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(O Espelho — Informativo
dos funcionários do Banco do Brasil S/A — AGCEN-SP — Ano II — n°
19 — Novembro de 1981)
Satélio, ói eu aqui traveis...
O fim-de-ano vem chegando. E o
Natal com ele. É época de dar presentes e de receber presentes da família.
É época dos presentes da clientela, dos chaveirinhos, calendários e
folhinhas. Época de consumir e de ser consumido. Época do décimo-terceiro.
Época de cumprimentar as pessoas,
todas as pessoas. Até as desconhecidas e as inimigas que de repente se acercam
de nós. De estourar champanha, de beber vinho, comer peru, leitão, carneiro,
coelho e outros caviares. Época da missa-do-galo. Regurgite!
Época de contribuir com a LBA e
com a TFP. Você sabia que a TFP é profissional em angariar comestíveis,
bebestíveis e brinquedos para os flagelados deste país colosso? Agora não me
pergunte o que ela faz o ano todo. Eu juro que não sei! Não me comprometa.
Tem também a FASPG da primeira dama do Estado. Contribua e ganhe uma medalhinha
do Maluf.
E você? Já aproveitou as
oportunidades dos últimos meses? Em muitos jornais diários nos eram oferecidos
descontos em diversas mercadorias. Cupons impressos no Estadão, na Folha,
propagandeavam abatimentos na compra de caldo de galinha, lenços de papel,
alvejantes, iogurte e maionese. Era só recortar e ir aos supermercados. E tá em
tempo ainda, viu!
Ou, num fim-de-semana destes, dê
um pulinho até uma concessionária GM e adquira um Opala zerinho, com oitenta
mil de desconto. Pelo menos é o que eles estavam prometendo até estes dias
atrás. Não é uma ótima oportunidade? Pois é...
Mas, boca-de-siri, companheirão!!!
Não esparrame prá ninguém sobre estas ofertas, que se não você vai ter que
aguentar fila. Por acaso já se esqueceu do ocorrido no ano passado, lá no Rio,
quando os supermercados começaram a propagandear que tinham feijão preto mais
barato? Foi aquela correria... Num piscar de zóio, a fila dobrava esquinas
e morros de tão comprida. E houve até bordoada por causa do pretinho que
satisfaz. De repente, tava todo mundo a fim. Êta feijoadinha, não!
E teve também aquela empresa
pública que resolveu botar um anúncio no jornal dizendo que tinha umas
vaguinhas, com salário de liquidação. Você não se lembra? Foi um deus nos
acuda. Apareceu gente de tudo quanto é lado e também houve tumulto na fila. Por
estas e outras, elimine seus concorrentes não esparramando tais oportunidades.
Vá logo aos supermercados com os cupõezinhos e vá logo à GM. Aproveite a
chance.
Depois, se sobrar alguns merréis (faça
uma forcinha!), aplique no R.D.B. É jogo seguro, meu chapa! Nem o Bradesco
oferece igual. Vá firme...
Um beijo irreverente do seu
pervertido.
Nadinha pê da vida,
P. da Silva
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P. da Silva, Satélio e Genésio dos Santos são a mesma pessoa
e, réus confessos, assumem a autoria desta crônica.