- Ninguém considera sua ventura superior ao seu mérito, mas todos se queixam das injustiças dos homens e da fortuna.
- A maledicência é uma ocupação e lenitivo para os descontentes.
- A vitória de uma facção política é ordinariamente o princípio da sua decadência pelo abuso que a acompanha.
- O erro máximo dos filósofos foi pretender sempre que os povos filosofassem.
- O homem que cala e ouve não dissipa o que sabe, e aprende o que ignora.
- A nossa vida é quase toda um sonho, e sonhamos acordado mais vezes que dormindo;
- O estudo confere ciência, mas a meditação originalidade.
- Ninguém é mais adulado que os tiranos: o medo faz mais lisonjeiros que o amor.
- As idéias novas são para muita gente como as frutas verdes que travam na boca.
- O homem que despreza a opinião pública é muito tolo ou muito sábio.
- Ninguém mente tanto nem mais que a História.
- Os homens, por não desagradar aos maus de que se temem abandonam muitas vezes os bons a quem respeitam.
(Transcrito de Coleção Completa de Máximas, Pensamentos
e Reflexões, do Marquês de Maricá, R.de Janeiro, 1850 por
Almachio Diniz, Anthologia da Língua Vernácula Organizada
como Curso da Literatura Brasileira, Livraria Catilina, Bahia,
1913, excertos retirados das pp. 207 - 212.)
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Antologia de Antologias — prosadores brasileiros "revisitados", organização de Magaly Trindade Gonçalves, Zélia Thomaz de Aquino e Zina Bellodi Silva, apresentação de Plínio Doyle e prefácio de Fábio Lucas, Musa Editora 1996, São Paulo — SP; Mariano José Pereira da Fonseca, o Marquês de Maricá (1773 — 1848), nascido no Rio de Janeiro, doutor em Filosofia e consagrado matemático formado na Universidade de Coimbra — Portugal, foi escritor e político brasileiro — senador e ministro da Fazenda no Primeiro Império; escreveu Máximas, Pensamentos e Reflexões (1843) e Novas Máximas (1846).