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Cada
verso é um punhado dessa areia
onde
a concha se enterra, mais vazia;
ao
longe uma canção, talvez sereia,
banha
o corpo estelar na maresia.
Quem
se atreve a invocá-la nesse dia,
chamado
atroz que as ínsulas permeia?
Flavos
cabelos, arcos, nostalgia
fazem
do punho trevas e candeia.
Tenho
o canto febril, mas decepado.
A
lua é um brilho fosco entre os escolhos.
A
noite é um sopro duro, enclausurado.
Minha
fronte gastei-a nesse intento,
de
prender numa concha a luz de uns olhos,
de
imitar numa concha a voz do vento.
Sonetos — 2000

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Roteiro da Poesia
Brasileira — Anos 50, Seleção e Prefácio de André Seffrin, Direção
de Edla van Steen, primeira edição, 2007, Editora Global, São Paulo — SP; Jorge
Tufic, nascido em 1930, acreano de Sena Madureira, funcionário
público aposentado, é poeta, ensaísta e jornalista; escreveu e
publicou Varanda de Pássaros (1956), Chão sem Mácula (1966), Faturação
do Ócio (1974), Cordelim de Alfarrábios (1979), Os Mitos da
Criação e outros poemas (1980), Existe uma Literatura Amazonense? (ensaio,
1982), Boléka, a Onça Invisível do Universo (1995), Quando as Noites Voavam
(1999), Sonetos (2000), Curso de Arte Poética (2002), Zéfiro com Soneata Barroca (2004), O Sétimo dia (2005) entre outros títulos; colaborou e
colabora com vários periódicos, o jornal O Povo (Fortaleza — CE) dentre
eles.