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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Joachim du Bellay: Se nossa vida é menos do que um dia . . . [soneto]

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[traduzido por Mário Laranjeira]

IV

Se nossa vida é menos do que um dia
No eterno, se o ano que dá a volta
Expulsa cada dia, que não volta,
Se é perecível tudo que se cria,

Que pensas tu, minha alma aprisionada?
Por que te apraz o escuro deste dia,
Se, pra voar à clara moradia,
Às costas tens asa bem emplumada?

Lá, está o bem que o espírito deseja,
Lá, o repousar que todo mundo almeja,
Lá, o amor, lá, o prazer profundo.

Lá, ó minha alma, ao alto céu guiada,
Poderás ter a Idéia revelada
Da beleza que adoro neste mundo.

Joachim du Bellay

Si notre vie est moins qu’une journée . . .

IV

Si notre vie est moins qu’une journée
En l’éternel, si l’an qui faict le tour
Chasse nos jours sans espoir de retour,
Si périssable est toute chose née,

Que songes-tu, mon ame emprisonnée?
Pourquoi te plaît l’obscur de nostre jour,
Si pour voler en un plus clair séjour,
Tu as au dos l’aele bien empanée?

Là, est le bien que tout esprit désire,
Là, le repos que tout le monde aspire,
Là, est l’amour, là, le plaisir encore.

Là, ô mon âme, au plus haut ciel guidée,
Tu y pourras reconnaître l’Idée
De la beauté, qu’en ce monde j’adore.
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Poetas franceses da Renascença [edição bilíngue], Seleção, Apresentação e Tradução de Mário Laranjeira, 1ª edição, agosto de 2004, Martins Fontes Editora, São Paulo — SP; Joachim du Bellay (1522 1560), francês de Anjou, comuna de Liré, à época Reino da França, estudou Direito na Université de Poitiers, cursou o Collège de Coqueret, Paris, foi poeta renascentista; tendo ficado órfão muito jovem, foi educado pelo irmão René du Bellay; estudante do Coqueret, conviveu com Pierre de Ronsard [que conhecera desde Poitiers] e outros poetas, e, influenciado por Jean Dorat, professor de grego, foi um dos criadores do grupo literário Brigade que, após a inclusão de mais poetas, se transformou na Pléiade: tinha como objetivo valorizar a produção de textos na língua francesa, os quais devessem ser de qualidade compatível à dos clássicos gregos e latinos; Du Bellay interagiu ativamente na Pléiade e escreveu o Manifesto do grupo, La Défense et illustration de la langue française; entre 1553-1557 o poeta viveu em Roma, acompanhou seu primo Jean du Bellay que havia se tornado cardeal, tendo dele recebido a incumbência de administrar as despesas da casa cardinalícia, “desapontou-se, foi absorvido pelas intrigas da corte papal, envolveu-se diretamente em eventos diplomáticos entre França e Itália”, escreveu Les Regrets obra na qual explicitou críticas à vida romana e seu desejo de retornar à Anjou francesa e Les Antiquités de Rome; suas obras: A Defesa da Ilustração da Língua Francesa (manifesto, La Défense et illustration de la langue française, 1549), A Oliveira (L’Olive [anagrama de Viole, referência e louvor à Mademoiselle de Viole], 1549), Versos Líricos (Vers lyriques, 1549), Vários jogos rústicos e outras obras poéticas (Divers Jeux Rustiques et autres œuvres poétiques, 1558); Os Lamentos (coleção de sonetos, Les Regrets, 1558), As Antiguidades de Roma (Les Antiquités de Rome, 1558), La nouvelle manière de faire son profit des Lettres (1559), O Poeta Cortesão (Le Poète courtisan, 1559) e outros títulos; nas duas últimas obras citadas, poemas de teor satírico, Du Bellay fez uso do pseudônimo J. Quentil du Troussay; em 1552, o poeta traduziu para o francês o Quarto Livro de Eneida (Le Quatriesme Livre de l'Eneide), de Virgilio; teve poemas musicados por vários compositores.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Pierre Ronsard: À Cassandra

 
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[traduzido por Renata Cordeiro]

Vejamos, meu bem, se a tal rosa
Que de manhã abriu, formosa,
Ao sol o vestido vermelho,
Já perdeu à tarde o esplendor
As pregas de encarnada cor,
E o tom ao vosso tão parelho.

Ai! Vede como em pouco tempo,
Meu bem, veio-lhe o tombamento,
Ai! E o viço deixou morrer!
É mesmo madrasta a Natura,
Pois semelhante flor só dura
Da manhã ao entardecer!

Assim, meu bem, eis a verdade,
Enquanto estais na flor da idade,
Nos primeiríssimos verdores,
Colhei, colhei a juventude:
Pois como à flor a senectude
Há-de ofuscar vossos primores.

Pierre de Ronsard

Mignonne, allons voir si la rose . . .

A Cassandre

Mignonne, allons voir si la rose
Qui ce matin avoit déclose
Sa robe pourpre au soleil,
A point perdu cette vesprée
Les plis de sa robe pourprée,
Et son teint au votre pareil.

Las! voyez comme en peu d'espace,
Mignonne, elle a dessus la place
Las! las! ses beautés laissé choir!
Ô vraiment marâtre Nature,
Puisqu'une telle fleur ne dure
Que du matin jusques au soir!

Donc, si vous me croyez, mignonne,
Tandis que votre âge fleuronne
En sa plus verte nouveauté,
Cueillez, cueillez votre jeunesse:
Comme à cette fleur la vieillesse
Fera ternir votre beauté.

(Les Odes, I, 17 — 1550)
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Pequena Antologia de Poemas Franceses: De François Villon a Fernando Pessoa — Concepção, Seleção, Introdução, Tradução e Notas de Renata Maria Parreira Cordeiro, 2002, Landy Livraria Editora e Distribuidora Ltda., São Paulo — SP; Pierre de Ronsard (1524 1585), francês de Vendôme, próximo à aldeia de Couture-sur-Loir, à época Reino da França, teve “educação confiada a um tutor”, por alguns meses estudou no Collège de Navarre, tomou contato com textos de autores latinos, foi poeta, participou das guerras italianas e, invariavelmente, prestou serviços à Corte: foi pajem do delfim Francisco [filho de Francisco I, rei da França, patrono das artes e iniciador/impulsionador do Renascimento francês] e, depois ainda, esteve com Carlos Duque de Orleans, Madalena de França, esposa do Rei Jaime V da Escócia, depois, com o próprio Jaime V, esteve ainda a serviço na Escócia, em Londres, em Flandres [hoje, região da Bélgica]; após uma doença tê-lo feito perder parte da audição, interrompeu seus serviços [diplomáticos] à Corte, dedicou-se aos estudos [processos literários da literatura italiana: Dante, Petrarca, Boccaccio], leu Lemaire de Belges, Guillaume Coquilard, Clément Marot, compôs algumas odes orácicas [de Horácio], mas também prestou serviços ao Rei Charles d’Orleans [Carlos II] e, após a morte deste, a seu delfim Henri [II]; suas obras: Odes (Les Odes, 1550 1552), Amores (Les Amours, 1552 1578), Hinos (Les Hymnes, 1555 1556), Discursos (Les Discours, 1562 1563), Sonetos para Helena (Sonnets pour Hélène, 1578), Os Amores de Cassandra [Les Amours de Cassandre, coleção de poemas em decassílabos, extraídos de Les Amours) ...; Pierre Ronsard fez parte da Plêiade, grupo literário que, à época, atuando pela renovação da língua francesa, produziu textos “inspirados pelos poetas da Grécia e Roma antigos”, “buscaram criar uma poesia mais rica e complexa, tanto em termos de forma quanto de conteúdo” e contribuíram para trazer modernidade à língua; teve vários poemas musicados por compositores de diversas épocas.

sábado, 11 de abril de 2026

Luis de Góngora: Enquanto, a competir com teu cabelo, . . . [soneto]

 
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[traduzido por Delson Tarlé]

Enquanto, a competir com teu cabelo,
o ouro brunido ao Sol reluz em vão
e, pálido de inveja, quedo ao chão,
perde-se a contemplar-se o lírio belo,

e o rubro de teus lábios deixa em zelo
mais olhos do que o cravo temporão,
e o colo altivo traz um ar loução
como o cristal luzente aspira tê-lo;

goza lábios, cabelo, colo albente,
antes que tudo, em tua idade alada
ouro, lírio, cristal, cravo rubente

não só se acabe em prata e flor crestada,
mas tu e a tua vida, juntamente,
em terra, em fumo, em pó, em sombra, em nada.

não só se acabe em prata e flor crestada,
mas tu e a tua vida, juntamente,
em terra, em fumo, em pó, em sombra, em nada.

Luis de Góngora

Mientras por competir con tu cabello, . . .

13 — 1582

      Mientras por competir con tu cabello,
oro bruñido al sol relumbra en vano,
mientras con menosprecio en medio el llano
mira tu blanca frente el lilio bello;

      mientras a cada labio, por cogello,
siguen más ojos que al clavel temprano,
y mientras triunfa con desdén Lozano
del luciente cristal tu gentil cuello;

      goza cuello, cabello, labio y frente,
antes que lo que fué en tu edad dorada
oro, lilio, clavel, cristal luciente,

      no sólo en plata o víola troncada
se vuelva, mas tú y ello juntamente
en tierra, en humo, en polvo, en sombra, en nada.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Luis de Góngora y Argote (1561 1627), espanhol e cordobês, estudou no Colegio de la Compañía de Jesús de Córdoba, foi poeta do período barroco, dramaturgo e padre; foi/é considerado líder da corrente literária autodenominada cultismo e desenvolvedor de um estilo, o gongorismo, reconhecido pelo uso sistemático continuado de ‘hipérboles, metáforas obscuras e dubiedades’ em seus textos; fez estudos religiosos em Salamanca, matriculou-se em Cânones, ordenou-se sacerdote; sabia latim, lia italiano e português; desde 1580, o ambiente literário da época já reconhecia Gôngora, mencionava-o e citava parte dos textos gongorianos, reproduzindo soneto em obra de outro literato; em 1603, em Valladolid, Gôngora teve “incansável carreira como poeta da nobreza e da realeza”, em 1605, já em Córdoba, seus poemas compuseram a antologia Flores de Poetas Ilustres; andejou por Madrid, Alcalá, Álava, Pontevedra, Granada, sempre expondo seus poemas e criando outros; em 1617, já poeta renomado, ordenou-se padre, tinha 56 anos de idade, assumiu o cargo de Capelão Real em Madrid e também foi cônego da Catedral de Córdoba; consta de sua biografia que, em vida, o poeta não publicou nenhum livro, suas poesias circularam em manuscritos; antologias publicadas no século XX foram baseadas no “manuscrito Chacón ([3 tomos], 1625-1628)”, feito/compilado por dom Antonio Chacón [y Ponce de Léon], amigo de Góngora; obra poética (“94 romances, 121 ‘letrillas’ e outras composições de ‘arte menor’, 167 sonetos, 33 composições de ‘arte maior’ e 3 poemas longos): Fábula de Polifemo y Galatea (1612 1613), Soledades (1612 1613), Panegírico Al Duque de Lerma (longo poema “de estilo elevado”, 1617), Fábula de Píramo y Tisbe (1618); Góngora, além dos sonetos e dos romances poéticos, também compôs duas peças teatrais: Las finezas de Isabela e El doctor Carlino; quase sempre o poeta passou por dificuldades e “angústias” financeiras, particularmente na velhice quando, doente, se viu “incapaz até mesmo de segurar a pena”; no ambiente literário, conviveu e rivalizou com os também poetas e dramaturgos Francisco de Quevedo (1580 1645) e Lope de Vega (1562 — 1635).

quarta-feira, 25 de março de 2026

Agrippa d’Aubigné: Vamos fazer, Diana, o jardim cultivado: . . . [soneto]

 
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[traduzido por Renata Cordeiro]

Vamos fazer, Diana, o jardim cultivado:
Vós sereis guardiã e dama, eu, lavrador.
Fornecereis o campo, e darei o labor,
Para sermos por ele os dois dignificados.

Nossos olhos serão por flores deleitados,
De um verde-flóreo, sendo o canteiro senhor
Das sementes, e só meus olhos, regador,
E seus zéfiros, meus suspiros inflamados;

Nele, podereis ver lindezas mil, floridas:
Lis, cravos, rosas, sem espinhos, margaridas,
A ancólia e o amor-perfeito, e mais tarde escolher

Depois da flor da espera, as frutas adoçadas
Pelo tempo, e deixar a renda partilhada:
A mim todo o labor, a vós todo o prazer.

Agrippa d'Aubigné

Nous ferons, ma Diane, un jardin fructueux

Nous ferons, ma Diane, un jardin fructueux:
J'en serai laboureur, vous dame et gardienne.
Vous donnerez le champ, je fournirai de peine,
Afin que son honneur soit commun à nous deux.

Les fleurs dont ce parterre éjouira nos yeux
Seront vert-florissant, leurs sujets sont la graine,
Mes yeux l'arroseront et seront sa fontaine,
Il aura pour zéphyrs mes soupirs amoureux;

Vous y verrez mêlés mille beautés écloses,
Soucis, oeillets et lys, sans épines les roses,
Ancolie et pensée, et pourrez y choisir

Fruits sucrés de durée, après des fleurs d'attente,
Et puis nous partirons à votre choix la rente:
A moi toute la peine, et à vous le plaisir.
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Pequena Antologia de Poemas Franceses: De François Villon a Fernando Pessoa — Concepção, Seleção, Introdução, Tradução e Notas de Renata Maria Parreira Cordeiro, 2002, Landy Livraria Editora e Distribuidora Ltda., São Paulo — SP; Theodore Agrippa D’Aubigné (1552 1630), francês de Saint-Maury de Saintonge, comuna de Pons, teve educação “esmerada”, desde criança já lia o francês e também o latim, o grego e o hebraico, foi poeta satírico, soldado e cronista; após a morte do pai em 1563, estudou em Paris e em Genebra; consta de sua biografia ter mostrado seu valor tanto na guerra quanto nos conselhos da política; com a coroação de Henrique de Navarra como rei da França, Agrippa D’Aubigné foi nomeado governador em Maillezais Vendéia e, “não podendo mais empunhar as armas, empunhou a pena e escreveu suas duas obras capitais”: História Universal e Os Trágicos, duas criações que “foram condenadas a ser queimadas”, o que fez com que o poeta não mais se sentisse seguro na França [Paris] e voltasse para Genebra; após seu segundo casamento, em 1623, “levou uma vida reservada, ocupando-se em revisar e completar as suas obras e publicar novos poemas.”; escreveu e publicou Os Trágicos (Les Tragiques, poema épico satírico composto por sete livros, 1616), A Primavera do Senhor d’Aubigné ou Hecatombe a Diana, 1568 — 1575 (Printemps, L'Hécatombe à Diane, uma centena de sonetos, mais estrofes e odes, publicação póstuma, 1874), História Universal de 1550 a 1601 (Histoire Universsele, 1616 1618), Confissão do Muito Católico Senhor de Sancy (Confession du Sieur de Sancy, publicação póstuma, 1660), As Aventuras do Barão de Faeneste (Les Aventures du baron de Faeneste, publicado entre 1617 e1630), Pequenas obras mistas do Senhor de Aubigné (Petites Oeuvres Mêlées du sieur d’Aubigné — Meditações sobre os Salmos, poesia religiosa, epigramas, 1630), Sua Vida aos Filhos (Sa Vie à ses enfants, obras da velhice, póstumo, 1729); Agrippa D’Aubigné é tido como um dos maiores autores barrocos da França, sua obra “foi redescoberta no século XIX, período do Romantismo, notadamente por Victor Hugo e Sainte-Beuve.”

terça-feira, 10 de março de 2026

Góngora: Ora que a competir com teu cabelo . . . [soneto]

 
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[traduzido por Péricles Eugênio da Silva Ramos *]

13 – 1582

Ora que a competir com teu cabelo
ouro brunhido ao sol reluz em vão,
e com desprezo, no relvoso chão,
vê tua branca fronte o lírio belo;

ora que ao lábio teu, para colhê-lo,
se olha mais do que ao cravo temporão,
e ora que triunfa com desdém loução
teu colo do cristal, que luz com zelo;

colo, cabelo, fronte, lábio ardente
goza, enquanto o que foi na hora dourada
ouro, lírio, cristal, cravo luzente

não só em prata ou víola cortada
se torna, mas tu e isso juntamente
em terra, em fumo, em pó, em sombra, em nada.

Luis de Góngora

13 – 1582

      Mientras por competir con tu cabello,
oro bruñido al sol relumbra en vano,
mientras con menosprecio en medio el llano
mira tu blanca frente el lilio bello;

      mientras a cada labio, por cogello,
siguen más ojos que al clavel temprano,
y mientras triunfa con desdén lozano
del luciente cristal tu gentil cuello;

      goza cuello, cabello, labio y frente,
antes que lo que fué en tu edad dorada
oro, lilio, clavel, cristal luciente,

      no sólo en plata o víola troncada
se vuelva, mas tú y ello juntamente
en tierra, en humo, en polvo, en sombra, en nada.

* Nota de Péricles Eugênio da Silva Ramos: Assinala D. A. [Dámaso Alonso, filólogo, 1898 —1990] que sobre este soneto se tem apontado influência do de Bernardo Tasso com anáforas de mentre nos três primeiros versos ímpares, mas as imagens variam, diz o ensaísta, dentro do habitual nos sonetos do tema do Carpe diem. Os versos 9 e 11 são correlativos: o colo é cristal, o cabelo é ouro, a fronte é lírio e o lábio é cravo. V. 12: A acentuação de víola na 6ª sílaba parece indicar observância por G. [Góngora], neste caso, da quantidade latina.
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Poemas de Góngora — Tradução, Introdução e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, edição bilíngue, 1988, Art Editora, São Paulo — SP; Luis de Góngora y Argote (1561 1627), espanhol e cordobês, estudou no Colegio de la Compañía de Jesús de Córdoba, foi poeta do período barroco, dramaturgo e padre; foi/é considerado líder da corrente literária autodenominada cultismo e desenvolvedor de um estilo, o gongorismo, reconhecido pelo uso sistemático continuado de ‘hipérboles, metáforas obscuras e dubiedades’ em seus textos; fez estudos religiosos em Salamanca, matriculou-se em Cânones, ordenou-se sacerdote; sabia latim, lia italiano e português; desde 1580, o ambiente literário da época já reconhecia Gôngora, mencionava-o e citava parte dos textos gongorianos, reproduzindo soneto em obra de outro literato; em 1603, em Valladolid, Gôngora teve “incansável carreira como poeta da nobreza e da realeza”, em 1605, já em Córdoba, seus poemas compuseram a antologia Flores de Poetas Ilustres; andejou por Madrid, Alcalá, Álava, Pontevedra, Granada, sempre expondo seus poemas e criando outros; em 1617, já poeta renomado, ordenou-se padre, tinha 56 anos de idade, assumiu o cargo de Capelão Real em Madrid e também foi cônego da Catedral de Córdoba; consta de sua biografia que, em vida, o poeta não publicou nenhum livro, suas poesias circularam em manuscritos; antologias publicadas no século XX foram baseadas no "manuscrito Chacón ([3 tomos], 1625-1628)”, feito/compilado por dom Antonio Chacón [y Ponce de Léon], amigo de Góngora; obra poética (“94 romances, 121 ‘letrillas’ e outras composições de ‘arte menor’, 167 sonetos, 33 composições de ‘arte maior’ e 3 poemas longos): Fábula de Polifemo y Galatea (1612 1613), Soledades (1612 1613), Panegírico Al Duque de Lerma (longo poema “de estilo elevado”, 1617), Fábula de Píramo y Tisbe (1618); Góngora, além dos sonetos e dos romances poéticos, também compôs duas peças teatrais: Las finezas de Isabela e El doctor Carlino; quase sempre o poeta passou por dificuldades e “angústias” financeiras, particularmente na velhice quando, doente, se viu “incapaz até mesmo de segurar a pena”; no ambiente literário, conviveu e rivalizou com os também poetas e dramaturgos Francisco de Quevedo (1580 1645) e Lope de Vega (1562 1635).

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Agrippa d'Aubigné: Nós faremos, Diana, um jardim frutuoso: . . . [soneto]

 
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[traduzido por Mário Laranjeira]

II

Nós faremos, Diana, um jardim frutuoso:
Eu serei o cultor, tu, senhora e guardiã.
Fornecerás o campo, eu darei o afã,
Para que de nós dois seja o usufruto honroso.

Cada flor que nos vai dar à vista mil gozos
Será verde-florente, e prenhe de sementes,
Meus prantos vão regá-lo como águas correntes,
Por zéfiros terá meus suspiros ansiosos;

Verás juntas ali mil florinhas formosas,
Cravos, lírios, lilás, e sem espinhos rosas,
Ancólia e violeta, e poderás colher.

Frutas doces do tempo, após flores de esperas,
E vamos repartir a renda como queiras:
Toda a dor para mim, para ti o prazer.

Agrippa d'Aubigné

Nous ferons, ma Diane, un jardin fructueux [sonnet]

II

Nous ferons, ma Diane, un jardin fructueux:
J'en serai laboureur, vous dame et gardienne.
Vous donnerez le champ, je fournirai de peine,
Afin que son honneur soit commun à nous deux.

Les fleurs dont ce parterre éjouira nos yeux
Seront vert-florissant, leurs sujets sont la graine,
Mes yeux l'arroseront et seront sa fontaine,
Il aura pour zéphyrs mes soupirs amoureux;

Vous y verrez mêlés mille beautés écloses,
Soucis, oeillets et lys, sans épines les rosres,
Ancolie et pensée, et pourrez y choisir

Fruits sucrés de durée, après des fleurs d'attente,
Et puis nous partirons à votre choix la rente:
A moi toute la peine, et à vous le plaisir.
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Poetas franceses da Renascença [edição bilíngue], Seleção, Apresentação e Tradução de Mário Laranjeira, 1ª edição, agosto de 2004, Martins Fontes Editora, São Paulo — SP; Theodore Agrippa D’Aubigné (1552 1630), francês de Saint-Maury de Saintonge, comuna de Pons, teve educação “esmerada”, desde criança já lia o francês e também o latim, o grego e o hebraico, foi poeta satírico, soldado e cronista; após a morte do pai em 1563, estudou em Paris e em Genebra; consta de sua biografia ter mostrado seu valor tanto na guerra quanto nos conselhos da política; com a coroação de Henrique de Navarra como rei da França, Agrippa D’Aubigné foi nomeado governador em Maillezais Vendéia e, “não podendo mais empunhar as armas, empunhou a pena e escreveu suas duas obras capitais”: História Universal e Os Trágicos, duas criações que “foram condenadas a ser queimadas”, o que fez com que o poeta não mais se sentisse seguro na França [Paris] e voltasse para Genebra; após seu segundo casamento, em 1623, “levou uma vida reservada, ocupando-se em revisar e completar as suas obras e publicar novos poemas.”; suas obras: Os Trágicos (Les Tragiques, poema épico satírico composto por sete livros, 1616), A Primavera do Senhor d’Aubigné ou Hecatombe a Diana, 1568 — 1575 (Printemps, L'Hécatombe à Diane, uma centena de sonetos, mais estrofes e odes, publicação póstuma, 1874), História Universal de 1550 a 1601 (Histoire Universsele, 1616 1618), Confissão do Muito Católico Senhor de Sancy (Confession du Sieur de Sancy, publicação póstuma, 1660), As Aventuras do Barão de Faeneste (Les Aventures du baron de Faeneste, publicado entre 1617 e1630), Pequenas obras mistas do Senhor de Aubigné (Petites Oeuvres Mêlées du sieur d’Aubigné Meditações sobre os Salmos, poesia religiosa, epigramas, 1630), Sua Vida aos Filhos (Sa Vie à ses enfants, obras da velhice, póstumo, 1729); Agrippa D’Aubigné é tido como um dos maiores autores barrocos da França, sua obra “foi redescoberta no século XIX, período do Romantismo, notadamente por Victor Hugo e Sainte-Beuve.”

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Jean-Antoine de Baïf: Amor Passarinho

 
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[traduzido por Mário Laranjeira]

Um menino a caçar passarinhos, um dia.
Espreitando num bosque, em um ramo avistou
De azevinho sentado Amor; e como o via,
Prazer enorme de seu peito se apossou.
O pássaro era grande; o visgo ele já arruma,
Espera, gira à volta, e, espreitando sua presa,
Tenta não espantá-la assim que ela se apruma;
Ele por fim se cansa ao ver a vagareza
Da caçada sem fim; chuta sua armadilha
E vai na direção de um velho que na trilha
Do arado segue, e lhe ensinara no passado
Os truques a aplicar para uma boa caça.
O menino lhe conta sua grande desgraça,
Mostra-lhe Amor no galho. O velho diz, pausado:
“Deixa, deixa, rapaz, não deves continuar
A busca ineficaz. Desiste de caçar
Esse tal passarinho: essa presa é ruim,
Se a podes evitar, estarás bem assim;
Mas se idade de homem atinges porventura,
O pássaro que foge e que te causa agrura
Por ser demais arisco, um dia se arremessa,
Vem de improviso e pousa sobre tua cabeça.

Jean-Antoine de Baïf

Amour Oiseau

Un enfant oiseleur jadis en un bocage
Giboyant aux oiseaux, vit dessus le branchage
D’un houx Amour assis; et l’ayant aperçu,
Il a dedans son coeur un grand plaisir conçu.
Car l'oiseau semblait grand; ses gluaux il apprête,
L'attend et le chevale, et guettant à sa quête
Tâche de l'assurer ainsi qu'il sautelait;
Enfin il s'ennuya de qui si mal allait
Toute sa chasse vaine; et ses gluaux il rue,
Et va vers un vieillard étant à la charrue,
Qui lui avait appris le métier d'oiseleur,
Se plaint, et parle à lui: il conte son malheur,
Lui montre Amour branché. Le vieillard lui va dire:
«Laisse, laisse, garçon, cesse de pourchasser
Après un tel oiseau: telle proie est mauvaise,
Tant que tu la lairras tu seras à ton aise,
Mais si à l'âge d'homme une fois tu atteins,
Cet oiseau qui te fuit et de qui tu te plains,
Comme trop sautelant, de ton motif s'apprête,
Venant à l'impromptu, se planter sur ta tête».
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Poetas franceses da Renascença [edição bilíngue], Seleção, Apresentação e Tradução de Mário Laranjeira, 1ª edição, agosto de 2004, Martins Fontes Editora, São Paulo — SP; Jean-Antoine de Baïf (1532 1589), nasceu em Veneza Itália, “levado para a França ainda bebê, recebeu excelente educação”, foi poeta, músico, dramaturgo, tradutor, ensaísta e fundador de companhia literária; com participação ativa e presença marcante na Plêiade, movimento poético da Renascença, “introduziu na literatura francesa novidades prosódicas, novos ritmos e medidas, tentando desvencilhar-se da tradição da métrica e da rima”; filho de mãe italiana e pai francês o também poeta Lazare de Baïf, embaixador do rei da França Francisco I , Jean-Antoine, “desde que começou a falar, aprendeu grego e latim”, cursou o Collège de Coqueret Paris, ali tendo sido colega de Pierre Ronsard, poeta e também participante do grupo literário fundador da Plêiade; suas obras: Amores de Melina (Amours de Méline, 1552), Amores de Francina (Les Amours de Francine, 1555), O Meteoro (Les Météores, 1567), Saltério A, manuscrito (P. Saltier A, manuscrit, 1569), Obras poéticas de Baïf (Oeuvres de poésies de Baïf, 1572), Saltério B, manuscrito (P. Saltier B, manuscrit, 1573), Obras em rima (Oeuvres en rime, 15721573), Passatempos (Passe-Temps, 1573), Os Mimos, ensinamentos e provérbios (Les Mimes, enseignements et proverbes, 1581) ...; no teatro, traduziu Terêncio (O Eunuco), Plauto ([peça cômica, O Valente] Miles gloriosus), Sófocles (Antígona) e traduziu/reescreveu Ovídio (As Metamorfoses); de sua biografia, consta ter sido o mais erudito e criativo dentre os fundadores [sete] e participantes do grupo literário da Plêiade; teve textos musicados.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Jean-Antoine de Baïf: Quando um dia do inverno a enfadonha friúra . . . [soneto]

 
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[traduzido por Mário Laranjeira]

Quando um dia do inverno a enfadonha friúra
Amaina e dá lugar à estação graciosa,
Quando tudo sorri e a campina gloriosa
De belas flores pinta a ridente verdura;

Junto ao Clain tortuoso, e sob a rocha escura,
Doce sono fechou-me os olhos em doce hora.
Eis que, no meu dormir, viva luz vem agora
As sombras inflamar de claridade pura,

Eis que vieram dos céus, sob a escolta de amor,
Nove ninfas iguais, que gêmeas se diria,
E fizeram um arco ali ao meu redor;

Uma delas me dá de murta uma grinalda
E diz: “Novas canções de amor canta à porfia,
Do nosso santo monte hás de subir a fralda.”

[Os Amores de Francina — 1555]


Un jour, quand de l'hiver l'ennuyeuse froidure . . .

Un jour, quand de l’hiver l’ennuyeuse froidure
S’attiédit, faisant place au printemps gracieux,
Lorsque tout rit aux champs et que les prés joyeux
Peignent de belles fleurs leur riante verdure;

Près du Clain tortueux, sous une roche obscure,
Un doux somme ferma d’un doux lien mes yeux
Voici, en mon dormant, une clarté des cieux
Venir l’ombre enflammer d’une lumière pure,

Voici venir des cieux, sous l’escorte d’amour,
Neuf nymphes qu’on eût dit être toutes jumelles;
En rond auprès de moi elles firent un tour;

Quand l’une me tendant de myrthe un vert chapeau,
Me dit: «Chante d’amour d’autres chansons nouvelles,
Et tu pourras monter à notre saint coupeau.»

[Les Amours de Francine — 1555]
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Poetas franceses da Renascença [edição bilíngue], Seleção, Apresentação e Tradução de Mário Laranjeira, 1ª edição, agosto de 2004, Martins Fontes Editora, São Paulo — SP; Jean-Antoine de Baïf (1532 1589), nasceu em Veneza Itália, “levado para a França ainda bebê, recebeu excelente educação”, foi poeta, músico, dramaturgo, tradutor, ensaísta e fundador de companhia literária; com participação ativa e presença marcante na Plêiade, movimento poético da Renascença, “introduziu na literatura francesa novidades prosódicas, novos ritmos e medidas, tentando desvencilhar-se da tradição da métrica e da rima”; filho de mãe italiana e pai francês o também poeta Lazare de Baïf, embaixador do rei da França Francisco I , Jean-Antoine, “desde que começou a falar, aprendeu grego e latim”, cursou o Collège de Coqueret Paris, ali tendo sido colega de Pierre Ronsard, poeta e também participante do grupo literário fundador da Plêiade; suas obras: Amores de Melina (Amours de Méline, 1552), Amores de Francina (Les Amours de Francine, 1555), O Meteoro (Les Météores, 1567), Saltério A, manuscrito (P. Saltier A, manuscrit, 1569), Obras poéticas de Baïf (Oeuvres de poésies de Baïf, 1572), Saltério B, manuscrito (P. Saltier B, manuscrit, 1573), Obras em rima (Oeuvres en rime, 15721573), Passatempos (Passe-Temps, 1573), Os Mimos, ensinamentos e provérbios (Les Mimes, enseignements et proverbes, 1581) ...; no teatro, traduziu Terêncio (O Eunuco), Plauto ([peça cômica, O Valente] Miles gloriosus), Sófocles (Antígona) e traduziu/reescreveu Ovídio (As Metamorfoses); de sua biografia, consta ter sido o mais erudito e criativo dentre os fundadores [sete] e participantes do grupo literário da Plêiade; teve textos musicados.

terça-feira, 29 de abril de 2025

Pierre Ronsard: Sonetos para Helena

 
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[traduzido por Mário Laranjeira]

XLIII

Quando fores bem velha, à noite, à luz da vela,
Sentada ao pé do fogo, e dobando e fiando,
Dirás, aos versos meus, e te maravilhando:
“Ronsard me celebrava ao tempo em que era bela.”

Não terás serva então que, a ouvir notícia tal,
Ao peso do labor meio cochilando,
Ao meu nome não vá logo se despertando,
Bendizendo o meu nome em louvor imortal.

Eu, debaixo da terra, um fantasma sem osso,
Pela sombra murtosa acharei meu repouso;
Tu, ao pé da lareira, uma velha encolhida,

Vais chorar meu amor e tua soberba vã.
Vive, se me dás fé, não deixes pra amanhã:
Colhe já, sem temor, as rosas desta vida.

-o-

Espero e temo, calo-me e suplico,
Ora sou gelo, e ora fogo ardente,
Admiro tudo e nada me é atraente,
Solto-me e logo ligo-me e complico.

Nada me apraz, entediado eu fico,
Meu coração é fraco, e sou valente,
Do ardor à baixa fé vou de repente,
De Amor duvido, e quando o desafio,

Mais eu me pico, e mais me torno esquivo,
Amo ser livre e quero estar cativo,
Cem vezes morro e tenho outra nascença.

Prometeu de paixões por ser eu passo,
E perco, para amar, toda potência,
Nada podendo, o que eu posso faço.

Pierre Ronsard

Second Livre des Sonnets pour Hélène

XLIII

Quand vous serez bien vieille

Quand vous serez bien vieille, au soir, à la chandelle,
Assise auprès du feu, dévidant et filant,
Direz, chantant mes vers, en vous émerveillant:
“Ronsard me célébrait du temps que j’étais belle.”

Lors, vous n’aurez servante oyant telle nouvelle,
Déjà sous le labeur à demi sommeillant,
Qui au bruit de mon nom ne s’aille réveillant
Bénissant votre nom de louange immortelle.

Je serai sous la terre, et fantôme sans os,
Par les ombres myrteux je prendrai mon repos;
Vous serez au foyer une vieille accroupie,

Regrettant mon amour et votre fier dédain.
Vivez, si m’en croyez, n’attendez à demain:
Cueillez dès aujourd’hui les roses de la vie.

-o-

J'espère et crains

J'espère et crains, je me tais et supplie,
Or je suis glace et ores un feu chaud,
J'admire tout et de rien ne me chaut,
Je me délace, et puis je me relie.

Rien ne me plaît sinon ce qui m'ennuie,
Je suis vaillant et le cœur me défaut,
J'ai l'espoir bas, j'ai le courage haut,
Je doubte Amour, et si je le défie,

Plus je me picque, et plus je suis rétif,
J'aime être libre et veux vivre en captif,
Cent fois je meurs, cent fois je prends naissance.

Un Prométhée en passions je suis;
Et pour aimer perdant toute puissance
Ne pouvant rien je fais ce que je puis.

[Sonnets pour Hélène — 1578], (Poésies diverses — 1587)
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Poetas franceses da Renascença [edição bilíngue], Seleção, Apresentação e Tradução de Mário Laranjeira, 1ª edição, agosto de 2004, Martins Fontes Editora, São Paulo — SP; Pierre Ronsard (1524 1585), francês de Vendôme, próximo à aldeia de Couture-sur-Loir, à época Reino da França, foi poeta, invariavelmente prestou serviços à Corte: foi pajem do delfim Francisco [filho de Francisco I, rei da França, patrono das artes e iniciador/impulsionador do Renascimento francês] e, depois, esteve com Carlos Duque de Orleans, Madalena de França, esposa do Rei Jaime V da Escócia, depois, com o próprio Jaime V, esteve ainda a serviço na Escócia, em Londres, em Flandres [hoje, região da Bélgica]; após uma doença tê-lo feito perder parte da audição, teve que interromper seus serviços [diplomáticos] à Corte, dedicou-se aos estudos [processos literários da literatura italiana: Dante, Petrarca, Boccaccio], leu Lemaire de Belges, Guillaume Coquilard, Clément Marot, compôs algumas odes orácicas [de Horácio], mas também prestou serviços ao Rei Charles d’Orleans [Carlos II] e, após a morte deste, a seu delfim Henri [II]; suas obras: Odes (Les Odes, 1550 1552), Amores (Les Amours, 1552 1578), Hinos (Les Hymnes, 1555 1556), Discursos (Les Discours, 1562 1563), Sonetos para Helena (Sonnets pour Hélène, 1578), Os Amores de Cassandra [Les Amours de Cassandre, coleção de poemas em decassílabos, extraídos de Les Amours) ...; teve poemas musicados por músicos de várias épocas.