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[traduzido por Haroldo de Campos
e
Boris Schnaiderman]
Ah, se eu antes soubera desta sina,
Quando me preparava para a estreia,
Que há morte nestas linhas, — assassinas!,
Como um golpe de sangue na traquéia.
Os folguedos desta busca de avessos
Eu deixaria, inúteis, de uma vez —
Já tão remoto o esforço do começo,
Tão temeroso o primeiro interesse.
Mas a velhice é Roma. Não lhe peça
Que venha com estórias de ninar.
Ela exige do ator mais que uma
peça,
Uma entrega total, um naufragar.
Quando o verso é um ditado do mais
íntimo,
Ele imola um escravo em cena
aberta.
E aqui termina a arte, o pano
fecha,
Ao respirar da terra e do destino.
1932
О, знал бы я, что так бывает
О, знал бы я, что так бывает,
Когда пускался на дебют,
Что строчки с кровью — убивают,
Нахлынут горлом и убьют!
От шуток с этой подоплекой
Я б отказался наотрез.
Начало было так далеко,
Так робок первый интерес.
Но старость — это Рим, который
Взамен турусов и колес
Не читки требует с актера,
А полной гибели всерьез.
Когда строку диктует чувство,
Оно на сцену шлет раба,
И тут кончается искусство,
И дышат почва и судьба.
1932 r.
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Poesia
Russa Moderna [vários autores] — Traduções e Notas de Augusto e Haroldo de
Campos e de Boris Schnaiderman, com revisão e colaboração mútuas dos
tradutores, e Prefácios da 1ª e 2ª edições de Boris Schnaiderman, Coleção
Signos Volume 33, 2ª reimpressão da 6ª edição, 2012, Editora Perspectiva, São
Paulo — SP; Boris Leonidovitch Pasternak (1890 — 1960), russo de Moscou,
foi poeta, romancista, crítico e tradutor; estudou composição no Conservatório
de Moscou, filologia na Universidade de Moscou e, mais tarde, cursou filosofia na
Alemanha; escreveu e publicou, entre outros títulos em verso e prosa, Temas e Variações
(poesia, 1917), Minha Irmã, Vida (poesia, 1922), Salvo-conduto (autobiografia romanceada,
1931), Nascer de Novo (prosa, 1932), Poemas Coligidos, Nos Trens Matinais (poesia),
Doutor Jivago (romance, publicado inicialmente na Itália, 1957); Pasternak é considerado,
por suas versões das tragédias de Shakespeare, do Fausto de Goethe, de Rainier Maria
Rilke, de Petöffi e outros autores georgianos, um dos mais notáveis tradutores russos
de poesia; no auge da Guerra Fria (Estados Unidos versus União Soviética), em 1958,
com a publicação de Doutor Jivago no ocidente, o escritor e poeta foi laureado com
o Prêmio Nobel de Literatura, mas, por intensas pressões políticas de autoridades
e da imprensa russa, recusou-se a recebê-lo.

