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terça-feira, 20 de junho de 2023

Nietzsche: Quem acreditou ter entendido algo de mim, havia ajustado algo de mim á sua imagem — . . . & outros aforismos


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[traduzido por Rubens Rodrigues Torres Filho]

Não sou, por exemplo, nenhum bicho-papão, nenhum monstro de moral sou até mesmo uma natureza oposta à espécie de homem que até agora se venerou como virtuosa. Entre nós, parece-me que precisamente isso faz parte de meu orgulho. Sou um discípulo do filósofo Diónysos, preferiria antes ser um sátiro do que um santo. [ . . . ] *

[ . . . ] Para aquilo a que não se tem acesso por vivência, não se tem ouvido. [ . . . ] **

[ . . . ] Quem acreditou ter entendido algo de mim, havia ajustado algo de mim à sua imagem não raro um oposto de mim, por exemplo, um “idealista”; quem não entendeu nada de mim, negava que eu em geral entrasse em consideração. [ . . . ] ***

Nietzsche

Ich bin zum Beispiel durchaus kein Popanz, kein Moral-Ungeheuer ich bin sogar eine Gegensatz-Natur zu der Art Mensch, die man bisher als tugendhaft verehrt hat. Unter uns, es scheint mir, daß gerade das zu meinem Stolz gehört. Ich bin ein Jünger des Philosophen Dionysos, ich zöge vor, eher noch ein Satyr zu sein als ein Heiliger. [ . . . ]

[ . . . ] Wofür man vom Erlebnisse her keinen Zugang hat, dafür hat man kein Ohr. [ . . . ]

[ . . . ] Wer etwas von mir verstanden zu haben glaubte, hatte sich etwas aus mir zurechtgemacht, nach seinem Bilde nicht selten einen Gegensatz von mir, zum Beispiel einen »Idealisten«; wer nichts von mir verstanden hatte, leugnete, daß ich überhaupt in Betracht käme. [ . . . ]

Notas do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: Os aforismos/sentenças ora transcritos, citados pela autora Scarlett Marton em seu ensaio histórico-biográfico Nietzsche — uma Filosofia a marteladas [tópico Introdução, págs. 9 e 10], originalmente constam em Os Pensadores Volume XXXII: Nietzsche — Obras incompletas, tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho, conforme abaixo:
* Os Pensadores XXXII, 1974, Abril Cultural: Ecce homo — como tornar-se o que se é, Prólogo, § 2, pág. 373;
** Os Pensadores XXXII, 1974, Abril Cultural: Ecce homo — como tornar-se o que se é, Por que escrevo livros tão bons, § 1, pág. 383;
*** Idem.
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Nietzsche — uma filosofia a marteladas: Scarlett Marton, Seleção de Textos de Gérard Lebrun,  Introdução e Notas de Scarlett Marton, Tradução das sentenças e aforismos nietzscheanos de Rubens Rodrigues Torres Filho e Scarlett Marton, Coleção Tudo é História nº 133, 1ª reimpressão da 5ª edição, 1999, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 1900), nascido em Röcken, Província da Saxônia, Prússia, atual Alemanha, foi filósofo, filólogo, crítico cultural, professor, poeta e compositor; estudou na Universidade de Bonn, transferiu-se para a Universidade de Leipzig e foi professor de Filologia Clássica na Universidade de Basiléia, Suiça; escreveu e publicou O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872), A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (textos que remontam a 1873, publicados postumamente), David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauß. Der Bekenner und der Schriftsteller, 1873), Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches, primeira parte originalmente publicada em 1878 e versão final publicada em 1886), Schopenhauer como Educador (Shopenhauer als Erzieher, 1874), Richard Wagner em Bayreuth (1876), Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (Morgenröte. Gedanken über die moralischen Vorurteile, 1881), A Gaia Ciência (Die fröliche Wissenschaft, 1882), Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also sprach Zarathustra, 1883 1885), Além do Bem e do Mal, Prelúdio para uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse, 1886), Genealogia da Moral, uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral, 1887), O Crepúsculo dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen Dämmerung, 1888), O Caso Wagner, um Problema para Músicos (1888), O Anticristo — Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist, 1888), Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, 1888) e outros títulos; Nietzsche tem suas obras editadas, reeditadas e traduzidas pelo mundo afora; o pensador tem sido rotineiramente estudado nos cursos de Filosofia.

terça-feira, 16 de maio de 2023

Nietzsche: A crença fundamental dos metafísicos é a crença nas oposições dos valores . . .

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[traduzido por Rubens Rodrigues Torres Filho]

2.
Como poderia algo nascer do seu oposto? Por exemplo, a verdade do erro? Ou a vontade de verdade da vontade de engano? Ou a ação não-egoísta, do egoísmo? Ou a pura, solar contemplação do sábio, da concupiscência? Tal gênese é impossível: quem sonha com ela é um parvo, e mesmo pior que isso: as coisas de supremo valor têm de ter uma outra origem, uma origem própria desse mundo perecível, aliciante, enganoso, mesquinho, desse emaranhado de ilusão e apetite é impossível deduzi-las! Pelo contrário, é no seio do ser, no imperecível, no Deus escondido, na “coisa em si” é ali que tem de estar seu funcionamento, ou em nenhuma outra parte! Esse modo de julgar constitui o típico preconceito pelo qual se reconhecem os metafísicos de todos os tempos; esse modo de estimativas de valor está por trás de todas as suas proceduras lógicas; a partir dessa sua “crença”, eles se atarefam em torno de seu “saber”, em torno de algo que, no final, é solenemente batizado como a “verdade”. A crença fundamental dos metafísicos é a crença nas oposições dos valores. ... *

[Para além de Bem e Mal  prelúdio de uma filosofia do porvir,
capítulo I, Dos preconceitos dos filósofos, § 2]


2
»Wie könnte etwas aus seinem Gegensatz entstehn? Zum Beispiel die Wahrheit aus dem Irrtum? Oder der Wille zur Wahrheit aus dem Willen zur Täuschung? Oder die selbstlose Handlung aus dem Eigennutze? Oder das reine sonnenhafte Schauen des Weisen aus der Begehrlichkeit? Solcherlei Entstehung ist unmöglich; wer davon träumt, ein Narr, ja Schlimmeres; die Dinge höchsten Wertes müssen einen andern, eignen Ursprung haben — aus dieser vergänglichen verführerischen täuschenden geringen Welt, aus diesem Wirrsal von Wahn und Begierde sind sie unableitbar! Vielmehr im Schoße des Seins, im Unvergänglichen, im verborgnen Gotte, im ›Ding an sich‹  da muß ihr Grund liegen, und sonst nirgendswo!« Diese Art zu urteilen macht das typische Vorurteil aus, an dem sich die Metaphysiker aller Zeiten wiedererkennen lassen; diese Art von Wertschätzungen steht im Hintergrunde aller ihrer logischen Prozeduren; aus diesem ihrem »Glauben« heraus bemühn sie sich um ihr »Wissen«, um etwas das feierlich am Ende als »die Wahrheit« getauft wird. Der Grundglaube der Metaphysiker ist der Glaube an die Gegensätze der Werte. ...

[Jenseits von Gut und Böse — Erstes Halptstück.
Von den Vorurteilen der Philosophen]

* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: O texto ora transcrito, citado pela autora Scarlett Marton em seu ensaio histórico-biográfico Nietzsche uma Filosofia a marteladas [tópico Silêncio, Solidão, pág. 68], originalmente consta em Os Pensadores Volume XXXII: Nietzsche Obras incompletas, tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho, 1974, Abril Cultural, pág. 277.
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Nietzsche — uma filosofia a marteladas: Scarlett Marton, Seleção de Textos de Gérard Lebrun,  Introdução e Notas de Scarlett Marton, Tradução das sentenças e aforismos nietzscheanos de Rubens Rodrigues Torres Filho e Scarlett Marton, Coleção Tudo é História nº 133, 1ª reimpressão da 5ª edição, 1999, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 1900), nascido em Röcken, Província da Saxônia, Prússia, atual Alemanha, foi filósofo, filólogo, crítico cultural, professor, poeta e compositor; estudou na Universidade de Bonn, transferiu-se para a Universidade de Leipzig e foi professor de Filologia Clássica na Universidade de Basiléia, Suiça; escreveu e publicou O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik, 1872), A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (textos que remontam a 1873, publicados postumamente), David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauß. Der Bekenner und der Schriftsteller, 1873), Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (Menschliches, Allzumenschliches, primeira parte originalmente publicada em 1878 e versão final publicada em 1886), Schopenhauer como Educador (Shopenhauer als Erzieher, 1874), Richard Wagner em Bayreuth (1876), Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais (Morgenröte. Gedanken über die moralischen Vorurteile, 1881), A Gaia Ciência (Die fröliche Wissenschaft, 1882), Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém (Also sprach Zarathustra, 1883 1885), Além do Bem e do Mal, Prelúdio para uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse, 1886), Genealogia da Moral, uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral, 1887), O Crepúsculo dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen Dämmerung, 1888), O Caso Wagner, um Problema para Músicos (1888), O Anticristo — Praga contra o Cristianismo (Der Antichrist, 1888), Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo, 1888) e outros títulos; Nietzsche tem suas obras editadas, reeditadas e traduzidas pelo mundo afora; o pensador tem sido rotineiramente estudado nos cursos de Filosofia.