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[traduzido por Júlio Maciel]
A dois cortejos se abre a igreja. Um em sombria
tristeza vem: — conduz de um anjo o esquife estreito;
segue-o aflita mulher, e quase tresvaria,
os prantos a afogar no escandecido peito.
É o outro um batizado: — e na faixa macia
se agita o pequenito; a mãe, com mimo e jeito,
dá-lhe o inefável seio e o afaga e acaricia
e o abraça, a rir, radioso o gesto, em triunfo o aspeito.
Do templo, batizado e enterro vão-se embora.
Súbito, as duas mães se encontram... Nesse instante,
uma, furtivo olhar, no olhar da outra demora.
E — dolorosa cena, ó lance edificante!
A jovem mãe que ria, ao ver o esquife, chora,
e a que chorava ri, ao contemplar o infante!
Les
deux cortèges
Deux cortèges se sont
rencontrés à l’église.
L’un est morne: — il conduit le cercueil d’un
enfant;
Une femme le suit, presque
folle, étouffant
Dans sa poitrine en feu le
sanglot que la brise.
L’autre, c’est un baptême!: — au bras que le défend
Un nourrissson gazouille une
note indécise;
Sa mère, lui tendant le dux sein
qu’il épuise,
L’embrasse tout entier d’un regard
triomphánt!
On baptise, on absuot, et le
temple se vide.
Les deux femmes, alors, se
croisent sous l’abside,
Échangent um coup d’oeil
aussitôt détourné;
Et — merveilleux retour qu’inspire la prière —
La jeune mère pleure e
regardant la bière,
La femme qui pleurait sourit
au nouveau-né!
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O Mundo Maravilhoso do Soneto,
de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho,
1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Joséphin Soulary ou Joseph
Marie Soulary (1815 — 1891), francês de Lyon, foi um escritor e poeta francês; rejeitado
pelos pais, teve uma infância difícil, aos dezesseis anos alistou-se num regimento,
depois, acolhido por Hippolyte-Paul Jaÿr, então prefeito de Lyon e que apreciava
suas poesias, tornou-se funcionário da prefeitura e seguiu dupla carreira: a administrativa
— gerente de escritório e, depois, bibliotecário no Palais de Arts de Lyon — e a
literária; de seus traços bibliográficos, é tido que seus sonetos humorísticos
atraiam a atenção e encantavam os leitores; tinha o pleno domínio das técnicas
poéticas, particularmente das do soneto; suas obras: À travers champs (1837),
Les Cinq cordes du luth (1838), Les Éphéméres (deux séries, 1846 et 1857),
Sonnets humouristiques (1862), Les Figulines (1862), Pendant l’invasion (1871),
Les Rimes ironiques (1877), Jeus divins (1882), e duas comédias; suas obras
poéticas foram reunidas em 3 volumes (1872—1883).