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[traduzido por Ary de
Mesquita]
Do “Nivose”
Homem, cruel, tem cuidado!
Pois não vês espedaçado
O nosso corpo aos teus pés?
Cessa tuas investidas,
Somos pobres margaridas,
Mas tu não ouves, quem és?!
Eu sou aquele coitado,
Que, em tempos de namorado,
A vossa astúcia traiu;
Morrei, mentiroso bando,
Foi vossas pét’las contando
Que minha amante mentiu!
X
«Homme aux yeux cruels, prends
garde!
Tu nous écrases! Regarde
Nos cadavres sous tes pas.
Tu pleures et tu t’irrites.
Nous sommes les marguerites.
Pitié! Mais tu n’entends pas.
— Si, je vous entends,
menteuses.
Ô peuple d’entremetteuses,
Sois-tu donc anéanti!
Mourez sous mes mains brutales!
C’est en comptant vos pétales
Que ma maîtresse a menti.»
(Les Caresses [groupement: Nivôse],
1877)
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Clássicos Jackson, Volume XXXIX — Poesia, 2º. Volume
[vários autores e tradutores] — Selecção e Notas de Ary de Mesquita, 1958, W. M.
Jackson Editores, Rio de Janeiro — RJ; Auguste-Jules Richepin, ou
Jean Richepin (1849 — 1926), franco-argelino nascido em Medeia — Argélia, à
época departamento francês no norte da África, teve seus primeiros aprendizados
escolares no Lycée Charlesmagne, estudou e diplomou-se em Literatura na École
Normale Supérieure, ambos em Paris, foi poeta, romancista, dramaturgo,
marinheiro, estivador, porteiro, professor ...; em 1870-1871, voluntariou-se e
participou da Guerra franco-pruissiana; em 1873, estreou como ator e dramaturgo
com a peça L'Étoile e, já frequentador do Quartier Latin a Montmartre, bairros
parisienses, sua vida boêmia e marginal acabou por inspirá-lo na criação das primeiras
e provocativas poesias, as quais, já na estréia com sua obra La chanson de
Gueux (poemas, 1876), tal como o ocorrido com Baudelaire (na publicação de
Fleurs du Mal), lhe renderam uma condenação à prisão, além do pagamento de 600
francos de multa, pelo fato de alguns dos poemas terem sido considerados
ofensivos e terem causado escândalo social; suas obras: coleções de poemas: Chanson
des gueux (1876), Les Caresses (groupements: Floréal, Thermidor, Brumaire et Nivôse,
1877), Les Blasphemes (1884), La Mer (1886), Les Litanies de la mer (1894), Mes
Paradis (1894), La Bombarde (1899), Poèmes durant la guerre: 1914-1918 (1919), Les
Glas (1922) ..., romances: Les Morts bizarres (1876), Madame André (1878), La Glu
(1881), Le Pave (1883), Miarka la
fille à l'ours (1883), Les braves gens (1886), Césarine (1888) ..., e
peças teatrais: Nana Sahib (drame en vers en 7 tableaux, 1883), Le Chemineau (drame
en 5 actes, 1897), etc.; o poeta também compôs textos para músicos, colaborou
em vários jornais, pertenceu à Académie Française (Academia Francesa); um
“viajante incansável”, andejou por Londres, viajou pela Itália, Espanha,
Alemanha, Escandinávia, Norte da África, ocasiões em que proferia conferências
e redigia artigos para a imprensa parisiense.