____________________
[traduzido por Rubens Rodrigues
Torres Filho]
Não sou, por exemplo, nenhum
bicho-papão, nenhum monstro de moral — sou até mesmo uma natureza oposta à
espécie de homem que até agora se venerou como virtuosa. Entre nós, parece-me
que precisamente isso faz parte de meu orgulho. Sou um discípulo do filósofo
Diónysos, preferiria antes ser um sátiro do que um santo. [ . . . ] *
[ . . . ] Para aquilo a que não se
tem acesso por vivência, não se tem ouvido. [ . . . ] **
[ . . . ] Quem acreditou ter
entendido algo de mim, havia ajustado algo de mim à sua imagem — não raro um
oposto de mim, por exemplo, um “idealista”; quem não entendeu nada de mim,
negava que eu em geral entrasse em consideração. [ . . . ] ***
Ich bin
zum Beispiel durchaus kein Popanz, kein Moral-Ungeheuer — ich bin sogar eine Gegensatz-Natur zu der Art Mensch, die
man bisher als tugendhaft verehrt hat. Unter uns, es scheint mir, daß gerade
das zu meinem Stolz gehört. Ich bin ein Jünger des Philosophen Dionysos, ich
zöge vor, eher noch ein Satyr zu sein als ein Heiliger. [ . . . ]
[ . . . ] Wofür man vom Erlebnisse
her keinen Zugang hat, dafür hat man kein Ohr. [ . . . ]
[ . . . ] Wer etwas von mir
verstanden zu haben glaubte, hatte sich etwas aus mir zurechtgemacht, nach
seinem Bilde — nicht selten einen Gegensatz von mir, zum Beispiel einen
»Idealisten«; wer nichts von mir verstanden hatte, leugnete, daß ich überhaupt
in Betracht käme. [ . . . ]
Notas do atrevidíssimo
aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: Os aforismos/sentenças ora
transcritos, citados pela autora Scarlett Marton em seu ensaio histórico-biográfico Nietzsche — uma Filosofia a marteladas [tópico Introdução, págs. 9 e 10], originalmente constam em Os Pensadores Volume XXXII: Nietzsche — Obras incompletas, tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho,
conforme abaixo:
* Os Pensadores XXXII, 1974, Abril
Cultural: Ecce homo — como tornar-se o que se é, Prólogo, § 2, pág. 373;
** Os Pensadores XXXII, 1974, Abril
Cultural: Ecce homo — como tornar-se o que se é, Por que escrevo livros tão
bons, § 1, pág. 383;
*** Idem.
____________________
Nietzsche — uma filosofia a marteladas:
Scarlett Marton, Seleção de Textos de Gérard Lebrun, Introdução e Notas de Scarlett Marton,
Tradução das sentenças e aforismos nietzscheanos de Rubens Rodrigues Torres
Filho e Scarlett Marton, Coleção Tudo é História nº 133, 1ª reimpressão da 5ª
edição, 1999, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844
— 1900), nascido em Röcken, Província da Saxônia, Prússia, atual Alemanha, foi filósofo,
filólogo, crítico cultural, professor, poeta e compositor; estudou na Universidade
de Bonn, transferiu-se para a Universidade de Leipzig e foi professor de Filologia
Clássica na Universidade de Basiléia, Suiça; escreveu e publicou O Nascimento da
Tragédia no Espírito da Música (Die Geburt der Tragödie aus dem Geiste der Musik,
1872), A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos (textos que remontam a 1873, publicados
postumamente), David Strauss, o Confessor e o Escritor (David Strauß. Der Bekenner
und der Schriftsteller, 1873), Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos
Livres (Menschliches, Allzumenschliches, primeira parte originalmente publicada
em 1878 e versão final publicada em 1886), Schopenhauer como Educador (Shopenhauer
als Erzieher, 1874), Richard Wagner em Bayreuth (1876), Aurora, Reflexões sobre
Preconceitos Morais (Morgenröte. Gedanken über die moralischen Vorurteile, 1881),
A Gaia Ciência (Die fröliche Wissenschaft, 1882), Assim Falou Zaratustra, um Livro
para Todos e para Ninguém (Also sprach Zarathustra, 1883 — 1885), Além do Bem e
do Mal, Prelúdio para uma Filosofia do Futuro (Jenseits von Gut und Böse, 1886),
Genealogia da Moral, uma Polêmica (Zur Genealogie der Moral, 1887), O Crepúsculo
dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (Götzen Dämmerung, 1888), O Caso Wagner,
um Problema para Músicos (1888), O Anticristo — Praga contra o Cristianismo (Der
Antichrist, 1888), Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é (Ecce Homo,
1888) e outros títulos; Nietzsche tem suas obras editadas, reeditadas e traduzidas
pelo mundo afora; o pensador tem sido rotineiramente estudado nos cursos de Filosofia.