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[traduzido por Luís Antônio Pimentel]
Dançarei numa alfombra de verdura.
O vinho será posto em taça de ouro,
própria para servir um licor louro,
brindando a noite plena de frescura.
Dançarei como a terra, a terra pura,
como a terra serei algum tesouro,
e o dar-me pura não será desdouro,
pois dar-se é uma alta forma de ternura.
Dançarei para que de tudo esqueças
e hei de embriagar-te, amor, sem que adormeças,
até que Vênus passe pelos céus.
Algo, porém, de ti será escondido,
porque pagã, de um século falido,
não deixarei cair todos os véus.
Moderna
Yo danzaré en alfombra de verdura,
ten pronto el vino en el cristal
sonoro,
nos beberemos el licor de oro
celebrando la noche y su frescura.
Yo danzaré como la tierra pura,
como la tierra yo seré un tesoro,
y en darme pura no hallaré desdoro,
Que darse es una forma de la Altura.
Yo danzaré para que todo olvides
y habré de darte la embriaguez que
pides
hasta que Venus pase por los
cielos.
Mas algo acaso te será escondido,
que pagana de un siglo empobrecido
no dejaré caer todos los velos.
* Nota do Organizador Vasco de
Castro Lima: Embora tenha nascido na Suíça, é
considerada argentina, porque na Argentina viveu toda a sua vida. Forma, com
Gabriela Mistral e Juana de Ibarbourou, o trio feminino de maior inspiração
poética no Continente [América do Sul, México e Caribe], em língua espanhola.
Suicidou-se em Mar del Plata, apressando o fim de seu mal incurável.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto: Vasco
de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987,
Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Alfonsina
Storni Martignoni (1892 — 1938), nascida em Sala Capriasca — Suíça, filha de pais
argentinos, foi poeta, atriz e professora; aos 4 anos de idade retornou à Argentina,
tendo, a partir daí, levado uma vida com dificuldades financeiras e, para o sustento
da família, trabalhou como costureira e operária; já aos 12 anos, Alfonsina escreveu
seus primeiros versos, e, logo depois, como operária em fábrica de gorros, se destacou
por seu humor e participação “na luta pelas reivindicações sociais, engajada nas
fileiras anarquistas”; também teve destaque em experiências como atriz em companhia
teatral e, em turnê que durou um ano, se apresentou em várias localidades do país;
estudou na Escuela Normal Mixta de Maestros Rurales de Coronda, onde também trabalhou,
depois de formada mudou-se para Rosário e ali exerceu o ofício de professora, colaborou
regularmente nas revistas Mundo Rosarino e Monas y Monadas, tornando-se dirigente
do Comitê Feminista de Santa Fé; já em Buenos Aires, agora trabalhando em farmácia
e também como vendedora de loja, logo tornou-se “corresponsal psicológico”, na empresa
Freixas Hermanos, importadora de azeite de oliva; estreou com seu primeiro livro
(La inquietud del rosal), fez suas primeiras colaborações literárias nas revistas
Caras y Caretas, Fray Mocho, El Hogar, Mundo Argentino, La Nota, estabeleceu vínculos
com o grupo intelectual da revista Nosotros, participou de saraus, passou a recitar
seus poemas em bibliotecas, prosseguiu com a militância em grupos feministas e socialistas;
depois, colaborou com o jornal La Nacion, fazendo uso do pseudônimo Tao-Lao; continuando
no desempenho da atividade de professora, lecionou em várias escolas: Colegio Marcos
Paz, Escuela de Niños Débiles del parque Chacabuco, Instituto de Teatro Infantil
Labardén, Escuela Normal de Lenguas vivas, Conservatório de Música y Declamación
e Escuela de Adultos Bolivar, onde, em aulas noturnas, ensinou “castellano y aritmética”; suas obras: La inquietud
del rosal (1916), El Dulce daño (1918), Irremediablemente (1919), Languidez (1920),
Ocre (1925), Poemas de Amor (poemas em prosa, 1926), Mundo de siete pozos (1934),
Mascarilla y trébol (1938) e outros títulos em prosa e verso e peças teatrais; com
suas atitudes inovadoras, as mulheres do seu tempo, umas a admiravam e outras a
viam como perigosa e, com a publicação do poema 'La Loba', Alfonsina causou escândalo;
recebeu premiações por sua obra; consta que a poeta suicidou-se caminhando para
dentro do mar, e tal ato foi registrado poeticamente na canção ‘Alfonsina y el mar’
gravada por Mercedes Sosa; teve seu corpo resgatado do oceano no dia 25 de outubro
de 1938; três dias antes de suicidar-se enviou para publicação em um jornal o soneto
‘Voy a dormir’.
