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quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Ascânio Lopes: Natal do tuberculoso & Minha morte

 
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Natal do tuberculoso

Eu pensei que Papai Noel passasse por aqui
e pus na janela do quarto
meus sapatos inúteis de doente que não mais andará.
Depois rezei. Uma oração feita por mim,
entrecortada pelo arfar do peito e pela tosse rouca.
Pedi uma morte mansa suave
o coração parando, sem aflição, sem dor.
Lá fora os sinos da Missa do Galo
acompanhando minha morte lenta.
E aqui dentro ninguém... o silêncio... o descanso... o mistério...
Mas Papai Noel passou sem nada me dar.
Achou decerto enormes meus sapatos...

— o —

Minha morte

Meus amigos dirão as palavras da amizade.
Meus inimigos dirão as palavras do perdão.
E os indiferentes continuarão indiferentes.
E ela que distante reza baixo por mim,
ela que dirá?

Sua boca dirá nada, mas seus olhos dirão tudo...

(Ascânio Lopes: Vida e poesia, de Delson Gonçalves Ferreira,
1967, Difusão Pan-Americana do Livro, Belo Horizonte — MG)

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Ascânio, o poeta da Verde, coleção Cataguases Cartazes, Organização, Seleção e Notas de Joaquim Branco, texto[orelha do livro] por Ronaldo Werneck, 1998, Edições Totem, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 — 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; suas obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (na parceria de Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde, e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

sábado, 26 de julho de 2025

Ascânio Lopes: A casa da família

 
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Olha, minha amiga, nossa
velha casa de família, tão cheia de lembranças.
Neste quarto morreu minha avó,
neste outro casou-se minha avó,
neste outro casou-se minha irmã.
Os nossos pais olham sorrindo
os nossos brinquedos, os mesmos
que eles tinham, há cinquenta anos.
Os mesmos lugares.
O amor de meus pais das elegantes maneiras antigas.
O nosso amor-mocidade, o nosso amor-americano
vibrará nos mesmos luares.
E o mesmo berço
e o velho Cristo.
E o quarto da Ceia.
Até as goteiras são conhecidas.
O velho relógio de parede
que já marcou todas as horas da família.

(Ascânio Lopes: Vida e poesia, de Delson Gonçalves Ferreira,
1967, Difusão Pan-Americana do Livro, Belo Horizonte — MG)

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Ascânio, o poeta da Verde, coleção Cataguases Cartazes, Organização, Seleção e Notas de Joaquim Branco, texto[orelha do livro] por Ronaldo Werneck, 1998, Edições Totem, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; suas obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (na parceria de Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde, e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

terça-feira, 24 de junho de 2025

Joaquim Branco: “Oh Sir, the good die first”

 
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Oh Sir, the good die first
(Wordsworth)

          Com este livro sobre Ascânio Lopes, iniciamos uma série sob o título geral de Cataguases Cartazes, focalizando escritores que fazem parte da história da literatura de nossa cidade, de Minas e do Brasil.
          Fomos achar no alto romantismo do inglês Wordsworth o verso definidor (Ó Senhor, os bons morrem primeiro.) do nosso poeta que ainda hoje, lá do final da década de 20, exerce um estranho magnetismo sobre todos que o lêem, especialmente sobre nós, cataguasenses: Ascânio Lopes.
          Entre os esboços da noivinha, a mãe bordando os serões da casa, um passado hoje quase impossível de ser reconstruído, brotam incríveis versos que resistem ao tempo, como se não tivessem sido suficientemente conhecidos por todos os seus conterrâneos e pedissem para ser lidos e relidos pelas gerações mais novas e outras e outras.
          Não existe maior lugar-comum do que dizer que os poetas mortos prematuramente poderiam ter escrito uma obra mais completa e importante, e que sua carreira foi cortada cedo, etc., etc. Mas também não se poderia fazer injustiça maior do que negar a Ascânio após a releitura de seus poemas um futuro de autor exponencial dentro da literatura brasileira se a doença não o tivesse levado.
          Se se comparar o Serão do menino pobre com o famoso Infância, de Carlos Drummond de Andrade seu companheiro e contemporâneo sobra um saldo qualificativo em favor de Ascânio, já afirmou um crítico.
          De seus poemas vem uma finura, uma leve teia, uma aragem que só se vêem nos artistas especiais, aqueles que chegam, mal têm tempo de deixar o seu recado e se vão rapidamente para algum outro lugar talvez. Mas ninguém os esquece mais.
          Ascânio Lopes foi assim. Sendo introspectivo, liderou um grupo era o mais velho do quarteto da Revista Verde (os outros: [Rosário] Fusco, [Francisco] Chico [Inácio] Peixoto e Guilhermino Cesar). Do seu canto, silencioso, foi o “motor” do movimento, juntamente com Fusco. Tímido, colocou em verso a sua curta história pessoal. Mas tornou tudo isso de tal maneira universal que transformou-a na sua própria trajetória poética.
          Sua morte em 1929 traçou o fim da Verde como movimento. Cada um foi para o seu canto, mas por outro lado, alguns, felizmente, puderam construir, com o tempo, obras que ficaram registradas, pela sua importância, na história da literatura brasileira.
          A edição deste volume, basicamente constituído pelos textos publicados no suplemento Cataguarte, editado por mim e publicado no dia 20 de abril de 1997 anexo ao jornal Cataguases tem como objetivo principal o sentido maior de permanência e registro que têm os livros em relação a revistas e jornais, viando à preservação da história literária de Cataguases e ao conhecimento das gerações futuras de que aqui, nos anos 20, já existia um grande poeta.

Cataguases — 1998

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Ascânio, o poeta da Verde [várias autorias], coleção Cataguases Cartazes, Organização, Seleção e Notas de Joaquim Branco, texto[orelha do livro] por Ronaldo Werneck, 1998, Edições Totem, Cataguases — MG; Joaquim Branco Ribeiro Filho, nascido em 1940, mineiro e cataguasense, formou-se em Direito pela UERJ Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em Letras pela FIC Faculdades Integradas de Cataguases, mestrado em Literatura Brasileira pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora MG e doutorado em Literatura Comparada pela UERJ, além de ter atuado como bancário do Banco do Brasil em várias agências mineiras e no Rio de Janeiro, e ali se aposentado, foi professor universitário, lecionou por 17 anos nas Faculdades Integradas de Cataguases, é poeta, cronista, contista, crítico literário e pesquisador; suas obras: Concreções da fala (poemas, 1969), Consumito (poemas, 1975), Laser para lazer (poemas, 1984), 500 anos do descobrimento da América (1993), O caça-palavras (poemas, 1997), Do pré ao pós-moderno (manual de literatura, 1998), Ascânio, o poeta da Verde ([várias autorias], homenagem a Ascânio Lopes, 1998), Recr(e,i)ações críticas (artigos críticos, 1999), Passagem para a Modernidade (2002), O menino que procurava o reino da poesia (narrativa de ficção, 2005), Verdes Vozes Modernistas (crítica literária, 2006), Totem e as vanguardas dos anos 1960/70 (crítica literária, 2009, 1ª reimpressão, 2013), Janelas de Leitura (vários temas, 2010), Zona de Conflito (poemas, 2024), etc.; colaborou publicando seus textos em jornais e revistas no Brasil (Jornal do Brasil, Tribuna da Imprensa, Suplemento Literário de Minas Gerais, ...) e no exterior; Joaquim Branco participou de edições dos jornais O Muro, SLD — Suplemento de Literatura e Difusão e Totem; recebeu premiações por sua obra, atualmente reside em Cataguases.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Ascânio Lopes: Os guardas e o pastor & O tecelão

 
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Os guardas e o pastor

          Os homens de sobrecenho carregado, vestidos de bronze, passaram na estrada com o rumor de espadas pesadas, batendo nos selins de prata e o som seco das ferraduras dos cavalos, batendo nas pedras e o estrídulo soar dos clarins e o pesado e compassado ruído dos tambores.
          Todo vale os ouviu, menos o pastor que estava entretido em guiar seu gado para o curral.
          Ele só tinha ouvidos para as coisas humildes e só enxergava as coisas quotidianas.

o

O tecelão

A mão do tecelão é leve
e breve, e traça iluminuras
de fios, como riscos
suaves e ligeiros
das aves
no ar.

Enquanto outros pensam
em glórias, desejam
palácios,
riquezas,
o tecelão
sonha com
teares pujantes e
tecidos fantásticos.

(Ascânio Lopes: Vida e poesia, de Delson Gonçalves Ferreira,
1967, Difusão Pan-Americana do Livro, Belo Horizonte — MG)

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Ascânio, o poeta da Verde [várias autorias], coleção Cataguases Cartazes, Organização, Seleção e Notas de Joaquim Branco, texto[orelha do livro] por Ronaldo Werneck, 1998, Edições Totem, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; suas obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (na parceria de Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde, e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

sábado, 26 de outubro de 2024

Ascânio Lopes: As estrelas

 
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Ele enamorou-se das estrelas e quis possuí-las.
E começou a construir uma torre para alcançá-las.
Mas quanto mais a torre crescia no ar
mais longe ficava o céu inatingível
e as estrelas cada vez brilhavam mais.
Um dia, quando a torre estava enorme, fina, alta
e o céu tão longe e as estrelas tão altas
ele desanimou e pôs-se a chorar.
E debruçou-se no alto da torre alta.
Mas deu um grito de dor
porque, lá embaixo, embaixo, as estrelas brilhavam mais
no espelho das águas paradas.

([revista] Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929)

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Verde (Revistas do Modernismo 1922 — 1929), edição fac-similar, Prefácio / Ensaio de Júlio Castañon Guimarães e Organização de Pedro Puntoni e Samuel Titan Jr., 2014 — Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo — SP; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (na parceria de Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde, e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Ascânio Lopes: Ruína

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Homens amigos puseram um pano preto no retrato de papai.
Mamãe ficou rezando e chorando para S. Sebastião,
amarrado na árvore com o corpo crivado de setas.
Depois me abraçou soluçando:
“Amanhã vamos embora... que será de nós, meu filho?...”
Eu fiquei triste
porque não gostaria que mamãe chorasse.
Pareceu-me que a gente não tinha mais nada
e que iam tomar nossa casa.
Nessa tarde
ninguém brincou de pique-será no terreno.

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Ascânio Lopes — todos os possíveis caminhos, Organização, Prefácio e Notas de Luiz Ruffato, 2005, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (em parceria de Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam  (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

terça-feira, 2 de julho de 2024

Ascânio Lopes: Barroca


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No cocuruto do morro está a favela mineira
de mulatas gostosas e soldados do doze regimento.
Não há ruas.
Cerca de arame em volta das casas de tábuas, tijolos, taipa cobertas
de latas.
Quando chove há um barulho de metralhadoras.
Morenas passam sacudindo os seios bamboleando o corpo roliço.
As pretas balançam ferros de engomar nas portas das casas exibindo
nádegas gordas.
Cheiro gostoso de carne assada sai das chaminés fumarentas.
As mulatas param com as mãos nas cadeiras.
As boas param olhando e cantigas imorais animam a gente.
Mas é perigoso insistir porque paisano não vale nada...
e a polícia não vai lá e as brigas acabam em facadas.

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Ascânio Lopes — todos os possíveis caminhos, Organização, Prefácio e Notas de Luiz Ruffato, 2005, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (na parceria de Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam  (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Ascânio Lopes: O revoltado

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A sirena apitou longamente
fazendo parar os teares e as máquinas.
Ele vestiu o paletó e saiu para o bairro pobre
onde mora, numa casa pobre.
As suas mãos estão calejadas.
O corpo dolorido anseia um descanso infinito desconhecido.
Olha só para frente, sem se importar com quem passa.
Parou pensando uma coisa
e brilhou no seu olhar o ódio contido
faiscou rápido o desejo insatisfeito.
Pôs-se a andar
Os grandes olhos abertos, mas sem lágrimas.

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Os Ases de Cataguases (Uma história dos primórdios do Modernismo): Luiz Ruffato, 1ª edição, 2002, Instituto Francisco de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (em conjunto com Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Ascânio Lopes: A fazenda não dá mais café


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Cromos de folhinhas velhas enfeitam as paredes
quadros piedosos de santos, retratos desacordados de homens
barbudos
de mulheres com roupas estranhas.
Mobília antiga e pesada, cadeiras mancas
com a palhinha furada.
Teias de aranha, pó nas paredes
cheias de figuras e datas a carvão e a lápis.
Um cachorro dorme um sono tranquilo na sala de jantar.
Parece que há alguém muito doente
dentro da velha casa desanimada.
Crianças sujas brincam sem alegria
no terreiro cheio de mato.
Ar pesado.
Entretanto a fazenda já foi alegre e catita
mas começou a ficar assim desde que a terra cansou
e os cafeeiros envelheceram.

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Os Ases de Cataguases (Uma história dos primórdios do Modernismo): Luiz Ruffato, 1ª edição, 2002, Instituto Francisco de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (em conjunto com Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Ascânio Lopes: Cena de uma rua afastada

 
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Para Martins de Almeida*

A solteirona fechou as janelas com estrépito.
Uma mocinha da escola normal passou firme, sem olhar.
Um senhor gordo disse que era uma pouca vergonha
e que nossa polícia não vigiava os costumes.
Mas, indiferentes aos gritos dos carroceiros,
às pedradas dos garotos,
a lulu de D. Mariquinhas e o fox-terriê (meio sangue) do sr.
Fagundes
continuaram impudicos no meio da rua.


* Nota de Luiz Ruffato: [Francisco] Martins de Almeida [1903 — 1983] — poeta mineiro, fundador, com Carlos Drummond de Andrade, Gregoriano Canedo e Emílio Moura, de A Revista, órgão modernista de 1925, do qual saíram três números. Morou na mesma pensão que Ascânio, em Belo Horizonte.
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Ascânio Lopes — todos os possíveis caminhos, Organização, Prefácio e Notas de Luiz Ruffato, 2005, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (em conjunto com Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

sábado, 11 de dezembro de 2021

Ascânio Lopes: Proximidade da morte & Certeza da morte

 
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Proximidade da morte

O doutor sabia que eu era forte
e resolveu dizer-me tudo.

E depois de tão longo sofrimento
brilhou dentro em mim a esperança, a certeza
do descanso infinito desconhecido.

Certeza da morte

Eu sei... Eu sei...
Mas não choro.
Não choro, nem clamo.
O pranto é amargo e inútil
e meu clamor não alcançaria o céu.
Nem desespero:
de nada vale o desespero ante as coisas irremediáveis.

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Ascânio Lopes — todos os possíveis caminhos, Organização, Prefácio e Notas de Luiz Ruffato, 2005, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (em conjunto com Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Ascânio Lopes: Cataguases

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Para Carlos Drummond de Andrade1

Nem Belo Horizonte, colcha de retalhos iguais,
cidade européia de ruas retas, árvores certas,
casas simétricas,
crepúsculos bonitos, sempre bonitos;
nem Juiz de Fora: ruído. Rumor.
Apitos. Klaxons.
Cidade inglesa de céu enfumaçado, cheio de chaminés negras;
nem Ouro Preto, cidade morta,
Bruges sem Rodenbach2,
onde estudantes passadistas continuam a tradição das coisas que já
esquecemos;
nem Sabará, cidade relíquia,
onde não se pode tocar, para não desmanchar o passado arrumadinho;
nem Estrela do Sul, a sonhar com tesouros,
tesouros nos cascalhos extintos de seu rio barrento;
nem Uberaba, nem, nem, cidades arrivistas de gente que pretende
ficar.
Não! Cataguases... Há coisa mais bela e serena oculta nos teus
flancos,
Nas tuas ruas brinca a inconsciência das cidades
que nunca foram, que não cuidam de ser.
Não sabes, não sei, ninguém compreenderá, jamais o que desejas, o
que serás,
Não és do futuro, não és do passado; não tens idade.
Só sei que és
a mais mineira cidade de Minas Gerais.
Nem geometria, nem estilo europeu, nem invasão americana de
platibandas, nem bangalôs dernier-cri.
Tuas casas são largas casas mineiras feitas na previsão de muitos
hóspedes.
Não há em ti o terror das cidades plantadas na mata virgem
nem o ramerrão dos bondes atrasados, cheios de gente apressada.
Nem os dísticos de “aqui esteve”, “ aqui aconteceu”.
Nem o tintim áspero dos padeiros.
Nem a buzina incômoda dos tintureiros.
Teus leiteiros ainda levam o leite em burricos.
Os padeiros deixam o pão ás janelas (cidade mineira).
Teu amanhecer é suave.
Que alegria de só ter gente conhecida, faz teu habitante voltar-se para
cumprimentar todos que passam.
Delícia de não encontrar estrangeiros de olhar agudo, esperto, mau, a
suspeitar riquezas nas terras.
Alegria dos fordes brincando (são dois) na praça.
(Depois vão dormir juntinhos numa só garagem).
Jacaré!
João Arara!
João Gostoso!
teus tipos populares.
A criançada atira-lhes pedras e eles se voltam imprecando.
Rondas alegres de meninas nas ruas, as tardes, sem perigo de
veículos.
Papagaios que se embaraçam nos fios de luz, balões que sobem,
foguetes obrigatórios nas festas de chegada do chefe político.
Jardins onde meninas ariscas passeiam meia hora só antes do cinema.
Ar momo e sensual de voluptuosidade gostosa que vibra nas tuas
tardes chuvosas, quando as goteiras pingam nos passantes
e batem isócronas nos passeios furados.
Há em ti a delícia da vida que passa porque vale a pena passar,
que passa sem dar por isso, sem supor que se vai transformando.
Em ti se dorme tranquilo sem guardas-noturnos.
Mas com o cricri dos grilos,
o ram-ram dos sapos.
O sono é tranquilo como o de uma criança de colo,
Vale a pena viver em ti.
Nem inquietude.
Nem peso inútil de recordações,
mas a confiança que nasce das coisas que não mudam bruscas,
nem ficam eternas.


Notas de Luiz Ruffato:
* Publicado originalmente no jornal Diário de Minas — Belo Horizonte, 06-03-1927 e reproduzido no jornal Cataguases, de 20-03-1927;
1. Carlos Drummond de Andrade (1902 — 1987), — um dos maiores poetas brasileiros, conheceu Ascânio em Belo Horizonte e relatou esse encontro na crônica “Lembrando Ascânio Lopes” [Verde — Ano 1 — nº 1 — Segunda fase — Maio de 1929 — pág. 4];
2. George Rodenbach (1855 — 1898), escritor simbolista belga, que tinha na cidade de Bruges, “a morta”, uma personagem essencial para sua obra.
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Ascânio Lopes — todos os possíveis caminhos, Organização, Prefácio e Notas de Luiz Ruffato, 2005, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (em conjunto com Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Ascânio Lopes: Sanatório

 
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Logo, quando os corredores ficarem vazios,
e todo o Sanatório adormecer,
a febre dos tísicos entrará no meu quarto,
trazida de manso pela mão da noite.

Então minha testa começará a arder,
todo meu corpo magro sofrerá.
E eu rolarei ansiado no leito
com o peito opresso e de garganta seca.

Lá fora haverá um vento mau
e as árvores sacudidas darão medo.
Ah! os meus olhos brilharão, procurando

a Morte que quer entrar no meu quarto.
Os meus olhos brilharão como os da fera
que defende a entrada do seu fojo.


* Nota de Joaquim Branco: Transcrito de Verde nº 1 (2ª fase), maio de 1929. No livro Ascânio Lopes — vida e poesia, este poema apresenta variações anotadas por Delson G. Ferreira de manuscritos fornecidos por Francisco Inácio Peixoto. São as seguintes: 1) “e todo meu corpo magro sofrerá:”; 2) e lá fora haverá um vento mau:”; 3) “Os meus olhos brilharão como os de uma fera:”; e 4) “que defende a entrada da sua morada.” (FERREIRA, 1967: 74)
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Passagem para a Modernidade — Transgressões e experimentos na poesia de Cataguases (Década de 1920), Texto e Introdução de Joaquim Branco e Apresentação de Francis Paulina Lopes da Silva, 2002, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG e Editar Editora Associada, Juiz de Fora — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano publicou o jornalzinho O Eco, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; bibliografia: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (em conjunto com Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.