[traduzido por Daniel Martineschen]
Onde a cor que me apega
firmamento com a altura?
Bruma matutina cega
no meu olho a vista pura.
São as tendas do vizir
que ele fez a suas queridas?
São tapetes desta festa
porque se uniu à preferida?
Rubro e branco, misturados,
nada vi tão belo assim;
pode o teu Xiraz, Hafez,
vir ao norte triste, enfim?
Sim, é o colorido ópio
que se estende à vizinhança,
e causando em Marte opróbrio,
cobre os campos com pujança.
Que o sabão ainda cultive
flores lindas de uma renda,
e como hoje, o sol se altive
e as clareie em minha senda!
(Divã Ocidento-Oriental —
Livro do Cantor)
Liebliches
Was doch Buntes dort verbindet
Mir den Himmel mit der Höhe?
Morgennebelung verblindet
Mir des Blickes scharfe Sehe.
Sind es Zelte des Wesires,
Die er lieben Frauen baute?
Sind es Teppiche des Festes,
Weil er sich der Liebsten
traute?
Rot und weiß, gemischt,
gesprenkelt,
Wüßt ich Schönres nicht zu
schauen;
Doch wie Hafis kommt dein
Schiras
Auf des Nordens trübe Gauen?
Ja, es sind die bunten Mohne,
Die sich nachbarlich
erstrecken
Und, dem Kriegesgott zum
Hohne,
Felder streifweis freundlich
decken.
Möge stets so der Gescheute
Nutzend Blumenzierde pflegen
Und ein Sonnenschein, wie
heute,
Klären sie auf meinen Wegen!
(West-östlicher
Divan —
Moganni Nameh: Buch des Sängers)
____________________
Goethe: Divã
Ocidento-Oriental, bilíngue [+ Notas e Ensaios para melhor compreensão do Divã
Ocidento-Oriental], Tradução e Posfácio de Daniel Martineschen e Apresentação
de Marcus Mazzari, 1ª edição, 2020, Estação Liberdade, São Paulo — SP; Johann
Wolfgang von Goethe (1749 — 1832), alemão de Frankfurt am Main (no antigo Sacro
Império Romano-Germânico), teve na infância educação de múltiplas faces,
formou-se em Direito, polímata, foi poeta, romancista, dramaturgo, diretor
teatral, teórico de arte, filósofo, diplomata e funcionário do governo; Goethe
realizou suas primeiras obras poéticas (canções e odes) ainda jovem; obras: Die
Laune des Verliebten (1768), Götz von Berlinchingen (1771 e 1773), Prometheus
(1774), Os Sofrimentos do Jovem Werther (Die Leiden des jungen Werther, 1774),
Clavigo (drama, 1774), Urfaust (Fausto Zero, 1775), Egmont (1775), Ifigênia em
Táurides (Iphigenie auf Tauris [prosa] 1779 e 1786 [versos]), Torquato Tasso
(1789), Xenien (em conjunto com Friedrich Schiller, 1796), O Aprendiz de
Feiticeiro (1797), Hermann e Dorothea (1798), Die natürliche Tochter (1801—1803),
Fausto (parte I, 1806), Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister (1807),
Teoria das Cores (Farbenlehre, 1810), Aus meinem Leben Dichtung und Wahreit (De
minha vida. Poesia e verdade, autobiografia, 1811—1833), Viagem à Itália
(relatos autobiográficos, 1813—1817), West-östlicher Divan (Divã
Ocidento-Oriental, 1819, e versão ampliada em 1827), Fausto (parte II,
publicação póstuma, 1832) e muitas outras publicações em poesia, prosa e para
dramaturgia; o poeta fez parte de dois movimentos literários importantes na
Alemanha, o romantismo e o expressionismo, e influenciou a literatura em todo o
mundo; Goethe teve muito de sua poesia musicada por centenas de compositores,
entre os quais Beethoven, Franz Schubert, Anna Amalia, Hermann Behn, Hector
Berlioz, Arrigo Boito, Johannes Brahms, Luigi Dallapicola, Robert Franz, François
Gounod, Franz Liszt, Johann Carl Gottfried Lowe, Gustav Mahler, Mozart, Robert
Schumann, Tchaikovsky, Giuseppe Verdi, Richard Wagner...