
____________________
Esta particular filosofia,
que em tudo me faz ver a cova aberta,
trazendo os meus Sentidos sempre alerta
na ingrata previsão do Último Dia;
esta peculiar hipocondria
aos que têm sempre a Vida erma e deserta
é-me guarda e broquel... e me acoberta
dos males que esta idéia aos mais traria...
morrer é renascer... é recompor
novo Ser que virá à Luz da Vida
varando de uma cova os sete pés!
meu sistema ideal, consolador,
resume-se na frase definida:
Memento, homo, quia pulvis es!

____________________
Honório Armond — O Príncipe dos
Poetas Mineiros, Organizado por Zenaide Vieira Maia, 2007, Gráfica e
Editora Cidade de Barbacena, Barbacena — MG; Honório Armond (1891 — 1958), mineiro
de Barbacena, foi professor e poeta bilíngue; lecionou Português e teve seus
poemas registrados em periódicos mineiros, cariocas e paulistas; escreveu e
publicou Ignotae Deae (1917), Perante o Além (1921), Les
Voix e Les Bonheurs (1932); escrevia seus poemas ora em português,
ora em francês; em 1927, com o patrocínio do jornal Diário de Minas, foi
eleito 'Príncipe dos Poetas Mineiros', em concurso realizado por jovens
modernistas mineiros liderados por Carlos Drummond de Andrade; seus poemas,
dispersos em jornais, revistas e arquivos literários (jornais Cidade de
Barbacena e Diário de Minas, revistas Acaiaca, Radium e Revista da Academia Mineira de
Letras, Arquivo de Guimarães Rosa, entre outros periódicos) foram reunidos
e ganharam uma nova edição em Poesia Completa de Honório Armond (2011); pertenceu
à Academia Mineira de Letras.
