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sábado, 6 de fevereiro de 2021

Xavier de Carvalho: Para trás

 
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Quando um dia eu parti de alegre Ermida
Das minhas puras ilusões da Infância,
Essa alma toda a transpirar fragrância
Nem pressentiu os transes da partida...

Andei... Um dia, a estremecer com ânsia,
Pondo os olhos na estrada percorrida,
Vi meus Sonhos caindo de vencida
Apagados nas brumas da distância...

E eu quis ir para trás, num doudo assomo...
Oh! mas toda a extensão da estrada incalma
Vi-a entulhada por montões de escombros...

 Queres voltar, meu coração, mas como?
Se tens tantos Vesúvios dentro d’alma
E um milhão de Termópilas nos ombros?

(Missas Negras)

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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 1, (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 2ª edição, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Inácio Xavier de Carvalho (1872 1944), maranhense de São Luís, formado em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito do Recife, foi juiz, promotor público, jornalista, professor e poeta; lecionou no Liceu Maranhense, fez parte do movimento literário de sua terra natal, liderado pela ‘Oficina dos Novos’ e deixou numerosa colaboração esparsa em jornais do Maranhão, Pará e Amazonas; bibliografia: Frutos Selvagens — 1892-1894 (Maranhão, 1894), Missas Negras (Manaus, 1902), Parábolas, Caixa de Fósforos (versos satíricos); foi membro das Academias Maranhense e Paraense de Letras.