____________________
Quando um dia eu parti de alegre Ermida
Das minhas puras ilusões da Infância,
Essa alma toda a transpirar fragrância
Nem pressentiu os transes da partida...
Andei... Um dia, a estremecer com ânsia,
Pondo os olhos na estrada percorrida,
Vi meus Sonhos caindo de vencida
Apagados nas brumas da distância...
E eu quis ir para trás, num doudo assomo...
Oh! mas toda a extensão da estrada incalma
Vi-a entulhada por montões de escombros...
— Queres voltar, meu coração, mas como?
Se tens tantos Vesúvios dentro d’alma
E um milhão de Termópilas nos ombros?
(Missas Negras)
Panorama do Movimento Simbolista
Brasileiro — Volume 1, (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio,
Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 2ª edição, 1973, Ministério
de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Inácio Xavier
de Carvalho (1872 — 1944), maranhense de São Luís, formado em Ciências Jurídicas
e Sociais na Faculdade de Direito do Recife, foi juiz, promotor público, jornalista,
professor e poeta; lecionou no Liceu Maranhense, fez parte do movimento literário
de sua terra natal, liderado pela ‘Oficina dos Novos’ e deixou numerosa colaboração
esparsa em jornais do Maranhão, Pará e Amazonas; bibliografia: Frutos Selvagens
— 1892-1894 (Maranhão, 1894), Missas Negras (Manaus, 1902), Parábolas, Caixa de
Fósforos (versos satíricos); foi membro das Academias Maranhense e Paraense de Letras.

