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quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Oscar Wilde: Balada do Cárcere de Reading [trecho]

 

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[traduzido por Gondin da Fonseca]

À memória de C.T.W.
Soldado que foi da Real Guarda Montada.
Morreu na Prisão de Sua Majestade, Reading, Berkshire
7 de julho de 1896.

I

Ele despira a túnica vermelha;
      mas sangue púrpuro, encarnado,
sangue e vinho das mãos lhe gotejavam,
      quando o viram, alucinado,
junto do leito dela,  o seu amor,
      seu pobre amor apunhalado.

Ia andando entre os mais, e era cinzento
      o traje velho que vestia.
Usava um gorro às listas, e o seu passo
      ligeiro e alegre parecia.
Porém eu nunca vi homem que olhasse,
      tão anelante, a luz do dia.

Jamais, jamais vi homem contemplar,
      com tão profundo sentimento,
essa breve, essa estreita faixa azul
      que os presos chamam firmamento:
e as nuvens brancas, velas cor de prata,
      vogando no ar, flutuando ao vento!

Eu, com outras almas angustiadas, ia
      andando em pátio separado,
a cismar qual o crime, grande ou leve,
      por que o teriam condenado,
 quando alguém sussurrou atrás de mim:
      "vão pendurar esse coitado!"

Jesus! as próprias grades da prisão
      rodam, de súbito, em delírio!
Pesa o céu sobre mim, qual elmo de aço
      que o Sol inflama,  ardente círio!
E a minha alma, de mágoas trespassada,
      esquece, olvida o seu martírio.

Eu soube, então, a idéia lacerante
      que o atormenta, e o faz correr,
e o faz olhar, tristonho, o céu radiante,
      radiante, e alheio ao seu sofrer:
ele matou aquela que adorava,
      — por causa disso vai morrer.

No entanto (ouvi!) cada um mata o que adora:
      o seu amor, o seu ideal.
Alguns com uma palavra de lisonja,
      outros com um frio olhar brutal.
O covarde assassina dando um beijo,
      o bravo mata com um punhal.

Uns matam o Amor velhos; outros, jovens;
      (quando o amor finda, ou o amor começa);
matam-no alguns com a mão do Ouro, e alguns
      com a mão da Carne,  a mão possessa!
E os mais bondosos, esses apunhalam,
      — que a morte, assim, vem mais depressa.

[ . . . ]

Oscar Wilde

The Ballad of Reading Gaol*

In Memoriam
C. T. W.
Sometime Trooper oh the Royal Horse Guards.
Obit H. M. Prision, Reading, Berkshire,
July 7th, 1896

I

He did not wear his scarlet coat,
      For blood and wine are red,
And blood and wine were on his hands
      When they found him with the dead,
The poor dead woman whom he loved,
      And murdered in her bed.

He walked amongst the Trial Men
      In a suit of shabby grey;
A cricket cap was on his head,
      And his step seemed light and gay;
But I never saw a man who looked
      So wistfully at the day.

I never saw a man who looked
      With such a wistful eye
Upon that little tent of blue
      Which prisoners call the sky,
And at every drifting cloud that went
      With sails of silver by.

I walked, with other souls in pain,
      Within another ring,
And was wondering if the man had done
      A great or little thing,
When a voice behind me whispered low,
      "That fellow's got to swing."

Dear Christ! the very prison walls
      Suddenly seemed to reel,
And the sky above my head became
      Like a casque of scorching steel;
And, though I was a soul in pain,
      My pain I could not feel.

I only knew what hunted thought
      Quickened his step, and why
He looked upon the garish day
      With such a wistful eye;
The man had killed the thing he loved,
      And so he had to die.

Yet each man kills the thing he loves,
      By each let this be heard,
Some do it with a bitter look,
      Some with a flattering word,
The coward does it with a kiss,
      The brave man with a sword!

Some kill their love when they are young,
      And some when they are old;
Some strangle with the hands of Lust,
      Some with the hands of Gold:
The kindest use a knife, because
      The dead so soon grow cold.

[ . . . ]

* Nota do tradutor Gondin da Fonseca: Texto da 7ª edição da "Balada". Leonard Smithers, Londres, 1899.
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O Livro de Ouro da Poesia de Angústia, Sofrimento e Morte — edição bilíngue (diversos autores), tradução de Gondin da Fonseca, sem data, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Oscar Wilde (1854 1900), irlandês de Dublin, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, estudou no Trinity College Dublin e na Universidade de Oxford, desde jovem falava fluentemente o francês e o alemão, foi poeta, dramaturgo, contista, novelista, romancista e jornalista; desde 1879 passou a viver em Londres; em 1895, Oscar Wilde foi condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor e homossexualismo, apesar de inúmeras intervenções por clemência vindas de setores progressistas e dos mais importantes círculos literários da Europa e, por consequência, teve seus livros recolhidos e suas comédias retiradas de cartaz; obras: Poems (coletânea de poesias publicadas em periódicos e revistas durante o tempo da faculdade, 1881), The Happy Prince and Other Stories (O Príncipe Feliz e Outros Contos, 1888), A Hopuse of Pomegranates (Uma Casa de Romãs, contos, 1891), The Picture of Dorian Gray (O Retrato de Dorian Gray, romance, 1891), Salome (Salomé, tragédia em um ato, 1891), The Importance of Being Earnest (peça teatral cômica, 1895), The Ballad of Reading Gaol (A Balada do Cárcere de Reading, poema escrito na prisão, 1896), De Profundis (longa carta a Lord Alfred Douglas, escrita da prisão, primeira publicação em 1897) e outros textos em verso e prosa e para dramaturgia.

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Edgar Allan Poe: Eldorado

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[traduzido por Gondin da Fonseca]

Garboso, ligeiro,
       bravo cavaleiro,
Ao sol e à sombra, sem cuidado,
       ia caminhando,
       e cantarolando
uma canção, em busca do Eldorado.

       Quando a idade breve,
       o cobriu de neve,
viu-se de sombra amortalhado...
       E um pesar profundo
       teve, pois, no mundo,
nada encontrou, feito o Eldorado.

       Já sem força, um dia,
       viu a sombra fria
de um peregrino; e, angustiado,
       perguntou: “aonde,
       aonde se esconde
ó sombra, o reino do Eldorado?”

“Para além da Lua,
       há uma terra nua,
Vale de Sombras, povoado...
       Avança ligeiro,”
       disse-lhe o romeiro,
“se é que procuras o Eldorado”.

Poe

Eldorado

Gaily bedight,
       A gallant knight,
In sunshine and in shadow
       Had journeyed long
       Singing a song
In search of Eldorado.

       But he grew old...
       This knight so bold...
And o'er his heart a shadow
       Fell as he found
       No spot of ground
That looked like Eldorado.

       And, as his strength
       Failed him at length
He met a pilgrim shadow...
       "Shadow," said he,
       "Where can it be
This land of Eldorado?"

       "Over the Mountains
       Of the Moon
Down the Valley of the Shadow,
       Ride, boldly ride,"
       The shade replied,
"If you seek for Eldorado!"
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O Livro de Ouro da Poesia de Angústia, Sofrimento e Morte — edição bilíngue (diversos autores), tradução de Gondin da Fonseca, sem data, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Edgar Allan Poe (1809 1849), norte-americano nascido em Boston Massachusetts, foi escritor, contista, romancista, poeta, crítico literário, conferencista e editor; Poe, órfão de mãe e com o pai abandonando a família, foi acolhido por família rica, o que lhe possibilitou boa educação; ingressou na Universidade de Virgínia, se destaca em Línguas Românicas antigas e modernas (neolatinas); envolveu-se com mulheres, bebidas e jogos, se endividou, saiu da faculdade, engajou-se no exército, de onde foi expulso por indisciplina; escreveu abundantemente e publicou seus textos em uma diversidade de jornais e revistas, ganhou diversos prêmios; foi colaborador no jornal Messenger, de Richmond, no qual chegou a ser editor; também foi editor associado da revista Burton’s Gentleman’s Ma­gazine e da Graham’s, além de ter tido acesso e contribuído em outros periódicos; Edgar Allan Poe, escrevendo contos de terror, policiais e de mistério, é tido como inaugurador de um novo gênero e estilo na literatura, sendo considerado figura expoente do romantismo americano e tendo influenciado e inspirado muitos escritores Melville, Conan Doyle, Agatha Christie, Chesterton, Jorge Luis Borges e outros; suas obras: em poesia, Tamerlane and other Poems (1827), Al Aaraaf (1829), The City in the Sea (1831), Silence (1840), Lenore (1843), The Raven (O Corvo, 1845), A Dream Within a Dream (1849), Annabel Lee (1849), The Bells (1849), em prosa, contos, Berenice (1835), The Fall of the House of Usher (A Queda da Casa de Usher, 1839), The Murders in the Rue Morgue (Os Assassinatos da Rua Morgue, 1841), The Pit and the Pendulum (O Poço e o Pêndulo, 1842), The Gold-Bug (O Escaravelho de Ouro, 1843), The Black Cat (O Gato Preto, 1843), The Cask of Amontillado (O Barril Amontillado, 1846), The philosophy of composition (A Filosofia da Composição — ensaio-análise do poema O Corvo, 1846), e outros textos em verso e prosa.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Álvaro Armando: Adelmar Tavares

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A. T.

(ad imortalitatem)

Modesto, a vida no Jornal Pequeno
Começou em Recife. E passo a passo,
Foi na Imprensa ocupando mais espaço,
Na arte do verso a conquistar terreno.

A Fortuna tomou-o em meigo aceno,
Ao alto conduzindo-o pelo braço.
Juiz, em suas sentenças vê-se o traço
Do defensor da lei, justo e sereno.

Adelmar Tavares

Em “rimas” e “autos” vive o Juiz imerso.
Poeta, lê dos processos frente e “verso”,
Com a justeza do metro “pronuncia”

E magistrado na curul augusta,
Dá a poesia expressão humana e justa
E faz justiça como faz poesia.

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Helena Ferraz, em evento na ABI
(na foto, a única mulher)
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Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando, Caricaturas de Théo e Apresentação-prefácio de Gondin da Fonseca, 1947, Editora Civilização Brasileira S. A., Rio de Janeiro — RJ; Álvaro Armando, pseudônimo de Helena Ferraz de Abreu (1906 1979), natural do Rio de Janeiro, foi escritora e jornalista; nascida Helena Marília Bastos Tigre (filha do poeta Bastos Tigre, a quem só veio a conhecer quando mocinha, proibida que fora por seus ‘dela’ familiares), já aos oito anos escrevia crônicas e poesias para o jornal manuscrito O Potoka; depois, criou o Correio Universal (suplemento semanal que circulava em dezenas de jornais espalhados pelo país), colaborou nos jornais Correio da Manhã (foi responsável pela coluna 'Pingos e Respingos'), O Jornal, dos Diários Associados, (escreveu a coluna ‘Janela Indiscreta’), O Globo (colunas diárias em ‘Humorglobinas’ e ‘Na Boca do Globo’), dirigiu A Cigarra Feminina (suplemento de A Cigarra), além de ter trabalhado em revistas de grande circulação nacional, como Careta e Manchete; Helena Ferraz também exerceu atividades em publicidade e em programas radiofônicos e televisivos (Rádio MEC, Rádio Globo e TV Tupi); satirizou figuras públicas da época; foi eleita a primeira mulher diretora na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e, até o fim da vida, dirigiu a Biblioteca Bastos Tigre; teria sido o uso do pseudônimo masculino, Álvaro Armando, que a pusera tão à vontade no exercício da poesia satírica, o que tornara possível uma extensa carreira em jornais de grande circulação e destaque no Brasil da época; bibliografia: Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando (ilustrações de Théo, 1947).

domingo, 15 de setembro de 2019

Álvaro Armando: Carmen Miranda

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C. M.

Pôs o Samba dos pés subindo à boca.
Gingou. Quebrou. Mexeu. Sambou. Cantou.
E a gente séria foi ficando louca
Quando a Baiana o Rio conquistou.

Abafar o Brasil é coisa pouca.
E os Estados Unidos “abafou”.
A “atômica”, a seu lado, nem espouca!
Tem mesmo candomblé, de pai Xangô.

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Carmen Miranda

Hoje é bamba mundial. Pra lá de rica.
Vira as mãos, mexe os olhos e os quadris,
Só sabendo contar dólar, aos mil.

E, se inda há gente má que a classifica
Do Samba do brasil em baixa... atriz,
É Embaixatriz do samba do Brasil.

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Helena Ferraz, em evento na ABI
(na foto, a única mulher)
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Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando, Caricaturas de Théo e Apresentação-prefácio de Gondin da Fonseca, 1947, Editora Civilização Brasileira S. A., Rio de Janeiro — RJ; Álvaro Armando, pseudônimo de Helena Ferraz de Abreu (1906 1979), natural do Rio de Janeiro, foi escritora e jornalista; nascida Helena Marília Bastos Tigre (filha do poeta Bastos Tigre, a quem só veio a conhecer quando mocinha, proibida que fora por seus ‘dela’ familiares), já aos oito anos escrevia crônicas e poesias para o jornal manuscrito O Potoka; depois, criou o Correio Universal (suplemento semanal que circulava em dezenas de jornais espalhados pelo país), colaborou nos jornais Correio da Manhã (foi responsável pela coluna 'Pingos e Respingos'), O Jornal, dos Diários Associados, (escreveu a coluna ‘Janela Indiscreta’), O Globo (colunas diárias em ‘Humorglobinas’ e ‘Na Boca do Globo’), dirigiu A Cigarra Feminina (suplemento de A Cigarra), além de ter trabalhado em revistas de grande circulação nacional, como Careta e Manchete; Helena Ferraz também exerceu atividades em publicidade e em programas radiofônicos e televisivos (Rádio MEC, Rádio Globo e TV Tupi); satirizou figuras públicas da época; foi eleita a primeira mulher diretora na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e, até o fim da vida, dirigiu a Biblioteca Bastos Tigre; teria sido o uso do pseudônimo masculino, Álvaro Armando, que a pusera tão à vontade no exercício da poesia satírica, o que tornara possível uma extensa carreira em jornais de grande circulação e destaque no Brasil da época; bibliografia: Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando (ilustrações de Théo, 1947).

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Álvaro Armando: Bastos Tigre

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B. T.

Com relógio no prego e cerveja no lombo,
Vivendo na boemia, explosivo por vezes,
Ao redor de Bilac e Emilio de Menezes,
Inflamava a Pascoal, punha fogo à Colombo.

Hoje, que o arranha-céu na poesia dá o tombo,
Sem lusos bigodões nem vinhos portugueses,
É um tipo bonachão, tem hábitos burgueses,
Com relógio no pulso e trabalho no lombo.

Bastos Tigre

Mas aos versos fiel, desse mal não se cura.
A inspiração mordaz, cheia de humor, vadia,
Guarda sob a expressão burocrática e sonsa.

E indago: os seus irmãos pela literatura
Que lhe negam entrada à “sábia” Academia.
São amigos do Tigre ou amigos da... onça?

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Helena Ferraz, em evento na ABI
(na foto, a única mulher)
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Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando, Caricaturas de Théo e Apresentação-prefácio de Gondin da Fonseca, 1947, Editora Civilização Brasileira S. A., Rio de Janeiro — RJ; Álvaro Armando, pseudônimo de Helena Ferraz de Abreu (1906 1979), natural do Rio de Janeiro, foi escritora e jornalista; nascida Helena Marília Bastos Tigre (filha do poeta Bastos Tigre, a quem só veio a conhecer quando mocinha, proibida que fora por seus ‘dela’ familiares), já aos oito anos escrevia crônicas e poesias para o jornal manuscrito O Potoka; depois, criou o Correio Universal (suplemento semanal que circulava em dezenas de jornais espalhados pelo país), colaborou nos jornais Correio da Manhã (foi responsável pela coluna 'Pingos e Respingos'), O Jornal, dos Diários Associados, (escreveu a coluna ‘Janela Indiscreta’), O Globo (colunas diárias em ‘Humorglobinas’ e ‘Na Boca do Globo’), dirigiu A Cigarra Feminina (suplemento de A Cigarra), além de ter trabalhado em revistas de grande circulação nacional, como Careta e Manchete; Helena Ferraz também exerceu atividades em publicidade e em programas radiofônicos e televisivos (Rádio MEC, Rádio Globo e TV Tupi); satirizou figuras públicas da época; foi eleita a primeira mulher diretora na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e, até o fim da vida, dirigiu a Biblioteca Bastos Tigre; teria sido o uso do pseudônimo masculino, Álvaro Armando, que a pusera tão à vontade no exercício da poesia satírica, o que tornara possível uma extensa carreira em jornais de grande circulação e destaque no Brasil da época; bibliografia: Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando (ilustrações de Théo, 1947).