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sábado, 16 de abril de 2016

Joel Silveira *: Poema

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Porque não há trégua na quotidiana amargura,
os versos nascem todos desgraçados
e possivelmente maus.

Os caminhos estão gastos,
as mulheres se repetem
e é ridículo dar amor a alguém que amanhã estará murcho
e que jamais devolverá nossas cartas.
Para as horas, tão inúteis,
vale apenas a solução dos bêbedos.

Onde estão os perigos desta vida?
Quero-os todos para mim, aqui ou longe,
a eles o melhor estilo e o melhor entusiasmo.
E que sobre eles o amor e a alegria se debrucem
como rosas abertas num campo minado.

Julho, 1945



* No Prefácio da 1ª. edição desta Antologia, o poeta Vinícius de Moraes escreveu a propósito dos bissextos: “... poetas que nós, seus íntimos, chamamos cordialmente de bissextos — poetas sem livros de versos — bissextos pela escassez de sua produção, cuja excelência sem embargo os coloca ao lado dos mais citados
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Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Joel Silveira (1918  2007), sergipano de Aracaju, foi jornalista, tradutor, escritor e poeta bissexto *; teve seu primeiro emprego no semanário Dom Casmurro, Rio de Janeiro, e foi repórter e secretário da revista Diretrizes, semanário de propriedade de Samuel Wainer; trabalhou ainda para os Diários Associados, Última Hora, O Estado de São Paulo, Correio da Manhã e revista Manchete; foi correspondente de guerra pelos Diários Associados, junto à FEB; sua obra: reportagens, As duas guerras da FEB (1965), Tempo de contar (1985), Você nunca será um deles (1988), O pacto maldito (1989), Segunda Guerra Mundial (1989), Presidente no jardim (1991), Conspiração na madrugada (1993), e outros títulos; ficção, Dias de luto (1985), O dia em que o leão morreu (1986), Não foi o que você pediu? (1991), Os melhores contos de Joel Silveira (1998); foi ganhador dos prêmios ‘Líbero Badaró’, ‘Prêmio Esso Especial’, ‘Prêmio Jabuti’ e ‘Golfinho de Ouro’, além de ter sido agraciado com o ‘Prêmio Machado de Assis’ (Academia Brasileira de Letras, 1998), pelo conjunto da obra.