abecê do sertão

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Lá no meu sertão pro caboco lê
tem que aprendê um ôtro abecê.
O jota é ji, o ele é ,
o esse é si, mas o erre
tem nome de .

Até o ípsilon lá é pissilone,
o eme é  e o ene é .
O efe é , o ge chama-se guê;
na escola é engraçado ouvir-se tanto "ê"

a, bê, cê, dê,
fê, guê, lê, mê,
nê, pê, quê, rê,
tê, vê e zê.
Zé Dantas e Luiz Gonzaga
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Luiz Gonzaga (1912 1989) é o rei do baião; Zé Dantas (1921 1962), compositor, poeta e folclorista foi parceiro musical do 'Lua', o Gonzagão, em muitas e conhecidíssimas músicas (Vozes da Seca, Acauã, O xote das meninas, Abecê do sertão, ...); Genésio dos Santos é aprendiz de blogueiro; um dia eu aprendo...

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Langston Hughes: Cruzamento

Antologia Da Nova Poesia Norte-americana
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(Tradução de Jorge Wanderley)

O meu velho era um branco
E minha velha era preta.
Se eu maldisse o velho branco
Em praga igual eu me meta,

Se quis que a velha estivesse
No inferno ou mais além,
Me arrependo e quero agora
Que esteja passando bem.

Meu pai morreu num belo casarão
Minha mãe morreu num gueto.
Onde será que eu vou morrer,
Não sendo branco nem preto?

(Clique no título lá em cima e ouça o poema no original, em voz feminina não identificada.)


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Langston Hughes

Cross

My old man's a white old man
And my old mother's black.
If ever I cursed my white old man
I take my curses back.

If ever I cursed my black old mother
And wished she were in hell,
I'm sorry for that evil wish
And now I wish her well.

My old man died in a fine big house.
My ma died in a shack.
I wonder where I'm gonna die,
Being neither white nor black?
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Antologia da Nova Poesia Norte-Americana — Seleção, Tradução e Notas de Jorge Wanderley,  1992, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro —  RJ; James Mercer Langston Hughes (1902 —  1967), nascido em Joplin  — Missouri, USA, foi poeta, novelista, contista, colunista, dramaturgo e um dos expoentes do movimento cultural afro-americano Harlem Renaissance (Renascença do Harlem) dos anos 1920; sua formação universitária se deu na Universidade de Columbia, em Nova York, e na Universidade de Lincoln, na Pensilvânia; transportou para a poesia os ritmos e a cadência da música do seu povo, notadamente o blues; além de escrever poesias, contos e artigos para revistas e jornais, também fez documentários, peças teatrais e programas de rádio e tevê; bibliografia: The Weary Blues (poesia, 1926), Not Without Laughter  (romance, 1930), Dear Lovely Death (poesia, 1931), The Negro Mother and Other Dramatic Recitations (1931), The Dream Keeper and Other Poems (1932), Let America Be America Again (1938), The Big Sea  (autobiografia, 1940), Shakespeare in Harlem (poesia, 1942), Simple Speaks His Mind  (prosa, 1950), Simple Stakes a Wife  (prosa, 1950),  Tambourines to Glory (prosa, 1958), Five Plays by Langston Hughes  (drama, 1963), Mule Bone (drama), e outros títulos em verso, prosa e para dramatização; Langston Hughes traduziu textos do cubano Nicolás Guillén, Cuba Libre (poemas, 1948) e da chilena Gabriela Mistral, Selected Poems of Gabriela Mistral (poemas, 1957); antes de se firmar como literato, teve os ofícios de assistente de cozinheiro, lavador e busboy, além de, trabalhando como marinheiro, ter viajado à África e à Europa.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Alan Dugan: Diário de sete dias

Antologia Da Nova Poesia Norte-americana
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(Tradução de Jorge Wanderley)

Ah, eu me levantei e fui para o trabalho
E trabalhei e voltei para casa
e comi e conversei e fui dormir.
Então me levantei e fui para o trabalho
e trabalhei e voltei para casa
do trabalho e comi e dormi.
Então me levantei e fui para o trabalho
e trabalhei e voltei para casa
e comi e vi televisão e dormi.
Então me levante e fui para o trabalho.
e trabalhei e voltei para casa
e comi bife e dormi.
Então me levantei e fui para o trabalho
e trabalhei e voltei para casa
e comi e trepei e dormi.
Então era sábado, sábado, sábado!
O amor deve dar sentido à semana.
Fomos às compras! Vi nuvens!
As crianças explicavam tudo!
Eu podia falar do principal!
Que bebi no sábado à noite
que me fez perder a primeira, a melhor metade do domingo?
A segunda metade não foi digna desse nome.
Então me levantei e fui para o trabalho
e trabalhei e voltei para casa
do trabalho e comi e dormi
renovado, porém cansado do fim-de-semana. 

(Clique no título lá em cima e ouça o poema no original, em voz feminina não identificada.)

Alan Dugan

On a seven-day diary

Oh I got up and went to work
and worked and came back home
and ate and talked and went to sleep.
Then I got up and went to work
and worked and came back home
from work and ate and slept.
Then I got up and went to work
and worked and came back home
and ate and watched a show and slept.
Then I got up and went to work
and worked and came back home
and ate steak and went to sleep.
Then I got up and went to work
and worked and came back home
and ate and fucked and went to sleep.
Then it was Saturday, Saturday, Saturday!
Love must be the reason for the week!
We went shopping! I saw clouds!
The children explained everything!
I could talk about the main thing!
What did I drink on Saturday night
that lost the first, best half of Sunday?
The last half wasn't worth this "word".
Then I got up and went to work
and worked and came back home
from work and ate and went to sleep,
refreshed but tired by the week-end.
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Antologia da Nova Poesia Norte-Americana  Seleção, Tradução e Notas de Jorge Wanderley, edição bilíngue, 1992, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro  RJ; Alan Dugan (1923 2003), nova-iorquino do Brooklin, foi poeta; na presente antologia, o tradutor relata, em micro-biografia, que "o poeta se declara cansado da eloqüência e sua poesia realmente se evidencia despojada de ornamentos e rebarbas. Em 1966, Dugan se manifestaria como poeta em processo de situação política, acrescentando a sua afirmativa que sua linha de trabalho e pensamento atuais poderia mesmo vir a ser 'pessoalmente perigosa' para ele"; obra: Poems 1 (1961), Poems 2 (1963), Poems 3 (1967), Poems 4 (1974), Poems Five: New and Collected Poems (1983), Poems Six (1989), Poems Seven: New and Complete Poetry (2001); em 1962, recebeu o prêmio Pulitzer.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

João do Vale: Minha História

Clique aqui e ouça a música na voz do próprio João do Vale:
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Seu moço qué sabê,
eu vou contá num baião,
minha história pra sinhô,
seu moço, preste atenção.

Eu vendia pirulito,
arroz doce e mungunzá,
Enquanto eu ia vendê doce,
meus colega iam istudá.
A minha mãe, tão pobrezinha,
não podia me educá

Quando era de noitinha,
a meninada ia brincá.
Vixe, como eu tinha inveja,
de vê o Zezim contá: — 
O professor raiô comigo,
porque eu não quis istudá.

Hoje todo são “dotô”,
eu continuo joão ninguém
Mas quem nasce pra pataca,
nunca pode sê vintém.
Vê meus amigos “dotô”,
basta pra me senti bem.

Mas todos eles quando ouve,
um baiãozinho que eu fiz,
Ficam tudo satisfeito,
bate palma e pede bis.
E diz: — João foi meu colega,
como eu me sinto feliz.

Mas o negóço num é bem eu,
é Mané, Pedro e Romão,
que também foi meus colega,
e continua no sertão,
não puderam istudá,
e nem sabe fazê baião.

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João do Vale — Nova História da Música Popular Brasileira, segunda edição, revista e ampliada, 1977, Abril Cultural, São Paulo — SP; João Batista do Vale (1934 1996), maranhense de Pedreiras, foi compositor e cantor, além de ter sido garimpeiro, pedreiro e ajudante de caminhão; aos 13 anos saiu do interior do Maranhão com destino a São Luís e, de lá, aos 15, rumou para Teresina  PI, e outros destinos, até chegar no Sul-Maravilha; no Rio de Janeiro, empregou-se como operário da construção civil e, já com algumas composições no bolso e na memória, passou a frequentar rádios e mostrar seus trabalhos; teve músicas gravadas e cantadas por expoentes da MPB Música Popular Brasileira; ele próprio tornou-se também um dos expoentes da MPB; obra musical: Na Asa do Vento, O Canto da Ema, Carcará, Morena do Grotão, Pipira, Pisa na Fulô, Minha História, Peba na Pimenta, Coroné Antonio Bento, Estrela Miúda, entre outras composições.

terça-feira, 5 de março de 2013

Adauto Santos: Viola Afinada / Vide Vida Marvada


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Adauto Antônio dos Santos (1940  1999), paulista de Bernardino de Campos, foi cantor, compositor, violonista e violeiro; em suas apresentações mesclava música caipira com MPB e, além de seus próprios trabalhos, mostrava também composições de João Pacífico, Mário Lago, Rolando Boldrin, Milton Nascimento; entre outras produções, gravou os álbuns musicais Nau Catarineta (Discos Marcus Pereira, 1974), Triste Berrante (Arlequim, 1978), Pra Vosmecê (brinde de Natal da CAROL  Cooperativa dos Agricultores da Região de Orlândia, 1980), Tocador de Vida e de Viola (CPC — UMES, 1997), Varanda Sertaneja (Movieplay, 1998); das duas composições aqui apresentadas, ele é o autor de Viola Afinada; a outra, Vide Vida Marvada, é de autoria de Rolando Boldrin.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Carlos Drummond de Andrade: José

Da série: Poemas considerados clássicos nos meios acadêmicos e literários da língua portuguesa.

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(Clique abaixo e ouça o poema na voz do próprio Drummond)

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E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio 
 e agora?

Com a chave na mão 
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse...
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?
José (1942)
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Carlos Drummond de Andrade, Poesia e Prosa, Volume Único, Quinta Edição, Editora Nova Aguilar, 1979, Rio de Janeiro  RJ; Drummond (1902 — 1987), poeta, contista e cronista, viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso e prosa: Alguma Poesia; Brejo das Almas; Sentimento do Mundo; José; A Rosa do Povo; Novos Poemas; Claro Enigma; Fazendeiro do Ar; A vida Passada a Limpo; Lição de Coisas; A Falta que Ama; As Impurezas do Branco; Boitempo; Menino Antigo (Boitempo II); Versiprosa; Viola de Bolso; Discurso de Primavera, e algumas sombras; Contos de Aprendiz; Confissões de Minas; Passeios na Ilha; Fala, Amendoeira; A Bolsa e a Vida; Cadeira de Balanço; Caminhos de João Brandão; O Poder Ultrajovem; De Noticias & Não Notícias faz-se a Crônica; ...