quarta-feira, 31 de maio de 2023

Martins Fontes: Brasileira

 
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Vem-me de ti, nas aragens,
A rescendência febril
Que há nos pomares selvagens,
À beira-mar, no Brasil!

Tua carne capitosa
Tem, na rijeza vivaz,
O aroma da manga-rosa,
A doçura do ananás!

O cheiro dos teus cabelos
Faz-me sorrir e sofrer...
Que eu por ti sinto desvelos
Que me acanho de dizer:

Invejas do teu vestido,
Do vento e da luz do sol...
Ciúme do teu marido,
Do linho do teu lençol!

Que doce, que bom seria
Incomparável prazer,
Amar-te adorar-te um dia,
Beijar-te, e depois morrer...

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232 Poetas Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; José Maria Martins Fontes (1884 1937), paulista de Santos, estudou e doutorou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi médico sanitarista, poeta, conferencista e jornalista; ainda estudante no Rio, colaborou com os jornais Gazeta de Notícias e O País e com as revistas Careta e Kosmos; escreveu para os jornais A Gazeta e Diário Popular, de São Paulo, Diário de Santos, Cidade de Santos e também para outros periódicos e revistas; deixou-nos extensa produção literária em verso e prosa e também outras de caráter científico; obras: Granada (poema, 1899), O Lezado (1908), Chicouuu (versos, 1917), A Gripe em Iguape (1920), Arlequinada (fantasia, 1922), Boêmia galante (versos, 1923), Rosicler (versos, 1923), Prometeu (versos, 1924), Partida para Cítera (teatro, 1925), Volúpia (versos, 1925), Decameron (contos, 1925), O céu verde (versos, 1926), O Colar Partido (prosa, 1927), A flauta encantada (poesias, 1931), Sombra, Silêncio e Sonho (1933) e tantos outros títulos.

terça-feira, 30 de maio de 2023

Dante: Ao coração gentil, de Amor cativo, . . . [soneto]


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[traduzido por Haroldo de Campos]

Vita nuova, 3

Ao coração gentil, de Amor cativo,
ao qual este meu texto se apresente,
a quem o reescreva e o transparente,
venho saudar, e ao seu Senhor altivo.

Para além da hora terça o tempo esquivo
corria no estelário reluzente,
quando Amor me surgiu subitamente,
e o horror, no seu aspecto, lembro, vivo.

Alegrava-se Amor, pois exibia
meu coração nas mãos: dama formosa
num manto em seu regaço adormecia.

E a despertava, e o coração que ardia
dava Amor de comer à temerosa.
Depois, como chorando, Amor fugia.

[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 17.07.83

Dante Alighieri

Vita nuova, cap. III

A ciascun’alma presa, e gentil core,
nel cui cospetto ven lo dir presente,
in ciò che mi rescrivan suo parvente
salute in lor segnor, cioè Amore.

Già eran quasi che atterzate l’ore
del tempo che onne stella n’è lucente,
quando m’apparve Amor subitamente
cui essenza membrar mi dà orrore.

Allegro mi sembrava Amor tenendo
meo core in mano, e ne le braccia avea
madonna involta in un drappo dormendo.

Poi la svegliava, e d’esto core ardendo
lei paventosa umilmente pascea:
appresso gir lo ne vedea piangendo

* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro, trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificada através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Dante Alighieri (1265 1321), nascido em Florença [à época República de Florença, região da Toscana, atual Itália], estudou gramática, retórica, dialética, música, astronomia, geometria e aritmética, foi político e estadista florentino, escritor e poeta; suas obras: La Vita Nuova (Vida Nova, fala do amor platônico de Dante, Beatriz provavelmente Beatrice Portinari), Le Rime (ou Canzoniere, com evocações a Beatriz, Pietra e outros temas), De Vulgari Eloquentia (prosa, na qual defende a língua italiana), Il Convivio (prosa, incompleto, deixou conclusos 4 livros, de um total prometido de 15, nos quais pretendia resumir todo o conhecimento da época) De Monarchia (prosa, tratado em defesa da separação total entre a Igreja e o Estado), Commedia ([La Divina Commedia] ou Divina Comédia, dividida em três grandes partes: Inferno, Purgatório e Paraíso, obra elaborada em longos quatorze anos); pela quase totalidade dos biógrafos do poeta, ficamos sabendo que há a ressalva de que muitas das informações a respeito da vida de Dante educação, família e opiniões são apenas suposições; desde 1302 e até o final de sua vida Dante Alighieri esteve exilado em diversas cidades [comunas] fora da então República de Florença, para onde não podia retornar, sob pena de ser levado à fogueira e consequente morte, já que por inimizades políticas sofrera acusações de corrupção, improbidade administrativa, oposição ao papa, não pagara pesada multa e sofrera banimento; morreu no exílio, em Ravenna.

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Friedrich Nietzsche: Moral popular e medicina popular. [aforismo 11] & outros aforismos


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[traduzido por Paulo César de Souza]

1. Racionalidade a posteriori. Todas as coisas que vivem muito tempo embebem-se gradativamente de razão, a tal ponto que sua origem na desrazão torna-se improvável. Quase toda história exata de uma gênese não soa paradoxal e ultrajante para o nosso sentimento? O bom historiador não contradiz continuamente, no fundo?

11. Moral popular e medicina popular. Cada pessoa colabora ininterruptamente na moral que vigora numa comunidade: a maioria delas traz exemplo após exemplo da falada relação de causa e efeito, culpa e castigo, confirmando-a como bem fundamentada e aumentando-lhe a crença: algumas fazem novas observações sobre atos e conseqüências e delas retiram conclusões e leis: umas poucas fazem objeção aqui e ali e deixam enfraquecer a crença em tais pontos. Mas todas se igualam na forma inteiramente crua, não-científica, de sua atividade; quer sejam exemplos, observações ou objeções, quer seja a prova, a corroboração, o enunciado, a refutação de uma lei é material sem valor e forma sem valor, como o material e a forma de toda medicina popular. Medicina popular e moral popular são da mesma espécie, e não deveriam ser avaliadas de modo tão diferente, como ainda hoje sucede: as duas são as mais perigosas pseudociências.

22. Obras e fé. — Os doutores protestantes continuam a propagar o erro fundamental de que importa somente a fé e que da fé resultam necessariamente as obras. Isto simplesmente não é verdadeiro, mas é tão sedutor que já iludiu outras inteligências além de Lutero (ou seja, Sócrates e Platão); embora a evidência de toda experiência a cada dia prove o contrário. O mais confiante saber ou fé não pode proporcionar a energia para o ato nem a destreza para o ato, não pode substituir a exercitação do mecanismo sutil e múltiplo, que deve ocorrer para que algo possa converter-se de idéia em ação. Sobretudo e primeiramente as obras! Ou seja, exercício, exercício, exercício! A “fé” correspondente logo aparecerá estejam certos disso!

37. Falsas conclusões extraídas da utilidade. Tendo-se demonstrado a suprema utilidade de uma coisa, nada se fez ainda para explicar sua origem: ou seja, com a utilidade não podemos tornar compreensível a necessidade de existência. Mas precisamente o juízo oposto predominou até agora e isso até no âmbito da ciência mais rigorosa. Mesmo na astronomia não se ofereceu a (suposta) utilidade na disposição dos satélites (substituir a luz atenuada pela maior distância do Sol, para que não falte luz aos habitantes dos astros) como a finalidade do seu arranjo e explicação de sua origem? O que nos recorda as ilações de Colombo: a Terra foi feita para os homens, logo, se existem terras, têm que ser habitadas. “É verossímil que o Sol brilhe sobre nada e que a vigília noturna das estrelas seja desperdiçada em mares sem trilhas e terras sem gente?”

Aurora — Reflexões sobre os preconceitos morais,
Livro 1

Friedrich Nietzsche

1
Nachträgliche Vernünftigkeit. Alle Dinge, die lange leben, werden allmählich so mit Vernunft durchtränkt, daß ihre Abkunft aus der Unvernunft dadurch unwahrscheinlich wird. Klingt nicht fast jede genaue Geschichte einer Entstehung für das Gefühl paradox und frevelhaft? Widerspricht der gute Historiker im Grunde nicht fortwährend?

11
Volksmoral und Volksmedizin. An der Moral, welche in einer Gemeinde herrscht, wird fortwährend und von jedermann gearbeitet: die meisten bringen Beispiele über Beispiele für das behauptete Verhältnis von Ursache und Folge, Schuld und Strafe hinzu, bestätigen es als wohlbegründet und mehren seinen Glauben: einige machen neue Beobachtungen über Handlungen und Folgen und ziehen Schlüsse und Gesetze daraus: die wenigsten nehmen hie und da Anstoß und lassen den Glauben an diesen Punkten schwach werden. Alle aber sind einander gleich in der gänzlich rohen, unwissenschaftlichen Art ihrer Tätigkeit; ob es sich um Beispiele, Beobachtungen oder Anstöße handelt, ob um den Beweis, die Bekräftigung, den Ausdruck, die Widerlegung eines Gesetzes, es ist wertloses Material und wertlose Form, wie Material und Form aller Volksmedizin. Volksmedizin und Volksmoral gehören zusammen und sollten nicht mehr so verschieden abgeschätzt werden, wie es immer noch geschieht: beides sind die gefährlichsten Scheinwissenschaften.

22
Werke und Glaube. Immer noch wird durch die protestantischen Lehrer jener Grundirrtum fortgepflanzt: daß es nur auf den Glauben ankomme, und daß aus dem Glauben die Werke notwendig folgen müssen. Dies ist schlechterdings nicht wahr, aber klingt so verführerisch, daß es schon andere Intelligenzen als die Luthers (nämlich die des Sokrates und Plato) betört hat: obwohl der Augenschein aller Erfahrungen aller Tage dagegen spricht. Das zuversichtlichste Wissen oder Glauben kann nicht die Kraft zur Tat, noch die Gewandtheit zur Tat geben, es kann nicht die Übung jenes feinen, vielteiligen Mechanismus ersetzen, welche vorhergegangen sein muß, damit irgend etwas aus einer Vorstellung sich in Aktion verwandeln könne. Vor allem und zuerst die Werke! Das heißt Übung, Übung, Übung! Der dazugehörige »Glaube« wird sich schon einstellen, dessen seid versichert!

37
Falsche Schlüsse aus der Nützlichkeit. Wenn man die höchste Nützlichkeit einer Sache bewiesen hat, so ist damit auch noch kein Schritt zur Erklärung ihres Ursprungs getan: das heißt, man kann mit der Nützlichkeit niemals die Notwendigkeit der Existenz verständlich machen. Aber gerade das umgekehrte Urteil hat bisher geherrscht und bis in die Gebiete der strengsten Wissenschaft hinein. Hat man nicht selbst in der Astronomie die (angebliche) Nützlichkeit in der Anordnung der Satelliten (das durch die größere Entfernung von der Sonne abgeschwächte Licht anderweitig zu ersetzen, damit es den Bewohnern der Gestirne nicht an Licht mangele) für den Endzweck ihrer Anordnung und für die Erklärung ihrer Entstehung ausgegeben? Wobei man sich der Schlüsse des Kolumbus erinnern wird: die Erde ist für den Menschen gemacht, also, wenn es Länder gibt, müssen sie bewohnt sein. »Ist es wahrscheinlich, daß die Sonne auf nichts scheine, und daß die nächtlichen Wachen der Sterne na pfadlose Meere und menschenleere Länder verschwendet werden?«

Morgenröte. Gedanken über die moralischen Vorurteile,
Erstes Buch
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Aurora: Reflexões sobre os preconceitos morais — Friedrich Nietzsche, Tradução, Notas e Posfácio de Paulo César de Souza, 1ª edição, 2016, Companhia de Bolso, São Paulo — SP; Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 1900), nascido em Röcken, Província da Saxônia, Prússia, atual Alemanha, foi filósofo, filólogo, crítico cultural, professor, poeta e compositor; estudou na Universidade de Bonn, transferiu-se para a Universidade de Leipzig e foi professor de Filologia Clássica na Universidade de Basiléia, Suiça; escreveu e publicou O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872), A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (textos que remontam a 1873, publicados postumamente), David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauß. Der Bekenner und der Schriftsteller, 1873), Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches, primeira parte originalmente publicada em 1878 e versão final publicada em 1886), Schopenhauer como Educador (Shopenhauer als Erzieher, 1874), Richard Wagner em Bayreuth (1876), Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (Morgenröte. Gedanken über die moralischen Vorurteile, 1881), A Gaia Ciência (Die fröliche Wissenschaft, 1882), Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also sprach Zarathustra, 1883 1885), Além do Bem e do Mal, Prelúdio para uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse, 1886), Genealogia da Moral, uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral, 1887), O Crepúsculo dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen Dämmerung, 1888), O Caso Wagner, um Problema para Músicos (1888), O Anticristo — Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist, 1888), Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, 1888) e outros títulos; Nietzsche tem suas obras editadas, reeditadas e traduzidas pelo mundo afora; o pensador tem sido rotineiramente estudado nos cursos de Filosofia.

domingo, 28 de maio de 2023

Augusto dos Anjos: Mater originalis


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Forma vermicular desconhecida
Que estacionaste, mísera e mofina,
Como quase impalpável gelatina,
Nos estados prodrômicos da vida;

O hierofante que leu a minha sina
Ignorante é de que és, talvez, nascida
Dessa homogeneidade indefinida
Que o insigne Herbert Spencer* nos ensina.

Nenhuma ignota união ou nenhum nexo
À contingência orgânica do sexo
A tua estacionária alma prendeu...

Ah! De ti foi que, autônoma e sem normas,
Oh! Mãe original das outras formas,
A minha forma lúgubre nasceu!

[11.05.1909]


* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: R. Magalhães Júnior, autor deste Poesia e Vida de Augusto dos Anjos registra que [o poema Mater Amarilis] “revela uma das fontes do ‘cientificismo’ do poeta, não só através de uma citação direta do ‘insigne Herbert Spencer [1820 — 1903]’, mas ainda por ser todo o soneto apenas uma ilustração da teoria do evolucionista inglês, segundo a qual todo o desenvolvimento orgânico é uma mudança de um estado de homogeneidade indefinida para um estado de heterogeneidade definida. [...] Não era essa, aliás, a primeira vez que citava Herbert Spencer, pois já em ‘As cismas do Destino’, de meados de 1908, chamava ‘o Espaço — essa abstração spenceriana.´
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Poesia e Vida de Augusto dos Anjos: R. Magalhães Júnior, 2ª edição corrigida e aumentada, 1978, Editora Civilização Brasileira e Instituto Nacional do Livro — MEC; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; em 1908, recém-formado, transfere-se para a capital da Paraíba, passa a dar aulas particulares e é nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, muda-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assume o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina MG, é nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continua a dar aulas particulares; seus poemas, e alguma prosa, são publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio (Paraíba), Nonevar (Paraíba), A União, Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.

Paul Verlaine: No balcão


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[traduzido por Heloisa Jahn]

Juntas, elas olhavam voar as andorinhas:
Alva, cabelos negros uma, a outra loura
E rósea. Os penhoares finos de antiga renda
Ondulavam em torno delas, vaporosos.

Enquanto as duas, com langores de narcisos,
Fruíam com longos sorvos a emoção funda
Da noite e a alegria triste de serem fiéis,
Subia a lua no céu, mole e redonda.

Úmidos braços cingindo as cinturas suaves
Estranho par que de outros pares se apieda ,
Assim sonhavam, no balcão, as duas moças.

Atrás, ao fundo da alcova rica e sombria,
Realçada como um trono de melodrama,
Desfeita, cheia de odores, se abria a Cama.

Paul Verlaine

Sur le balcon

Toutes deux regardaient s’enfuir les hirondelles:
L’une pâle aux cheveux de jais, et l’autre blonde
Et rose, et leurs peignoirs légers de vieille blonde
Vaguement serpentaient, nuages, autour d’elles.

Et toutes deux, avec des langueurs d’asphodèles,
Tandis qu’au ciel montait la lune molle et ronde,
Savouraient à longs traits l’émotion profonde
Du soir et le bonheur triste des coeurs fidèles,

Telles, leurs bras pressant, moites, leurs tailles souples,
Couple étrange qui prend pitié des autres couples,
Telles, sur le balcon, rêvaient les jeunes femmes.

Derrière elles, au fond du retrait riche et sombre,
Emphatique comme un trône de mélodrames
Et plein d’odeurs, le Lit, défait, s’ouvrait dans l’ombre.

[Parallèlement — 1889]
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Para ser caluniado — poemas eróticos: Paul Verlaine, Apresentação, Seleção, Tradução e Notas de Heloisa Jahn, Coleção Circo de Letras nº 31, 1985, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Paul Marie Verlaine (1844 1896), francês nascido em Metz, educou-se no Liceu Bonaparte (atual Liceu Condorcet), em Paris, trabalhou como funcionário público e desde cedo começou a escrever poesias, influenciado inicialmente pelo parnasianismo; considerado um dos expoentes da poesia e literatura francesa, usou a expressão poètes maudits (poetas malditos) para se referir aos poetas de sua época e de seu convívio Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud, Paul Valéry, ... , grupo ao qual ele se incluía, e que privilegiavam a luta contra as convenções poéticas vigentes e sofriam reprimendas sociais por isso, tendo sido muitos deles ignorados pelos críticos; só posteriormente, em 1886, com a publicação do Manifesto Simbolista, por Jean Moréas, o termo "simbolismo" passou a nominar aquele novo ambiente literário; Paul Verlaine escreveu e publicou em poesia, Poèmes Saturniens (1866), Les Amies (1867), Fêtes Galantes (1869), La Bonne Chanson (1870), Romances Sans Paroles (1874), Sagesse (1880), Jadis et naguère (1884), Amour (1888), Parallèlement (1889) e outros títulos, e, em prosa, Les Poètes maudits (1884), Louise Leclercq (1886), Les Memoires d'un veuf (1886), Mes hôpitaux (1891), Mes prisons (1893), Quinze jours en Hollande (1893) etc.; o poeta, que foi casado com Mathilde Mauté, participou da Comuna de Paris sem ser atuante nas ruas, teve relacionamento sentimental amoroso conturbado com Rimbaud e o feriu com dois tiros, foi preso e encarcerado e, nos anos finais de sua vida, Paris o viu dependente de drogas e de alcoolismo, vivendo em bairros pobres e se socorrendo em hospitais públicos.

sábado, 27 de maio de 2023

William Carlos Williams: O lavrador


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[traduzido por José Paulo Paes]

Perdido em pensamentos o
lavrador passeia sob a chuva
por seus campos vazios, mãos
nos bolsos,
na cabeça
a colheita já plantada.
Um vento frio vem encrespar a água
entre as ervas tostadas.
Por toda parte
o mundo rola friorento para longe:
negros pomares
escurecidos pelas nuvens de março
deixando espaço livre aos pensamentos.
Lá embaixo, além da galharia
rente
ao carreiro encharcado de chuva
assoma a figura artista do
lavrador compondo
antagonista

William Carlos Williams

The farmer

The farmer in deep thought
is pacing through the rain
among his blank fields, with
hands in pockets,
in his head
a harvest already planted.
A cold wind ruffles the water
among the browned weeds.
On all sides
the world rolls coldly away:
black orchards
darkened by the March clouds
leaving room for thought.
Down past the brushwood
bristling by
the rainsluiced wagonroad
looms the artist figure of
the farmer composing
antagonista

[The Spring and All — 1923]
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Poemas: William Carlos Williams — Seleção, Tradução, Estudo crítico e Notas de José Paulo Paes, 1987, Companhia das Letras, São Paulo — SP; William Carlos Williams (1883 1963), estadunidense de Rutherford, New Jersey, formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia, foi médico pediatra e clínico geral, romancista, ensaísta e poeta do modernismo e do imagismo norte-americano; Williams, antes mesmo de aprender o inglês, aprendeu o espanhol, visto que sua mãe, de origem basca, nascera em Porto Rico, Caribe, e em casa seus pais conversavam neste idioma; suas obras: Poems (1909), Kora in Hell: Improvisations (poema-prosa, 1920), The Great American Novel (novela, 1923), Novelette and Other Prose (1932), An Early Martyr and Other Poems (1935), White Mule (novela, 1937), Life along the Passaic River (contos, 1938), The Complete Collected Poems of William Carlos Williams 1906—1938 (1938), The Wedge (poesias, 1944), Paterson — Book I (1946), Autobiography (1951), The Desert Music and Other Poems (1954), Selected Essays (1954), Pictures from Brueghel and Other Poems (1962), Many Loves and Other Plays: The Collected Plays of William Carlos Williams (drama, 1962) e outros textos em verso e prosa; William Carlos Williams recebeu premiações por sua obra, entre as quais o National Book Award for Poetry, o Prêmio Bollingen e, postumamente, o Pulitzer de Poesia, por Pictures from Brueghel and Other Poems.

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Vladímir Maiakóviski: Blusa fátua

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[traduzido por Augusto de Campos]

Costurarei calças pretas
com o veludo da minha garganta
e uma blusa amarela com três metros de poente.
pela Niévski do mundo, como criança grande,
andarei, donjuan, com ar de dândi.

Que a terra gema em sua mole indolência:
“Não viole o verde de as minhas primaveras!”
Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:
“No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!”

Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
que eu faço versos alegres como marionetes
e afiados e precisos como palitar dentes!

Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta
garota que me olha com amor de gêmea,
cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,
com flores os bordarei na blusa cor de gema!

[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 17.06.84

Vladimir Maiakóvski

Кофта фата

Я сошью себе черные штаны
из бархата голоса моего.
Желтую кофту из трех аршин заката.
По Невскому мира, по лощеным полосам его,
профланирую шагом Дон-Жуана и фата.

Пусть земля кричит, в покое обабившись:
«Ты зеленые весны идешь насиловать!»
Я брошу солнцу, нагло осклабившись:
«На глади асфальта мне хорошо грассировать!»

Не потому ли, что небо голубо,
а земля мне любовница в этой праздничной чистке,
я дарю вам стихи, веселые, как би-ба-бо
и острые и нужные, как зубочистки!

Женщины, любящие мое мясо, и эта
девушка, смотрящая на меня, как на брата,
закидайте улыбками меня, поэта, 
я цветами нашью их мне на кофту фата!

[1913]

* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro, trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificada através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Vladímir Vladimirovitch Maiakóvski (1893 1930), nascido em Baghdati, Geórgia (Império Russo), considerado um dos expoentes da poesia do século XX, foi poeta, dramaturgo e teórico; aos 15 anos de idade filiou-se ao partido bolchevique e teve presença ativa no movimento revolucionário russo de 1917; em Moscou, ingressou na Escola de Belas Artes e fez parte do grupo artístico fundador do então chamado cubo-futurismo russo; ao serem expulsos da Escola, ele e outros alunos do grupo, viajaram pela Rússia objetivando difundir suas concepções artísticas; durante a Guerra Civil, o poeta dedicou-se a criar desenhos e legendas para cartazes de propaganda e, no início do novo Estado, exaltou campanhas sanitárias, fez publicidade de produtos diversos, etc.; participou ativamente de conferências, recitais e debates; colaborou com os jornais Izvestia, Pravda, O Trabalho, com seus textos sendo divulgados diariamente em jornais e revistas; em 1923, fundou a revista LEF (de Liévi Front, Frente de Esquerda), na qual agrupava escritores e artistas com a intenção de aliar a forma revolucionária a um conteúdo de renovação social;  por razões estéticas e na defesa de suas concepções artístico-literárias, polemizou com outros grupos de intelectuais e também com a burocracia do governo que se iniciava; obras: livros de poesia, de viagens e memórias, A Flauta Vertebrada (1915), A Nuvem de Calças (1916), O Homem (1917), Guerra e Paz (1918), 150 Milhões (1920), Amo (1922), A propósito disto (1923), Lênin (1925), Muito Bem! (1927), À Plena Voz (1930), longos poemas líricos e épicos, cada qual formando, por si só, um livro; para o teatro, publica Eu (1913), O Mistério Bufo (1921), O Percevejo (1928), O Banho (1929), e tantos outros textos, para circo, argumentos para cinema e mais de mil páginas de poesia para crianças; suicidou-se em 14 de abril de 1930.

quinta-feira, 25 de maio de 2023

Wallace Stevens: A poesia é uma força destrutiva


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[traduzido por Ronaldo Brito]

Isto é que é a miséria,
Nada ter no coração.
É ter ou nada.

É uma coisa ter,
Um leão, um boi no seu peito,
Senti-la respirando ali.

Corazón, cachorro bravo,
Bezerro, urso de pernas tortas,
Ele prova seu sangue, não cospe.

É como um homem
No corpo de uma fera violenta,
São seus os músculos dela...

O leão dorme ao sol.
O nariz entre as patas.
Ela pode matar um homem.

[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 08.04.84

Wallace Stevens

Poetry Is a Destructive Force

That's what misery is,
Nothing to have at heart.
It is to have or nothing.

It is a thing to have,
A lion, an ox in his breast,
To feel it breathing there.

Corazon, stout dog,
Young ox, bow-legged bear,
He tastes its blood, not spit.

He is like a man
In the body of a violent beast.
Its muscles are his own...

The lion sleeps in the sun.
Its nose is on its paws.
It can kill a man.

* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro, trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificada através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Wallace Stevens (1879 1955), estadunidense de Reading, Pensilvânia, estudou Direito em Harward e na New York Law School, foi poeta, jornalista, advogado e administrador de companhia de seguros; em 1914, teve seus primeiros poemas divulgados na revista Poetry, de Harriet Monroe; como jornalista, por um breve período foi repórter do New York Evening Post; suas obras: Harmonium (1923), The Man With the Blue Guitar (1937), Parts of a World (1942) Esthétique Du Mal (1945), Three Academic Pieces (1947), Transport to summer (1947), The Auroras of Autumn (1950), The Necessary Angel (ensaios, 1951); Collected Poems (1954), Opus Posthumous (1957) e outros títulos, além de duas peças para teatro; recebeu premiações por sua obra (Prêmio Bollingen, National Book Award Poesia e Prêmio Pulitzer de Poesia); hoje, considerável parte da crítica o posiciona literariamente como um dos maiores poetas americanos, ao lado de Ezra Pound, T. S. Eliot, William Carlos Williams e Marianne Moore.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Charles Baudelaire: O vinho do assassino


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[traduzido por José Saramago]

Minha mulher está morta, sou livre!
Posso agora beber quanto quiser.
Quando chegava a casa sem dinheiro
Rasgava-me as fibras aos gritos.

Sou tão feliz como um rei;
O ar é puro, o céu admirável...
Tivemos um Verão assim!
Quando me apaixonei por ela.

A horrível sede que me dilacera
Precisaria para se satisfazer
De tanto vinho quanto pode conter
O túmulo dela; e não é dizer pouco:

Atirei-a ao fundo de um poço,
E empurrei-lhe mesmo para cima
Todas as pedras do bucal.
Hei-de esquecê-lo se puder!

Em nome dos juramentos de ternura,
De que nada pode desligar-nos,
E para nos reconciliarmos
Como nos bons tempos do nosso entusiasmo,

Implorei-lhe um encontro,
À noite, numa rua escura.
Ela veio! doida criatura!
Todos somos mais ou menos doidos!

Estava ainda bonita,
Embora fatigada! e eu,
Amava-a de mais! por isso
Lhe disse: Sai desta vida!

Ninguém pode entender. Um só
Desses bêbedos estúpidos
Terá pensado nas noites mórbidas
Fazer do vinho uma mortalha?

Essa crápula invulnerável
Como as máquinas de ferro
Nunca, de Verão ou de Inverno,
Conheceram o verdadeiro amor,

Com os seus negros bruxedos,
Seu cortejo infernal de alarmes,
Seus frascos de veneno, suas lágrimas,
Sem ruídos de grilhões e de ossadas!

Eis-me livre e solitário!
Esta noite estarei bêbedo a cair;
Depois, sem medo e sem remorso,
Deitar-me-ei no chão,

E dormirei como um cão!
A galera de pesadas rodas
Carregada de pedras e de lamas,
O vagão desgarrado pode vir

Esmagar-me a cabeça culpada
Ou cortar-me pelo meio,
Rio-me de tudo como de Deus,
Do Diabo ou da Santa Mesa!

Charles Baudelaire

Le vin de l’assassin

Ma femme est mort, je suis libre!
Je puis donc boire tout mon soûl.
Lorsque je rentrais sans un sou,
Ses cris me déchiraient la fibre.

Autant qu'un roi je suis heureux;
L'air est pur, le ciel admirable...
Nous avions un été semblable
Lorsque j'en devins amoureux!

L'horrible soif qui me déchire
Aurait besoin pour s'assouvir
D'autant de vin qu'en peut tenir
Son tombeau; ce n'est pas peu dire:

Je l'ai jetée au fond d'un puits,
Et j'ai même poussé sur ele
Tous les pavés de la margelle.
Je l'oublierai si je le puis!

Au nom des serments de tendresse,
Dont rien ne peut nous délier,
Et pour nous réconcilier
Comme au beau temps de notre ivresse,

J'implorai d'elle un rendez-vous,
Le soir, sur une route obscure.
Elle y vint! folle créature!
Nous sommes tous plus ou moins fous!

Elle était encore jolie,
Quoique bien fatiguée! et moi,
Je l'aimais trop! voilà pourquoi
Je lui dis: Sors de cette vie!

Nul ne peut me comprendre. Un seul
Parmi ces ivrognes stupides
Songea-t-il dans ses nuits morbides
A faire du vin un linceul?

Cette crapule invulnérable
Comme les machines de fer
Jamais; ni l'été ni l'hiver,
N'a connu l'amour véritable,

Avec ses noirs enchantements,
Son cortège infernal d'alarmes,
Ses fioles de poison, ses larmes,
Ses bruits de chaîne et d'ossements!

Me voilà libre et solitaire!
Je serai ce soir ivre mort;
Alors, sans peur et sans remord,
Je me coucherai sur la terre,

Et je dormirai comme un chien!
Le chariot aux lourdes roues
Chargé de pierres et de boues,
Le wagon enragé peut bien

Écraser ma tête coupable
Ou me couper par le milieu,
Je m'en moque comme de Dieu,
Du Diable ou de la Sainte Table!

[Les Fleurs du mal — 1857]

* Nota do tradutor José Saramago: Ao escolher uma fidelidade ao sentido literal, o tradutor sabia já que não escolhera o melhor caminho: muitas vezes, senão sempre, a literalidade é meramente aproximativa. Daí que se decidisse pelo que lhe pareceu o mal menor: colocar a pálida tradução possível ao lado dos textos originais.
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Os Paraísos Artificiais — Charles Baudelaire [acrescido de poemas ‘do ciclo do vinho’ e ensaios complementares ‘Do vinho e do haxixe’], traduzidos por José Saramago, 1971, 3ª edição, Editorial Estampa, Lisboa — Portugal; Charles-Pierre Baudelaire (1821 1867), francês e parisiense, estudou no Liceu Louis-le-Grand, levou vida boêmia no Quartier Latin (região no entorno da Universidade de Sorbonne), foi poeta, crítico de arte, ensaísta, tradutor e literato; considerado um dos precursores do Simbolismo e reconhecido internacionalmente como um dos fundadores da tradição moderna em poesia, sua obra teórica também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX; traduziu Edgar Allan Poe; suas obras: As Flores do Mal (poemas, 1857), Os Paraísos Artificiais (ensaios, 1860), O Spleen de Paris: pequenos poemas em prosa (edição póstuma, 1869) e outros.