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sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Honório Armond: Glória!

 
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Glória a quem sofre! Glória a quem padece
as torturas supremas do Ideal
e àquele que recolhe a ingrata messe
do Desespero atroz, do Ódio mortal!

Glória a quem, desprezando o rogo e a prece
que lhe possam trazer um Bem de um Mal,
não roga... não suplica... e nunca desce
do sólio do seu Eu que é Sólio Real!

Glória a quem traz no coração sedento
de amor, esta Saudade indefinida
do Alguém que existe sem jamais se ver!

Glória a quem vai, no horror do isolamento,
no Calvário, levando a Cruz da Vida
e a Coroa de Espinhos do Dever!

(revista Fon-Fon, 09.09.1916)

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Honório Armond (1891 1958), mineiro de Barbacena, fez seus estudos iniciais em seminário lazarista em Petrópolis RJ, deu início à sua profissão no magistério no Colégio Luso-Brasileiro, em Varginha MG, foi professor e poeta bilíngue; lecionou Português e teve seus poemas registrados em periódicos mineiros, cariocas e paulistas; escreveu e publicou Ignotae Deae (1917), Perante o Além (1921), Les Voix e Les Bonheurs (1932); escrevia seus poemas ora em português, ora em francês; em 1927, com o patrocínio do jornal Diário de Minas, foi eleito 'Príncipe dos Poetas Mineiros', em concurso realizado por jovens modernistas mineiros liderados por Carlos Drummond de Andrade; seus poemas, dispersos em jornais, revistas e arquivos literários (jornais Cidade de Barbacena e Diário de Minas, revistas Acaiaca, Radium e Revista da Academia Mineira de Letras, Arquivo de Guimarães Rosa, revista Fon-Fon, O Estado de São Paulo etc.) foram reunidos e ganharam uma nova edição em Poesia Completa de Honório Armond (2011); pertenceu à Academia Mineira de Letras; Honório Armond também lecionou no Liceu e Escola Normal de Muzambinho MG e no Ginásio Mineiro de Barbacena, sua cidade natal.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Honório Armond: Filosofando

Honório Armond, O Príncipe Dos Poetas Mineiros, Zenaide Viei
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Esta particular filosofia,
que em tudo me faz ver a cova aberta,
trazendo os meus Sentidos sempre alerta
na ingrata previsão do Último Dia;

esta peculiar hipocondria
aos que têm sempre a Vida erma e deserta
é-me guarda e broquel... e me acoberta
dos males que esta idéia aos mais traria...

morrer é renascer... é recompor
novo Ser que virá à Luz da Vida
varando de uma cova os sete pés!

meu sistema ideal, consolador,
resume-se na frase definida:
Memento, homo, quia pulvis es!

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Honório Armond  O Príncipe dos Poetas Mineiros, Organizado por Zenaide Vieira Maia, 2007, Gráfica e Editora Cidade de Barbacena, Barbacena MG; Honório Armond (1891 1958), mineiro de Barbacena, foi professor e poeta bilíngue; lecionou Português e teve seus poemas registrados em periódicos mineiros, cariocas e paulistas; escreveu e publicou Ignotae Deae (1917), Perante o Além (1921), Les Voix e Les Bonheurs (1932); escrevia seus poemas ora em português, ora em francês; em 1927, com o patrocínio do jornal Diário de Minas, foi eleito 'Príncipe dos Poetas Mineiros', em concurso realizado por jovens modernistas mineiros liderados por Carlos Drummond de Andrade; seus poemas, dispersos em jornais, revistas e arquivos literários (jornais Cidade de Barbacena e Diário de Minas, revistas Acaiaca, Radium e Revista da Academia Mineira de Letras, Arquivo de Guimarães Rosa, entre outros periódicos) foram reunidos e ganharam uma nova edição em Poesia Completa de Honório Armond (2011); pertenceu à Academia Mineira de Letras.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Honório Armond: Ômega

Honório Armond, O Príncipe Dos Poetas Mineiros, Zenaide Viei
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Esta vida, estas forças que em mim agem
à espera da final libertação,
sendo o que sou, tomando a minha imagem,
que farão estas forças e onde irão?

Correndo o ciclo  a multiforme viagem
do átomo ao Ser  um novo ser farão?
ou, potência infra-atômica selvagem,
terá seu fim a desagregação?

Matéria ou força ou turbilhão etéreo
universalidade condensada
na radioatividade potencial;

seja o que for o estático mistério,
guardo em mim a dinâmica do Nada
criadora da Essência Universal!

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Honório Armond  O Príncipe dos Poetas Mineiros, Organizado por Zenaide Vieira Maia, 2007, Gráfica e Editora Cidade de Barbacena, Barbacena MG; Honório Armond (1891 1958), mineiro de Barbacena, foi professor e poeta bilíngue; lecionou Português e teve seus poemas registrados em periódicos mineiros, cariocas e paulistas; escreveu e publicou Ignotae Deae (1917), Perante o Além (1921), Les Voix e Les Bonheurs (1932); escrevia seus poemas ora em português, ora em francês; em 1927, com o patrocínio do jornal Diário de Minas, foi eleito 'Príncipe dos Poetas Mineiros', em concurso realizado por jovens modernistas mineiros liderados por Carlos Drummond de Andrade; seus poemas, dispersos em jornais, revistas e arquivos literários (jornais Cidade de Barbacena e Diário de Minas, revistas Acaiaca, Radium e Revista da Academia Mineira de Letras, Arquivo de Guimarães Rosa, entre outros periódicos) foram reunidos e ganharam uma nova edição em Poesia Completa de Honório Armond (2011); pertenceu à Academia Mineira de Letras.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Honório Armond: A um cadáver

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Triste herança do verme obscuro que te espera
nessa noite sem fim pra onde vais agora;
a fria mão da Morte, igualitária e austera,
já de um roxo-ciano os lábios te colóra...

Sendo a Beleza e a Graça enjaulaste a Quimera!
Foste o Sonho que embriaga e o abismo que devora!
e já não cheiras bem... teu cheiro engulhos gera,
não te suportarão daqui a meia hora...

Rubra rosa aromal, teu corpo foi uma ara!
Por ti, enchendo o céu, vibrou mais de uma lira
nos éstos da Paixão que acalenta e tortura,

e, hoje, aqui, se algum cão de ti se aproximara,
ó punhado de lama, o próprio cão fugira
tal ao bafo que vem de aberta sepultura...

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Honório Armond  O Príncipe dos Poetas Mineiros, Organizado por Zenaide Vieira Maia, 2007, Gráfica e Editora Cidade de Barbacena, Barbacena MG; Honório Armond (1891  1958), mineiro de Barbacena, foi professor e poeta bilíngue; lecionou Português e teve seus poemas registrados em periódicos mineiros, cariocas e paulistas; escreveu e publicou Ignotae Deae (1917), Perante o Além (1921), Les Voix e Les Bonheurs (1932); escrevia seus poemas ora em português, ora em francês; em 1927, com o patrocínio do jornal Diário de Minas, foi eleito 'Príncipe dos Poetas Mineiros', em concurso realizado por jovens modernistas mineiros liderados por Carlos Drummond de Andrade; seus poemas, dispersos em jornais, revistas e arquivos literários (jornais Cidade de Barbacena e Diário de Minas, revistas AcaiacaRadium e Revista da Academia Mineira de LetrasArquivo de Guimarães Rosa, entre outros periódicos) foram reunidos e ganharam uma nova edição em Poesia Completa de Honório Armond (2011); pertenceu à Academia Mineira de Letras.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Honório Armond: To die . . . To sleep . . . To dream . . .

Honório Armond, O Príncipe Dos Poetas Mineiros, Zenaide Viei
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Nas minhas noites lúgubres, eu penso
em trespassar o coração à bala.
Salta-me à gorja um desespero intenso,
um ódio surdo a vida me avassala...

E eis-me esta cena a arquitetar, suspenso:
 Matei-me. Há gente em torno. Estou na sala
sobre uma mesa. Ata-me o rosto um lenço.
Silêncio. Sombra. Um círio frouxo estala...

E, insone, tremo... O pesadelo aumenta...
esta nevrose que me assalta é lenta...
mas... lento é o rio e vai, por fim, ao mar...

Anaximandro, eu te interpreto agora!
eu te ouço, Hamleto, pela noite afora,
bradando em mim:  Morrer... Dormir... Sonhar!...

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Honório Armond  O Príncipe dos Poetas Mineiros, Organizado por Zenaide Vieira Maia, 2007, Gráfica e Editora Cidade de Barbacena, Barbacena MG; Honório Armond (1891 1958), mineiro de Barbacena, foi professor e poeta bilíngue; lecionou Português e teve seus poemas registrados em periódicos mineiros, cariocas e paulistas; escreveu e publicou Ignotae Deae (1917), Perante o Além (1921), Les Voix e Les Bonheurs (1932); escrevia seus poemas ora em português, ora em francês; em 1927, com o patrocínio do jornal Diário de Minas, foi eleito 'Príncipe dos Poetas Mineiros', em concurso realizado por jovens modernistas mineiros liderados por Carlos Drummond de Andrade; seus poemas, dispersos em jornais, revistas e arquivos literários (jornais Cidade de Barbacena e Diário de Minas, revistas Acaiaca, Radium e Revista da Academia Mineira de Letras, Arquivo de Guimarães Rosa, entre outros periódicos) foram reunidos e ganharam uma nova edição em Poesia Completa de Honório Armond (2011); pertenceu à Academia Mineira de Letras.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Honório Armond: Palavras a um crente

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"Que vem a ser o Bem?" perguntas.  Digo
que nunca, até hoje, francamente, eu pude
entre o joio do mal achar o trigo.
O pecado é irmão-gêmeo da virtude...

Chamas a todos  Meu fraterno amigo!
A tua alma ingênua, meu irmão, se ilude...
Faze como eu que, há muito, já não sigo
fogos-fátuos brilhando na palude...

Leva este mundo tal como é... Mascara
as tuas emoções, o ódio, a alegria,
cerra o teu coração, aguça o olhar,

que hás de ver entre a turba ingrata e ignara
o Mal, que de virtude se fazia,
rir-se de gozo ao ver alguém chorar...

(Perante o Além, 1921, Tip. Sociedade Editora
 Olegário Ribeiro, S. Paulo, págs. 33  34)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume V — Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Honório Armond (1891 1958), mineiro de Barbacena, foi professor e poeta bilíngue; lecionou Português e teve seus poemas registrados em periódicos mineiros, cariocas e paulistas; escreveu e publicou Ignotae Deae (1917), Perante o Além (1921), Les Voix e Les Bonheurs (1932); escrevia seus poemas ora em português, ora em francês; em 1927, com o patrocínio do jornal Diário de Minas, foi eleito 'Príncipe dos Poetas Mineiros', em concurso realizado por jovens modernistas mineiros liderados por Carlos Drummond de Andrade; seus poemas, dispersos em jornais, revistas e arquivos literários (jornais Cidade de Barbacena e Diário de Minas, revistas Acaiaca, Radium e Revista da Academia Mineira de Letras, Arquivo de Guimarães Rosa, entre outros periódicos) foram reunidos e ganharam uma nova edição em Poesia Completa de Honório Armond (2011); pertenceu à Academia Mineira de Letras.

sábado, 13 de junho de 2015

Honório Armond: Cinis

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Eu, que me sintetizo em cinza e poeira,
que a nada mais aspiro e nada quero,
no pequenino círculo de um zero
consegui inscrever a vida inteira...

Duvidar ou descrer... Desta maneira
não me revolto e nunca desespero...
Sei que isto acaba... e sei que, ao Fado austero,
ninguém pode fugir, nem se lhe esgueira.

Vida e morte... abstrações... palavras... nada!
Valerá ser-se triste ou ser-se alegre?
Tanto dura o prazer como o pesar...

Morta a fé, morto o amor, a ânsia evolada,
espero que o que sou enfim se integre
na eterna vibração molecular...

(Perante o Além, 1921, Tip. Sociedade Editora
 Olegário Ribeiro, S. Paulo, págs. 27  28)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume V — Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Honório Armond (1891  1958), mineiro de Barbacena, foi professor e poeta bilíngue; lecionou Português e teve seus poemas registrados em periódicos mineiros, cariocas e paulistas; escreveu e publicou Ignotae Deae (1917), Perante o Além (1921), Les Voix e Les Bonheurs (1932); escrevia seus poemas ora em português, ora em francês; em 1927, em concurso realizado por jovens modernistas mineiros liderados por Carlos Drummond de Andrade, por meio do jornal Diário de Minas, foi eleito 'Príncipe dos Poetas Mineiros'; seus poemas, dispersos em jornais, revistas e arquivos literários (jornais Diário de Minas e Cidade de Barbacena, revistas Acaiaca, Radium e Revista da Academia Mineira de Letras, Arquivo de Guimarães Rosa, entre outros periódicos) foram reunidos e ganharam uma nova edição em Poesia Completa de Honório Armond (2011); pertenceu à Academia Mineira de Letras.