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(No álbum de Maria Clara da
Cunha Santos)
Véu de tristeza a terra e os
céus invade;
de espaço a espaço, ave
agourenta pia;
o orvalho chora, e, em lenta
suavidade,
badala o sino ao longe — Ave Maria.
Ave Maria, essa hora em que à
saudade
de luz, se junta o horror à
treva fria,
tão cheia de mistérios e
ansiedade,
tão represada de melancolia!
Cheguei também da vida a essa
hora triste,
Crepúsculo, em que o sol já
não existe,
em que a luz da ilusão desaparece.
Horas ardentes em que o sol
fulgura!
horas de amor! de glória! de ventura!
Dia! porque me foges?
Anoitece...
A Mensageira, de 15 de Maio de 1898,
Ano I, nº 15, São Paulo — SP
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A
Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira,
Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900), Edição fac-similar,
Volume I, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika
Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo —
SP; Adelina Amélia Lopes Vieira (1850 — 1923), portuguesa de Lisboa, desde seu primeiro
ano de idade vivendo no Rio de Janeiro, educada no Colégio das Irmãs de Caridade,
bairro do Botafogo, formada na Escola Normal do Rio de Janeiro, foi professora,
jornalista, poeta, contista e teatróloga; colaborou em jornais e revistas brasileiras,
entre as quais Gazeta de Campinas, Correio Paulistano, A Semana, O Tempo, Jornal
do Commercio, Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro e A Mensageira; suas obras:
Margaritas (poesias, 1878), Pombal (1880), Contos Infantis (em co-autoria com Júlia
Lopes de Almeida, 1886), Destinos (contos, 1900), A virgem de Murilo, As duas dores
e Expiação (dramas, todos sem data); traduziu a comédia teatral A Terrina (de Ernesto
Hervelly, 1909); no periódico A Semana, foi responsável pela coluna Palestras Femininas, mais
tarde esta coluna passou a também ser publicada n’A Mensageira.

