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quinta-feira, 20 de julho de 2023

Wallace Stevens: O homem da neve

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[traduzido por Paulo Venâncio Filho]

É preciso uma mente de inverno
Para olhar a geada e os ramos
Dos pinheiros cobertos pela nevada

E há muito tempo fazer frio
Para observar os zimbros arrepiados de gelo,
Os abetos ásperos no brilho distante

Do sol de janeiro: e não pensar
Em qualquer miséria no som do vento,
No som de umas poucas folhas

Que é o som da terra
Cheia do mesmo vento
Que sopra no mesmo lugar vazio

Para alguém que escuta, escuta na neve,
E, ausente, observa
Nada que não está lá e o nada que é.

[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 08.04.84


The Snow Man

One must have a mind of winter
To regard the frost and the boughs
Of the pine-trees crusted with snow;

And have been cold a long time
To behold the junipers shagged with ice,
The spruces rough in the distant glitter

Of the January sun; and not to think
Of any misery in the sound of the wind,
In the sound of a few leaves,

Which is the sound of the land
Full of the same Wind
That is blowing in the same bare place

For the listener, who listens in the snow,
And, nothing himself, beholds
Nothing that is not there and the nothing that is.

* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro, trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificada através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Wallace Stevens (1879 1955), estadunidense de Reading, Pensilvânia, estudou Direito em Harward e na New York Law School, foi poeta, jornalista, advogado e administrador de companhia de seguros; em 1914, teve seus primeiros poemas divulgados na revista Poetry, de Harriet Monroe; como jornalista, por um breve período foi repórter do New York Evening Post; suas obras: Harmonium (1923), The Man With the Blue Guitar (1937), Parts of a World (1942) Esthétique Du Mal (1945), Three Academic Pieces (1947), Transport to summer (1947), The Auroras of Autumn (1950), The Necessary Angel (ensaios, 1951); Collected Poems (1954), Opus Posthumous (1957) e outros títulos, além de duas peças para teatro; recebeu premiações por sua obra (Prêmio Bollingen, National Book Award Poesia e Prêmio Pulitzer de Poesia); hoje, considerável parte da crítica o posiciona literariamente como um dos maiores poetas americanos, ao lado de Ezra Pound, T. S. Eliot, William Carlos Williams