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sábado, 27 de dezembro de 2025

Saturnino de Meireles: Estrelas

 
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Amo-as assim serenamente frias
Nesse vago crepúsculo sonhado,
Lembrando as formosuras fugidias
Que um outro Dante já tivesse amado.

Amo-as assim tão brancas e erradias,
Como se fossem para o seu noivado,
Cantando então as fundas nostalgias
Que em lírios abrem nosso amor velado.

Estrelas tristes que o silêncio canta
Nas harpas frias desse véu deserto
Que todo em névoas nosso ser quebranta.

Estrelas tristes, pálidas estrelas,
Que eu quisera de mim sentir bem perto
E só na mão poder então contê-las.

(Astros Mortos, pág. 63 a 66, Tipografia
Leuzinger, Rio de Janeiro, 1903.)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Saturnino Soares de Meireles Filho (1878 1906), nascido no Rio de Janeiro [cidade e estado], foi poeta, ensaísta e ativista do simbolismo; apesar de ter tido apenas um emprego modesto numa companhia de seguros, foi de uma dedicação absoluta a Cruz e Sousa, de quem era amigo e discípulo e a quem reservava a quarta parte de seu parco salário; sobre Saturnino, escreveu Andrade Muricy "Mais do que a sua produção, a sua ação garante-lhe durabilidade à memória."; em seu único livro publicado em vida, Astros Mortos (1903), o poeta Saturnino Meireles fez dedicatória ao paupérrimo poeta negro, chamando-o de "grande mestre e divino amigo"; morto Cruz e Sousa em 19 de março de 1898, pagou-lhe a edição de Evocações [publicada postumamente naquele ano] e contribuiu para a publicação de Faróis [1900]; adquiriu, no Cemitério São Francisco Xavier, o terreno onde se ergueu o mausoléu do amigo e, finalmente, foi um dos fundadores e sustentadores da revista Rosa-Cruz (1901 1904), a qual tinha a finalidade de cultuar a memória de Cruz e Sousa, seu ídolo; sem dúvida, chefe desse grupo, Saturnino acabou por se tornar um dos mais importantes ativistas do movimento simbolista; suas obras: Astros Mortos (sonetos, 1903), Intuições (edição póstuma, prosa: crítica, teoria ou história literária, 1906), e o poeta também deixou inéditos: Kyola [drama teatral], Meus Íntimos [prosa], Estufa Espiritual [poemas], Meu Arquivo [coletânea de artigos publicados em jornais e revistas]; teve textos publicados com o pseudônimo Satur.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Saturnino de Meireles: Templo Oculto

 
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A Gonçalo Jácome

Desce enfim a ti mesmo sem receio,
Como quem desce à própria sepultura,
Com esse riso vago de quem veio
Por entre os roseirais da desventura.

Desde sem ver a glória do torneio
Dos que só de ouro trazem a armadura,
Na luz consoladora do teu seio
Encontrarás a luz de outra ventura.

É na paz dessa eterna florescência
Que sentimos de perto a consciência
Como de Deus o misterioso vulto.

É por esse caminho iluminado
Que entramos afinal nesse noivado
Transpondo a porta desse templo oculto.

(Astros Mortos, págs. 39, 41-42 — 1903.)

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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Saturnino Soares de Meireles Filho (1878 1906), nascido no Rio de Janeiro [cidade e estado], foi poeta, ensaísta e ativista do simbolismo; apesar de ter tido apenas um emprego modesto numa companhia de seguros, foi de uma dedicação absoluta a Cruz e Sousa, de quem era amigo e discípulo e a quem reservava a quarta parte de seu parco salário; sobre Saturnino, escreveu Andrade Muricy "Mais do que a sua produção, a sua ação garante-lhe durabilidade à memória."; em seu único livro publicado em vida, Astros Mortos (1903), o poeta Saturnino Meireles fez dedicatória ao paupérrimo poeta negro, chamando-o de "grande mestre e divino amigo"; morto Cruz e Sousa em 19 de março de 1898, pagou-lhe a edição de Evocações [publicada postumamente naquele ano] e contribuiu para a publicação de Faróis [1900]; adquiriu, no Cemitério São Francisco Xavier, o terreno onde se ergueu o mausoléu do amigo e, finalmente, foi um dos fundadores e sustentadores da revista Rosa-Cruz (1901 1904), a qual tinha a finalidade de cultuar a memória de Cruz e Sousa, seu ídolo; sem dúvida, chefe desse grupo, Saturnino acabou por se tornar um dos mais importantes ativistas do movimento simbolista; suas obras: Astros Mortos (sonetos, 1903), Intuições (edição póstuma, prosa: crítica, teoria ou história literária, 1906), e o poeta também deixou inéditos: Kyola [drama teatral], Meus Íntimos [prosa], Estufa Espiritual [poemas], Meu Arquivo [coletânea de artigos publicados em jornais e revistas]; teve textos publicados com o pseudônimo Satur.