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quarta-feira, 1 de abril de 2026

José Oiticica: Liberdade

 
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Livre! enfim! Infradeus que desperta-se e se move,
Eu revelo! eu desfaço o que eu próprio já fiz.
Tenho lã contra o frio e telha quando chove!
Domo a Terra e serei seu mestre, eu, aprendiz!

Que céus me impedirão que eu mesmo me renove
Se eu sou meu bom pastor e meu melhor juiz?
Sou três multiplicado, o convergente nove,
O oculto missionário e o previsto Amadis.

Sei abrir meu caminho e desviar águas turvas...
Muro as alas centrais: desenho novas curvas;
Destruo altares vãos: ergo outro Templo e um deus!

Tenho a chave dos sóis, sou regente da Chama;
Faço da Via Látea a minha alta oriflama...
Que as estrelas do céu são todas versos meus.

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José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor, poeta, militante e ativista do anarquismo; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, da revista A Vida e do jornal Na Barricada; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

José Oiticica: O Pranto

 
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Depois do meu sorriso de rancor,
Mirei de novo o mundo hirto e mecânico,
E vi quanto era múltiplo e inferior
O ergo dos sóis e o meu substrato orgânico.

O lodo, o verme, a sânie, o ódio, o estertor,
A poeira inerte, os trismos do meu pânico,
Tudo era dor, e a Vida a maior dor...
Se há Deus, o Deus que existe, é um deus tirânico!

E, vendo o iníquo em tudo e em nada o bem,
Chorei de pena ante o Destino unívoco,
E ele me disse:  “Eleva-te ao desdém!”

Meditei nessa frase elementar...
E compreendi quanto há de engano e equívoco
No efêmero consolo de chorar.

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José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor, poeta, militante e ativista do anarquismo; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, da revista A Vida e do jornal Na Barricada; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

José Oiticica: O Rei

 
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Deixei as mutações do irreal, precário,
Pela real construção, a minha, a só.
Em mim, achei missões de solitário
E vi quão pobre espírito foi Job.

Essas irisações do sempre vário
Desviam-nos do Reino, do sem pó!
Mas, se minha renúncia foi calvário,
Do meu muito penar não tenham dó.

Talhei ampla vereda no sem rumo!
Tudo agora é Consciência e sua lei,
Sou alguém que percebe Ascenso e aprumo!

Tenho algo do que outrora, Adão, tentei:
A sensação do Mais, do só, do Sumo,
De andar pelo Universo, como rei!...

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José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor, poeta, militante e ativista do anarquismo; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, da revista A Vida e do jornal Na Barricada; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

sexta-feira, 11 de julho de 2025

José Oiticica: O Modelo

 
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Se querem que outros creiam, crê primeiro,
Faz-te Boa Nova e acende-a em ti.
Só terás gestos e aura de pioneiro
Se tua alma for surto e frenesi.

Quem deseja arrastar ao seu outeiro
Tribos sem deus precisa ser David,
Ter uma harpa, ter juntas de guerreiro,
Saber cantar e combater por si.

Sê mais tu, mas alguém, sê punho rude,
O sem par, o sozinho, o último, o Herói,
O que põe no melhor toda a virtude.

Torna-te exemplo… o exemplo é que constrói
Finge até que o teu sonho não te ilude
E que a tua amargura não te dói.

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José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor, poeta, militante e ativista do anarquismo; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, da revista A Vida e do jornal Na Barricada; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

José Oiticica: A Escada de Jacob

 
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Eu vi, na Treva, a escada de Jacob...
E, na minha intuição de peregrino,
Percebi eu, o Adão, barro divino,
As excelências todas do meu pó.

Hei de ir, pelos degraus do meu destino.
Do múltiplo à consciência una do Só.
Dentro da ganga dorme o diamantino
E eu sei como desdar o último nó.

Sei como, no meu chão pedregulhento,
Ser anjo e acender asas, ser meu rei,
Dominar com bridões meu pensamento.

Talhar meu bem, meu mal, a minha lei,
E fazer, deste meu deslumbramento,
A vida de esplendor que viverei.


* Nota do blogue Verso e Conversa: referente à ‘escada de Jacó’, tema do soneto oiticicano, o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página transcreve, abaixo, trecho do texto de Maria Aparecida Munhoz de Omena, autora do José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia:
          “No livro denominado Gênesis, há a história de Jacó: filho de Isaac e Rebeca e irmão gêmeo de Esaú. Este, como filho mais velho, tinha o direito de receber a benção e toda a herança do pai, mas seu irmão, Jacó, com a ajuda da mãe, engana o pai cego e recebe em lugar do primogênito a bênção tão esperada. Descoberta a farsa, Jacó foge para Barsabéia e no caminho tem um sonho com uma escada que funciona como elo entre o Céu e a Terra, pois, por meio dela, os anjos sobem e descem, estabelecendo contato entre os dois mundos; na parte superior, a figura de Deus está presente (BÍBLIA Sagrada, [Gênesis], 27, 19, 28, 1, 1966).
          Logo, a escada funciona como uma ponte entre os dois planos. Na passagem bíblica, Deus diz a Jacó que dará a ele e a toda sua descendência a terra onde viverão com prosperidade. No poema, por outro lado, o eu lírico vê, “na Treva, a escada de Jacob...”. O vocábulo Treva está escrito com inicial maiúscula, oferecendo um significado a mais do que simplesmente escuridão; é possível se pensar em Treva também como símbolo de falta de conhecimento, de ignorância, de referência ao inferno.
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José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor, poeta, militante e ativista do anarquismo; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, da revista A Vida e do jornal Na Barricada; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

domingo, 25 de maio de 2025

José Oiticica: A Ave

 
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Eu era a ave saudosa, de asas rijas,
Engaiolada por oculta mão...
Eu, eterno! eu, viajor! “Não! não te aflijas,
Pássaro, hás de deixar teu alçapão!”

E eu fitava a alta linha das cornijas
Onde quisera ter meu ninho, em vão!
“Para possuíres tudo, não exijas;
Cumpre, sem desejar, tua missão.”

Sendo minha missão cantar, eu, a Ave,
Cantei, ao céu mortal e à luz sem cor,
A canção de Solweg  eterna e grave! 

Cantei! E um dia as asas do Voador
Saíram da prisão sem mais entrave...
Cantar é o talismã do Cantador.

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José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor, poeta, militante e ativista do anarquismo; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, da revista A Vida e do jornal Na Barricada; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

sábado, 22 de abril de 2023

José Oiticica: As Sete Portas


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Numa noite sem timbre, de horas mortas
A noite do meu Sono mais sem lume
Eu vi, nas transfixões do meu negrume,
Os fechos de marfim das sete portas.

“Qual é, de vós, a porta do meu nume?”
Clamei, e um grifo azul, de unhas retortas,
Respondeu-me: “Quem és que assim te importas
Com a tua estrada? pensa em ir ao Cume.

Bate e abrir-te-ei!” E eu, com a maciez do susto,
Bati na quarta porta a porta de ouro
E ela abriu-se, rangendo, a muito custo.

E entrei... entrei para este Após medonho
Onde só vejo lá no Sorvedouro,
Um resplendor qualquer que eu chamo Sonho.

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José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor e poeta; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária, através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, e da revista A Vida; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

sábado, 25 de fevereiro de 2023

José Oiticica: O Lidador

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Sou aquele que vai de fronte erguida,
Entre turbas hostis ou indiferentes,
Cheio de bênçãos para os maldizentes,
Certo do que serei na minha vida.

Domador de demônios e serpentes,
Tenho a índole e as manhas do que lida.
Para o arranco final da acometida
Minhas células todas vão contentes.

Tenho alma de guerreiro e missionário,
Mãos de ferro e palavras de evangelho…
Fui herói num passado legendário.

E, Poeta da Anarquia, anjo do povo,
Fecho as portas cardeais do templo velho
E ilumino o altar-mór do templo novo.

(1919)

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José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor e poeta; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária, através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, e da revista A Vida; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

José Oiticica: A Imagem

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Sua imagem me veio de repente!
Meia noite! E esse mar bramindo assim!
E Ela, a morta, a crescer na minha mente
E a reviver sonhos de dois em mim.

Defronte, Adelbaran grita, no poente,
Como Alguém já convicto do seu fim!
Astro! és Chispa do Fogo Onipresente...
E, em tudo, a Voz que vê responde: “Sim!”

A Imagem toma corpo. É o seu semblante,
Vejo-lhe a boca, há luz em seu olhar,
E eu sinto o seu contacto penetrante.

“Sempre teu!”... Ela quer sorrir, falar.
Mas, de real, ouço apenas, ululante,
O vozeirão, monódico, do mar!...

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José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor e poeta; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária, através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, e da revista A Vida; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

José Oiticica: Os Oratórios

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Cada soneto meu é um oratório aceso
Onde queimam quatorze archotes eu em luz
Eu, ardendo de amor e ante o escárnio e o desprezo
Concitando os sem fé à escalada de Elbruz.

Eu ardendo, eu amando, eu, súdito indefeso,
Ofertando-te dons que o meu labor produz,
Projetando halos de ouro em cada réu repeso
E auras de salvação nos paus de cada cruz.

E tu rezando, absorta em mim; e eu a clarear-te
As pupilas, entrando em tua alma, a fulgir,
Remodelando em ti os condões de minha arte...

Antevendo na sombra as criações do porvir
E elevando ao meu deus, como emblema e estandarte,
Os meus braços em chama, a adorar e a servir.

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José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió — AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor e poeta; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária, através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, e da revista A Vida; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

José Oiticica: O Maior Instante


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A voz disse baixinho ao meu ouvido:
"Recorda-te de mim!" e eu vi, sem ver,
Naquele meio-escuro, indefinido,
O vulto da que foi todo o meu ser:

O mar uivava longe o seu gemido
E estava muito longe a Cabra a arder!
Ó tu que amei tão da alma, ente querido,
Fala-me assim, ajuda-me a viver!

E a que se foi, num segredar de amante,
Repetiu-me as palavras memoriais
E encheu-me de sua alma olente e iriante.

Ecoaram ecos de perdidos ais...
Houve um tremor na sombra e, nesse instante,
As nossas almas se adoraram mais.

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José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor e poeta; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária, através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, e da revista A Vida; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

José Oiticica: A Canção


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A serena canção enchia a noite quieta
E fazia vibrar a lâmpada votiva...
E aquela voz me soava a mesma voz dileta
Da que outrora eu supunha eterna sensitiva.

E em mim foi-se compondo outra canção secreta,
A canção esperada, a mais nossa, a mais viva,
A que nunca inventou nenhum músico poeta,
Uma ânsia de reencontro e a mão separativa.

E uma dor nova abriu de novo a antiga chaga
E senti, na canção, certa censura aziaga,
Onde chorasse o adeus definitivo, horrendo!

Mas, nos timbres da noite, a voz se fez mais pura,
Mais dela, mais em nós, mais benção, mais ventura,
Mais nós dois, mais fremir de corações batendo.

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José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor e poeta; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária, através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, e da revista A Vida; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

José Oiticica: A Nova Lei


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Não tenho torvos medos de eremitas,
Nem as amargas dúvidas de Antero,
Nenhum corvo em meu cérebro crocita...
Sei minha trilha e o galardão que espero...

Em mim, estrada real, tudo transita
E eu sou guardião das cousas que venero!
Vivo nas fainas da missão prescrita
E rejeito as bebidas que não quero.

Vim amassar meu pão e observo a conta...
Que trigo e sal já tenho com fartura
E a receita melhor me deram pronta.

Ouço a ronda dos meus batendo à porta...
Eia! Os salmos mais santos da escritura
São, para os meus segredos, letra morta!

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José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor e poeta; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária, através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, e da revista A Vida; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.