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sexta-feira, 24 de abril de 2026

joaquim da silva: nanocontos 15, 28, 37, 52, 55 & 63

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15.
noite vinda
multidão de pirilampos reagem em cadeia
começam a piscar
sombras se vão

28.
recolheu-se
peso da idade lhe ia às costas
caramujo era caramujo ficou
tinha uma casa ao menos

37.
idoso caipira já não se acocorava
garimpou tripeça no antiquário
descartou divã

52.
escritor de autoajuda não enganava ninguém:
escrevia e lucrava muito

55.
grave erro não foi desdenhar futuro
querer voltar ao passado foi sua brutal falha

63.
quis rever o ferroviário Sales e seu gramofone
na Turma 29 do Bacelar buscou retrato na parede

[são paulo, jan/fev/mar de 2026]
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joaquim da silva, p. da silva e outros silva, além de genésio dos santos, são uma só pessoa e um só nanocontista.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

matusalém da silva: "tropeçando em risca de ladrilho"


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Constatei-me velho desde o instante em que
me vi tropeçando em taco, em risca de ladrilho.
[Ziraldo, carthumorista].

sinto em mim sua presença
embora ausente põe limites no que faço
até controla o que penso
imagino-a à espreita
na curva do caminho

quando eu estiver bem velhinho
alquebrado com vista fraca ouvindo pouco
“tropeçando em risca de ladrilho”
é inevitável que venha

o ontem: acabou-se o que era doce
o instantâneo hoje: de modo algum traz amargor
o amanhã? deixemos pra depois...

sem pressa sem pressa...
não sou vidente mas ela vem
que assim seja

sp — 05.02.24
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matusalém da silva e alguns outros silva, além de genésio dos santos, são um só ativista da palavra.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

genésio dos santos: o espalhador de utopias

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carrego sonhos:
sinta-se à vontade
não há venda nem compra

faço trocas:
não aceito pix nem dinheiro nem cartão
sou da época do mutirão

demore quanto puder ou quiser:
pra certas escolhas
o tempo é o que menos importa

satisfação garantida:
bom proveito
ou seu sorriso ou sua lágrima de volta

sp, 02.02.2024

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

genésio dos santos: dona bidunga *

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fazer poemas é tão necessário
quanto o era para a mãe esculpir
bolinhos de chuva ao fritá-los
em óleo de amendoim ou óleo de algodão
ou banha de porco
naquele outrora

quem sabe
assim desenhasse o poeta
guri nos seus sete anos
enquanto devorava os bolinhos
e folheava a cartilha do tatu
cheia de letras e gravuras

de calças curtas,
ele só não tinha como imaginar
que lá no futuro iria escrever um poema
pra dona bidunga,
apelido de saturnina de almeida fagundes,
autora da cartilha.

sp, 24.12.2023


*Nota deste Verso e Conversa: O poema Dona Bidunga foi ideado em algum momento desde outubro de 2020, mês em que este ex-guri e aprendiz de blogueiro, filho de ferroviário, pesquisador e poeta, buscou e adquiriu em sebo um exemplar da Cartilha do Tatu — Caderno de Alfabetização, de Saturnina de Almeida Fagundes, a Dona Bidunga; tal cartilha, impressa nas gráficas da EFS — Estrada de Ferro Sorocabana, propiciou ao poeta um primeiro contato escolar com letras e gravuras, contato esse ocorrido em 1959, no início do então curso primário na Escola Rural da Estação, Vila Isabel, em Itapeva — SP.
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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — caderno de alfabetização, de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Noel de Carvalho: Casa de pobre


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Uma casinha pequena
De uma porta e uma janela,
Paredes cor de açucena
E portas cor de canela.
Toda coberta de palha,
Sem postigo e sem vidraça,
O telhado sem cimalha,
Por dentro cor de fumaça.
Uma candeia amassada
Dependurada no esteio,
Uma mesa desconjuntada
Com uma escora no meio.
Um pote velho num canto,
Tendo uma cuia por cima,
Em cada parede um santo
Que por milagres não prima.
Na parede principal
A Santa da Aparecida,
Palhas de milho, o embornal
E a viola emudecida.
Ainda aí se sustenta,
Com muitas mudas de planta,
Um feixe de palma benta
De alguma Semana Santa.
Um tamborete sem pé,
Uma cama sem colchão,
Um coador de café
Quase arrastando no chão.
Uma espingarda de um cano,
De carregar pela boca,
Alguns bicos de tucano,
Uma sanfona já rouca.
Na cozinha uma peneira,
Uma panela sem cabo,
Gamela, chocolateira,
Um cachorrinho sem rabo.
Uns pratos velhos de folha,
Um samburá, um lombilho,
Um garrafão, cuja rolha
É de sabugo de milho.
Um gato magro, rajado,
Dormitando no borralho,
O fogo quase apagado,
Nem sequer um dente d’alho.
No terreiro um galo suro,
Uma galinha no choco,
Pintos ciscando o monturo,
Uma coruja no toco.
Numa sombra, um garnisé
Há pouco estava cantando,
Agora, apoiado a um pé,
Parece que está pensando.
Lá fora uma égua picaça,
Uma potranca alazã,
Uma cabra, um cão de caça,
Um carneirinho sem lã.
Uns vestidinhos de chita
Estão secando na grama,
Ao redor de uns pés de pita,
Um bacorinho na lama.
Por trás, numa verde mata,
Onde canta o passaredo,
Sussurra baixo a cascata,
Como quem conta um segredo.
Nos fundos, junto à cozinha
Corre uma aguinha tão clara
Que vem da grota vizinha
Numa bica de taquara.
Um pé de limão miúdo,
Uns quatro pés de mamão,
Arruda, que cura tudo,
Hortelã, manjericão.
Ao longe passa uma estrada,
Que sobe muito no monte,
Qual fita dependurada
Na beira do horizonte.
Reina silêncio profundo
Nesse cantinho da terra:
Está tão longe do mundo,
Está tão perto da serra...
Nessa casinha tão pobre,
Tão distante da cidade
Quem mora? Vamos, descobre...
Talvez a felicidade.
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Antologia de Poetas Fluminenses (vários autores) — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Noel de Carvalho (1878 1942), fluminense de Resende, foi tabelião de profissão, poeta e também musicista; por trabalhar desde cedo pouco estudou em colégios, o que não o impediu de adquirir, por conta própria, “larga cultura, tornando-se bom conhecedor da filosofia positivista”, é o que aponta o publicitário Frederico de Carvalho, seu filho, no estudo literário Um poeta, publicado no Correio da Manhã, sábado, 29 de abril de 1967; Noel de Carvalho chegou a residir em São Paulo e na Guanabara (à época, Distrito Federal e, hoje, Rio de Janeiro); no Rio, foi presidente da Federação Metropolitana de Futebol em duas gestões e, em Resende, onde nasceu e viveu a maior parte de sua vida, há, em sua homenagem, a Escola Municipal Noel de Carvalho; não teve livro publicado.

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Zalina Rolim: Em caminho


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Sou filha de lavradores;
Moro longe da cidade;
Amo os pássaros e as flores
E tenho oito anos de idade.

Quereis seguir-me à campina?
A tarde convida e chama,
O calor do sol declina,
E o horizonte é um panorama.

Neste samburá de vime
Levo cousa apetitosa;
Mas, ai! que ninguém se anime
A meter-lhe a mão curiosa.

É o jantar do papaizinho;
Manjares de fino gosto;
Carne, legumes, toucinho,
Tudo fresco e bem disposto.

Papai trabalha na roça;
O dia inteiro labuta;
Tem a pele rija e grossa
E a alma afeita à luta.

Mas leal, franco, modesto
Como ele, não há no mundo:
Vive de trabalho honesto,
Cavando o solo fecundo.

Acorda ao nascer da aurora,
Abre a janela de manso,
E o campo e os ares explora
Da vista aguda num lanço.

Depois, nos ombros a enxada,
Abraça a Mamãe, sorrindo,
Beija-me a face rosada
E vai-se ao labor infindo.

Em casa também se lida
Daqui, dali, todo o instante,
Que o trabalho é lei da vida
E nada tem de humilhante.

Depois do trabalho, estudo;
Abro os meus livros e leio;
Eles me falam de tudo
O que eu desejo e receio.

Contam-me histórias bonitas,
Falam da terra e dos ares,
De vastidões infinitas,
De rios, campos e mares.

Mamãe diz que são modelos
De amigos leais e finos;
Que a gente deve atendê-los
Como aos maternais ensinos.

E agora, adeus, até breve.
Eis-me de novo a caminho:
Não esfrie o vento leve
O jantar do papaizinho.

(Livro das Crianças — 1897)

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Zalina Rolim: poetisa e educadora [biografia e poesia] — Maria Amélia Blasi de Toledo Piza, 2008, Editora Ottoni, Itu — SP; Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo (1869 1961), paulista de Botucatu, foi professora alfabetizadora, educadora, poeta e uma das precursoras na difusão de poesias para crianças no país; passou parte de sua infância em Itapetininga, terra de seus familiares, mas também morou em Itapeva [ex Faxina], Araraquara, São Roque, Sorocaba e Itu, todas cidades do interior paulista, sempre acompanhando o pai, então juiz de Direito e nomeado para estas localidades; em 1893, a educadora e poeta mudou-se para a capital, São Paulo, quando o pai veio a assumir cargo no Tribunal de Justiça estadual; Zalina Rolim só frequentou regularmente uma escola em Itapeva, aos sete anos de idade e por um breve período, e ali também aprendeu português, francês, italiano e inglês em aulas ministradas por João Kopke [educador e escritor, 1852 1926]; no mais, todo seu aprendizado cultural se deu em casa e sob a orientação direta do pai; na capital paulista, foi pioneira na formação educacional do primeiro Jardim da Infância de São Paulo, anexo à Escola Normal da Capital [depois, Escola Normal Caetano de Campos, hoje Edifício Caetano de Campos, da Secretaria de Educação de São Paulo, na Praça da República]; traduziu obras dos idiomas inglês e italiano, colaborou com a Revista do Jardim da Infância, além de ter participado com adaptações e produções originais de pedagogia, ficção e poesia; escreveu para a revista feminina A Mensageira (1897 1900) e para os jornais O Itapetininga, Correio Paulistano, A Província de São Paulo e A Cidade de Itu; suas obras: O Coração (poesias, 1893), Livro das Crianças (1897) e Livro da Saudade (organizado em 1903 para publicação póstuma e se extraviou); a poeta e educadora, mesmo sem formação acadêmica oficial, exerceu funções pedagógicas como auxiliar de diretoria na criação deste primeiro Jardim de Infância paulistano; hoje há na cidade de São Paulo duas instituições com seu nome: Escola Estadual Dona Zalina Rolim [Rua Luís Carlos, 740 Vila Aricanduva] e... isto é, havia... pois em pesquisa googleana, o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa descobriu, através de página da prefeitura de São Paulo, que o Espaço de Leitura Zalina Rolim [Rua Corredeira, 26 Vila Mariana] encontra-se permanentemente desativado [notícia de fevereiro de 2023].

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Ernani Rosas: Oração à Enxada

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Com o suor ao rosto teu...
mais o pranto das estrelas
colma os campos com o céu!...

Jardineira que lidaste
os canteiros da ilusão:
Mas, que rosas tu criaste?
Que merecem uma oração...

Gleba fria, inanimada,
como a chuva e o sol Te querem?
Dar-te beijos sol e chuva,
Quente como os de mulher!...

O teu trigo é puro e casto
como o corpo da hóstia pura:
cor da Lua, p’lo céu vasto...
Quando as noutes são escuras!...

Quando a terra no seu seio
guarda a sombra e sorve o orvalho
Quando tudo é só receio...
e o nevoeiro, agasalho!...

Soa ao longe a rude enxada
pela terra que sussurra...
Bendiz a mão que a esmurra,
dando-lhe rudes pancadas!?

Cava a vida! Cava a cova...

Entre a enxada e o pensamento
há parentesco divino:
Uma cava e o outro cava,
Ambos têm igual destino!...

Cava o Pão e cava a morte:
cava o sepulcro que encerra
os sofrimentos da sorte...

Cavador da minha cova
cavarás bem funda e larga:
a minha sombra e no cipreste
dando sombra negra e amarga

Ao plantar o corpo meu,
quero que plantes também:
a agonia de um cipreste,
que é a imagem de quem quer bem!...

Cavador, que cavas tanto
que cavaste a vida inteira
tu cavas a minha cova
Junto ao pé de uma aroeira

O que fazes não Te chega
p’ra morreres esfomeado
morrer de fome às cegas
como um lobo pelo prado

Se os recursos que possuis
Não Te dão para viver
Mais nos val’ mandar a enxada
p’ro diabo e se perder:!...

Se mal chega p’ra morares
na miséria impiedosa
mais nos val’ assim par’ceres,
como a sorte mentirosa?

Somos todos cavadores
uns da Arte outros do Sonho:
Se na vida as flor’s dão pranto
Se o viver é um val’ medonho?!...

[1]946

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

sábado, 1 de julho de 2023

genésio dos santos: a vida pede urgência


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a vida pede urgência
o resto pode esperar:
com a morte não requerida
a vida pode vingar

a vida pede urgência
um mote a repetir:
se a morte é toda presença
a vida pode se ir

a vida pede urgência
faça frio ou calor:
tem seu tempo, negaceia,
resiste, forma bolor

a vida pede urgência
seja o que deus quiser:
se a morte é só insistência
a vida faz o que der


a vida pede urgência
não há ninguém hors-concours:
faz flerte com a demência
sem ar, nem ir, ...or ...er ...ur

a vida pede urgência
tatuando o teatá:
não há caminho suave
outra cartilha não há

a vida pede urgência
no quilombo do jaó:
cochilei no trem de ferro
acordei, era iperó

são paulo, 05.06.2023

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu: de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ...