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quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Joséphin Soulary: Os dois Cortejos


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[traduzido por Júlio Maciel]

A dois cortejos se abre a igreja. Um em sombria
tristeza vem: conduz de um anjo o esquife estreito;
segue-o aflita mulher, e quase tresvaria,
os prantos a afogar no escandecido peito.

É o outro um batizado: e na faixa macia
se agita o pequenito; a mãe, com mimo e jeito,
dá-lhe o inefável seio e o afaga e acaricia
e o abraça, a rir, radioso o gesto, em triunfo o aspeito.

Do templo, batizado e enterro vão-se embora.
Súbito, as duas mães se encontram... Nesse instante,
uma, furtivo olhar, no olhar da outra demora.

E dolorosa cena, ó lance edificante!
A jovem mãe que ria, ao ver o esquife, chora,
e a que chorava ri, ao contemplar o infante!

Joséphin Soulary

Les deux cortèges

Deux cortèges se sont rencontrés à l’église.
L’un est morne: il conduit le cercueil d’un enfant;
Une femme le suit, presque folle, étouffant
Dans sa poitrine en feu le sanglot que la brise.

L’autre, c’est un baptême!: au bras que le défend
Un nourrissson gazouille une note indécise;
Sa mère, lui tendant le dux sein qu’il épuise,
L’embrasse tout entier d’un regard triomphánt!

On baptise, on absuot, et le temple se vide.
Les deux femmes, alors, se croisent sous l’abside,
Échangent um coup d’oeil aussitôt détourné;

Et merveilleux retour qu’inspire la prière
La jeune mère pleure e regardant la bière,
La femme qui pleurait sourit au nouveau-né!
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Joséphin Soulary ou Joseph Marie Soulary (1815 1891), francês de Lyon, foi um escritor e poeta francês; rejeitado pelos pais, teve uma infância difícil, aos dezesseis anos alistou-se num regimento, depois, acolhido por Hippolyte-Paul Jaÿr, então prefeito de Lyon e que apreciava suas poesias, tornou-se funcionário da prefeitura e seguiu dupla carreira: a administrativa gerente de escritório e, depois, bibliotecário no Palais de Arts de Lyon e a literária; de seus traços bibliográficos, é tido que seus sonetos humorísticos atraiam a atenção e encantavam os leitores; tinha o pleno domínio das técnicas poéticas, particularmente das do soneto; suas obras: À travers champs (1837), Les Cinq cordes du luth (1838), Les Éphéméres (deux séries, 1846 et 1857), Sonnets humouristiques (1862), Les Figulines (1862), Pendant l’invasion (1871), Les Rimes ironiques (1877), Jeus divins (1882), e duas comédias; suas obras poéticas foram reunidas em 3 volumes (1872—1883).