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Amo-as assim serenamente frias
Nesse vago crepúsculo sonhado,
Lembrando as formosuras fugidias
Que um outro Dante já tivesse amado.
Amo-as assim tão brancas e erradias,
Como se fossem para o seu noivado,
Cantando então as fundas nostalgias
Que em lírios abrem nosso amor velado.
Estrelas tristes que o silêncio canta
Nas harpas frias desse véu deserto
Que todo em névoas nosso ser quebranta.
Estrelas tristes, pálidas estrelas,
Que eu quisera de mim sentir bem perto
E só na mão poder então contê-las.
(Astros Mortos, pág. 63 a 66, Tipografia
Leuzinger, Rio
de Janeiro, 1903.)
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Panorama da Poesia Brasileira, Volume
IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de
Janeiro — RJ; Saturnino Soares de Meireles Filho (1878 — 1906), nascido no Rio de
Janeiro [cidade e estado], foi poeta, ensaísta e ativista do simbolismo; apesar
de ter tido apenas um emprego modesto numa companhia de seguros, foi de uma dedicação
absoluta a Cruz e Sousa, de quem era amigo e discípulo e a quem reservava a quarta
parte de seu parco salário; sobre Saturnino, escreveu Andrade Muricy "Mais
do que a sua produção, a sua ação garante-lhe durabilidade à memória."; em
seu único livro publicado em vida, Astros Mortos (1903), o poeta Saturnino Meireles
fez dedicatória ao paupérrimo poeta negro, chamando-o de "grande mestre e divino
amigo"; morto Cruz e Sousa em 19 de março de 1898, pagou-lhe a edição de Evocações
[publicada postumamente naquele ano] e contribuiu para a publicação de Faróis
[1900]; adquiriu, no Cemitério São Francisco Xavier, o terreno onde se ergueu o
mausoléu do amigo e, finalmente, foi um dos fundadores e sustentadores da revista
Rosa-Cruz (1901 — 1904), a qual tinha a finalidade de cultuar a memória de Cruz
e Sousa, seu ídolo; sem dúvida, chefe desse grupo, Saturnino acabou por se tornar
um dos mais importantes ativistas do movimento simbolista; suas obras: Astros Mortos
(sonetos, 1903), Intuições (edição póstuma, prosa: crítica, teoria ou história
literária, 1906), e o poeta também deixou inéditos: Kyola
[drama teatral], Meus Íntimos [prosa], Estufa Espiritual [poemas], Meu Arquivo
[coletânea de artigos publicados em jornais e revistas]; teve textos publicados
com o pseudônimo Satur.