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Mastros quebrados,
singro num mar de Ouro
Dormindo
fogo, incerto, longemente...
Tudo se
me igualou num sonho rente,
E em
metade de mim hoje só moro...
São tristezas
de bronze as que inda choro —
Pilastras
mortas, mármores ao Poente...
Lajearam-se-me
as ânsias brancamente
Por claustros
falsos onde nunca oro...
Desci de
mim. Dobrei o manto de Astro,
Quebrei a
taça de cristal e espanto,
Talhei em
sombra o Oiro do meu rastro...
Findei...
Horas-platina... Olor-brocado...
Luar-ânsia...
Luz-perdão... Orquídeas-pranto...
. . . . .
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
— Ó pântanos
de Mim — jardim estagnado...
Paris, 28
de junho de 1914
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Poesia Reunida — Mário de Sá-Carneiro
— Texto Integral, Organização e Apresentação de Alexei Bueno, Edições Saraiva de
Bolso, 2014, Nova Fronteira — Rio de Janeiro — RJ; Mário de Sá-Carneiro (1890 —
1916), português e lisboeta, cursou Direito em Coimbra, sem concluir os estudos,
e foi poeta, contista e ficcionista, sendo considerado um dos expoentes do Modernismo
em Portugal; foi responsável pela edição da revista literária Orpheu, causadora
de escândalo nos meios literários à época; seus textos foram registrados, parte
em vida, nas revistas Alma Nova e Contemporânea, e, postumamente, também
nas revistas Pirâmide e Sudoeste; obras: Amizade (peça teatral, 1912), Princípio
(novelas, 1912), A Confissão de Lúcio (romance, 1914), Dispersão (poesias, 1914),
Céu em Fogo (novelas, 1915); publicações póstumas: Indícios de Oiro (textos mais
significativos de sua obra, 1937), Cartas a Fernando Pessoa (correspondências, 2
volumes, 1958 e 1959) e outros títulos; cometeu suicídio, não sem antes revelar
tal intenção em correspondência a seu amigo e poeta Fernando Pessoa.

















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