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[traduzido
por Paulo Venâncio Filho]
É
preciso uma mente de inverno
Para
olhar a geada e os ramos
Dos
pinheiros cobertos pela nevada
E
há muito tempo fazer frio
Para
observar os zimbros arrepiados de gelo,
Os
abetos ásperos no brilho distante
Do
sol de janeiro: e não pensar
Em
qualquer miséria no som do vento,
No
som de umas poucas folhas
Que
é o som da terra
Cheia
do mesmo vento
Que
sopra no mesmo lugar vazio
Para
alguém que escuta, escuta na neve,
E,
ausente, observa
Nada
que não está lá e o nada que é.
[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 08.04.84
The Snow Man
One
must have a mind of winter
To
regard the frost and the boughs
Of
the pine-trees crusted with snow;
And
have been cold a long time
To
behold the junipers shagged with ice,
The
spruces rough in the distant glitter
Of
the January sun; and not to think
Of
any misery in the sound of the wind,
In
the sound of a few leaves,
Which
is the sound of the land
Full
of the same Wind
That
is blowing in the same bare place
For
the listener, who listens in the snow,
And,
nothing himself, beholds
Nothing
that is not there and the nothing that is.
* Nota do blogue Verso e Conversa: o
atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um
suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido
por Tarso de Castro, trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e
humor” e, com linha editorial e estrutura modificada através do tempo, circulou
entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do
semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e
tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação
de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Wallace Stevens (1879 — 1955),
estadunidense de Reading, Pensilvânia, estudou Direito em Harward e na New York
Law School, foi poeta, jornalista, advogado e administrador de companhia de seguros;
em 1914, teve seus primeiros poemas divulgados na revista Poetry, de Harriet Monroe;
como jornalista, por um breve período foi repórter do New York Evening Post;
suas obras: Harmonium (1923), The Man With the Blue Guitar (1937), Parts
of a World (1942) Esthétique Du Mal (1945), Three Academic Pieces (1947), Transport
to summer (1947), The Auroras of Autumn (1950), The Necessary Angel (ensaios, 1951);
Collected Poems (1954), Opus Posthumous (1957) e outros títulos, além de duas peças
para teatro; recebeu premiações por sua obra (Prêmio Bollingen, National Book Award
— Poesia e Prêmio Pulitzer de Poesia); hoje, considerável parte da crítica o
posiciona literariamente como um dos maiores poetas americanos, ao lado de Ezra
Pound, T. S. Eliot, William Carlos Williams