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“... uma família de espíritos
finos e medidos, cujo maior defeito estaria em certa propensão para rebuscar,
ora a frase, ora o conceito.”
Antonio Cândido (Literatura
caligráfica)
façamos
a revolução
antes que o povo a faça
antes que o povo à praça
antes que o povo a massa
antes que o povo na raça
antes que o povo: A FARSA
o
senso grave da ordem
o censo grávido da ordem
o incenso e o gáudio da ordem
a infensa greve da ordem
a imensa grade DA ORDEM
terra
do lume e do pão
terra do lucro e do não
terra do luxo e do não
terra do urso e do não
terra da usura e DO NÃO
mais
da lei que dos homens
mais da grei que os come
mais do dê que do tome
mais do rei que do nome
mais da rês que DA FOME
num
peito de ferro
é um coração de ouro
é o quorum a ação do ouro
é o coro a ação do ouro
é a cor a ópio-ação do ouro
é a gorda nação DO OURO
modesto
como convém
austero
como é do gosto
aufere como é do gosto
ao ferro como é do gosto
ar estéril como é do gosto
austero comendo A GOSTO
solidário
só no câncer
solidário só no câmbio
solidário só na canga
solidário só na campa
solidário só NA CAMA
aos
inimigos bordoada
aos
amigos marmelada
aos contíguos marmelada
aos conspícuos marmelada
aos promíscuos marmelada
aos ambíguos MARMELADA
o
crime é não vencer
o crime é não vender
o crime é não vir a ser
o crime é não virar cedo
o crime é o NÂO VEZES CEM
libertas
quae sera tamen
liberto é o ser que come
livre terra ao sertanejo
livro aberto será a trama
LIBERTO QUE SERÁ O HOMEM
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Revolta e protesto na poesia brasileira — 142
poemas sobre o Brasil [diversas autorias], Organização e Apresentação de André Seffrin,
2021, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Affonso Celso Ávila (1928 — 2012),
mineiro de Belo Horizonte, foi ensaísta, jornalista, crítico, pesquisador e poeta;
colaborou com os jornais Diário de Minas, Estado de Minas e foi colunista do Estado
de São Paulo, entre outros periódicos; co-fundador da revista de vanguarda Tendência
e participante da revista Invenção, orientada para o concretismo, foi um dos organizadores
da Semana de Poesia de Vanguarda, evento realizado em 1963, em Belo Horizonte; dirigiu
a revista Barroco — Revista de Ensaio e Pesquisa, publicação do Centro de Estudos
Mineiros da UFMG, que se tornou leitura obrigatória a estudiosos do assunto; escreveu
e publicou O açude e Sonetos da descoberta (poesias, ambos em 1953), Carta do solo
(poesias, 1961) Frases-feitas (poesias, 1963), Resíduos Seiscentistas em Minas (ensaio,
dois volumes, 1967), O poeta e a consciência crítica (ensaio, 1969), Gertrude’s
instante (poema-postal, 1969), Código de Minas e Poesia anterior (ambos em 1969),
O lúdico e as projeções do mundo barroco (ensaio, 1971), Código nacional de trânsito
(poesias, 1972), Cantaria barroca (1975), Modernismo (ensaio, 1975), Discurso da
difamação do poeta (poesias, 1976), Masturbações (1980), Barrocolagens (1981), Delírios
dos cinquent’anos (1984), O visto e o imaginado (poesias, laureado com o Prêmio
Jabuti, 1990), Cantigas do Falso Alfonso El Sabio (poesias, 2006, obteve o Prêmio
Jabuti em 2007) etc., além de premiações.

