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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Francisco Inácio Peixoto: Exercício erótico & Noturno

 
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Exercício erótico

Triângulo isósceles que se inscrevesse no ventre
coxim de pelos ruivos
ou negros ou fulvos
ora seda desfiada ora cerda ou lã
ou espessa crina crespa em campo escuro
que ansiosa mão afaga procurando
a oculta amêndoa
 vértice de dura bissetriz que irá feri-la
dividindo em dois o deleitável monte.

Noturno

Nada vem da rua,
só a névoa da lua
frouxa luz de acetileno
(seu único recato).
Dormes
e o sono deixa em mármore
o corpo nu.
Dormes.
No púbis
agora quieta
tarântula

(Erótica, poemas, com desenhos
de Aldary Toledo — 1981)

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Francisco Inácio Peixoto em prosa e poesia, Coleção Os Ases de Cataguases, Apresentação, Organização e Notas de Luiz Ruffato e Prefácio [orelhas do livro] por Maria Zilda Ferreira Cury, 2008, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Francisco Inácio Peixoto (1909 1986), mineiro e cataguasense, fez os estudos iniciais no antigo Ginásio de Cataguases, tendo ingressado na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, transferiu-se para o Rio de Janeiro e se formou na Faculdade Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito UFRJ), foi industrial, fazendeiro, contista, cronista, romancista e poeta; financiador e incentivador de importantes manifestações culturais de Cataguases, foi um dos integrantes do Grupo Verde, com participação na criação da modernista revista Verde; por alguns anos, exerceu a profissão de advogado no Rio; depois, de retorno a Cataguases, Francisco Inácio Peixoto tornou-se o responsável direto pelo surgimento de obras arquitetônicas modernistas na cidade, entre as quais a do Colégio Cataguases, em projeto de Oscar Niemeyer, construção iniciada após a aquisição do antigo ginásio onde Francisco Inácio estudara; a partir daí, outras experiências modernistas inundaram a cidade: a construção da própria residência do poeta, também projetada por Niemeyer, a construção de jardins projetados pelo paisagista Burle Marx, esculturas de Jan Zach, azulejos de Anísio Medeiros e de Djanira surgiram no centro da cidade, painéis e quadros de Portinari, móveis desenhados por Joaquim Tenreiro; Francisco Inácio também foi o criador responsável pela formação de dois museus no prédio do novo Colégio: o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Popular, o primeiro do gênero no Brasil; o escritor e poeta teve contos traduzidos para o espanhol e participou de antologias literárias de Portugal e da Argentina; suas obras: Meia-Pataca (poemas, em conjunto com Guilhermino César, 1928), Dona Flor (contos, 1940), Passaporte proibido (crônica de viagem à URSS e Tchecoslováquia, 1960), A janela (contos, 1967), Erótica (poemas, com desenhos de Aldary Toledo, 1981), Chamada geral (reunião de contos e inéditos, 1982), deixando-nos, inéditos, “um livro de poemas, Sucata, e uma coleção de documentos (cartas, principalmente) que contam uma parte importante da história do Modernismo brasileiro”, além da revista Verde; traduziu Oblomov (romance do escritor russo Ivan [Alexándrovitch] Gontcharov, 1966) ...

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Francisco Inácio Peixoto: Ciúme

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Um inglês cor de ocre
De olhos cor de bílis
De calças tipo esporte
Na hora em que avistamos
O Rio de Janeiro
Arregalou muito os olhos
Parou bestificado
Tirou uma bolsa preta
Uma codaque autográfica
E codacou com ela
Pra desculpar a sua admiração
A baía da Guanabara todinha
Sem faltar nem o Pão de Açúcar.

Eu sabia que quando ele voltasse pra Inglaterra
Havia de mostrar pros ingleses amigos dele
THE MOST BEAUTIFUL BAY IN THE WORLD...
Mas eu não queria isso não
E se eu fosse mais forte
Metia era o braço nele
E azulava com a codaque
PRO FUNDO DO MAR!

(Meia-Pataca — 1928)

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Francisco Inácio Peixoto em prosa e poesia, Coleção Os Ases de Cataguases, Apresentação, Organização e Notas de Luiz Ruffato e Prefácio [orelhas do livro] por Maria Zilda Ferreira Cury, 2008, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Francisco Inácio Peixoto (1909 1986), mineiro e cataguasense, fez os estudos iniciais no antigo Ginásio de Cataguases, tendo ingressado na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, transferiu-se para o Rio de Janeiro e se formou na Faculdade Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito UFRJ), foi industrial, fazendeiro, contista, cronista, romancista e poeta; financiador e incentivador de importantes manifestações culturais de Cataguases, foi um dos integrantes do Grupo Verde, com participação na criação da modernista revista Verde; por alguns anos, exerceu a profissão de advogado no Rio; depois, de retorno a Cataguases, Francisco Inácio Peixoto tornou-se o responsável direto pelo surgimento de obras arquitetônicas modernistas na cidade, entre as quais a do Colégio Cataguases, em projeto de Oscar Niemeyer, construção iniciada após a aquisição do antigo ginásio onde Francisco Inácio estudara; a partir daí, outras experiências modernistas inundaram a cidade: a construção da própria residência do poeta, também projetada por Niemeyer, a construção de jardins projetados pelo paisagista Burle Marx, esculturas de Jan Zach, azulejos de Anísio Medeiros e de Djanira surgiram no centro da cidade, painéis e quadros de Portinari, móveis desenhados por Joaquim Tenreiro; Francisco Inácio também foi o criador responsável pela formação de dois museus no prédio do novo Colégio: o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Popular, o primeiro do gênero no Brasil; o escritor e poeta teve contos traduzidos para o espanhol e participou de antologias literárias de Portugal e da Argentina; suas obras: Meia-Pataca (poemas, em conjunto com Guilhermino César, 1928), Dona Flor (contos, 1940), Passaporte proibido (crônica de viagem à URSS e Tchecoslováquia, 1960), A janela (contos, 1967), Erótica (poemas, com desenhos de Aldary Toledo, 1981), Chamada geral (reunião de contos e inéditos, 1982), deixando-nos, inéditos, “um livro de poemas, Sucata, e uma coleção de documentos (cartas, principalmente) que contam uma parte importante da história do Modernismo brasileiro”, além da revista Verde; traduziu Oblomov (romance do escritor russo Ivan [Alexándrovitch] Gontcharov, 1966) ...

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Francisco Inácio Peixoto: Hans Staden

 
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Nem nunca Hans Staden
Entenderei a sua maldade!
A sua alma era boa
Os seus olhos bem limpos,
Nem nunca Hans Staden
Acreditarei que você pudesse
Fazer o que fez!...
Eu sei que outros fizeram a mesma coisa também
Mas você devia ter se resignado...

Você viu eu juro que viu! com que alegria
As indiazinhas inocentes
De dentes tão brancos
De seios de bronze
De encantos tão frágeis
Olhavam alegres
Pro seu corpo azulado
De veias azuis...
E você não se resignou
Nem soube se calar
Se deixando ficar
Por amor dessas virgens tão lindas
Não tirando tão pura alegria
Dessas virgens de encantos tão frágeis...

É bem verdade Hans
Que você era de terras estranhas
E jamais poderia compreender certas coisas
Mas não posso
Nem nunca entenderei a sua maldade!

(Meia-Pataca, poemas, 1928)

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Francisco Inácio Peixoto em prosa e poesia, Coleção Os Ases de Cataguases, Apresentação, Organização e Notas de Luiz Ruffato e Prefácio [orelhas do livro] por Maria Zilda Ferreira Cury, 2008, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Francisco Inácio Peixoto (1909 1986), mineiro e cataguasense, fez os estudos iniciais no antigo Ginásio de Cataguases, tendo ingressado na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, transferiu-se para o Rio de Janeiro e se formou na Faculdade Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito UFRJ), foi industrial, fazendeiro, contista, cronista, romancista e poeta; financiador e incentivador de importantes manifestações culturais de Cataguases, foi um dos integrantes do Grupo Verde, com participação na criação da modernista revista Verde; por alguns anos, exerceu a profissão de advogado no Rio; depois, de retorno a Cataguases, Francisco Inácio Peixoto tornou-se o responsável direto pelo surgimento de obras arquitetônicas modernistas na cidade, entre as quais a do Colégio Cataguases, em projeto de Oscar Niemeyer, construção iniciada após a aquisição do antigo ginásio onde Francisco Inácio estudara; a partir daí, outras experiências modernistas inundaram a cidade: a construção da própria residência do poeta, também projetada por Niemeyer, a construção de jardins projetados pelo paisagista Burle Marx, esculturas de Jan Zach, azulejos de Anísio Medeiros e de Djanira surgiram no centro da cidade, painéis e quadros de Portinari, móveis desenhados por Joaquim Tenreiro; Francisco Inácio também foi o criador responsável pela formação de dois museus no prédio do novo Colégio: o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Popular, o primeiro do gênero no Brasil; o escritor e poeta teve contos traduzidos para o espanhol e participou de antologias literárias em Portugal e na Argentina; suas obras: Meia-Pataca (poemas, em conjunto com Guilhermino César, 1928), Dona Flor (contos, 1940), Passaporte proibido (crônica de viagem à URSS e Tchecoslováquia, 1960), A janela (contos, 1967), Erótica (poemas, com desenhos de Aldary Toledo, 1981), Chamada geral (reunião de contos e inéditos, 1982), deixando-nos, inéditos, “um livro de poemas, Sucata, e uma coleção de documentos (cartas, principalmente) que contam uma parte importante da história do Modernismo brasileiro”, além da revista Verde; traduziu Oblomov (romance do escritor russo Ivan [Alexándrovitch] Gontcharov, 1966) ...

terça-feira, 3 de junho de 2025

Francisco Inácio Peixoto: Último exercício ou poema de amor

 
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Vou me lembrar:
Nair de coxas de seda
Odete de quem entrevi um dia
a negra belbutina
a sábia Zulmira e Celmira Gláucia Carmem
a loura Abigail que era AEbigueial mas não concedia
Maria
para todos Mariinha
Olinda Guiomar
a devassa Conceição
Alcina e também Marília Filhinha...
Tantas assim?
Nem tanto nem tanto...
Havia ainda Leonora
que eu chamava Lenora
extinta como a outra como as outras.
Todas se sumiram
todas se fundiram
Numa só.

O nome?
Este, não digo

(Erótica, poemas, com desenhos
de Aldary Toledo, 1981)

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Francisco Inácio Peixoto em prosa e poesia, Coleção Os Ases de Cataguases, Apresentação, Organização e Notas de Luiz Ruffato e Prefácio [orelhas do livro] por Maria Zilda Ferreira Cury, 2008, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Francisco Inácio Peixoto (1909 1986), mineiro e cataguasense, fez os estudos iniciais no antigo Ginásio de Cataguases, tendo ingressado na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, transferiu-se para o Rio de Janeiro e se formou na Faculdade Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito UFRJ), foi industrial, fazendeiro, contista, cronista, romancista e poeta; financiador e incentivador de importantes manifestações culturais de Cataguases, foi um dos integrantes do Grupo Verde, com participação na criação da modernista revista Verde; por alguns anos, exerceu a profissão de advogado no Rio; depois, de retorno a Cataguases, Francisco Inácio Peixoto tornou-se o responsável direto pelo surgimento de obras arquitetônicas modernistas na cidade, entre as quais a do Colégio Cataguases, em projeto de Oscar Niemeyer, construção iniciada após a aquisição do antigo ginásio onde Francisco Inácio estudara; a partir daí, outras experiências modernistas inundaram a cidade: a construção da própria residência do poeta, também projetada por Niemeyer, a construção de jardins projetados pelo paisagista Burle Marx, esculturas de Jan Zach, azulejos de Anísio Medeiros e de Djanira surgiram no centro da cidade, painéis e quadros de Portinari, móveis desenhados por Joaquim Tenreiro; Francisco Inácio também foi o criador também responsável pela formação de dois museus no prédio do novo Colégio: o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Popular, o primeiro do gênero no Brasil; o escritor e poeta teve contos traduzidos para o espanhol e participou de antologias literárias em Portugal e na Argentina; suas obras: Meia-Pataca (poemas, em conjunto com Guilhermino César, 1928), Dona Flor (contos, 1940), Passaporte proibido (crônica de viagem à URSS e Tchecoslováquia, 1960), A janela (contos, 1967), Erótica (poemas, com desenhos de Aldary Toledo, 1981), Chamada geral (reunião de contos e inéditos, 1982), deixando-nos, inéditos, “um livro de poemas, Sucata, e uma coleção de documentos (cartas, principalmente) que contam uma parte importante da história do Modernismo brasileiro”, além da revista Verde; traduziu Oblomov (romance do escritor russo Ivan [Alexándrovitch] Gontcharov, 1966) ...

domingo, 18 de maio de 2025

Francisco Inácio Peixoto: Viagem


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Trenzinho de ferro
Não anda depressa!
Me mostra me mostra
Bem direitinho
Esta manhã vem gostosa
Que pula sapeca
Assanhada dengosa
Na frente em cima
De banda de lado
Dos caminhos compridos
Tão compridos tão largos
Que até dão preguiça
Da gente andar neles
Ao vê-los assim
Tão compridos tão largos
Vermelhos estendidos
Na terra suada...

Bota fogo maquinista
Pra chegar na caixa d’água!
Bota fogo maquinista
Pra chegar na caixa d’água!

E o trenzinho vai passando
Saltando bufando

Sem respeito e sem medo
De terríveis rochedos
Que se erguem medonhos
E acuados se escondem
Se empinando mais longe...

Bota fogo maquinista
Pra chegar na caixa d’água!
Bota fogo maquinista
Pra chegar na caixa d’água!

Que gosto se ver
Manhã tão bonita
O ventinho brincando
Com as sombras que caem
Das árvores molhadas
Nos rios temíveis...
E as matas que escondem
Mil bichos ferozes?
E as negras pançudas
Que no alto dos morros
Apanham café?

Trenzinho de ferro
Não anda depressa!
Que gosto se ver
Manhã tão bonita...

Bota fogo maquinista
Pra chegar na caixa d’água!
Bota fogo maquinista
Pra chegar na caixa d’água!
Bota fogo! Bota fogo!

(Meia-Pataca, poemas, 1928)

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Francisco Inácio Peixoto em prosa e poesia, Coleção Os Ases de Cataguases, Apresentação, Organização e Notas de Luiz Ruffato e Prefácio [orelhas do livro] por Maria Zilda Ferreira Cury, 2008, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Francisco Inácio Peixoto (1909 1986), mineiro e cataguasense, fez os estudos iniciais no antigo Ginásio de Cataguases, tendo ingressado na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, transferiu-se para o Rio de Janeiro e se formou na Faculdade Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito — UFRJ), foi industrial, fazendeiro, contista, cronista, romancista e poeta; financiador e incentivador de importantes manifestações culturais de Cataguases, foi um dos integrantes do Grupo Verde, com participação na criação da modernista revista Verde; por alguns anos, exerceu a profissão de advogado no Rio; depois, de retorno a Cataguases, Francisco Inácio Peixoto tornou-se o responsável direto pelo surgimento de obras arquitetônicas modernistas na cidade, entre as quais a do Colégio Cataguases, em projeto de Oscar Niemeyer, construção iniciada após a aquisição do antigo ginásio onde Francisco Inácio estudara; a partir daí, outras experiências modernistas inundaram a cidade: a construção da própria residência do poeta, também projetada por Niemeyer, a construção de jardins projetados pelo paisagista Burle Marx, esculturas de Jan Zach, azulejos de Anísio Medeiros e de Djanira surgiram no centro da cidade, painéis e quadros de Portinari, móveis desenhados por Joaquim Tenreiro; Francisco Inácio também foi o criador responsável pela formação de dois museus no prédio do novo Colégio: o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Popular, o primeiro do gênero no Brasil; o escritor e poeta teve contos traduzidos para o espanhol e participou de antologias literárias em Portugal e na Argentina; suas obras: Meia-Pataca (poemas, em conjunto com Guilhermino César, 1928), Dona Flor (contos, 1940), Passaporte proibido (crônica de viagem à URSS e Tchecoslováquia, 1960), A janela (contos, 1967), Erótica (poemas, com desenhos de Aldary Toledo, 1981), Chamada geral (reunião de contos e inéditos, 1982), deixando-nos, inéditos, “um livro de poemas, Sucata, e uma coleção de documentos (cartas, principalmente) que contam uma parte importante da história do Modernismo brasileiro”, além da revista Verde; traduziu Oblomov (romance do escritor russo Ivan [Alexándrovitch] Gontcharov, 1966) ...