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Exercício erótico
Triângulo isósceles que se
inscrevesse no ventre
coxim de pelos ruivos
ou negros ou fulvos
ora seda desfiada ora cerda ou
lã
ou espessa crina crespa em
campo escuro
que ansiosa mão afaga
procurando
a oculta amêndoa
— vértice de dura bissetriz
que irá feri-la
dividindo em dois o deleitável
monte.
Noturno
Nada vem da rua,
só a névoa da lua
frouxa luz de acetileno
(seu único recato).
Dormes
e o sono deixa em mármore
o corpo nu.
Dormes.
No púbis
agora quieta
tarântula
(Erótica, poemas, com desenhos
de Aldary Toledo — 1981)
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Francisco Inácio Peixoto em
prosa e poesia, Coleção Os Ases de Cataguases, Apresentação, Organização e
Notas de Luiz Ruffato e Prefácio [orelhas do livro] por Maria Zilda Ferreira
Cury, 2008, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Francisco
Inácio Peixoto (1909 — 1986), mineiro e cataguasense, fez os estudos iniciais
no antigo Ginásio de Cataguases, tendo ingressado na Faculdade de Direito de
Belo Horizonte, transferiu-se para o Rio de Janeiro e se formou na Faculdade
Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito — UFRJ), foi industrial,
fazendeiro, contista, cronista, romancista e poeta; financiador e incentivador
de importantes manifestações culturais de Cataguases, foi um dos integrantes do
Grupo Verde, com participação na criação da modernista revista Verde; por
alguns anos, exerceu a profissão de advogado no Rio; depois, de retorno a
Cataguases, Francisco Inácio Peixoto tornou-se o responsável direto pelo
surgimento de obras arquitetônicas modernistas na cidade, entre as quais a do Colégio
Cataguases, em projeto de Oscar Niemeyer, construção iniciada após a aquisição
do antigo ginásio onde Francisco Inácio estudara; a partir daí, outras
experiências modernistas inundaram a cidade: a construção da própria residência
do poeta, também projetada por Niemeyer, a construção de jardins projetados
pelo paisagista Burle Marx, esculturas de Jan Zach, azulejos de Anísio Medeiros
e de Djanira surgiram no centro da cidade, painéis e quadros de Portinari,
móveis desenhados por Joaquim Tenreiro; Francisco Inácio também foi o criador
responsável pela formação de dois museus no prédio do novo Colégio: o Museu de
Belas Artes e o Museu de Arte Popular, o primeiro do gênero no Brasil; o
escritor e poeta teve contos traduzidos para o espanhol e participou de
antologias literárias de Portugal e da Argentina; suas obras: Meia-Pataca
(poemas, em conjunto com Guilhermino César, 1928), Dona Flor (contos, 1940),
Passaporte proibido (crônica de viagem à URSS e Tchecoslováquia, 1960), A
janela (contos, 1967), Erótica (poemas, com desenhos de Aldary Toledo, 1981),
Chamada geral (reunião de contos e inéditos, 1982), deixando-nos, inéditos, “um
livro de poemas, Sucata, e uma coleção de documentos (cartas, principalmente)
que contam uma parte importante da história do Modernismo brasileiro”, além da
revista Verde; traduziu Oblomov (romance do escritor russo Ivan
[Alexándrovitch] Gontcharov, 1966) ...