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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Jorge Tufic: Soneto velho II

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Cada verso é um punhado dessa areia
onde a concha se enterra, mais vazia;
ao longe uma canção, talvez sereia,
banha o corpo estelar na maresia.

Quem se atreve a invocá-la nesse dia,
chamado atroz que as ínsulas permeia?
Flavos cabelos, arcos, nostalgia
fazem do punho trevas e candeia.

Tenho o canto febril, mas decepado.
A lua é um brilho fosco entre os escolhos.
A noite é um sopro duro, enclausurado.

Minha fronte gastei-a nesse intento,
de prender numa concha a luz de uns olhos,
de imitar numa concha a voz do vento.

Sonetos  2000

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Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 50, Seleção e Prefácio de André Seffrin, Direção de Edla van Steen, primeira edição, 2007, Editora Global, São Paulo — SP; Jorge Tufic, nascido em 1930, acreano de Sena Madureira, funcionário público aposentado, é poeta, ensaísta e jornalista; escreveu e publicou Varanda de Pássaros (1956), Chão sem Mácula (1966), Faturação do Ócio (1974), Cordelim de Alfarrábios  (1979), Os Mitos da Criação e outros poemas (1980), Existe uma Literatura Amazonense? (ensaio, 1982), Boléka, a Onça Invisível do Universo (1995), Quando as Noites Voavam (1999), Sonetos (2000), Curso de Arte Poética (2002), Zéfiro com Soneata Barroca (2004), O Sétimo dia (2005)  entre outros títulos; colaborou e colabora com vários periódicos, o jornal O Povo (Fortaleza  CE) dentre eles.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Jorge Tufic: Para que todos saibam

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Somente os grandes poetas
me fazem sentar à mesa
e libertar meus dedos da ferrugem.

Somente os grandes pintores
me fazem ver as crianças do mundo
nas sete cores do arco-íris.

Somente os grandes músicos
me fazem pulsar no silêncio do quarto
como um tumor de sal-gema.

Somente os grandes amigos
me fazem trocar tudo, tudo mesmo,
por um cavaco de prosa.

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Antologia de Poetas Brasileiros  Seleção e Coordenação de Mariazinha Congílio, Prefácio de José Fernando Tavares, primeira edição, 2000, Universitária Editora Ltda., Lisboa — Portugal;  Jorge Tufic, nascido em 1930, acreano de Sena Madureira, funcionário público aposentado, é poeta, ensaísta e jornalista; escreveu e publicou Varanda de Pássaros (1956), Chão sem Mácula (1966), Faturação do Ócio (1974), Cordelim de Alfarrábios (1979), Os Mitos da Criação e outros poemas (1980), Existe uma Literatura Amazonense? (ensaio, 1982), Boléka, a Onça Invisível do Universo (1995), Quando as Noites Voavam (1999) entre outros títulos; colaborou e colabora com vários periódicos, o jornal O Povo (Fortaleza  CE) dentre eles.