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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Na Moita: Pequenas empresas, grandes encrencas — Dr. Kurt Gross

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Julho de 1995  O Na Moita ressuscita para enterrar os mortos da Ag. Centro-SP, Cesec Líbero e Ag. Tesouro.

Sem estabelecer licitação, por se tratar de assunto altamente especializado e em caráter de urgência, o Na Moita contratou dois consultores de Rh positivo para responder às dúvidas dos elegíveis. Abaixo, respondemos algumas delas.
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Dr. Kurt Gross

Pergunta: Abro uma locadora? Dora.
Na Moita: Tá lôca, Dora! Tem locadora pra cassete por aí. Vide o   seu bairro. Esqueça. Eu já vi esse filme. The end é triste.

P: Meu irmão e o pai nosso querem que eu funde a Igreja   Voluntários Elegíveis do Senhor. João de Deus.
NM: Louvado seja! Verifique se ele dá pra pastor, se tem fé demais ou fé de menos. Não diga amém a tudo o que ele propõe porque errar é o mano, irmão!

P: Tenho muitos livros, discos e revistas. Abro um sebo? Edi.
NM: O mercado tá feio. Fique ensebando no Banco até se aposentar.

P: Previsões, I ching, tarô, mapa astral, horóscopo. Isso dá futuro? Maria dos Anjos.
NM: Você faz previsões e não sabe?! Procure um médico. Você está duende, eu acredito.

P: Abro uma tinturaria? Sugiro.
NM: O Policaro passou, o Lafaiete passou e o PC Ximenes vai passar. Essa tormenta passará... Se você prefere passar a vida passando a roupa alheia, passar bem!

P: Que tal um fast food? Mc Bobb.
NM: Quem não come? Quem não faz uma boquinha? Mas seja fast pois o mercado é food.

P: Vou viajar, via Jal, ao Japão. Sayo Nahora.
NM: Trabalhar de peão no Japão!? Não vá se matar de bancar o super herói japonês, porque aí jaspion. Tome cuidado, pois japonês também é neoliberal e é cheio de yen-yen-yen. De cá segue nossos votos de boa sorte.

P: E pizzaria, é uma boa idéia? Toledo Pizza.
NM: Nem tudo o que acaba em pizza acaba bem. Nesse negócio de pizza, o chato é almoçar ela todo dia.

P: Eu e meu marido somos elegíveis e a soma dos nossos direitos está por volta de uns R$ 80.000,00. Dá pra sair? Você acha que vai dar pra abrir o negócio? Casal 20.
NM: Cara-metade, o negócio é o seguinte. O seu marido fica pra garantir a Cassi e você sai e abre o negócio. Tem que dar, eu acho.

P: Acho que vou abrir uma firma especializada em desmonte, desmanche  e sucata. Certo? Gerson.
NM: Errado! Sempre querendo levar vantagem, heim, seu cabecinha de merda! O Governo, os mais de trezentos picaretas do Congresso, os importadores, a alta burguesia, a Fenaban e os latifundiários já detêm cem por cento do direito ao monopólio desse tipo de negócio no país. E você acha que eles vão querer abrir mão dessa mamata?

P: E uma agência funerária? Nassi Abu Thre.
NM: Xô, ave nociva, ave de mau agouro! Suma! Desapareça! Escafeda-se de meus umbrais. E não volte nunca mais!
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Consultório Voluntário  Dr. Alceu Dispor

P: Amei essa empresa, jamais deixei de amá-la. E agora, pra ela, virei mala. Amália.
NM: A mala ia ou a mala fica? Você decide!

P: Sou gay. Tenho 25 anos de BB e o maior sonho da minha vida é me tornar mulher. Se eu fizer uma operação posso me aposentar? Ricardo José.
NM: Pára com isso, Ricardão! Ninguém vai acreditar em você, seu enrustido.

P: Tenho 43 anos e sou virgem, mas... Já que as gestantes não são elegíveis, vale a pena fazer um baby nessa idade? Maria Santinha.
NM: Você já tem um problemão com um BB e quer arranjar outro? Sai da lata, Maria!

P: Ic! Debois deza brobosta do BZ Gimenes, gomezei a beber desesberadamente. Ic! Há AA no BB? (sic!) Norman Guassa.
NM: Uma qué bebê, ôtro não pára de bebê... Pára com isso, BB!

P: Na Ag. Centro está sobrando gente. Se eu me transferir para a Ag. Tesouro, que está sendo inaugurada agora, escapo dessa? Satélio de Lira.
NM: O quê?! Você está delirando, Satélio!  Na Ag. Tesouro é pam-pam! Quem não contribuir pra que ela seja lucrativa, elegível ou não-elegível, é pá-buf.

P: Sempre fui leal ao Banco, e hoje estou sendo apunhalado pelas costas. Costinha.
NM: Não sei como você passou no concurso prá entrar no Banco... Nem sabe diferenciar punhal de uma bicada de tucano.

P: Acreditei no FHC. Jamais imaginei que ele fosse capaz de fazer isso. Verinha, de Taubaté.
NM: Eleito, ele diz:  Go home! Se saí o bicho pega e se ficá o bicho come. E quem mandô votá no hóme?

P: Devo prá Carim, pro Ourocard, pra sogra, Cooperforte, boteco da esquina, pra Deus e pro Diabo... Peço demissão e saldo as dívidas? Reinald Implenty.
NM: Essa eu fico devendo.

P: Tenho direito a R$30.000,00 se eu aceitar o PDV. Se eu ficar e depois o Banco me demitir eu só recebo R$10.000,00. Que faço? Juracy Hage Ota.
NM: Judas pegou trinta dinheiros e Dom Pedro disse: Fico! É só escolher o seu lugar na História.
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Estas crônicas feitas de perguntas e respostas puderam se concretizar pelo fato do Banco do Brasil, na era FHC, em julho de 1995, ter implantado um pedevê que alvoroçou os então 124 mil funcionários da Casa. Naqueles idos, em apenas seis meses o BB reduziu o seu contingente para menos de 100 mil bancários, demitindo, aposentando e aterrorizando todo o quadro funcional. Foi um período no qual houve no BB, catalogado pelo movimento sindical, mais de uma dezena de mortes por suicídio, afora as tentativas de suicídio e mortes por infarto. O BB, em 1997/1998, após a chacoalhada tucana, chegou a ter menos de 70 mil bancários. Dr. Kurt Gross e Dr. Alceu Dispor, consultores especialistas à época, foram contratados pelo Na Moita para trazerem alguma racionalidade àquele conturbado período;

Jorge Nagao é um ativista da palavra. Genésio dos Santos é um ativista coadjuvante.