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sexta-feira, 9 de março de 2018

Nietzsche: Entre amigos — Poslúdio

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[traduzido por Antonio Carlos Braga]

1

É belo calar-se juntos,
Mais belo rir juntos,
Sob a ternura de um céu de seda,
Encostados no musgo da faia,
Rir afetuosamente com amigos, riso claro,
E mostrar-se mutuamente dentes brancos.
Se faço bem, calaremos;
Se faço mal  riremos,
E de mais a mais faremos mal,
Mais mal faremos, mais mal riremos,
Tanto que desceremos ao fosso.
Amigo! Sim! Assim deve ser?
Amém! E até logo!

2

Sem desculpa! Sem recusa!
Concordem, alegres homens livres pelo coração,
Com este livro do absurdo
Ouvido e coração e morada!
Acreditem em mim, meus amigos, não é maldição
Que me deixou assim em meu absurdo!
O que encontro, o que procuro 
Já esteve alguma vez num livro?
Honrem em mim os loucos!
Aprendam deste livro louco
Como a razão evolui  "para o absurdo"!
Meus amigos, assim deve ser?
Amém! E até logo!

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Friedrich Nietzsche

Unter Freunden.

Ein Nachspiel.

1.

Schoen ist's, mit einander schweigen,
Schoener, mit einander lachen, 
Unter seidenem Himmels-Tuche
Hingelehnt zu Moos und Buche
Lieblich laut mit Freunden lachen
Und sich weisse Zaehne zeigen.
Macht' ich's gut, so woll'n wir schweigen;
Macht' ich's schlimm , so woll'n wir lachen
Und es immer schlimmer machen, Schlimmer machen,
schlimmer lachen, Bis wir in die Grube steigen.
Freunde! ja! So soll's geschehn? 
Amen! Und auf Wiedersehn!

2.

Kein Entschuld'gen! Kein Verzeihen!
Goennt ihr Frohen, Herzens-Freien
Diesem unvernuenft'gen Buche
Ohr und Herz und Unterkunft!
Glaubt mir, Freunde, nicht zum Fluche
Ward mir meine Unvernunft!
Was ich finde, was ich suche 
Stand das je in einem Buche?
Ehrt in mir die Narren-Zunft!
Lernt aus diesem Narrenbuche,
Wie Vernunft kommt  "zur Vernunft"!
Also, Freunde, soll's geschehn? 
Amen! Und auf Wiedersehn!
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Humano, Demasiado Humano — Nietzsche, Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal — 42, Tradução de Antonio Carlos Braga, 3ª edição, sem data, Editora Escala, São Paulo — SP; Friedrich Nietzsche (1844  — 1900), nascido em Röcken, Província da Saxônia, Prússia, atual Alemanha, foi filósofo, filólogo, crítico cultural, compositor e poeta; estudou na Universidade de Bonn, transferiu-se para a Universidade de Leipzig e foi professor de Filologia Clássica na Universidade de Basiléia, Suiça; escreveu e publicou O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872), A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (textos que remontam a 1873, publicados postumamente), David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauß. Der Bekenner und der Schriftsteller, 1873), Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches, primeira parte originalmente publicada em 1878 e versão final publicada em 1886), Schopenhauer como Educador (Shopenhauer als Erzieher, 1874), Richard Wagner em Bayreuth (1876), Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (1881), A Gaia Ciência (Die fröliche Wissenschaft, 1882), Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also sprach Zarathustra, 1883 —  1885), Além do Bem e do Mal, Prelúdio para uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse, 1886), Genealogia da Moral, uma Polêmica  (Zur Genealogie der Moral, 1887), O Crepúsculo dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen Dämmerung, 1888), O Caso Wagner, um Problema para Músicos (1888), O Anticristo  Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist, 1888), Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, 1888) e outros títulos; Nietzsche tem suas obras editadas, reeditadas e traduzidas pelo mundo afora; o pensador tem sido rotineiramente estudado nos cursos de Filosofia.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Nietzsche: A Gaia Ciência, Convite, O desdenhoso, etecétera . . .

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[traduzido por Antonio Carlos Braga]

A Gaia Ciência

Moro em minha própria casa,
Nunca imitei ninguém,
E rio de todos os mestres
Que nunca riram de si

[Escrito em cima de minha porta]

Brincadeira, astúcia e vingança

Prelúdio em rimas alemãs

 Convite

Experimentem, pois, minhas iguarias, comilões!
Amanhã haverão de achá-las bem melhores,
E excelentes depois de amanhã!
Se quiserem mais  pois bem, minhas sete coisas antigas
Me darão coragem para fazer sete novas.

 Intrépido

Onde quer que estejas,
cava profundamente;
A teus pés está a nascente.
Deixa os obscurantistas gritar:
Embaixo está sempre — o inferno!

 Sabedoria do mundo

Não fiques embaixo
Não subas muito alto
O mundo é sempre mais belo
Visto à meia altura.

 Vademecum  Vadetecum *

Meu porte e meus discursos te atraem,
Tu me segues, me segues passo a passo?
Segue-te a ti mesmo fielmente:
 E assim me seguirás!  Suavemente, muito suavemente!

10  O desdenhoso

Como ando semeando ao acaso
Me tratam de desdenhoso.
Aquele que bebe em copos muito cheios
Os deixa transbordar ao acaso 
Não continuem a pensar mal do vinho.

11  A palavra do provérbio

Severo e suave, grosseiro e fino,
Familiar e estranho, sujo e puro,
Lugar de encontro dos loucos e dos sábios:
Eu sou, quero ser tudo isso,
Ao mesmo tempo pomba, serpente e porco.

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Friedrich Nietzsche

La Gaya Scienza **

Ich wohne in meinem eigenen Haus,
Hab Niemandem nie nichts nachgemacht
Und  lachte noch jeden Meister aus,
Der nicht sich selber ausgelacht.

[Ueber meiner Hausthür]

Scherz, List und Rache

Vorspiel in deutschen Reimen

1 Einladung

Wagt's mit meiner Kost, ihr Esser!
Morgen schmeckt sie euch schon besser
Und schon übermorgen gut!
Wollt ihr dann noch mehr,  so Machen
Meine alten sieben Sachen
Mir zu sieben neuen Muth.

3 Unverzagt

Wo du stehst, grab tief hinein!
Drunten ist die Quelle!
Lass die dunklen Männer schrein:
“Stets ist drunten  Hölle!”

6 Welt-Klugheit

Bleib nicht auf ebnem Feld!
Steig nicht zu hoch hinaus!
Am schönsten sieht die Welt
Von halber Höhe aus.

7 Vademecum  Vadetecum

Es lockt dich meine Art und Sprach,
Du folgest mir, du gehst mir nach?
Geh nur dir selber treulich nach: 
So folgst du mir  gemach! gemach!

10 Der Verächter

Vieles lass ich fall’n und rollen,
Und ihr nennt mich drum Verächter.
Wer da trinkt aus allzuvollen
Bechern, lässt viel fall'n und rollen ,
Denkt vom Weine drum nicht schlechter.

11 Das Sprüchwort spricht

Scharf und milde, grob und fein,
Vertraut und seltsam, schmutzig und rein,
Der Narren und Weisen Stelldichein:
Diess Alles bin ich, will ich sein,
Taube zugleich, Schlange und Schwein!


Nota da TraduçãoVademecum é um termo latino que designa um guia, um manual, composto claramente da expressão vade mecum que quer dizer vem comigo; Nietzsche faz com ele um jogo de palavras e inventa vadetecum, composto de vade tecum, que significa vai contigo.
** Nota da Edição: Este subtítulo “La gaya scienza” (em provençal) só apareceu na capa da segunda edição de 1887. Entretanto, esta expressão já constava num fragmento de 1882 e servia de título a uma lista de trovadores provençais e a suas canções. Esta é uma das razões pelas quais sempre se traduziu Die fröliche Wissenschaft como A gaia ciência, pois poderia ser traduzido igualmente como O alegre saber, O feliz saber, A alegre ciência.
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A Gaia Ciência — Nietzsche, Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal — 45, Tradução de Antonio Carlos Braga, 2ª edição, 2008, Editora Escala, São Paulo — SP; Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 — 1900),  nascido em Röcken, Província da Saxônia, Prússia, atual Alemanha,  foi filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor; estudou na Universidade de Bonn, transferiu-se para a Universidade de Leipzig e foi professor de Filologia Clássica na Universidade de Basiléia, Suiça; escreveu e publicou O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872), A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (textos que remontam a 1873, publicados postumamente), David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauß. Der Bekenner und der Schriftsteller, 1873),  Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches, primeira parte originalmente publicada em 1878 e versão final publicada em 1886), Schopenhauer como Educador (Shopenhauer als Erzieher, 1874), Richard Wagner em Bayreuth (1876), Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (1881), A Gaia Ciência (Die fröliche Wissenschaft, 1882), Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also sprach Zarathustra, 1883  1885), Além do Bem e do Mal, Prelúdio para uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse, 1886), Genealogia da Moral, uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral, 1887), O Crepúsculo dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen Dämmerung, 1888), O Caso Wagner, um Problema para Músicos (1888), O Anticristo  Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist, 1888), Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, 1888) e outros títulos; Nietzsche tem suas obras editadas, reeditadas e traduzidas pelo mundo afora; o pensador tem sido rotineiramente estudado nos cursos de Filosofia.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Nietzsche: Para os dançarinos, Contra a vaidade, Minha dureza, etécetera . . .

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[traduzido por Antonio Carlos Braga]

Brincadeira, astúcia e vingança — Prelúdio em rimas alemãs

12  A um amigo da luz

Se não quiseres que teus olhos e teus sentido se enfraqueçam
Corre atrás do sol  à sombra.

13  Para os dançarinos

Gelo liso,
Um paraíso,
Para quem sabe dançar bem.

15  Ferrugem

Necessitas também de ferrugem: ser cortante não basta!
Senão dirão sempre de ti:
É muito jovem!

18  Almas pequenas

Odeio as almas pequenas:
Não têm nada de bom e quase nada de mau.

21  Contra a vaidade

Não te infles, caso contrário,
A menor picada te fará explodir.

23  Interpretação

Se vejo claro em mim,
Eu me envolvo em mim mesmo,
Não posso ser meu próprio intérprete.
Mas aquele que se eleva sobre seu próprio caminho
Leva com ele minha imagem à luz.

24  Remédio para o pessimista

Tu te queixas porque não encontras nada a teu gosto?
Então, são sempre teus velhos caprichos?
Ouço-te praguejar, gritar, escarrar 
Perco a paciência, meu coração se despedaça.
Ouve, meu amigo, decide-te livremente,
A engolir um pequeno sapo gordo,
Depressa e sem querer olhar para ele! 
É remédio soberano contra a dispepsia.

26  Minha dureza

Devo subir mais de cem degraus
Devo subir, eu os ouço dizer:
És duro! Será que somos de pedra então?” 
Preciso subir mais de cem degraus,
E ninguém quer servir de degrau.

27  O viajante

“Acabou o atalho! Abismo em volta e silêncio de morte!”
Assim o quiseste! Por que deixaste o atalho?
Atrevido! É o momento! O olhar frio e claro!
Estás perdido se acreditar no perigo.

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"Scherz, List und Rache" — Vorspiel in deutschen Reimen

12 An einen Lichtfreund

Willst du nicht Aug' und Sinn ermatten,
Lauf' auch der Sonne nach im Schatten!

13 Für Tänzer

Glattes Eis
Ein Paradeis
Für Den, der gut zu tanzen weiss.

15 Rost

Auch Rost thut Noth: Scharfsein ist nicht genung!
Sonst sagt man stets von dir: "er ist zu jung!"

18 Schmale Seelen

Schmale Seelen sind mir verhasst;
Da steht nichts Gutes, nichts Böses fast.

21 Gegen die Hoffahrt

Blas dich nicht auf: sonst bringet dich
Zum Platzen schon ein kleiner Stich.

23 Interpretation

Leg ich mich aus, so leg ich mich hinein:
Ich kann nicht selbst mein Interprete sein.
Doch wer nur steigt auf seiner eignen Bahn,
Trägt auch mein Bild zu hellerm Licht hinan.

24 Pessimisten-Arznei

Du klagst, dass Nichts dir schmackhaft sei?
Noch immer, Freund, die alten Mucken?
Ich hör dich lästern, lärmen, spucken 
Geduld und Herz bricht mir dabei.
Folg mir, mein Freund! Entschliess dich frei,
Ein fettes Krötchen zu verschlucken,
Geschwind und ohne hinzugucken! 
Das hilft dir von der Dyspepsei!

26 Meine Härte

Ich muss weg über hundert Stufen,
Ich muss empor und hör euch rufen:
"Hart bist du; Sind wir denn von Stein?" 
Ich muss weg über hundert Stufen,
Und Niemand möchte Stufe sein.

27 Der Wanderer

"Kein Pfad mehr" Abgrund rings und Todtenstille!" 
So wolltest du's! Vom Pfade wich dein Wille!
Nun, Wandrer, gilt's! Nun blicke kalt und klar!
Verloren bist du, glaubst du  an Gefahr.
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A Gaia Ciência — Nietzsche, Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal — 45, Tradução de Antonio Carlos Braga, 2ª edição, 2008, Editora Escala, São Paulo — SP; Friedrich  Wilhelm  Nietzsche (1844  —  1900), nascido em Röcken, Província da Saxônia, Prússia, atual Alemanha, foi filósofo, filólogo, crítico cultural, compositor e poeta; estudou na Universidade de Bonn, transferiu-se para a Universidade de Leipzig e foi professor de Filologia Clássica na Universidade de Basiléia, Suiça; escreveu e publicou O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872), A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (textos que remontam a 1873, publicados postumamente), David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauß. Der Bekenner und der Schriftsteller, 1873), Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches, primeira parte originalmente publicada em 1878 e versão final publicada em 1886), Schopenhauer como Educador (Shopenhauer als Erzieher, 1874), Richard Wagner em Bayreuth (1876), Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (1881), A Gaia Ciência (Die fröliche Wissenschaft, 1882), Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also sprach Zarathustra, 1883  1885), Além do Bem e do Mal, Prelúdio para uma Filosofia do Futuro  (Jenseits von Gut und Böse, 1886), Genealogia da Moral, uma Polêmica  (Zur Genealogie der Moral, 1887), O Crepúsculo dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen Dämmerung, 1888), O Caso Wagner, um Problema para Músicos (1888), O Anticristo  Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist, 1888), Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, 1888) e outros títulos; Nietzsche tem suas obras editadas, reeditadas e traduzidas pelo mundo afora; o pensador tem sido rotineiramente estudado nos cursos de Filosofia.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Nietzsche: Um louco em desespero

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[traduzido por Antonio Carlos Braga]

Canções do príncipe livre como um pássaro *

Um louco em desespero

Ai de mim! O que escrevi na mesa e na parede,
Com meu coração de louco, com minha mão de louco,
Devia decorar para mim mesa e parede?...

Mas  vocês dizem: "As mãos de louco rabiscam,
É preciso limpar a mesa e a parede
Até que o último traço tenha desaparecido!"

Permitam! Vou dar-lhes uma pequena mão 
Aprendi a utilizar a esponja e a vassoura,
Como crítico e como homem de trabalho.

Mas quando o trabalho estiver findo,
Gostarei muito de vê-los, supersábios que vocês são,
Mesa e parede de sua sabedoria, sujas...

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Friedrich Nietzsche

Anhang
Lieder des Prinzen Vogelfrei

Narr in Verzweiflung

Ach! Was ich schrieb auf Tisch und Wand
Mit Narrenherz und Narrenhand,
Das sollte Tisch und Wand mir zieren?...

Doch ihr sagt: “Narrenhände schmieren, 
Und Tisch und Wand soll man purgieren,
Bis auch die letzte Spur verschwand!”

Erlaubt! Ich lege Hand mit an ,
Ich lernte Schwamm und Besen führen,
Als Kritiker, als Wassermann.

Doch, wenn die Arbeit abgethan,
Säh’ gern ich euch, ihr Ueberweisen,
Mit Weisheit Tisch und Wand besch...


* Nota do Tradutor: O termo alemão do texto original “vogelfrei” significa também, no sentido figurado, “fora da lei”.
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A Gaia Ciência — Nietzsche, Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal — 45, Tradução de Antonio Carlos Braga, 2ª edição, 2008, Editora Escala, São Paulo — SP; Friedrich Nietzsche (1844 1900), nascido em Röcken, Província da Saxônia, Prússia, atual Alemanha, foi filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor; estudou na Universidade de Bonn, transferiu-se para a Universidade de Leipzig e foi professor de Filologia Clássica na Universidade de Basiléia, Suiça; escreveu e publicou O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872), A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (textos que remontam a 1873, publicados postumamente), David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauß. Der Bekenner und der Schriftsteller, 1873),  Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches, primeira parte originalmente publicada em 1878 e versão final publicada em 1886), Schopenhauer como Educador (Shopenhauer als Erzieher, 1874), Richard Wagner em Bayreuth (1876), Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (1881), A Gaia Ciência (Die fröliche Wissenschaft, 1882), Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also sprach Zarathustra, 1883  1885), Além do Bem e do Mal, Prelúdio para uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse, 1886), Genealogia da Moral, uma Polêmica  (Zur Genealogie der Moral, 1887), O Crepúsculo dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen Dämmerung, 1888), O Caso Wagner, um Problema para Músicos (1888), O Anticristo — Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist, 1888), Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, 1888) e outros títulos; Nietzsche tem suas obras editadas, reeditadas e traduzidas pelo mundo afora; o pensador tem sido rotineiramente estudado nos cursos de Filosofia.