Mostrando postagens com marcador Gastón Figuera. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gastón Figuera. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Carlos Drummond de Andrade: No Meio do Caminho [a pedra rolando pelo mundo afora] — II

 
____________________
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Alguma Poesia (1930)

__________
[traduções para os idiomas castelhano, italiano e francês]

EN MEDIO DEL CAMINO

En medio del camino había una piedra,
había una piedra en medio del camino,
había una piedra,
en medio del camino habia una piedra.

Nunca me olvidaré de ese acontecimiento
en la vida de mis retinas tan fatigadas.
Nunca me olvidaré que en medio del camino
había una piedra,
había una piedra en medio del camino
en medio del camino había una piedra.

(Gastón Figuera, In Poesía brasileña contemporânea:
Montevidéu, Instituto de Cultura Uruguayo-Brasileño, 1947, p. 43.)
__________
NEL MEZZO DEL CAMMINO

Nel mezzo del cammino c'era un sasso
c'era un sasso nel mezzo del cammino
c'era un sasso
nel mezzo del cammino c'era un sasso.

Non dimenticherò questa cosa accaduta
nella vita dei miei occhi così stanchi.
Non dimenticherò mai che nel mezzo del cammino
c'era un sasso
c'era un sasso nel mezzo del cammino
nel mezzo del cammino c'era un sasso.

(Ruggero Jacobbi, Lirici brasiliani dal modernismo
ad oggi,  Milão, Silva Editore, 1960, p. 89.)
__________
AU MILIEU DE LA ROUTE

Au milieu de la route il y avait une pierre
il y avait une pierre au milieu de la route
il y avait une pierre
au milieu de la route il y avait une pierre

Jamais je n'oublierai cet événement
dans  la vie de m on regard si las
Jamais je n'oublierai qu’au milieu de la route
il y avait une pierre
il y avait une pierre au milieu de la route
au milieu de la route il y avait une pierre.

Michel Simon, O Cruzeiro, Rio de Janeiro,
01.02.1958. Texto refundido pelo tradutor.
____________________
Uma Pedra No Meio Do Caminho — Biografia De Um Poema, Seleção e Montagem de Carlos Drummond de Andrade, edição ampliada, Organização, Pesquisa, Apresentação e Notas de Eucanaã Ferraz, 2010, Instituto Moreira Salles, São Paulo — SP; Carlos Drummond de Andrade (1902 1987), mineiro de Itabira, poeta, contista e cronista, viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso e prosa, publicadas em livros, jornais e revistas, pelo país afora e no resto do mundo; bibliografia: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940); José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945); Novos Poemas; Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952); Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira, crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo; Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967); Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão, crônicas (1970); O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo — Boitempo II (1973); De Notícias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974); Discurso de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis (1981); Boca de Luar, crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985); O Avesso das Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e outros textos...