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[traduzido por Antonio Carlos Braga]
1
É belo calar-se juntos,
Mais belo rir juntos,
Sob a ternura de um céu de seda,
Encostados no musgo da faia,
Rir afetuosamente com amigos, riso claro,
E mostrar-se mutuamente dentes brancos.
Se faço bem, calaremos;
Se faço mal — riremos,
E de mais a mais faremos mal,
Mais mal faremos, mais mal riremos,
Tanto que desceremos ao fosso.
Amigo! Sim! Assim deve ser?
Amém! E até logo!
2
Sem desculpa! Sem recusa!
Concordem, alegres homens livres pelo coração,
Com este livro do absurdo
Ouvido e coração e morada!
Acreditem em mim, meus amigos, não é maldição
Que me deixou assim em meu absurdo!
O que encontro, o que procuro —
Já esteve alguma vez num livro?
Honrem em mim os loucos!
Aprendam deste livro louco
Como a razão evolui — "para o absurdo"!
Meus amigos, assim deve ser?
Amém! E até logo!
| Friedrich Nietzsche |
Unter Freunden.
Ein Nachspiel.
1.
Schoen ist's, mit einander
schweigen,
Schoener, mit einander lachen, —
Unter seidenem Himmels-Tuche
Hingelehnt zu Moos und Buche
Lieblich laut mit Freunden lachen
Und sich weisse Zaehne zeigen.
Macht' ich's gut, so woll'n wir
schweigen;
Macht' ich's schlimm —, so woll'n
wir lachen
Und es immer schlimmer machen, Schlimmer
machen,
schlimmer lachen, Bis wir in die
Grube steigen.
Freunde! ja! So soll's geschehn? —
Amen! Und auf Wiedersehn!
2.
Kein Entschuld'gen! Kein Verzeihen!
Goennt ihr Frohen, Herzens-Freien
Diesem unvernuenft'gen Buche
Ohr und Herz und Unterkunft!
Glaubt mir, Freunde, nicht zum
Fluche
Ward mir meine Unvernunft!
Was ich finde, was ich suche —
Stand das je in einem Buche?
Ehrt in mir die Narren-Zunft!
Lernt aus diesem Narrenbuche,
Wie Vernunft kommt — "zur
Vernunft"!
Also, Freunde, soll's geschehn? —
Amen! Und auf Wiedersehn!
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Humano, Demasiado Humano — Nietzsche, Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal — 42, Tradução de Antonio Carlos Braga, 3ª edição, sem data, Editora Escala, São Paulo — SP; Friedrich Nietzsche (1844 — 1900), nascido em Röcken, Província da Saxônia, Prússia, atual Alemanha, foi filósofo, filólogo, crítico cultural, compositor e poeta; estudou na Universidade de Bonn, transferiu-se para a Universidade de Leipzig e foi professor de Filologia Clássica na Universidade de Basiléia, Suiça; escreveu e publicou O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872), A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (textos que remontam a 1873, publicados postumamente), David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauß. Der Bekenner und der Schriftsteller, 1873), Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches, primeira parte originalmente publicada em 1878 e versão final publicada em 1886), Schopenhauer como Educador (Shopenhauer als Erzieher, 1874), Richard Wagner em Bayreuth (1876), Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (1881), A Gaia Ciência (Die fröliche Wissenschaft, 1882), Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also sprach Zarathustra, 1883 — 1885), Além do Bem e do Mal, Prelúdio para uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse, 1886), Genealogia da Moral, uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral, 1887), O Crepúsculo dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen Dämmerung, 1888), O Caso Wagner, um Problema para Músicos (1888), O Anticristo — Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist, 1888), Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, 1888) e outros títulos; Nietzsche tem suas obras editadas, reeditadas e traduzidas pelo mundo afora; o pensador tem sido rotineiramente estudado nos cursos de Filosofia.


