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Quem é que sobe as escadas
Batendo o liso degrau?
Marcando o surdo compasso
Com uma perna de pau?
Quem é que tosse baixinho
Na penumbra da ante-sala?
Por que resmunga sozinho?
Por que não cospe e não fala?
Por que dois vermes sombrios
Passando na face morta?
E o mesmo sopro contínuo
Na frincha daquela porta?
Da velha parede triste
No musgo roçar macio:
São horas leves e tenras
Nascendo do solo frio.
Um punhal feriu o espaço...
E o alvo sangue a gotejar;
Deste sangue os meus cabelos
Pela vida hão de sangrar.
Todos os grilos calaram
Só o silêncio assobia;
Parece que o tempo passa
Com sua capa vazia.
O tempo enfim cristaliza
Em dimensão natural;
Mas há demônios que arpejam
Na aresta do seu cristal.
No tempo pulverizado
Há cinza também da morte:
Estão serrando no escuro
As tábuas da minha sorte.
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Revista do Clube da Poesia de São Paulo — Poesia nº 3, (vários autores), Ano II, dezembro de 1978, Editor: Geraldo Pinto Rodrigues, São Paulo — SP; Joaquim Cardoso (1897 — 1978), ou Joaquim Maria Moreira Cardozo, pernambucano de Recife, formado em Engenharia Civil, foi poeta, contista, engenheiro civil, desenhista, professor universitário e editor; na imprensa, fez charges para o Diário de Pernambuco, colaborou na Revista do Norte (foi diretor), Revista do Patrimônio Histórico, revistas Para Todos e Módulo; foi professor de Teoria e Filosofia da Arquitetura na antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco; bibliografia: Poemas (1947), Signo estrelado (1960), Coronel de Macambira (1963), De uma noite de festa (1971), Poesias Completas (1971), Os anjos e os demônios de Deus (1973), O capataz de Salema, Antonio Conselheiro, Marechal, boi de carro (1975), O interior da matéria (1976), Um livro aceso e nove canções sombrias (póstumo, 1981); como engenheiro civil, participou dos cálculos de projetos de obras monumentais de Oscar Niemeyer, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte — MG, e do Palácio da Alvorada, Catedral Metropolitana, Cúpula do Congresso Nacional, Palácio Itamarati, todos em Brasília — DF, além de outros trabalhos.
Quem é que sobe as escadas
Batendo o liso degrau?
Marcando o surdo compasso
Com uma perna de pau?
Quem é que tosse baixinho
Na penumbra da ante-sala?
Por que resmunga sozinho?
Por que não cospe e não fala?
Por que dois vermes sombrios
Passando na face morta?
E o mesmo sopro contínuo
Na frincha daquela porta?
Da velha parede triste
No musgo roçar macio:
São horas leves e tenras
Nascendo do solo frio.
Um punhal feriu o espaço...
E o alvo sangue a gotejar;
Deste sangue os meus cabelos
Pela vida hão de sangrar.
Todos os grilos calaram
Só o silêncio assobia;
Parece que o tempo passa
Com sua capa vazia.
O tempo enfim cristaliza
Em dimensão natural;
Mas há demônios que arpejam
Na aresta do seu cristal.
No tempo pulverizado
Há cinza também da morte:
Estão serrando no escuro
As tábuas da minha sorte.

Revista do Clube da Poesia de São Paulo — Poesia nº 3, (vários autores), Ano II, dezembro de 1978, Editor: Geraldo Pinto Rodrigues, São Paulo — SP; Joaquim Cardoso (1897 — 1978), ou Joaquim Maria Moreira Cardozo, pernambucano de Recife, formado em Engenharia Civil, foi poeta, contista, engenheiro civil, desenhista, professor universitário e editor; na imprensa, fez charges para o Diário de Pernambuco, colaborou na Revista do Norte (foi diretor), Revista do Patrimônio Histórico, revistas Para Todos e Módulo; foi professor de Teoria e Filosofia da Arquitetura na antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco; bibliografia: Poemas (1947), Signo estrelado (1960), Coronel de Macambira (1963), De uma noite de festa (1971), Poesias Completas (1971), Os anjos e os demônios de Deus (1973), O capataz de Salema, Antonio Conselheiro, Marechal, boi de carro (1975), O interior da matéria (1976), Um livro aceso e nove canções sombrias (póstumo, 1981); como engenheiro civil, participou dos cálculos de projetos de obras monumentais de Oscar Niemeyer, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte — MG, e do Palácio da Alvorada, Catedral Metropolitana, Cúpula do Congresso Nacional, Palácio Itamarati, todos em Brasília — DF, além de outros trabalhos.


