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quarta-feira, 22 de maio de 2019

Luís Murat: Ao Fim da Jornada *

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Dores  águas que vão e voltam... Águas
Do coração, sem margens e sem fundo.
Ides a vida entre parcéis e fráguas,
Prolongando a esse eterno moribundo.

Onde, pois, ancorar? Saudades? Trago-as
Em torrentes de lágrimas e inundo
Com elas meu caminho e minhas mágoas,
Tão diversas das mágoas deste mundo.

Tudo me foi contrário! A adolescência
Vendo-me o rosto pálido e desfeito,
Sorriu-me com um sorriso de piedade.

E, assim, atravessei essa existência,
Sem ver um só desejo satisfeito,
Quer na velhice, quer na mocidade!



* Nota da Flávia Amparo: Este soneto foi publicado após a morte do poeta. (Hemeroteca do Arquivo Luís Murat, Julho de 1929. Centro de Memória da ABL.)
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Luís Murat — Série Essencial 58, Academia Brasileira de Letras, Organização de Flávia Amparo, 2012, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Luís Norton Barreto Murat (1861 — 1929), fluminense de Itaguaí, formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo  atual USP Largo São Francisco , foi poeta, jornalista e político; fez sua estreia literária em 1879, no Ensaio Literário, um jornal redigido por ele e outros colegas, ainda em São Paulo; mudando-se para o Rio de Janeiro, fundou o jornal Vida Moderna, depois colaborou no Cidade do Rio, jornal de José do Patrocínio, em A Rua e outros periódicos cariocas; bibliografia: Quatro poemas (livro de estreia, 1885), A última noite de Tiradentes (poema dramático, 1886), Ondas — 1ª série (1890), Ondas — 2ª série (1895), Ondas — 3ª série (1910), Ritmos e Ideias (1920) etc.; Luís Murat foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, cabendo-lhe a cadeira nº 1 cujo patrono o poeta Adelino Fontoura.