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Leio-te: e a triste e máscula
poesia
Que dos teus lábios flui,
dolente e forte,
Enche a minha alma de
melancolia.
Como tu, nada vejo além da
morte
No tormentoso pélago da vida
Que a uma plaga serena nos
transporte.
Volvo, contigo, a vista
entristecida
Ao silencioso pó da morta
idade,
Que o mundo enchia de rumor e
lida.
Punge-me a dor, lacera-me a
saudade,
Quando cantas a doce e breve hora
Das ilusões da curta mocidade.
Sofres? Também minha alma
sofre e chora:
Prélios inúteis, ilusões
desfeitas,
Toda a miséria do viver
deplora.
Quanta amargura nesse olhar
que deitas
Às glórias vãs ao amor, que agita
e passa,
E às almas, todas ao sofrer
sujeitas!
Bebo também do tédio a amara
taça,
E sinto, quando a tua angústia
leio,
Que esse teu coração, que a
dor enlaça,
É o coração que pulsa-me no seio.
[revista A Mensageira, de 15
de Abril de 1898,
Ano I, nº 13, São Paulo — SP]
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A Mensageira — Revista Literária
dedicada à mulher brasileira, Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900),
Edição fac-similar, Volume I, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika
Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; da vida
da poetisa e cronista Maria Júlia Cortines Laxe (1863 — 1948), fluminense de Rio
Bonito, apesar de sua longevidade, pouco se sabe: de sua avó recebeu “instrução
elementar”, prosseguiu seus estudos em Niterói e, autodidata, adquiriu formação
literária e pedagógica; portas foram abertas para que ela atuasse no
magistério, é o que se supõe; colaborou com as revistas A Semana e A
Mensageira, redigiu para o jornal O País, no qual manteve a coluna “Através da
Vida”; no início do século XX, no meio literário brasileiro, foi considerada uma
das "três Júlias" mais famosas da época (as outras foram Francisca Júlia,
também poetisa, e Júlia Lopes de Almeida, romancista); escreveu seus primeiros
versos aos 13 anos, e aos 21 já colaborava em periódicos da Corte Imperial; deixou-nos
como legado Versos (1894) e Vibrações (1905), ambos de poesia; ”praticamente
esquecida em nossos dias”, em 2010 a Academia Brasileira de Letras publicou o
volume Versos & Vibrações de Júlia Cortines e mais três poemas inéditos,
“Coleção Austregésilo de Athayde, nº 32”, com apresentação/estudo,
Descortinando Júlia, de Gilberto Araújo e o texto A poesia esquecida de Júlia
Cortines, de Fausto Cunha; no Rio de Janeiro existe uma rua com seu nome, além
de também ter o nome emprestado a escolas e logradouros de outras cidades (Rua
Júlia Cortines, em São Paulo, Escola Municipal Julia Cortines, em Niterói...).











