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Ser genro* é arrebentar fibra por fibra
o Tesouro. Ser genro é ter o alheio
bolso do sogro como um farto seio
onde ouro, aos borbotões palpita e vibra.
Ser genro é ser morcego que se libra
sobre o Estado dormindo. É ser anseio.
Construir quitandinhas sem receio,
pensando que a roleta se equilibra!
É bem do genro o bem que o sogro goza,
é a própria vida noutra retratada,
luz que lhe faz os dias cor-de-rosa.
Ser genro é andar gozando num sorriso.
Fazer por Niterói menos que nada,
ser genro é enriquecer num paraíso!...
| Helena Ferraz, em evento na ABI (na foto, a única mulher) |
* Notas de Idel Becker (organizador de Humor e Humorismo – Poesias e Versos e Paródias...) e deste Verso e Conversa: O organizador Idel Becker anota na edição que o tal genro parodiado foi Ernani do Amaral Peixoto, genro de Getúlio Vargas; já, para efeito de comparação, este atrevido aprendiz de blogueiro transcreve o soneto que deu origem à paródia: Ser mãe: Ser mãe é desdobrar fibra por fibra / o coração! Ser mãe é ter no alheio / lábio que suga, o pedestal do seio, / onde a vida, onde o amor, cantando, vibra. // Ser mãe é ser um anjo que se libra / sobre um berço dormindo! É ser anseio, / é ser temeridade, é ser receio, / é ser força que os males equilibra! // Todo o bem que a mãe goza é bem do filho, / espelho em que se mira afortunada, / Luz que lhe põe nos olhos novo brilho! // Ser mãe é andar chorando num sorriso! / Ser mãe é ter um mundo e não ter nada! / Ser mãe é padecer num paraíso! (Coelho Neto).
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Humor e Humorismo — Poesias e
Versos e Paródias de Poemas Famosos — Antologia, Organização de Idel Becker, 1961,
Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Álvaro Armando, pseudônimo de Helena Ferraz de Abreu (1906 — 1979),
natural do Rio de Janeiro, foi escritora e jornalista; nascida Helena Marília Bastos
Tigre (filha do poeta Bastos Tigre, a quem só veio a conhecer quando mocinha, proibida
que fora por seus ‘dela’ familiares), já aos oito anos escrevia crônicas e poesias
para o jornal manuscrito O Potoka; depois, criou o Correio Universal (suplemento
semanal que circulava em dezenas de jornais espalhados pelo país), colaborou nos
jornais Correio da Manhã (foi responsável pela coluna 'Pingos e Respingos'), O Jornal,
dos Diários Associados, (escreveu a coluna ‘Janela Indiscreta’), O Globo (colunas
diárias em ‘Humorglobinas’ e ‘Na Boca do Globo’), dirigiu A Cigarra Feminina (suplemento
de A Cigarra), além de ter trabalhado em revistas de grande circulação nacional,
como Careta e Manchete; Helena Ferraz também exerceu atividades em publicidade e
em programas radiofônicos e televisivos (Rádio MEC, Rádio Globo e TV Tupi); satirizou
figuras públicas da época; foi eleita a primeira mulher diretora na Associação Brasileira
de Imprensa (ABI) e, até o fim da vida, dirigiu a Biblioteca Bastos Tigre; teria
sido o uso do pseudônimo masculino, Álvaro Armando, que a pusera tão à vontade no
exercício da poesia satírica, o que tornara possível uma extensa carreira em jornais
de grande circulação e destaque no Brasil da época; bibliografia: Na Berlinda —
Versos de Álvaro Armando (ilustrações de Théo, 1947).