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quinta-feira, 26 de março de 2026

Jean Richepin: Homem, cruel, tem cuidado! . . .

 
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[traduzido por Ary de Mesquita]

Do “Nivose”

Homem, cruel, tem cuidado!
Pois não vês espedaçado
O nosso corpo aos teus pés?
Cessa tuas investidas,
Somos pobres margaridas,
Mas tu não ouves, quem és?!

Eu sou aquele coitado,
Que, em tempos de namorado,
A vossa astúcia traiu;
Morrei, mentiroso bando,
Foi vossas pét’las contando
Que minha amante mentiu!

Jean Richepin

X

«Homme aux yeux cruels, prends garde!
Tu nous écrases! Regarde
Nos cadavres sous tes pas.
Tu pleures et tu t’irrites.
Nous sommes les marguerites.
Pitié! Mais tu n’entends pas.

Si, je vous entends, menteuses.
Ô peuple d’entremetteuses,
Sois-tu donc anéanti!
Mourez sous mes mains brutales!
C’est en comptant vos pétales
Que ma maîtresse a menti.»

(Les Caresses [groupement: Nivôse], 1877)
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Clássicos Jackson, Volume XXXIX — Poesia, 2º. Volume [vários autores e tradutores] — Selecção e Notas de Ary de Mesquita, 1958, W. M. Jackson Editores, Rio de Janeiro — RJ; Auguste-Jules Richepin, ou Jean Richepin (1849 1926), franco-argelino nascido em Medeia Argélia, à época departamento francês no norte da África, teve seus primeiros aprendizados escolares no Lycée Charlesmagne, estudou e diplomou-se em Literatura na École Normale Supérieure, ambos em Paris, foi poeta, romancista, dramaturgo, marinheiro, estivador, porteiro, professor ...; em 1870-1871, voluntariou-se e participou da Guerra franco-pruissiana; em 1873, estreou como ator e dramaturgo com a peça L'Étoile e, já frequentador do Quartier Latin a Montmartre, bairros parisienses, sua vida boêmia e marginal acabou por inspirá-lo na criação das primeiras e provocativas poesias, as quais, já na estréia com sua obra La chanson de Gueux (poemas, 1876), tal como o ocorrido com Baudelaire (na publicação de Fleurs du Mal), lhe renderam uma condenação à prisão, além do pagamento de 600 francos de multa, pelo fato de alguns dos poemas terem sido considerados ofensivos e terem causado escândalo social; suas obras: coleções de poemas: Chanson des gueux (1876), Les Caresses (groupements: Floréal, Thermidor, Brumaire et Nivôse, 1877), Les Blasphemes (1884), La Mer (1886), Les Litanies de la mer (1894), Mes Paradis (1894), La Bombarde (1899), Poèmes durant la guerre: 1914-1918 (1919), Les Glas (1922) ..., romances: Les Morts bizarres (1876), Madame André (1878), La Glu (1881), Le Pave (1883), Miarka la fille à l'ours (1883), Les braves gens (1886), Césarine (1888) ..., e peças teatrais: Nana Sahib (drame en vers en 7 tableaux, 1883), Le Chemineau (drame en 5 actes, 1897), etc.; o poeta também compôs textos para músicos, colaborou em vários jornais, pertenceu à Académie Française (Academia Francesa); um “viajante incansável”, andejou por Londres, viajou pela Itália, Espanha, Alemanha, Escandinávia, Norte da África, ocasiões em que proferia conferências e redigia artigos para a imprensa parisiense.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Jean Richepin: Tuas palavras


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[traduzido por Álvaro Reis]

Tuas palavras têm melodias divinas,
acordes de cristal, pianíssimo, vibrando!
De olhos cerrados fico, imerso em gozo, quando,
dizendo-me um segredo, o alvo pescoço inclinas...

Então não me inebria o olor das balsaminas
de tua boca é, mais o tom límpido e brando,
que dás a uma palavra, a um simples "sim", falando...
Tuas palavras têm meiguices peregrinas!

Eis, pois, o que me faz dormentes os sentidos;
ouço-te, sem saber o que estás a dizer-me,
qual numa língua estranha e suave aos meus ouvidos!...

E em pleno arrebatar dos êxtases radiosos
sinto invisível mão percorrer-me a epiderme...
Tuas palavras, flor! têm dedos cariciosos...

Jean Richepin

[Tes paroles ont des musiques . . . ]

XX

Tes paroles ont des musiques cristallines.
Rien qu’à les écouter, que de fois j’ai joui!
Je pâme, les yeux clos, et presque évanoui,
Quand, pour me parler bas, dans le cou, tu t’inclines.

Ce n’est pas de ton souffle embaumant les pralines
Que je me grise alors; c’est du ton inouï
Que tu mets dans un mot quelconque, un simple oui.
Ta bouche a des façons de prononcer câlines.

Voilà ce qui me fait tous les sens engourdis.
Je t’écoute, mais sans savoir ce que tu dis,
Comme si tu parlais une langue inconnue;

Je me laisse couler dans l’extase; et je sens
Une invisible main passer sur ma peau nue,
Car tes paroles même ont des doigts caressants.

(Les Caresses [groupement Thermidor] — 1877)
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Auguste-Jules Richepin, ou Jean Richepin (1849 1926), franco-argelino nascido em Medeia Argélia, à época departamento francês no norte da África, diplomou-se em Literatura na École Normale Supérieure, Paris, foi poeta, romancista, dramaturgo, marinheiro, estivador, porteiro, professor ...; frequentador do Quartier Latin a Montmartre, bairros parisienses, sua vida boêmia e marginal acabou por inspirá-lo na criação das primeiras e provocativas poesias, as quais, já na estréia com sua obra La chanson de Gueux (poemas, 1876), tal como o ocorrido com Baudelaire (na publicação de Les Fleurs du Mal), lhe renderam uma condenação à prisão, além do pagamento de 600 francos de multa, pelo fato de alguns dos poemas terem sido considerados ofensivos e terem causado escândalo social; suas obras: coleções de poemas: Chanson des gueux (1876), Les Caresses (groupements: Floréal, Thermidor, Brumaire et Nivôse, 1877), Les Blasphemes (1884), La Mer (1886), Les Litanies de la mer (1894), Mes Paradis (1894), La Bombarde (1899), Poèmes durant la guerre: 1914-1918, (1919), Les Glas (1922) ..., romances: Les Morts bizarres (1876), Madame André (1878), La Glu (1881), Le Pave (1883), Miarka la fille à l'ours (1883), Les braves gens (1886), Césarine (1888) ..., e peças teatrais: Nana Sahib (drame en vers en 7 tableaux, 1883), Le Chemineau (drame en 5 actes, 1897), etc.; o poeta também compôs textos para músicos, colaborou em vários jornais, pertenceu à Académie Française (Academia Francesa); um “viajante incansável”, andejou por Londres, viajou pela Itália, Espanha, Alemanha, Escandinávia, Norte da África, ocasiões em que proferia conferências e redigia artigos para a imprensa parisiense.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Jean Richepin: Analyse

 
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[Análise]

[III]

[traduzido por Lúcio de Mendonça1]

Ó lágrimas, em que se vão nossos rancores,
Qual proceloso céu, fuliginoso, troante,
Elétrico, e que em chuva esvaece num instante;
Ó lágrimas, ó mais suave dos licores,

Quando vos bebe o amante a berijos vencedores,
Qual bebe o sol, passado o chuveiro, anhelante,
Pelas nuvens que enxuga, o arco-íris brilhante;
Ó lágrimas, que assim cais de nossas dores,

Como o orvalho, da flor cai do quebrado cálice;
Vauquelin2 e Foureroy3 fizeram-vos a análise,
Ó lágrimas, e os dois, no crisol, afinal,

Encontraram, por junto, o que aqui vai escrito:
Água, sal, soda, muco, e fósforo de cal.
Ó lágrimas, ideal rócio d’alma!... Bonito!

(Minas, 1885)
[Murmúrios e Clamores —  ‘agrupamento Musa Peregrina:
traduções’ — poesias completas, de Lúcio de Mendonça, 1902,
pág. 304, H. Garnier, Livreiro-Editor, Rio de Janeiro — RJ]

Jean Richepin

Analyse

[Sonets Amers III]

O larmes, où s'en vont se noyer nos rancœurs,
Comme un ciel orageux, grondant, couleur de suie,
Chargé de foudre, et qui soudain se fond en pluie;
O larmes, ô la plus suave des liqueurs,

Quand un amant vous boit sous ses baisers vainqueurs
Ainsi que le soleil après l'averse enfuie
Boit l'arc-en-ciel dans les nuages qu'il essuie;
O larmes, diamants qui tombez de nos cœurs

Comme l'eau du matin tombe des fleurs brisées;
Vauquelin et Fourcroy vous ont analysées,
O larmes; et dans leurs creusets, sur leurs réchauds,

Ils ont trouvé ceci, tel que je vais écrire:
Eau, sel, soude, mucus et phosphate de chaux.
O larmes, diamants du cœur!... Laissez-moi rire!

(Les Blasphemes [groupement Sonets Amers], 1884)

Nota de R. Magalhães Júnior, autor deste Poesia e Vida de Augusto dos Anjos:
1. A tradução de Lúcio de Mendonça foi incluída na “Musa Peregrina [traduções]”, na parte final do volume Murmúrios e clamores, publicado em 1902. Várias outras saíram em jornais e revistas.
Notas do blogue Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página destaca:
2. Louis Nicolas Vauquelin, cientista francês, assistente e sucessor de Fourcroy na Universidade de Paris [cfe. R. Magalhães Júnior, autor deste Poesia e Vida ...]
3. Conde Antoine François de Fourcroy, cientista francês da Universidade de Paris, foi responsável pela análise da “composição química das lágrimas humanas” [assistido por Vauquelin], no início do século 19. [idem item 2, acima]
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Poesia e Vida de Augusto dos Anjos: R. Magalhães Júnior, 2ª edição corrigida e aumentada, 1978, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro RJ, e Instituto Nacional do Livro — MEC, Brasília DF; Auguste-Jules Richepin, ou Jean Richepin (1849 1926), franco-argelino nascido em Medeia Argélia, à época departamento francês no norte da África, diplomou-se em Literatura na École Normale Supérieure, Paris, foi poeta, romancista, dramaturgo, marinheiro, estivador, porteiro, professor ...; frequentador do Quartier Latin a Montmartre, bairros parisienses, sua vida boêmia e marginal acabou por inspirá-lo na criação das primeiras e provocativas poesias, as quais, já na estréia com sua obra La chanson de Gueux (poemas, 1876), tal como o ocorrido com Baudelaire (na publicação de Les Fleurs du Mal), lhe renderam uma condenação à prisão, além do pagamento de 600 francos de multa, pelo fato de alguns dos poemas terem sido considerados ofensivos e terem causado escândalo social; suas obras: coleções de poemas: Chanson des gueux (1876), Les Caresses (groupements: Floréal, Thermidor, Brumaire et Nivôse, 1877), Les Blasphemes (1884), La Mer (1886), Les Litanies de la mer (1894), Mes Paradis (1894), La Bombarde (1899), Poèmes durant la guerre: 1914-1918 (1919), Les Glas (1922) ..., romances: Les Morts bizarres (1876), Madame André (1878), La Glu (1881), Le Pave (1883), Miarka la fille à l'ours (1883), Les braves gens (1886), Césarine (1888) ..., e peças teatrais: Nana Sahib (drame en vers en 7 tableaux, 1883), Le Chemineau (drame en 5 actes, 1897), etc.; o poeta também compôs textos para músicos, colaborou em vários jornais, pertenceu à Académie Française (Academia Francesa); um “viajante incansável”, andejou por Londres, viajou pela Itália, Espanha, Alemanha, Escandinávia, Norte da África, ocasiões em que proferia conferências e redigia artigos para a imprensa parisiense.

sexta-feira, 4 de julho de 2025

Jean Richepin: A origem da taça

 
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[traduzido por Ary de Mesquita]

Na antiguidade grega, um gênio sublimado,
certa vez quis deixar no Paros esculpida
uma taça. Mas nunca ele vira na vida
um modelo sublime e ideal para moldado.

Quando à noite, porém, do seu buril cansado,
os seios foi beijar da hetera preferida,
o ateniense pasmou: que contorno! A medida!
E a taça assim surgiu no helênico passado.

O seio inspirador, amado e deslumbrante,
que serviu pra moldar o sonho de um artista
a quem pertenceria? E cala toda gente...

Ninguém logrou saber, mas, graças ao amante,
graças ao escultor a taça ali se avista,
feita de pedra eterna, indefinidamente...

Jean Richepin

Sonnet grec

C’était un grand sculpteur que le Grec Praxitèle.
La légende pourtant nous raconte qu’un jour,
Voulant faire une coupe et ne rien mettre autour,
Il ne vit point de forme assez pure pour elle.

Mais le soir, fatigué de son travail rebelle,
Comme il baisait un sein façonné par l’amour,
Tout à coup il trouva. Ce bouton! ce contour
Et la coupe naquit sur ce parfait modèle.

La femme dont la gorge avait un tel dessin
Qu’on moula l’idéal aux rondeurs de son sein,
Cette déesse en chair, comment se nommait-elle?

Nul ne le sait. Mais grâce au sculpteur, à l’amant,
La coupe a survécu dans sa forme immortelle,
Et sa beauté demeure impérissablement.

[Les Caresses — 1877]
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Auguste-Jules Richepin, ou Jean Richepin (1849 1926), franco-argelino nascido em Medeia Argélia, à época departamento francês no norte da África, diplomou-se em Literatura na École Normale Supérieure, Paris, foi poeta, romancista, dramaturgo, marinheiro, estivador, porteiro, professor ...; frequentador do Quartier Latin a Montmartre, bairros parisienses, sua vida boêmia e marginal acabou por inspirá-lo na criação das primeiras e provocativas poesias, as quais, já na estréia com sua obra La chanson de Gueux (poemas, 1876), tal como o ocorrido com Baudelaire (na publicação de Fleurs du Mal), lhe renderam uma condenação à prisão, além do pagamento de 600 francos de multa, pelo fato de alguns dos poemas terem sido considerados ofensivos e terem causado escândalo social; suas obras: coleções de poemas: Chanson des gueux (1876), Les Caresses (1877), Les Blasphemes (1884), La Mer (1886), Les Litanies de la mer (1894), Mes Paradis (1894), La Bombarde (1899), Poèmes durant la guerre: 1914-1918 (1919), Les Glas (1922) ..., romances: Les Morts bizarres (1876), Madame André (1878), La Glu (1881), Le Pave (1883), Miarka la fille à l'ours (1883), Les braves gens (1886), Césarine (1888) ..., e peças teatrais: Nana Sahib (drame en vers en 7 tableaux, 1883), Le Chemineau (drame en 5 actes, 1897), etc.; o poeta também compôs textos para músicos, colaborou em vários jornais, pertenceu à Académie Française (Academia Francesa); um “viajante incansável”, andejou por Londres, viajou pela Itália, Espanha, Alemanha, Escandinávia, Norte da África, ocasiões em que proferia conferências e redigia artigos para a imprensa parisiense.

sábado, 27 de janeiro de 2024

Jean Richepin: A Torre de Babel


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[traduzido por Wenceslau de Queiroz]

Mais alto! ainda mais alto! estes altos pilares
ergamos! Torres sobre torres! Nos espaços,
terraços colossais sobre vastos terraços
percam de vista, em cima e ao longe, a terra e os mares!

Toquemos com a mão os constelados passos!
Mais arcarias! mais paredes aos milhares!
Subamos sempre! até que lá no azul dos ares
deixemos o sinal firme dos nossos passos...

Mas em vão nosso orgulho, armado de paciência,
a torre de Babel em construir persiste,
criando a Religião, a Arte, a Indústria, a Ciência...

Em vão! porque essa torre, instável como a bruma,
não passa de ilusão que só na mente existe,
e o céu nos foge... o céu se afasta... o céu se esfuma...

Jean Richepin

La Tour de Babel

Plus haut! Dressons toujours plus haut ces hauts piliers!
Après les tours, encor des tours! Sur la terrasse,
Des terrasses! Vieux ciel dont l'infini m'embrasse,
Déjà ma main t'insulte en gestes familiers.

Des rampes, des arceaux, des piliers par milliers!
Plus haut! Montons toujours! Chaque homme! Chaque race!
Et bientôt! Ton verra pour y laisser leur trace
Sur la vitre d'azur les clous de nos souliers.

Mais en vain notre orgueil armé de patience
Entasse sans repos et l'art et la science.
A mesure que nous montons, le ciel s'enfuit!

Et nous retombons las, vaincus, meurtris, exsangues,
Sous Babel qui s'écroule et sous horrible nuit
Où nous nous égorgeons dans le chaos des langues.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Auguste-Jules Richepin, ou Jean Richepin (1849 1926), franco-argelino nascido em Medeia Argélia, à época departamento francês no norte da África, diplomou-se em Literatura na École Normale Supérieure, foi poeta, romancista, dramaturgo, marinheiro, porteiro, professor...; frequentador do Quartier Latin a Montmartre, bairros parisienses, sua vida boêmia e marginal acabou por inspirá-lo na criação das primeiras e provocativas poesias, as quais, já na estréia com sua obra La chanson de Gueux (poemas, 1876), tal como o ocorrido com Baudelaire (na publicação de Fleurs du Mal), lhe renderam uma condenação à prisão, além do pagamento de 600 francos de multa, pelo fato de alguns dos poemas terem sido considerados ofensivos e terem causado escândalo social; suas obras: coleções de poemas: Les Caresses, Les Blasphemes, La Mer, Mes Paradis, romances: Les Etapes d’un refractaire, La Glu, Miarka, la fille à l’ nossos, Les braves gens, Césarine, Les Grandes amours, e peças teatrais: Nana Sahib e Le Chemineau, etc.; colaborou em vários jornais, pertenceu à Académie Française (Academia Francesa); o poeta, um “viajante incansável”, andejou por Londres, viajou pela Itália, Espanha, Alemanha, Escandinávia, Norte da África, ocasiões em que proferia conferências e redigia artigos para a imprensa parisiense.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Jean Richepin: A canção de Maria-dos-Anjos

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[traduzido por Guilherme de Almeida]

Era uma vez um bom rapaz,
E tra la li,
E tra la la,
Era uma vez um bom rapaz
Que amou quem não o amou jamais.

Ela diz: Dá-me o coração
E tra la li,
E tra la la,
Ela diz: Dá-me o coração
De tua mãe para o meu cão.

Ele procura a mãe e mata-a,
E tra la li,
E tra la la,
Ele procura a mãe e mata-a,
E o seu coração lhe arrebata.

E, quando vem correndo, cai,
E tra la li,
E tra la la,
E, quando vem correndo, cai,
E o coração por terra vai.

E enquanto vai, vai a rolar,
E tra la li,
E tra la la,
E enquanto vai, vai a rolar,
O coração põe-se a falar.

E o coração lhe diz baixinho,
E tra la li,
E tra la la,
E o coração lhe diz baixinho:
Tu te magoaste, meu filhinho?

Jean Richepin

La chanson des Marie-des-Anjes

Y avait un'fois un pauv'gas,
Et lon la laire,
Et lon lan la,
Y avait un'fois un pauv'gas,
Qu'aimait cell' qui n' l'aimait pas.

Ell’ lui dit: Apport'-moi d'main
Et lon la laire,
Et lon lan la,
Ell’ lui dit: Apport'-moi d'main
L'cœur de ta mèr' pour mon chien.

Va chez sa mère et la tue
Et lon la laire,
Et lon lan la,
Va chez sa mère et la tue,
Lui prit l'cœur et s'en courut.

Comme il courait, il tomba,
Et lon la laire,
Et lon lan la,
Comme il courait, il tomba,
Et par terre l'cœur roula.

Et pendant que l'cœur roulait,
Et lon la laire,
Et lon lan la,
Et pendant que l'cœur roulait,
Entendit l'cœur qui parlait.

Et l'cœur lui dit en pleurant,
Et lon la laire,
Et lon lan la,
Et l'cœur lui dit en pleurant:
T'es-tu fait mal, mon enfant?
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Poetas de França [vários autores] — Guilherme de Almeida, Seleção, Tradução e Dedicatória ‘Soneto de amor pela França’ de Guilherme de Almeida e Prefácio de Marcelo Tápia, 5ª edição, 2011, Edições Babel, São Paulo — SP; Auguste-Jules Richepin, ou Jean Richepin (1849 1926), franco-argelino nascido em Medeia Argélia, à época departamento francês no norte da África, diplomou-se em Literatura na École Normale Supérieure, foi poeta, romancista, dramaturgo, marinheiro, porteiro, professor...; frequentador do Quartier Latin a Montmartre, bairros parisienses, sua vida boêmia e marginal acabou por inspirá-lo na criação das primeiras e provocativas poesias, as quais, já na estréia com sua obra La chanson de Gueux (poemas, 1876), tal como o ocorrido com Baudelaire (na publicação de Fleurs du Mal), lhe renderam uma condenação à prisão, além do pagamento de 600 francos de multa, pelo fato de alguns dos poemas terem sido considerados ofensivos e terem causado escândalo social; suas obras: coleções de poemas: Les Caresses, Les Blasphemes, La Mer, Mes Paradis, romances: Les Etapes d’un refractaire, La Glu, Miarka, la fille à l’ nossos, Les braves gens, Césarine, Les Grandes amours, e peças teatrais: Nana Sahib e Le Chemineau, etc.; colaborou em vários jornais, pertenceu à Académie Française (Academia Francesa); o poeta, um “viajante incansável”, andejou por Londres, viajou pela Itália, Espanha, Alemanha, Escandinávia, Norte da África, ocasiões em que proferia conferências e redigia artigos para a imprensa parisiense.