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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Alex Polari: 12.207

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Desembarcamos
os ferros foram lançados
no porto e nos pulsos
enquanto fomos expulsos
da vida e do continente
estando sujeitos ao pulsar
de incríveis sentimentos
e ao sabor
das ondas e das contingências
rondamos em redor
das continências dos guardas.

Depois da viagem
da travessia e do enjoo
nos colocaram em uma sala
tiraram nossa roupa
nos revistaram, nos vestiram
nos revestiram de oco
e fizeram a chamada.

Ganhei um número de registro
e por um instante
perdi as esperanças.


Poesia Jovem  anos 70, orgs. Heloísa Buarque
 de Hollanda e Carlos Alberto Messeder Pereira,
 (Abril Educação, 1982, São Paulo  SP)

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Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 70, Seleção e Prefácio de Afonso Henriques Neto, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2009, São Paulo SP; Alex Polari de Alverga, paraibano de João Pessoa, nascido em 1951, militante político contra a ditadura militar nas décadas de 1960 e 1970, foi condenado à prisão perpétua e, após passar nove anos preso, anistiado em 1979; ainda na prisão, escreveu e publicou Inventário de Cicatrizes (poemas, 1978, Global, São Paulo SP) e Camarim de Prisioneiro (1980, Global, São Paulo SP); posteriormente, como um dos principais líderes da tradição religiosa do Ayahuasca ou Santo Daime, publicou, sobre o tema, Livro das Mirações (1984, Rocco, Rio de Janeiro RJ), O Guia da Floresta (1992, Record, Rio de Janeiro RJ) etc; como líder comunitário e ambientalista, dirige projetos sociais e ambientais na Floresta Nacional do Purus no Amazonas.